Lucky Ones
1 Capítulo 1 - A Nova Pessoa da Casa ao Lado
Kurt Hummel é um jovem velho de 17 anos, e vive numa aldeia velha. Estou a falar de mim, eu sou o jovem velho. Kurt é alto, magro e muito branco, mas não tanto como o açúcar. Kurt também é simpático e amigo, se tivesse amigos.
Kurt, ainda sou eu, só fala com o seu pai ao longo dos dias, pois a mãe dele morreu. Suicídio dizem, mas Kurt não sente falta da mãe. Kurt é um jovem forte e o menino popular da escola. Não acredite, não é verdade, Kurt nem vai à escola, fica a passar os dias na pequena quinta de Burt, o pai e o único amigo de Kurt, a aldeia onde morava era só de quintas. Sou eu.
Kurt ainda é, para choque das aldeias, embora estas nem o saibam, homossexual não-assumido. Pergunta-se como ele sabe se não tem amigos e rapazes para namorar, mas Kurt sabe porque até já fez coisas impróprias, isto segundo a igreja, a pensar nos homens que por vezes via na televisão. Mas Kurt não se interessa se é pecado ou não.
Kurt já pensou em suicídio, mas ainda não morreu, continua a viver miseravelmente, sem esperança.
É a minha pessoa e ela está apresentada, vamos então à história.
É verão. O sol incendeia as ruas da pequena aldeia com nome desconhecido. Na casa do Kurt, prepara-se o almoço. Eu é que estou a fazê-lo, na realidade. O meu pai tem que ir trabalhar para a garagem que tem numa cidade longe da patética aldeia, é o sustento da família, se não trabalhar não temos dinheiro.
"Olá filho." "Olá pai."
Hora de comer o almoço. O meu pai comenta que o almoço está bom, tomara, é das únicas coisas que faço bem, cozinhar. Adoro cozinhar. Cozinhar, roupas, musicais. O meu pai acha estranho os meus gostos, ele gosta de futebol, cerveja e carros. O almoço acaba.
"Xau filho." "Xau pai."
Passam horas, não há nada para fazer, a casa está limpa, a loiça lavada, dá um programa desinteressante na televisão. Só tenho cinco musicais e uma meia dúzia de revistas e nada é novo para fazer, para ler, para ver. O sol continua forte, lá no alto do céu limpo, o que fazer?
Passam minutos, e estou no baloiço de ferro, velho, colocado nas traseiras da casa e posso ver a minha, salvo seja, quinta toda, mas não o meu local favorito, um pequeno campo de ervas, escondido atrás de uns arbustos, perto do lago, é onde escapo do mundo cruél e entro no meu, só meu. Entretanto toca o telefone.
"Olá pai." "Olá Kurt. Esqueci-me de avisar, novos vizinhos estão a chegar. Já os viste?" "Novos vizinhos? Não chegaram. " "Quando chegarem podes ir ajudá-los, ouvi que tem filhos a mulher. Precisas de novos amigos." Fim da chamada, a palavra novos amigos soou-me algo impossível.
Estou no quarto, oiço alguma coisa a apitar. Vou à janela, um carro que nunca tinha visto está parado na casa da frente, pessoas que nunca tinha visto saem do mesmo. É mulher, e é um rapaz, os possíveis novos amigos que Burt estivera a referir-se.
"Boa tarde." "Boa tarde! És o nosso vizinho? Constance Anderson, prazer." "Kurt Hummel..." e um aperto de mãos sela a primeira conversa de vizinhos. "Os teu pais, Kurt?" "O meu pai está a trabalhar."
Constance sorriu e mudou de postura. "Só um momento, vou chamar o meu filho."
Entretanto, olho para o carro, grande e cheia de caixas com várias etiquetas, numa lia-se "Copos de vidro: cuidado", que família chique deveria ser esta, não se pode perder tempo a olhar para o carro, pois Constance volta ao largo.
"Kurt, este é o Blaine, o meu filho." e olho para o rapaz.
Então, estava Blaine ao pé da mãe, com um sorriso, tinha um cabelo com imenso gel, e um laço, ridículo diria, no pescoço, tinha estendido a mão, para me comprimentar, eu não a quero entregar a minha, mas tem que ser, Burt não quer que seja mal educado.
"Blaine Anderson." "Kurt Hummel" os nossos tons de voz combinam-se: as duas são aborrecidas, e chatas. Reparo nos olhos de Blaine, estão brilhantes, perfeitos, olho para a boca dele, esculpida por um anjo.
Paremos com isto do Blaine, ele já acabou a sua apresentação, e passou a dizer "Mãe, é melhor tirares já as minhas malas, e eu levo para o meu quarto." "Claro". Reparo que não há mais nada que eu possa fazer. "Kurt, se possível pode levar essa mala para o quarto do Blaine? É a única coisa que falta, ficaria muito grata", levo então a mala.
Blaine guia-me para o quarto dele. "Kurt Hummel, hein?", "Sim, Kurt Hummel" respondo azedamente, "Ainda vamos ser amigos", "Que bom, pergunto-me até quando", Blaine ficou confuso.
Chegamos ao quarto dele. "Podes colocar a mala ali, cuidado com ela.", e coloco a mala. Tempo de ir para casa.
"Kurt", chama Blaine, e vou lá ter com o rapaz novamente, mas subitamente ele aparece-me à frente com a mala que eu tinha carregado. Chocamos os dois, e Blaine cai no chão.
Eu reagi igualmente, cai para o chão, mas não pelo choque com Blaine, mas sim porque ele estava no chão, provavelmente magoado. Foi instinto. Olho para Blaine face a face, e vejo como ainda é mais perfeito, uma face macia, uma pele luminosa. Todo o seu rosto parecia ter sido esculpido por Deus, ou alguém ainda superior a ele.
"Estás bem?", pergunto aflito. "Sim, sim" riu-se, "Não te preocupe, Kurt", e então ele olha para mim.
Palavras não há, nem nunca irá haver, para descrever o que se sucedeu. Foi tudo mágico, o mundo parecia que só girava em torno de nós, a gravidade puxava o nossos corpos para os juntar, e formar um único ser. O momento parecia que nunca acabava. Estava ligado em Blaine, e Blaine estava ligado em Kurt, mas a ligação rompe-se.
"A minha mãe", diz Blaine, pondo-se de pé, "deu-te a mala errada!", "Queres que vá lá buscar a que queres?", "Não, não, eu vou lá". Vamos os dois então para o carro, ele à frente, eu atrás.
"A mala errada? Ora, não faz mal", diz Constance, então vira-se para mim, "Kurt, querido, nós depois iremos a tua casa, conhecer o teu pai", "Tudo bem", tempo de ir para casa. Pareço normal? Não estou, não depois do que houve com Blaine.
Em casa, encontro Burt, sentado no sofá. "Chegaste mais cedo do trabalho, pai?", "Não filho, venho do hospital", noto que há lágrimas no seu rosto.
"Filho, eu tenho um aneurisma. Posso morrer a qualquer momento."
Fale com o autor