Lucille

1 I am Lucille


Notas iniciais
Hey amores!!
Lembram de mim? Antiga JujubaAliceW? Pois é, sou eu mesma! Voltei!!!
Fanfic novinha em homenagem a minha amiga Irajane Almeida que é simplesmente a MELHOR em tudo na minha vida. Espero que gostem e não me matem por ter deixado vocês por tanto tempo. Voltarei a postar minhas outras fics em breve, juro.
Boa leitura!

“Você não me possui

Não tente me mudar de qualquer maneira

Você não me possui

Não tente me amarrar porque eu nunca ficaria.”

Grace -You Don't Own Me.

Flash Back On

(Negan)

Uma forte chuva caia lá fora, parecia que o mundo ia acabar. Mas nem isso estragou meu dia, porque eu tinha tudo o que precisava aqui comigo em meus braços.

A pele branca reluzia à luz das velas espalhadas pelo pequeno quarto, sua maciez sob meus dedos, arrepiando-se levemente diante do meu toque. Tracei toda a sua coluna até chegar a seu rosto corado, não sei se de vergonha ou pelo que acabamos de fazer. Um sorriso cheio de significados surgiu em seus lábios, ela estava feliz. Minha Lucille estava feliz, e o motivo disso tudo sou eu.

—Você me ama? –questiono acariciando seu enorme cabelo cor de chocolate, que estava espalhado pelo travesseiro ao meu lado.

—Amo. –responde quase imediatamente, me fazendo sorrir.

—Sabe que é minha não sabe Lucille? Não pode escapar de mim, nem se quisesse poderia escapar de mim. –sussurro segurando seu cabelo fortemente em minhas mãos. –Você sabe que eu iria até o inferno para te buscar não sabe? Até o inferno!

Ela sorri mesmo sentindo a dor do meu puxão de cabelo. Lucille não reclamava de nada, nunca reclamou. Por isso sou doente por essa mulher, capaz de fazer qualquer coisa, qualquer tipo de loucura. E sei que ela faria o mesmo por mim, porque ela é tão sádica quanto eu.

—Até o inferno. –repete e me beija. Seu beijo quente apaga qualquer sombra de dúvidas que eu tinha sobre a vida, ou sobre ela. Lucille era minha e nada naquele mundo poderia tirar ela de mim.

Só que eu estava muito enganado. Lucille não era de ninguém além dela mesma, só que isso eu só descobri quando Lucille me deixou.

Flash Back off

O sol quente ardia em minha pele, a estrada deserta era minha única companhia, mas eu já estava acostumada com isso. Desde que o mundo acabou tudo ficou uma merda só, não havia mais lugar para bondade ou até mesmo para a humanidade. Eu costumava acreditar nesse tipo de coisa, tentava ser boa, dar o meu melhor, só que a loucura e a maldade tomaram conta de mim.

Odeio me fazer de coitadinha, então não sou uma heroína que foi corrompida por alguma coisa. Eu sempre soube que havia maldade em mim, só não sabia do que eu seria capaz de fazer até que eu o conheci.

Não pronuncio seu nome em voz alta há meses, nem meu próprio nome eu digo, pois isso ele também tornou sujo ou até mesmo amaldiçoado. Meu nome estava sempre ligado a sangue e morte. No começo até que eu gostava daquela adrenalina, do medo que apenas o meu nome causava nas pessoas, só que hoje, eu prefiro guardar isso na minha cabeça como parte de toda a loucura que ELE colocou lá. Ele fazia o pior de mim vir a tona, e eu fazia o mesmo com ele. E eu gostava, confesso que gostava muito. Mas isso ficou lá atrás, em uma noite de tempestade, quando fugi dele carregando somente minha marreta. Deixando ele para trás, meu amor sádico e louco, a maldade e o cheio da morte.

Um errante surge da floresta à minha direita, solto um suspiro frustrado antes de arrancar a cabeça dele fora com uma marretada.

—Droga de apocalipse! –resmungo, limpando o sangue de minha marreta. –Que ótimo dia para ser roubada!

