Lucille
8 Paixões Proibidas
Notas iniciais
Lucille
Estava saindo do prédio carregando Daryl quando escuto o assobio de Negan bem perto, levanto o olhar e o vejo de pé a minha frente segurando seu taco, rodeado de homens. Ele sorri depois balança o dedo, fazendo sinal para que eu ficasse parada.
—Minha querida e doce Lucille, o que eu faço com você hein? Cada vez me decepciona mais, pensei que teria um plano descente para tirar seu amiguinho daqui. Mais não! Fez exatamente o contrário, não poderia esperar um erro deste tipo vindo de você, isso é coisa de amador. Você é mais do que isso não é?
—Sou mais do que pensa. –digo erguendo meu queixo. –Quem está desapontada sou eu, afinal você precisou de 15 homens para me enfrentar enquanto carrego um homem machucado. Está com medinho Negan?
—Lucille, Lucille, não me provoque. Sabemos muito bem onde isso vai acabar e eu não quero machucar você, baby.
—Não pode me machucar Negan, sabe disso não é? Nada do que fizer vai me machucar, você não tem esse poder sob mim.
—Lucy. –sussurra Daryl, Negan observa Daryl apoiado em mim, dá um sorriso sádico.
—Patético! –diz rindo. –Vamos resolver isso agora em casa querida, porque isso aqui me deixou meio puto. Seu amigo pode ser levado ao médico, meus homens vão ajudar ele a se limpar, afinal aqui ninguém fica fedendo aqui no Santuário. Não somos porcos. –gargalha de uma piada que não compreendo.
Um dos homens dele segura Daryl, ele me olha, parece preocupado, mas não demonstra muito. Sinto meu cabelo ser puxado, enquanto Negan me arrasta de volta para casa, como um verdadeiro homem das cavernas.
—Quer me soltar? Eu não sou seu cachorrinho porra! –grito furiosa.
—Não, você é minha mulher, só que ultimamente você tem se esquecido disto.
—Tá falando sério? Ciúmes Negan?
—Sim e você sabe disso. –diz e me joga na cama, pelo menos não é no chão desta vez. –Tem ideia do tanto de coisa errada que você fez hoje? Mentiu pra mim, me envergonhou na frente daquele grupo de filhos da puta, soltou a porra do MEU prisioneiro indo contra as MINHAS ordens, o que mais vai fazer Lucille?
—Eu sabia! Você não se importa com o que eu faço ou deixo de fazer, desde que isso não manche a sua reputação de macho alfa. Odeio essa sua sede de poder e odeio ainda mais quando me usa como estepe para esconder suas fraquezas! Você não pode estar no poder sempre Negan! Você mesmo me disse que sou sua mulher, então tenho meus direitos também.
—Estou pensando seriamente em não ter você mais como minha mulher. –diz baixo, mas escuto e isso me assusta.
—Como é? –pergunto incrédula.
—É isso mesmo o que ouviu! Você tem torrado a minha paciência no pouco tempo que tivemos juntos, me leva ao limite e me faz perder o controle. O sexo continua ótimo, somos perfeitos juntos, amo você, mas tenho limites Lucille.
—Você e essas suas regras estupidas!
—Elas servem para manter as coisas no lugar!
—Não, elas servem para me separar de você! –grito e ele se enfurece.
—Cansei disto Lucille. –sai do quarto batendo a porta com força.
—Ele só pode estar brincando! Nunca que ele vai me deixar, eu sou a mulher dele e isso não vai ficar assim! –digo para mim mesma.
Fico pelo quarto, andando de um lado para o outro esperando ele voltar e nada dele chegar. O sol já está nascendo quando saio do quarto para procura-lo.
—Sabe onde Negan está? –pergunto aos homens que estavam no corredor. Eles se entreolham antes de responder, um tanto hesitantes.
—Ele está com as esposas dele senhora. –um deles responde tremendo de leve.
—Esposas? Meu querido se fosse esposa, ele estaria aqui. EU sou a mulher dele, entendeu?
—Sim senhora.
Saio de casa vendo tudo vermelho, aquele filho da puta me deixou sozinha e voltou para aquele puteiro de merda! Eu devia ter tacado fogo naquilo quando tive chance. Entro no lugar, e sou recebida com risadas altas. Negan está em uma cama, sem camisa, posso ver o curativo no braço onde acertei com o taco mais cedo. Está rodeado de mulheres, algumas peladas, outras quase, uma inclusive está sentada em seu colo. Tremo de raiva.
