Lucille

19 Don't Blame me


Notas iniciais
Olá amores!! Chegou a hora do PENULTIMO capitulo!! Preparem os lençinhos porque eu chorei horrores fazendo esse capitulo então já podem esperar muita emoção rsrs Boa leitura!!! Beijos!!

Não me culpe, seu amor me deixou louco

Se não, você não está fazendo isso direito

Senhor, salve-me, minha droga é meu amor

Eu estaria usando pelo resto da minha vida.”

Taylor Swift – Don’t Blame me.

Lucille

Estou sufocada.

Meu passado e meu presente em uma batalha pelo meu futuro. Sinto como se todas as minhas escolhas, todos os momentos que eu vivi me trouxeram a esse momento. Eu vivi a minha vida toda para estar aqui agora, isso me sufocava, meu coração batia tão forte que me deixava sem ar e eu sentia como se não pudesse fazer mais nada. Meu destino foi traçado há muito tempo e eu estou vivendo seu ápice agora.

Observo minha marreta em minhas mãos, a aperto firme sentindo sua firmeza entre meus dedos. Pega-la novamente foi mais fácil do que eu imaginava, ela já era uma parte do meu corpo, assim como o taco era uma parte de Negan e a crossbow era do Daryl.

Não escuto o que Negan discute com as outras pessoas, acho que eles estão traçando um plano de ataque ao esconderijo de Rick. Sim, Rick é o filho da puta que nos atacou todo esse tempo e que levou minha pequena Luna.

Encaro meu reflexo na janela, eu voltei a ser o que era antes, jaqueta de couro, marreta nas mãos e armas escondidas em minha roupa. Eu voltei a ser a velha Lucille, assassina cruel com o olhar frio e impiedoso. Não vou mentir, eu realmente senti falta disso, tanta falta que me assusta.

Eu demorei muito para entender que não importa quais decisões eu tomei ou com quem eu me casei, qual estilo de roupa eu usei, nada disso importa, pois no fundo eu sempre vou ser a Lucille que não é totalmente boa ou má, pois maldade e bondade é apenas uma questão de em qual lado você está.

Nada nesse mundo é totalmente branco ou totalmente preto, há uma infinidade de cores e é a combinação delas que nos fazem ser quem somos.

—Lucille? –Negan me chama, viro-me para encara-lo. –Você escutou o que eu disse? Preciso de você na linha de frente, fazendo o que você faz de melhor.

—Eu já disse que ela não faz mais isso! –grita Daryl.

—Eu conheço Lucille melhor do que você e sei que não importa se ela virou uma dona de casa devotada por um tempo, ela ainda vai ser uma força da natureza que destrói tudo o que vê pela frente para ter aquilo que ela quer.

—Você não sabe nada sobre ela! –eles se encaram medindo forças.

—Já chega! –grito impaciente. –Não vou ficar aqui ouvindo uma briga idiota entre dois homens pra ver qual dos dois é o mais machão enquanto minha filha está nas mãos de um psicopata que nos odeia!

—Rick não era assim! Eu não sei o que deu nele. –reclama Michonne balançando a cabeça em negação.

—Eu vou! –Carl diz, levantando-se. –Ele matou a garota que eu amava por uma vingança sem sentido. Ele deixou de ser meu pai no exato momento em que fez isso com uma pessoa tão boa quanto ela. Negan por mais filho da puta que foi, sempre me deu uma chance e nos protegeu, assim como Lucille, então vou ajudar vocês a trazer a filha de vocês de volta.

—Então vamos. –digo saindo da sala.

—Você não precisa fazer nada que esse cara disse, eu estou indo com você e posso muito bem trazer nossa menina de volta sozinho. –Daryl diz andando ao meu lado.

—Isso não se trata de você ou de mim Daryl, isso é muito maior que qualquer coisa que já passamos. Luna é tudo pra mim e eu vou morrer por ela se for preciso, então não me peça para não lutar. Eu vou lutar e vou fazer coisas que você não gosta, mais essa sou eu também e se você me ama mesmo, vai entender.

Entrei no caminhão com Negan, Abe e Daryl foram em outro carro junto com Carl e Michonne. Shasha ficou no Santuário, enquanto todos partiram conosco para a grande batalha que estava prestes a começar.

—Como nos velhos tempos! Eu e você juntos pra estourar algumas cabeças e conseguir algo que queremos. –Negan sorri de lado.

—Algumas coisas nunca mudam não é? Gosto de pensar que entre nós isso nunca vai mudar.

