Lucie

11 Está Tudo Acontecendo Rápido... Rápido Demais


Notas iniciais
"Eu não gostava da ideia de ter Sarah aqui... Ela não pertencia ao meu mundo. Ela deveria ir embora com Noah. Mas... Quem se importa com o que eu quero, contanto que a patricinha esteja feliz?" Looh fora do capítulo

Chegamos ao aeroporto e Sarah me envolveu em um abraço caloroso.

Ela não parava de olhar para Bruno... Nunca!

Noah parecia não ligar – ele era realmente namorado dela – ele só olhava para mim.

- Ei. – eu gritei, parando. Não sou santa. – Dá pra parar? Eu sei que Bruno é irresistível e gostoso, mas você, Sarah, pode pelo amor de Deus olhar e secar o seu namorado e não o meu?! E você Noah, deveria ter fantasias com a sua namorada, não comigo. – eu disse desabando nos braços de Bruno.

Não foi o tom certo, ainda era educado.

Bruno pressionou minha cintura contra seu corpo.

Sarah suspirou.

- Ai maninha, calma né? Só tô olhando para o seu namorado... Ele é muito bonito mesmo. – ela sussurrou.

Depois se virou para Noah.

- E tenho certeza de que Noah não fantasia com você. – ela disse séria.

Ah, que pesadelo.

Eu queria que Sarah voltasse agora mesmo para Portugal – ela trabalhava lá.

- Sarah... Você já escolheu o hotel em que vai ficar? – perguntei, educadamente. Era irritante não conseguir gritar de um jeito mal-educado com as pessoas. Numa parte era boa... pelo menos.

- Não. Pensei em ficar com vocês, sabe como é... – ela sorriu.

- Hm, acho que ambos teríamos mais privacidade morando em lugares diferentes. – disse sutilmente.

- Ok... Ok, nós vamos para o hotel que escolhemos. – ela bufou.

Eu bufei dessa vez.

- Olha, Lo. – ela disse bem séria. – Se não me quer aqui diga. Você é insegura?! Não se garante?!

Eu ri.

- Não sou insegura Sarah, e sim eu me garanto. O problema não é esse. Você o seca. Mamãe não te deu educação?! É óbvio que se Bruno fosse um desses… — pensei na palavra – pilantras, ele estaria nos seus braços em um segundo porque você o persuadiria até que ele não a aguentasse mais. Não sei por que você tinha que ser a piriguete da família.

Ela riu irônica e pegou na mão de Noah.

- Se não nos quer aqui, não vamos ficar.

- Ótimo. – eu disse marchando com Bruno de volta para o estacionamento.

- Lo... – ouvi Sarah dizer no fundo.

Não parei, até que Bruno freou.

Me virei.

- O que é?! – eu disse tentando ser rude, mas conseguindo o tom educado natural de mim. Ai, que droga.

- Não podemos brigar e brigar, né? – ela disse forçando um sorriso. – Quero ficar aqui com você. – ela olhou para Bruno. – Prometo não me meter com ele se isso e faz mais segura...

- MAIS SEGURA?! – eu gritei. – Eu o amo e ele me ama, nunca trairíamos um ao outro, não sou insegura. Você só fica por ficar, então nunca vai saber o que é amor. – eu disse marchando de novo para o estacionamento.

- Eu... Eu me desculpo. Vamos para o hotel e depois falamos com vocês... Tchau. – ela disse, indo na direção contrária para pegar o táxi.

No carro Bruno me perguntou:

- Não acha que foi mal educada com a tua irmã?

Eu bufei.

Depois comecei a chorar.

- Não fui mal educada com ela. Fui forte. – eu disse. – E mesmo que quisesse, não consigo ser rude.

Ele afagou meu rosto e tirou as lágrimas de minha face.

- Forte por quê?

- Porque tem que ser forte com a Sarah, entende? Sabe quantas vezes ela roubou alguma paquera minha? – ele fez uma careta para a palavra “paquera”. Eu ri em meio às lágrimas. – Sabe quantas vezes ela roubou a cena no meu aniversário? Sabe quantas vezes ela colocou a culpa de tudo em mim e eu me ferrei? Sabe quantas vezes eu desejei ser filha única por causa dela? Ela é... – a palavra fugia de mim.