Hoje pela manhã, estava checando um mercado de beira de estrada, deixei o meu carro na entrada, um erro de gente idiota que eu nunca havia cometido antes. Só que hoje parece que minha cabeça está mais ferrada do que o normal, então estava distraída o suficiente para ser roubada por um caipira idiota que tinha o rosto todo ferrado. Parecia que tinha sido marcado por um ferro, ou algo assim. Ele estava levando outro cara com ele, esse outro cara era ruivo e tinha um bigode engraçado. Eles pegaram meu carro com todas as minhas coisas no porta malas, e tudo o que eu pude fazer foi me esconder para não ser vista.

São dois anos fugindo e eu sei que ele não iria desistir assim tão fácil de algo que ele quer, por isso não poderia me dar o luxo de ser encontrada tão facilmente. Só que me bateu um ódio quando vi meu carro sendo levado, ódio esse que eu não tinha sentido durante meses. Poxa, eu passei por poucas e boas para conseguir um carro naquele fim de mundo, depois de meses me esgueirando pela floresta, para um Zé ninguém vir e pegar ele? Não mesmo! Uma coisa que vocês têm que saber sobre mim é que eu odeio que peguem o que é meu.

Então liguei o foda-se e aqui estou, seguindo dois idiotas que podem me levar direto para a boca do leão, mas eu estava pouco me fodendo para isso. Queria matar aquele idiota, e era isso o que eu iria fazer.

Caminhei calmamente por mais alguns metros arrastando minha marreta no chão, fazendo barulho propositalmente, até que avistei meu carro estacionado na beira da estrada, alguns metros à frente. Alguns errantes estavam me seguindo, mas estavam longe o suficiente para não me causar preocupação.

—Vamos logo que eu não tenho o dia todo! –escutei um deles gritar, quando já estava perto o suficiente.

—Não consigo mijar com as mãos amarradas! Ou você quer me dar uma mãozinha aqui? –o ruivo disse, sorrindo sarcástico.

—Cala a boca porra! –gritou mirando uma crossbow na cabeça do ruivo.

—Então quer dizer que o idiota gosta de dar uma de machão? Vamos ver do que ele realmente é capaz de fazer sem a cabeça ligada ao corpo. –sorrio de lado, antes de colocar meu olhar e sorriso mais inocentes do rosto e me fazer ser vista por eles. –Olá rapazes!

Os dois me encaram surpreso o da cara ferrada me olha dos pés à cabeça, parando alguns minutos nas minhas pernas que estão à mostra por causa do short curto.

—Olá docinho! O quê faz sozinha nesta mata? Esta perdida? –pergunta o loiro sorrindo malicioso.

—Não estou perdida, estou atrás de algo que é meu. –respondo sorrindo docemente.

—Hum, e eu poderia ajuda-la se quisesse. Claro que isso vai custar um preço, você está disposta a pagar docinho? –questiona sussurrando próximo ao meu rosto, seu hálito me dá náuseas, mas mesmo assim continuo com a minha farsa.

—Sabe aquele carro que está ali?

—Sim, ele é meu. Gostou?

—Não. –respondo e meu sorriso morre. O encaro com o meu olhar assassino. –Ele é meu!

—Ah, ele ERA seu? Desculpe docinho, mas ele agora é meu e eu não pretendo devolver, tudo o que posso oferecer é uma boa foda no banco de trás. –ele gargalha.

—Você não deveria ter dito isso.

—Por quê? Vai chorar agora? –me provoca, sorrio malignamente e ele para de rir.

—Tem muita coisa que você não sabe sobre mim, são tantas que você não vai viver para saber do resto. Mas antes de morrer você tem que saber de uma coisinha sobre mim. –manejo a marreta em minhas mãos vendo-o ele se afastar assustado. –Isso é um apocalipse, onde eu sou a rainha dessa porra toda e não se deve NUNCA mexer nas coisas da rainha.

—Na... –ele tenta falar alguma coisa, mas o acerto na cabeça antes de qualquer coisa, fazendo-a cair longe. Um jato de sangue suja minha cara e meu cabelo, mas não consigo parar de rir.

—Idiota! –digo rindo histericamente.