—Matar juntos? Isso não vai mudar baby, mais se você começar a trocar receitas com outras mulheres e falar sobre talheres e toalhas de mesa, esse nosso lance vai ficar difícil. –gargalho alto, ele me acompanha.

—Confesso que já estava ficando louca com aquela rotina de dona de casa, avental não combina muito comigo. –brinco pra passar o tempo e para esquecer a maldita tensão que me consome.

—Não consigo te imaginar cozinhando, limpando e cuidando da casa. Deve ter sido um tedio!

—Por um tempo não foi assim, mais o tempo passou e algumas coisas começaram a aparecer e eu vi que não iria aguentar muito tempo.

—O tempo é uma coisa complicada pra caralho! Esse último ano foi uma merda pra mim. –sinto que ele fica tenso com esse assunto. –Ficar longe foi uma das coisas mais fodidas que eu tive que fazer, mais foi necessário.

—Sim, foi. –respondo simplesmente, pois não sei o que dizer.

O clima fica tenso no caminhão, o silêncio chega a ser sufocante. Posso sentir a dor emanando de seu corpo e isso me machuca mais do que eu gostaria.

—Não vou dizer que sinto muito ou que eu queria que não tivesse sido assim, mas nós erámos tóxicos um para o outro e naquele momento me parecia ser o certo a se fazer. Não precisamos ficar revirando o passado agora, o que importa é que você apareceu na hora certa e que vamos salvar nossa filha.

—Sim, nós vamos. –ele aperta o volante até seus dedos ficarem brancos. –Eu prometi que traria nossa filha de volta e é isso o que eu vou fazer.

—Acha que vamos sobreviver a isso? –pergunto nervosa, ao avistar a velha casa perto do penhasco que parece estar prestes a desmoronar.

—Eu farei de tudo para que você e nossa filha saiam vivas dessa merda, enquanto eu me contento em mandar aquele filho da puta pro inferno, posso morrer feliz depois disso. –ele ri, mais sei que está falando sério. –Tá pronta?

Respiro fundo antes de responder. –Sim, vamos lá! –sorrimos um para o outro antes de sairmos do carro.

Assim que colocamos os pés fora do carro somos alvo de tiros vindo de todos os lugares, Negan joga meu corpo no chão e fica por cima.

—Está bem?

—Sim. –respondo antes de tira-lo de cima de mim e começar a atirar contra os filhos da puta.

Eles estavam escondidos na floresta, alguns estavam em cima das árvores com armas de alto calibre. Vejo Carl atirando junto com Abe antes de notar os caminhantes saindo de dentro da floresta vindo em nossa direção. Por conta do barulho dos tiros e como essa é uma das áreas que tem mais caminhantes, um grande número deles estava vindo nessa direção. Os caminhantes acabam nos ajudando a derrubar alguns dos atiradores, porém eles ainda estão em maior número, pego minha marreta quando minha munição acaba e parto para cima de um deles. O sangue começa a jorrar e não posso evitar sorrir quando vejo o medo no olhar deles pouco antes de acertar suas cabeças.

Sinto mãos agarrarem meus pés e sou puxada para o chão, é um errante sem as pernas que tenta abocanhar meu pé. Tento chuta-lo mais não consigo, antes que os dentes podres consigam pegar meu pé, uma flecha atravessa sua cabeça morta. Olho para cima e vejo Daryl ao meu lado, ele me ajuda a levantar.

—Obrigado. –sussurro antes de dar meia volta e acertar a cabeça de um dos homens de Rick.

Ouço um tiro e vejo Abe cair, meu sangue gela e em menos de dois segundos estou correndo em sua direção acertando tudo que vem pela frente.

—Abe! –grito e caio de joelhos ao seu lado, Carl aparece ao meu lado em um piscar de olhos.

—Ele foi atingido! –diz assustado.

—Sim, mais foi só de raspão. –diz Abe gemendo de dor, eu fico ainda mais aflita ao ver o sangue ensopando sua camisa branca. –Lucille, eu estou bem.

—Diga isso para o seu corpo que está jogando todo o seu sangue por esse buraco de merda! –digo em pânico. Eu não poderia perder Abe, ele era minha família.

—Lucille! Vamos! –ouço Negan gritar.

Viro-me e vejo que ele abriu caminho por entre os errantes e os homens de Rick e já estava perto da porta da casa.

—Vá Lucille! –manda Abe em meio a um gemido de dor. –Eu já levei tiros piores, vou ficar bem.