—Posso saber que merda é essa? –grito, e todos ficam em silêncio. Negan me vê e gargalha diante do meu ódio.
—Mais vejam só quem chegou! Lucille, a mulher mais gostosa do planeta! Olá baby, quer participar da festinha também?
—Negan saia dai ou eu vou arrancar a sua cabeça de seu corpo. –ameaço me aproximando.
—Ciúmes querida?
—Não. Ódio. –respondo. –Raiva. Sede de morte. Essas coisas que você conhece bem.
—Admita que você não sabe segurar seu homem. –diz uma das mulheres. –Ele voltou para nós, quer dizer que você não o satisfaz mais. –ela me toca com a mão, no braço.
—Vai pra puta que pariu, vadia do caralho! –grito e corto a mão dela fora, com a faca que tinha presa na cintura. Ela grita horrorizada, enquanto vejo as outras correrem para longe de Negan, assustadas. –Nunca mais encoste em mim também!
—Me dá um tesão danado te ver em ação baby, mas não precisa mutilar minhas garotas para isso. –ele diz divertido.
—Elas não são suas garotas e eu faço o que me der na telha, afinal sou sua mulher e dona dessa porra toda. Agora se levante dai antes que eu cumpra minha promessa.
—Você não me mataria. –duvida com um sorriso brincalhão nos lábios.
—Nunca duvide de mim amorzinho. –sorrio de lado. –Vamos!
—Até outro dia meninas, hoje a patroa tá muito possessiva. –ele diz sorrindo charmoso para elas.
Arrasto ele porta a fora, ignorando os olhares curiosos dos moradores ali presentes.
—Porque sempre que você entra no meu arem mata alguém? Nossa, rimou. –ele gargalha, estava fedendo a bebida.
—Não acredito que bebeu! Você é idiota ou é burro?
—Sou apaixonado por você, serve?
—Cala a boca! –mando com raiva, não estava mais suportando aquela situação.
Negan tira o pior de mim, me faz fazer coisas que até deus duvida, tenho raiva, o odeio, mas não consigo evitar o amor que sinto por ele. E agora tem o Daryl, meu herói, o cara bom, que está apaixonado por mim e que eu sinto o mesmo por ele.
Coloco Negan no banho, depois o coloco na cama, deito-me ao seu lado e acabo dormindo de tão cansada que estava. Quando acordo, me deparo com ele me observando, ele acaricia meu rosto e eu suspiro.
—Somos tão errados Lucille, mas eu te amo. –diz e me leva para seus braços. –Você é a minha razão, minha vida. Odeio brigar com você e odeio quando você se aproveita da situação para conseguir o que quer.
—Do que está falando?
—Seu amiguinho está livre. Não sei por que esse cara é tão importante para você e espero que não esteja tendo nada com ele, pois a mataria. Mas quero recomeçar com você, nos dar mais uma chance. Somos incríveis juntos Lucille, podemos vencer essa droga de apocalipse, mas só conseguiremos se estivermos juntos. E se pra isso tenho que deixar aquele idiota livre, então que ele fique livre.
—Você é perfeito! –digo sorrindo e o beijo.
—Ele ficará aqui por uns dias, até eu ter certeza de que está tudo bem. Depois ele pode voltar para seu grupo de porquinhos.
—Lindo! –digo o beijando.
—Agora admita que sou foda.
—Você é mais do que foda, é meu homem. –nos beijamos apaixonadamente de novo.
Fico mais um tempo com Negan no quarto até que ele decide que já está na hora de voltar a ser o poderoso chefão. Hoje iriamos visitar o grupo de Jesus, não sei como ele vai reagir quando me vê, também não tive muita interação com ele, então não deveria estar tão preocupada.
Negan teima que tenho que ir com ele, acho que ele não quer me deixar sozinha com Daryl, mas então fico com cara de boba, quando vejo Daryl no meio dos homens que iriam com a gente, armado e limpo.
—Resolvi dar uma chance para o rapaz me mostrar do que é capaz, sabe? Quero ver se ele é isso tudo que estão falando mesmo. –ele me explica, abrindo a porta do carro para mim.
—Boa ideia amorzinho! –digo sorrindo para ele.