—Foda! –ouço o ruivo dizer, tinha até me esquecido que ele ainda estava ali.

—Não precisa me agradecer por ter salvado sua bunda hoje. Até mais grandão!

—Espera! –me chama quando lhe dou as costas. –Vai me deixar assim?

—Acho que consegue se soltar sozinho. –respondo friamente.

—Não com errantes querendo um pedacinho de mim. –indica o grupo de errantes que surge por entre as árvores.

—Você é mesmo um bundão não é? Sua sorte é que eu fui com a sua cara. –pego minha faca na cintura e corto as cordas dele. –Pronto! Livre como um pássaro.

—Obrigado.

—Por nada. –lhe dou as costas mais uma vez, pronta para ir embora.

—Como se chama?

—Não é da sua conta, serve?

—Você é bem arisca para uma garotinha.

—Não sou uma garotinha. –sorrio, apesar do calafrio que sobe por minha coluna ao ouvir ser chamada por “garotinha” novamente.

—Eu sou Abraham e moro em Alexandria.

—Que bom pra você.

—Você tem algum grupo? –pergunta me seguindo.

—Cara, eu tenho cara de Twitter pra você ficar me seguindo? –falo impaciente.

—Não, mais você salvou minha vida e eu fui com a sua cara.

—Legal, agora se manda que eu tenho mais o que fazer.

—Tipo?

—Tipo te dar um soco se você não sumir da minha frente. –ameaço mais ele gargalha. –É doido por acaso?

—Talvez. Todo mundo ficou meio doido desde que isso começou. –fico em silêncio o encarando. –Sou bom em ler pessoas, e pelo que estou vendo, você está sozinha. Então o que custa aceitar minha proposta e ir comigo para um lugar seguro?

—Você pode ser um maluco com um machado e eu sua vitima de hoje.

—Quem tem uma marreta aqui é você e eu acho que você é inteligente o suficiente para já ter percebido que eu não sou um psicopata.

Desvio o olhar dele, tentando não pensar muito no que ele disse. Claro que eu já percebi que ele não é nenhum psicopata, na verdade até gostei dele. Mais pessoas quer dizer perigo e eu aprendi isso da pior forma possível. Ir com ele pode significar minha morte, um grupo grande como o dele parece ser, nunca foi um bom lugar para mim. Só que por outro lado, eu já estava me sentindo encurralada andando por ai sem rumo, podendo ser encontrada a qualquer momento, sozinha mergulhada em minha própria loucura, não poderia ser bom, poderia? Uns dias em um lugar tranquilo não me matariam, eu poderia conseguir suprimentos suficientes para quem sabe, sair deste estado e ir para bem longe.

—Então, decidiu?

—Tá bom, eu vou com você. Mais só porque preciso de umas férias da estrada antes de seguir em frente.

—Sabia que não conseguiria resistir ao meu charme. –brinca me arrancando um sorriso seco.

—Você não faz meu tipo, sabe disso né?

—Não me diga que gosta de mulher?

—Claro que não idiota! –sorrio de verdade dessa vez. –Vamos, eu te dou uma carona.

Entramos no meu carro e ele me dá as coordenadas, seguimos um tempo em silêncio até que ele o quebra.

—Você disse que é a rainha do apocalipse, então porque uma rainha estaria fugindo? –dou uma freada brusca no carro.

—Como sabe que estou fugindo?

—Já disse que sei ler as pessoas, e você me pareceu uma pessoa que não para nunca no mesmo lugar. Então ou está fugindo de algo, ou se perdeu de seu grupo, mais isso você já disse que não é.

—Você é vidente ou algo do tipo?

—Está fugindo de quê majestade? –pergunta e eu trinco os dentes de raiva. –Tudo bem, não precisa me dizer agora. Mas se algum dia quiser falar sobre isso, saiba que pode confiar em mim.

—Foda-se a sua confiança! Nada de bom sai disso, então não me faça me arrepender de ter vindo com você. –ele ri e se cala, pelo resto do caminho.

Chegamos a tal de Alexandria, uma mulher de binóculos, corre para abrir o portão assim que nos vê.