—Mais e você? –pergunto aflita, não quero deixar Abe, mas preciso trazer Luna de volta.

—Eu vou ficar bem majestade! Traga nossa princesa para casa, ela tem que se casar com meu menino. –diz rindo.

—Duvido muito que os dois pais dela deixem isso acontecer, mas prometo salvar o brinquedo do seu filho quando for a hora. –sorrio pra ele e aperto sua mão o confortando. –Nós ainda temos muita coisa para viver, então se cuide e não faça besteira.

—Vá arrancar algumas cabeças mulher e me deixe em paz.

Corro para Negan e junto com Daryl entramos na casa velha que estava prestes a cair, logo na sala demos de cara com Rick. Ele estava sozinho, com uma arma na mão e um sorriso louco na face.

—Até que fim vocês chegaram, pensei que teria que cortar alguma parte da pirralha e mandar para vocês, ainda bem que pensaram bem e me pouparam de tanto trabalho. –ele diz friamente, vejo tudo vermelho de raiva. –Bem vindos ao inferno! –ele abre os braços e só então noto minha pequena Luna sentada no chão no centro da sala, amarrada e chorando. Mas isso não era o pior.

Ao redor dela, estava formado um circulo de errantes, amarrados por correntes presas ao chão de madeira podre, eles se esforçavam para alcança-la e seu choro parecia ser um incentivo a mais para que eles tentassem pega-la. Ver minha pequena naquela situação acabava comigo, meu coração se afundou em meu peito ao ver o pânico brilhando nos olhos dela.

—Mamãe! –chama chorando. –Papai! –grita quando um dos errantes quase a alcança por muito pouco.

—Oh não Rick! Eu sempre soube que você era um monte de merda, mas pensei que você tinha mais amor a sua vida. Agora vou ter que te matar seu filho da puta! Ninguém nunca te disse que não pode mexer com a minha filha? –Negan diz caminhando lentamente até Rick que ainda ri.

—Isso é o quê nós vamos ver! Diga-me Negan, como você vai me matar e salvar sua filhinha ao mesmo tempo? –perguntou irônico, ele sorriu e atirou no lugar onde todas as correntes que prendiam os errantes estavam presas.

—Não! –grito em pânico.

Ouço um tiro e vejo que Rick atirou no taco de Negan, fazendo-o cair longe, mas Negan não dá à mínima. Ele já está correndo em direção aos errantes e nossa filha, desarmado. Minha visão fica turva, não consigo ver muita coisa, só ouço meu coração batendo tão alto que parecia que ia explodir.

—Lucille! –alguém grita e sinto uma pancada nas minhas costas, me fazendo cair no chão. Olho para trás e vejo Rick com o taco de Negan nas mãos sorrindo.

—Eu nunca bati em mulheres, mas você não é uma mulher não é mesmo? É uma vadia que dava para o Negan. Uma puta tão nojenta que teria dado para todos do grupo se tivesse mais tempo, mas infelizmente seu tempo acabou vadia do caralho! –ele tenta me bater de novo, mas eu desvio rolando para longe.

Pego minha marreta e me levanto, cuspo sangue nos pés dele e sorrio.

—Você vai ter que ser muito mais homem pra conseguir me matar. –ele ameaça se aproximar, eu me movo ao seu redor. –Vai ser bom ver você tentar me matar, vai ser divertido não vai?

—Vai ser ainda mais divertido quando seu amado Negan morrer bem na sua frente e depois eu a fazer admitir para o pobre coitado do Daryl que sempre o enganou e que nunca deixou de ser comida pelo filho da puta do Negan. Como será que ele vai se sentir quando você disser com todas as letras que quando estava com ele na cama era no seu querido Negan que você pensava? –ele provoca, olho para Daryl e encontro seu olhar duro e furioso.

—Tire a Luna daqui Daryl, eu tenho que matar um miserável. –digo encarando Rick.

—Tem certeza disso? –me pergunta indeciso.

—Ajude Negan, vá! –mando e ele vai até a pequena horda onde Negan lutava.

—Parece que o homem dessa relação aqui é você não é mesmo? Eu sempre soube que Daryl não tinha pau suficiente pra mandar em você.