Meu olhar cruza com o Daryl, ele está irritado e isso eu posso ver, mas tem mais alguma coisa que o incomoda. Ciúmes talvez? Não sei e prefiro nem pensar sobre isso com Negan tão perto de nós.
Esta tudo calmo na estrada, até que vemos uma horda de errantes, barrando a passagem.
—Mais que grande merda! Filhos da puta do caralho! –Negan reclama irritado.
—Não são errantes, amorzinho. –digo nervosa.
—Claro que são!
—Não. Eles são os Sussurradores.
—O quê?
—Pessoas vestidos de pele de errantes. –explico enquanto paramos na estrada. –Mas não entendo o que estão fazendo aqui. Nunca tivemos rixa com eles, tivemos?
—Não. Nem sabia que existiam. São a porra de uma aberração! –diz abismado. –Tá afim de brincar um pouquinho querida?
—Claro. –respondo sorrindo, mesmo assustada, pois eu sabia como era enfrentar esse grupo. Saímos do carro, os outros homens também, então começa uma verdadeira guerra.
Droga de Negan que não perde uma boa briga! Só me mete em confusão. O primeiro se aproxima de mim, mas o acerto rápido. Depois perco as contas de quantos errantes e pessoas vestidas com sua pele eu matei.
Distraio-me procurando por Negan e Daryl no meio da confusão que nem vejo um dos Sussurradores se aproximar e me atacar pelas costas. Sou jogada pelo barranco, me machucando no processo.
—Lucille! –ouço vozes me chamando. Sei que são eles, me levanto e tento voltar, mas a terra esta escorregadia.
Negan aparece na beirada do barranco, solto um suspiro de alivio, mas logo vejo um homem se aproximar dele com um machado, fico em pânico.
—Negan! –grito apavorada.
Então Daryl surge e atira no homem que tentava atacar Negan. Consigo finalmente subir o barranco, quando chego lá, ainda vejo o olhar de gratidão e surpresa que Negan troca com Daryl. Então ele vem até mim.
—Baby, está tudo bem com você? Machucou-se? –pergunta procurando ferimentos em mim.
—Estou bem. –respondo ainda assustada. –Como você está?
—Estou bem, graças a seu amigo caipira aqui. –diz ele, volta-se para Daryl e lhe estende a mão. –Sabia que estava certo em mantê-lo aqui.
Daryl nada diz, mas aperta sua mão. Aquilo era bizarro demais para mim, quase como um sonho maluco. Quando no universo, eu iria ver essa cena na minha frente? NUNCA!
—Agora é um dos meus homens de confiança Daryl, espero que aproveite bem essa sua promoção. –diz Negan, soltando a mão de Daryl. –Gosto da sua coragem, já disse isso. Mas hoje provou que sua coragem vai além do seu orgulho e do seu ódio.
Depois desse momento louco, decidimos voltar para casa. Tinha alguns homens feridos, Negan já tinha perdido a paciência e eu ainda estava confusa com esse ataque. Esse grupo nunca tinha nos causado problemas, na verdade eles mal existiam para nós, então porque agora decidiram nos atacar sem motivo?
Negan sai para beber com os capangas dele, sei que ele precisa de um porre depois de uma luta como aquela e que vai demorar para voltar, então nem reclamo. Vou reclamar quando ele chegar, porque agora tenho que aproveitar esse momento e ver Daryl. Ele tem que me explicar o porquê de ter salvado Negan.
Sigo até o pequeno quarto em um dos prédios que Negan o deu, como presente por sua promoção. Entro sem que ninguém me veja e encontro Daryl trocando de camisa.
—O que está fazendo aqui? Ficou maluca? Se o seu marido idiota te ver aqui, ele vai nos matar! –diz nervoso.
—Negan saiu, foi tomar um porre e não volta tão cedo. –respondo calma. –Eu preciso saber de uma coisa, depois vou embora.
—Tudo bem, pergunte. –cruza os braços.
—Porque fez aquilo? Porque salvou Negan? Ele matou seu amigo, está perseguindo seu grupo, te torturou, mas mesmo assim você o salvou. Ele morto seria a melhor coisa pra vocês. Então, por quê?
—Eu vi o medo em seus olhos, você não suportaria perde-lo, pelo menos não suportaria perde-lo agora. E eu não suportaria ver você sofrer, ainda mais por causa de um idiota como ele. –responde me deixando sem ar. –Eu o odeio, quero morto, mas você o ama. Querendo ou não, ele faz você feliz de uma forma que eu não consigo. Então sim, eu o salvei, mas foi por você e não por ele.
