Lucila
20 XX – Traquinagens
Notas iniciais
LEITOR, E SE FIZÉSSEMOS UM BREAKOUT AQUI? A segunda-feira começava com os três rapazes mais velhos da banda dormindo a sono solto em volta da estranha jovem, na sala dos tios doutores e alguém teria que explicar a Plácido porque o desobedeceram ao descerem a escada e blábláblá...
Mas e os outros dois integrantes da banda, o Robert e o caçula, Ralphy?
O que foi o domingo para os dois pequenos?
Ora, naturalmente que seria impossível esconder por todo este tempo que algo muito estranho estava acontecendo! A começar pelo sumiço do carrinho de jardinagem: para que alguém roubaria o carro cheio de ferramentas velhas e mais difícil ainda, tentaria entrar na propriedade guardada por vigias e cachorros para tirar o carro de lá?
Os dois garotos – Pense em dois capetas, leitor: o tipo de adolescente que ainda tem a molecagem de criança pequena, daqueles que não ficam quietos só com ordem – entenderam logo quando ouviram D. Nena ao telefone com Ricky: que saudade dos tios, que nada...! Aquilo era invenção do mais velho para esticarem na casa deles, mas que não era só para se divertir, era certeza! No mínimo, um dos três tinha aprontado alguma e davam um tempo até o problema esfriar, fosse o que fosse... Robert, que ouviu a copeira ao telefone, chamou o amigo para o primeiro andar da mansão. Escondidos na biblioteca, conversam:
— Ricky ligou para cá agora há pouco! Ouvi tia Nena falando com ele.
— E aí?
— Ahn, ele disse que queriam ficar mais um pouquinho com os tios, curtir o domingo com a tia Olivia... – desdenhou Robert, enfanhando a voz – Conversa! Ele contou um verde para a tia Nena e ela acreditou.
— É; mas a gente não pode provar. E mesmo que ele tenha mentido, que tem demais eles ficarem lá hoje?
— Tem que, se McGillins chega de repente aqui e não vê os três, para quem sobra? Para mim e você, né? Ele deixa sair para passear, mas só se for todos os cinco juntos; quando alguém sai sem o resto da turma, ele não pode nem desconfiar.
— Tia Nena dá um jeito no McGillins, pronto. Ela cuidou dele quando era pequeno, mesmo...
— E agora, ele é o dono disso aqui, bobão! Ela pode ter mandado nele quando era pirralho! Mas agora quem dá a ordem aqui é ele! E eu não tou a fim de levar bronca por culpa dos outros!
— Eeh, Roba...! Já vai arrumar confusão por causa de besteira...
— Besteira... Sabia que teve coisa sumindo daqui da casa?
— Quê?
— Bora lá na garagem! Vou te mostrar.
Foram: e lá estava a vaga do carrinho de jardinagem vazia. Dava até para ver o espaço liso sem poeira que o carrinho ocupava. Nas prateleiras, algumas ferramentas fora do lugar... E a lona que fechava a grade da garagem em chuvas também tinha sumido.
— E aí? – Perguntou Robert – Isso sumir sem ninguém notar, quando os meninos saem...? Quê que tu acha?
— Ué...
— Eu falei.
— Cara, para que sumir o carro de jardim? Cê tá pensando que foram eles...?
Robert pensou para responder. Não queria intrigar os amigos, mas viu coisas estranhas e não queria ficar quieto. Mas o amigo mais novo chegara havia menos de um ano na casa, tudo para ele era novo e mais divertido do que os outros quatro já conheciam. Além do mais, Ralphy era o mais juvenil e ingênuo dos cinco.
— Eu não tou acusando ninguém. Só que o carro e as coisas sumiram num dia em que não tinha empregados aqui. Sergio, Ruben e Ricky saíram faz um tempão. E as coisas desapareceram desde que eles saíram. E ontem, os cachorros amanheceram mal, lembra?
— O que os cachorros ficarem doentes tem a ver?
— Tia Nena disse que eles dormiram mal; nem comeram direito, você viu ela tentar várias vezes, eles mal tocaram a ração.
Os dois olham ao redor, a bagunça da garagem... O que quer que estivesse acontecendo, era bronca das boas! E estes dois pestinhas não iriam perder essa, por nada no mundo.
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