—Não precisa ter um pau pra mandar em mim, na verdade ninguém manda em mim se você quer saber. Sabe o que eu acho? –pergunto e ele nega com a cabeça. –Eu acho que esse rancor todo que você sente por nós é apenas desejo reprimido porque eu sempre fui desejada e amada por dois homens fodas e ótimos de cama e você sempre quis ser eu não é? Isso tudo aí é falta de pau no cu, mais o Negan nunca te quis não é? Pra quê ele iria querer comer você quando podia ter uma mulher gostosa como eu na cama dele? Não ia rolar mesmo!

—O quê você disse? –pergunta furioso.

—Que você precisa de pau no cu, mais não vai ter! –gargalho e ele grita de ódio vindo me atacar.

O taco bate contra minha marreta e ficamos nos encarando antes que eu vire minha marreta e acerte seu olho com o cabo dela. Rick se desequilibra e deixa cair o taco, aproveito sua desorientação para dar-lhe um soco, mas ele me surpreende e bate sua cabeça na minha fazendo-me ficar tonta por alguns momentos.

Ele me acerta um soco e eu lhe dou outro, acerto suas costelas com a marreta fazendo-o perder o ar, mas ele a segura tentando tira-la de mim.

—Vai ter que fazer melhor que isso pra me machucar! Isso não faz nem cocegas! Quando vamos lutar de verdade e deixar de brincar? –pergunto sorrindo sarcástica.

—Agora. –ele diz e empurra a marreta para mim acertando meu peito e me derrubando no chão. Solto a marreta sentido a dor roubar meu fôlego, vejo o chute dele vir em minha direção acertando minha barriga. Minha boca se enche de sangue, respiro fundo e me esforço pra ficar de pé. –Vai querer mais vadia? Eu vou acabar com você! –grita e sinto seu pé pisar com força a minha perna, como se quisesse quebra-la, grito de dor. –Todos vocês vão morrer porque eu coloquei bombas por toda a casa e isso aqui vai explodir em alguns minutos jogando todos nós numa horda gigante que tem abaixo desse penhasco.

—Lucille. –ouço Negan me chamar, com a visão turva e gemendo de dor, olho para ele que está todo sujo de sangue e lutando para afastar um errante que queria morder seu braço. Encontro seu olhar e depois ele olha para algo no chão ao meu lado, vejo que é o seu taco e entendo o que ele quer que eu faça.

Respiro fundo, forçando o ar em meus pulmões enquanto estico meu braço e alcanço seu taco. Firmo-o em minhas mãos e juntando minhas forças acerto o rosto de Rick com ele. Rick grita de surpresa e dor, saindo de cima da minha perna. Consigo me levantar e arrasto o taco até ele que está caído de joelhos no chão.

—Tá na hora de acabar com isso porque tá chato! Diga adeus! –acerto sua cabeça com toda a força que tenho, ele pende pra frente enquanto o sangue jorrar por seu rosto. Há uma grande abertura no meio de sua cabeça, mas ele ainda consegue levantar o rosto e me encarar.

—Lucille, posso? –Carl pede ao meu lado, não sei como ou quando ele entrou aqui, mas entrego o taco para ele.

—Carl? –Rick ainda consegue dizer.

—Vá pro inferno! –diz e acaba de amassar a cabeça do pai. Ele continua batendo e batendo, mesmo quando o corpo já está sem vida e os miolos estão espalhados pelo chão.

—Já chega Carl! Ele já se foi. Acabou. –digo tirando o taco de suas mãos, ele está ofegante e chorando. Abraço ele que chora em meus braços, imagino quão difícil pra ele foi fazer isso, mas não o questiono sobre isso.

—Vamos! Esse lugar vai explodir. –ouço Daryl gritar segurando a porta para que Negan passasse com Luna em seus braços, respiro aliviada ao ver que ela está bem.

—Temos que ir. –digo pra Carl e o arrasto para fora daquele maldito lugar.

Corro para fora e só para quando estamos seguros. Vejo Luna nos braços do pai, ela está suja e assustada, mas assim que me vê corre para meus braços. A seguro forte contra mim, sentindo seu coração bater junto ao meu. Pela primeira vez desde que soube de seu sumiço eu sinto paz e felicidade. Tudo estava no seu lugar agora. A beijo em todos os lugares que posso e me certifico que não há machucados graves. Daryl sorri e se aproxima, passando a mão no cabelo de Luna e dando-lhe um beijo. Ele está machucado e sujo, mas parece bem.

—Obrigado. –digo pra ele.

—Não por isso, foi um trabalho em equipe. Por mais que me custe dizer isso, mas Negan fez a maior parte do trabalho. –ele sorri triste, o acompanho e olho para Negan que está sentado no chão.