—Abraham! –grita, quando passamos pelo portão.

—Bem vinda a Alexandria. –o tal de Abraham diz, sai do carro e ganha um abraço apertado da mulher que gritava seu nome.

Observo Alexandria e me espanto com seu tamanho, é quase tão grande quanto o... Melhor não pensar nisso agora. Balanço minha cabeça para afastar esses pensamentos.

—Eu fiquei com tanto medo quando te levaram. Como conseguiu escapar?

—Ela me salvou. –ele responde, apontando para mim. –Está tudo bem agora Sasha.

—Não está e você sabe disso. –ela chora.

—Okay, detesto chororô, então onde posso deixar o carro?

—Pode estacionar ali, vou ver se encontro o Rick para ele falar com você.

—Ótimo, vou ser entrevistada. –reclamo, mas sigo até onde ele indicou.

Saio do carro, pego minha mochila e minhas armas, nunca se sabe não é? É quando algo se choca comigo, minhas coisas são arrancadas de mim enquanto braços fortes me prendem contra o chão frio. Completamente surpresa, encaro o meu agressor e fico sem palavras. Seus olhos azuis ficam presos ao meu, sua respiração aquece meu rosto e minha pele formiga onde seu corpo encosta no meu.

—Como entrou aqui? –me pergunta com a voz rouca e irritada, porém estou pasma demais para responder alguma coisa.

—Esse sim é meu tipo. –sussurro.

—O que disse pirralha? –questiona me sacudindo, isso me faz sair do transe.

—O que você tem de bonito tem de idiota sabia? –ele cora um pouco pelo elogio, eu até acho fofo.

—Mais você é muito estupida não é?

—Não, você que é por achar que pode me prender. –sussurro em seu ouvido, isso serve como distração, então consigo inverter as posições e ele acaba preso abaixo de mim. –Agora sim, do jeito que eu gosto. –sorrio e ele fica puto.

—Ei! Vejo que conheceu o Daryl. –diz Abraham se aproximando sorrindo.

—Daryl? É assim que se chama? Gostei! –sorrio ainda em cima dele.

—Conhece esta maluca? –ele pergunta a Abraham me ignorando completamente.

—Claro que sim, ela me salvou.

—Certo, acho que não devíamos estar fazendo isso em publico, as pessoas já estão olhando. –digo para Daryl saindo de cima dele com uma piscadela. –Quem sabe outro dia não é mesmo? –ele grunhe e se levanta puto da vida. –Seu amiguinho é bem irritado não é?

—Você ainda não viu nada. –ri e pega minhas coisas do chão. –Vamos, o Rick já esta nos esperando.

O sigo contrariada, o lado ruim de entrar em um grupo é exatamente esse. Precisar ser aprovada, coisa que eu não seria. Nunca fui boa o suficiente para um grupo, mas sou boa o suficiente para mim mesma.

Entramos em uma das casas, Daryl vinha nos seguindo mais atrás acho que com medo de que eu tentasse alguma coisa. Sorri com este pensamento.

—E aquele discurso todo Rick? Aquela loucura que ele colocou em nossas cabeças? Ele nos quebrou! Não foi apenas o Glenn que morreu, foi o nosso grupo todo! –ouço uma mulher gritar quando entramos na sala. –“Lucille é sedenta por sangue!” “Ele recebeu o beijo da Lucille!” — ela diz aos prantos.

—Nossa gente, eu não sou tão sangrenta assim não. Sou? –questiono sorrindo de lado, fazendo com que todos me encarem surpresos.

Faz-se um minuto de silêncio mortal, antes que a mesma mulher que gritava o quebrasse.

—Quem é você? –pergunta e eu sorrio assustadoramente.

—Eu sou Lucille.

Notas finais
O que acharam? Devo continuar? Queria muito continuar postando essa fanfic, porque ela é meu amorzinho, mas para isso preciso saber da opinião de vocês.
Se preparem para odiar o Negan, se surpreender com a Lucille e amar ainda mais o Daryl.
Fanfic postada no Spirit também: https://spiritfanfics.com/historia/lucille-6873276

Até o próximo! Comentem!
Beijos!!