Meus olhos se enchem de lágrimas, sorrio emocionada. Daryl é uma luz, a luz que me tira das trevas, que me leva para um lugar melhor, um lugar só meu e dele.
—Eu te amo também. –confesso, me aproximando dele.
—Eu sei. Mas também ama ele e...
—Não estraga o momento Dixon! –mando colocando um dedo em seus lábios.
—Você só pode ser maluca. –diz sorrindo, segura minha cintura e me puxa para seus braços.
—Sou maluca, pirada, louca, você me odeia, me ama, mas agora eu só quero ser sua, nem que seja por alguns momentos. Me faça sentir aquilo de novo Daryl, me faça feliz do jeito que SÓ você consegue. –peço beijando seu pescoço.
—Essa com certeza é a maior loucura da minha vida, mas por mais incrível que pareça, estou pouco me fudendo para o que possa acontecer. –diz me segurando firmemente. –Quero você.
—Você me tem. –sussurro totalmente entregue.
Naquele momento todas as barreiras são quebradas, não existe Daryl e Lucille ou Daryl e Lucy, somos apenas um homem e uma mulher totalmente entregues a paixão.
As roupas se tornam algo dispensável para o que queríamos fazer, me sinto leve, livre ao seu toque. Arrepio-me completamente quando suas mãos tocam minha pele descoberta, cada toque é como uma descarga elétrica em meu corpo. Ele me beija, me tira o folego e enche meu corpo de vida. Beijos são espalhados por todo o meu corpo, ele me olha como se estivesse me adorando e eu fosse algum tipo de deusa. Em seus olhos vejo amor, luxuria, desejo e algo que me faz prender a respiração diante da intensidade. Quando nos tornamos um só, vejo tudo mais cheio de cor, tudo mais brilhante, foi como se eu tivesse vivido a minha vida inteira para isso.
Eu podia ser de Negan, mas também pertencia a Daryl, por mais louco e estranho que isso parecesse. Nos movemos provocando prazer para ambos, Daryl me olha por entre a neblina da luxuria e eu noto o quanto ele é lindo, perfeito demais pra mim. Nunca senti algo assim, nosso corpo parece ser um só, nos movendo cada vez mais rápido, loucos para alcançar o ápice do prazer que esperamos tanto para ter. Seus movimentos são rápidos e precisos, mas cada um deles diz amor, cada toque, cada beijo trocado é como uma promessa.
Derreto-me em seus braços, gemendo seu nome alto, enquanto ele grita o meu. Me sinto plena, feliz, amada. É tudo tão doce, como se eu pudesse tocar o amor no ar naquele momento.
—Você está sorrindo. –ele diz deitado ao meu lado, a voz rouca e a respiração ofegante. Estamos suados, bagunçados, mas felizes.
—Você também. –digo sorrindo ainda mais. –Acho que demoramos demais pra fazer isso sabia? Se eu soubesse que seria tão bom assim teria te arrastado para o mato quando me olhou pela primeira vez.
—É muito maluca mesmo. –ele me beija, sei que ele está feliz. Mesmo no lugar onde estamos, mesmo correndo o risco de sermos pegos, nada é capaz de abalar a felicidade daquele momento. Começamos tudo de novo, com ainda mais desejo e vontade do que da outra vez. Porque é isso o que nós somos, é pra isso que vivemos, para amar.
Algumas horas depois, chego em casa, entro no quarto e encontro Negan sentado perto da lareira, tomando whisky com um olhar perdido. Ele me vê e dá um sorriso torto frio e sem emoção, porém seus olhos estão queimando de ódio.
—Olá querida. –diz e sua voz parecem mais facas afiadas para mim, mas ele está calmo e tranquilo.
—Você pediu para não mentir mais pra você então... –respiro fundo antes de continuar. –Eu estava com o Daryl e...
—Eu sei. –diz calmamente, depois sorri. –Eu vi. –me encara. –Acha mesmo que pode fazer qualquer coisa aqui sem que eu saiba? Eu vi todo o seu showzinho com aquele caipira, e francamente Lucille, você já teve gosto melhores.
—Eu o amo. –afirmo e isso acaba com sua mascara de calmaria.
—Ah Lucille, minha querida e doce Lucille, você esta tão fudida. –gargalha friamente.
Fale com o autor