Sorrio para Negan e ele devolve o sorriso, mas percebo que há algo errado e isso faz meu corpo ficar em alerta.

—Luna, venha dar um abraço no papai. –ele chama abrindo os braços para ela que vai correndo para ele. Luna se aconchega nos braços do pai que a aperta firmemente e beija seus cabelos. –Amor você foi a melhor coisa que eu e sua mãe fizemos, é a representação do nosso amor e eu te amo mais que qualquer coisa, por isso quero que me prometa algo. –ele diz com a voz embargada. Negan nunca foi de chorar, mas dessa vez ele parecia estar prestes a chorar e isso não era nada bom. –Ame sua mãe e seja tudo aquilo que eu não fui, seja ainda melhor. Não deixe de lutar nunca, sobreviva a tudo e tenha uma vida feliz porque é isso o que eu sempre quis para você. –nesse momento eu já estava chorando, pois cada palavra dita parecia uma despedida e eu não sabia o porquê disso estar acontecendo. –Seu pai fez muitas coisas erradas na vida, coisas feias que uma garotinha linda como você não merecia saber ou ter visto e eu não me orgulho delas, mas também não me arrependo de nenhuma delas, pois todas elas me levaram a ter você e sua mãe. Eu as amo mais que tudo e todos, para sempre, nunca duvide disso.

—Eu também te amo papai! –ela o abraça chorando. –Fica comigo?

Negan parece sentir dor ao ter que responder.

—Eu daria minha vida para vê-la crescer e poder colocar seus futuros namoradinhos pra correr, mas não posso.

—Negan. –o chamo e ele me encara colocando Luna no chão que o abraça pelas pernas quando o mesmo fica em pé. –O que aconteceu?

—Aconteceu uma merda das grandes baby. –ele sorri, mas seu sorriso não chega aos olhos. –Eu não quero que passe por isso.

—Passar pelo quê? Negan faça sentido pelo amor de deus! –peço desesperada.

—Eu fui mordido. –diz sorrindo. –Fui mordido por um daqueles montes de merda! Que grande porra não é mesmo?

—Mordido. –sussurro ainda tentando processar o que ele estava dizendo.

—Esse não é o fim Negan, podemos cortar a parte da mordida antes que o vírus se espalhe! –diz Abe deitado no chão.

—Esse é o meu fim sim soldado. –ele tira o lenço vermelho do pescoço fazendo uma careta de dor no processo, só então noto que ele estava encharcado de sangue, a mordida tomava metade do lado direito de seu pescoço.

—Não! –grito em desespero indo até ele. –Por quê? Porque você tá fazendo isso comigo? Você prometeu! –grito batendo em seu peito.

—Desculpe baby, mas você sabe que às vezes não faço o que você me pede e naquele momento era eu ou a Luna e você sabe qual é a minha escolha. –ele diz triste e eu me agarro a ele chorando em pânico. –Acabou baby, acabou para mim, mas não para você.

—Não! Eu não permito que você me deixe! –falo com o rosto enterrado em seu peito.

Isso não poderia estar acontecendo! Não com Negan! Ele é a pessoa que eu tinha certeza que iria sobreviver a isso, sempre tão cheio de vida, tão seguro em tudo o que fazia e agora está condenado à morte por causa de uma mordida idiota! Não é justo!

—Lucille, me escute. –ele pede me fazendo encarar seus olhos. –Eu preciso que lute por nossa filha, que fique viva e que tenha tudo o que sempre sonhou e que eu nunca pude te dar. Não desista e viva por nós dois porque eu sei que apesar de não ter sido sua escolha, uma parte de mim ainda vive em você. Então por tudo o que vivemos, pelo amor que eu sinto por você, viva! Seja a minha Lucille e dê todo o amor que nossa filha precisa por mim e por você e fale de mim para ela, conte histórias nossas pra ela e nunca desista de si mesma. –ele acaricia meu rosto. –Eu sei que você pensa que eu te odiei quando você escolheu o caipira ao invés de mim, mas saiba que eu nunca poderia te odiar, porque eu te amo e sempre amei. Você foi minha luz e a melhor parte de mim, eu fui um homem melhor por sua causa. Quero que se lembre de nós assim, felizes e apaixonados. Guarde essa imagem minha e não a de agora, é por você que eu vou fazer isso.

—Fazer o quê? –pergunto assustada.

