Lucky Ones
10 Capítulo 9
Notas iniciais
Capítulo 9
—Vamos sair daqui – disse ele, subitamente.
—O quê? Agora? – enfrentei o seu olhar azul, tão azul com aquele lindo dia de sol.
—Samantha – aproximou o seu rosto do meu de tal forma que aqueles lindos globos azuis eram a única coisa que eu conseguia encarar. – Preciso de ti. Por favor, vamos embora daqui.
—Mas… — sem esperar que eu terminasse a frase os seus lábios encostaram-se aos meus, sem obrigar-me a fazer coisa alguma. Era apenas um carinho que ele tinha necessidade de fazer. Estonteada pelo seu ato, nem me apercebi que tinha fechado os olhos e correspondido ao beijo subtilmente.
—Por favor – pediu ele.
—Está bem – concordei, também num sussurro.
Saímos da festa, sem nos preocupar-nos com despedidas. Quando chegámos a casa dele, os seus lábios voltaram a colar-se aos meus, sem pressa alguma. Ele tinha sentido a minha falta, percebi isso. Talvez tanto como eu tinha sentido a sua falta.
—Klaus… — murmurei quando ele começou a beijar-me o pescoço.
Subimos as escadas entre beijos e carícias. Não, nós não tínhamos pressa, mas urgência para chegar ao quarto para termos a nossa privacidade.
—Sam… — as suas mãos envolveram-me o rosto enquanto fechava a porta com um pontapé. – Tu nem imaginas o quanto senti a tua falta.
O seu beijo não me deixou responder e as suas mãos foram para o zíper do meu vestido, abrindo-o lentamente. Comecei a desfazer o nó da sua gravata, apreciando o tempo que tínhamos. Estavam todos na festa, ninguém nos iria incomodar. Este seria um tempo só para nós.
E eu tinha sentido a sua falta. O seu toque, os seus beijos, até mesmo os seus planos diabólicos que me davam a oportunidade de o contrariar. Klaus era o único que me dava a possibilidade de ser feliz, não importava o quanto finito esse “felizes para sempre” fosse. Mas naquele momento, eu sentia-me tão feliz que acreditava veemente que seria eternamente feliz com ele.
***
—Por favor, não vás embora – pediu ele, colocando um braço á volta do meu corpo, impedindo-me de sair da cama.
—Para onde é que eu poderia ir? – perguntei e Klaus riu.
—Eu não sei. Dá-me uma sugestão. Onde gostarias de ir? New York? Paris? – beijou o meu ombro.
—Eu estava a pensar que podia ficar por aqui. Afinal, estou a construir um negócio e, por falar nisso, terei que comparecer na loja amanhã.
—Mas é só amanhã – sublinhou ele, sorrindo.
—Sim, só amanhã.
—Então isso dá-ma a possibilidade de fazer isto – beijou o meu ombro de novo, enquanto a sua mão descia para a minha anca. – E isto – beijou a minha têmpora. – E isto – finalmente os seus lábios encontraram-se com os meus e o nosso momento a sós continuou.
Sim, eu podia ser feliz sem ele, mas haveria sempre uma peça em falta, a não ser que eu desligasse a minha humanidade. Mesmo assim, isso já se revelou algo que não dura por muito tempo porque não é a raiva que me traz de volta, mas sim o amor que tenho por ele.
A vantagem de o conhecer há mil anos é que eu sabia que o que sentia por ele era mútuo. Klaus também me amava mas tinha uma forma diferente de o expressar. Por vezes afastava-me, por vezes trazia-me para mais perto dele, mas de alguma forma a nossa conexão nunca se ia embora. Éramos como ímanes: por mais afastados que estivéssemos, voltaríamos sempre um para o outro. O que eu mais desejava era poder ficar um pouco mais com ele, não queria que nada nos separasse de novo.
Quero dizer, já tivemos mil anos para crescer. Já não somos simples humanos inocentes, somos vampiros e a eternidade pode ser ou a nossa maldição ou a nossa vantagem. Eu preferia usá-la como vantagem. Viajar sozinha pode ser muito bom e mostrar quanto podemos ser independentes, mas há sempre algo para onde voltar. E Klaus era a minha âncora neste mundo. Ele era o motivo para eu voltar sempre ao meu ponto de início.
©AnaTheresaC
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