—Vou ter uma morte digna, não vou morrer por uma porra de mordida, agonizando de dor por causa disso e deixar essas lembranças horríveis pra você e nossa filha. Eu vou voltar naquela casa e esperar tudo explodir, talvez nem sinta dor não é? –ele tenta brincar, mas tudo o que faço é chorar ainda mais.

Eu me recusava a pensar que tudo terminaria assim, isso não podia acontecer!

—Soldado, preciso que continue cuidado da nossa rainha, você assim como eu sabemos que ela pode se meter em muita merda e eu ainda não confio no caipira para isso. –ele diz pra Abe que concorda.

—Nem precisa pedir isso, vou cuidar das duas com a minha vida. Elas são minha família também.

—Ótimo! –ele sorri para Abe e aperta a mão dele. –Caipira, você tem o amor dela então se faça merecedor disso. Cuide dela sempre e se você a fizer sofrer saiba que eu vou voltar pra te chutar de onde quer que eu esteja. –Daryl assente e Negan olha para mim. –É hora do adeus baby.

—Não. –eu digo inutilmente. –O que eu vou fazer sem você?

—Viver. –ele responde com um sorriso. –Não pense que estou triste por partir, porque eu não estou. Estou triste por não poder ficar e ver tudo o que ainda tínhamos pra viver, mas estou extremamente grato por ter conseguido cumprir minha missão de te deixar viva com nossa filha, dar a chance de você e ela terem uma vida plena e feliz juntas. Meu maior medo era partir e te deixar sozinha, mas hoje eu sei que não estará sozinha, então estou bem. Agora preciso que me deixe ir.

—Nunca vou ser capaz de te dizer adeus. –digo enquanto ele tenta se afastar de mim.

—Então não diga. –ele dá de ombros e começa a se afastar.

—Eu te amo! –grito em desespero, sentindo meu coração se partir em mil pedaços e ser incendiado. –Eu te amo Negan, sempre! –corri até ele e o abracei pelas costas. -Fica.

—Não posso deixar que faça isso, não quero virar uma daquelas coisas e sei que não conseguiria acabar comigo quando fosse o momento sem acabar consigo mesma depois. –ele diz e vira me abraçando. –Eu te amo pra caralho baby. –ele sussurra em meu ouvido e me beija levemente no inicio, antes de atacar furiosamente minha boca, roubando todo o meu ar. Depois encosta sua testa na minha, acalmando a respiração enquanto nos encaramos. –Daryl. –ele chama e não entendo no inicio, mas logo sinto um par de braços fortes me segurando e me afastando dele.

—Negan! –grito enquanto o vejo se afastar indo para a casa velha que logo iria explodir.

—Papai! –Luna grita nos braços de Carl.

Negan caminha com passos firmes e decididos para o lugar onde seria sua morte, de cabeça erguida, levando com ele meu coração e minha vida. A cada passo que ele dava, eu sentia como se uma parte de mim estivesse sendo tirada brutalmente de mim. Eu estava morrendo a cada passo dele e eu pensei que nunca iria passar por isso. Eu sempre achei que eu iria morrer primeiro, que eu não tinha que o ver morrer antes de mim, eu não estava pronta pra isso e acho que nunca estaria.

De todas as dores que eu já senti na minha vida, essa é sem duvida a pior e mais dolorosa de todas. Ele entra na casa e fecha a porta, deixando tudo para trás, me deixando para trás. Isso nunca pareceu tão errado como agora.

Negan fez a escolha dele e agora eu precisava fazer a minha. Escolha essa que já foi feita há muito tempo, quando eu ainda era uma garota comum de uma cidade pequena.

Chegou a hora de cumprir meu destino. Chegou a hora de ser Lucille.

“Por você, eu cruzaria a linha

Eu desperdiçaria meu tempo

Eu perderia a cabeça

Eles dizem "ela foi muito longe dessa vez"

(...)

E baby, por você, eu caia da graça

Apenas para tocar seu rosto

Se você for embora

Eu imploro você de joelhos para ficar.”

Taylor Swift – Don’t Blame me.

Notas finais
Tá acabando gente e eu acho que estou fazendo alguma coisa errada pois vocês me abandonram né? Sei que tenho demorado muito para postar mais adoraria ter todas vocês juntas comigo nessas emoções finais! Então digam o que acharam ok? Negan vai morrer e agora o que nossa Lucille vai fazer? Quem acertou quem era o vilão? Até o proximo que será o ÚLTIMO CAPITULO! Beijos!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.