Ele esperou.

- Ela é terrível, eu não a quero aqui. – suspirei e chorei mais.

Ele afagou meu ombro.

- Eu sei que não foi mal educada, só te provoquei. – ele soltou um risinho malicioso.

- Idiota. – eu disse rindo.

Adormeci em seu ombro, esperando que Sarah fosse obra de uma fantasia estúpida da minha mente.

Ouvi risinhos histéricos de Sarah.

- Ai Bruno, você é um palhaço. Esse vídeo tá muito bom... – eu a imaginei mudando o tom e pronta para sentar no colo de Bruno.

Dei um pulo.

- Sarah?!

- Hm... Bruno me chamou para mostrar esse vídeo. Na verdade eu vim aqui te ver, mana... – ela sorriu. Estava sentada ao meu lado.

Queria arrancar aqueles dentes da boca dela.

Porém, sorri de volta.

- Ótimo... – disse me espreguiçando.

Não, nada estava ótimo. Sarah! VAI EMBORA!

Sarah sorriu de novo para mim.

- Irmã... Eu sei que sempre fui uma idiota com você nesses anos em que estivemos juntas e que sempre roubei de você suas paqueras... – Bruno fez uma careta de novo para a palavra. – Bruno me contou o que você disse para ele. – xinguei Bruno de todos os nomes que se é possível pensar. Filho de uma...

- Calma, Lo. – disse Bruno, sorrindo para minha provável expressão de ódio.

- Calma? Por que contou a ela?

- Ela é sua irmã e tem que resolver isso.

- Idiota. – eu murmurei.

Sarah olhou para mim, ansiosa.

- Sei também que você não me quer aqui. Quer que eu vá embora ou simplesmente morra. – uma lágrima fugiu de seus olhos.

- Não. Não quero que você morra. – eu disse com uma voz suave. Isso a fez sorrir.

- Me desculpe. Eu realmente pensei em tirar Bruno de você, mas... Ele a ama e nem se eu fosse mais bonita que você conseguiria.

- O quê? – se fosse mais bonita que eu? Ela já não é?

- Você sabe... Você sempre foi a mais bonita da família, então eu lhe roubava tudo que tinha para... Me sentir melhor. – ela disse envergonhada.

- Quer dizer que o motivo de você ter quase estragado toda a minha vida... – quase porque eu tive uma vida feliz com a minha mãe e meu pai. – foi inveja?

Ela assentiu. Eu corei.

Ela corou em seguida.

- Você... – eu comecei, mas não consegui terminar.

- Bem... – ela sussurrou. – Vou deixar você descansar e depois falo com você, tá meu amorzinho? Me desculpa por tudo... – ela beijou minha testa e se foi.

- E eu vou tomar um banho, sabe... – disse Bruno.

- Não, nada disso mocinho! Seu dedo-duro!

- Desculpa. – ele riu.

- Vai tomar seu banho.

- Sem castigos? – ele perguntou confuso.

Eu ri.

- Rá! Claro que vão ter castigos. E muitos. – eu dei um sorriso malicioso.

Ele mordeu o lábio inferior.

- Se forem os castigos que estou pensando... – ele tremeu e gemeu. – Ui. – eu ri.

Deitei de novo, tentando me lembrar do que aconteceu antes de adormecer. Não consegui. Levei as mãos ao rosto e cobri meus olhos. Eu não estava no quarto como havia imaginado, eu estava perto da piscina, numa espreguiçadeira.

Tá... Hm... Sim, quando cheguei tomei um banho e depois me troquei. Me sentei em uma espreguiçadeira para ler um livro, mas o deixei de lado e tomei meu suco... Depois eu dormi.

Ah, tá explicado.

Abri os olhos lentamente e vi Noah na minha frente.

Dei um pulo de susto.

- Acho que devo falar com você também. – ele disse sorrindo.

Os cabelos louros estavam molhados e ele estava molhado. Os olhos verdes cintilavam para mim.

- O que quer? – perguntei.

Ele era bonito. Lindo na verdade. Mas Bruno... Bruno era a pessoa mais linda que eu já vi na vida... Ele é. E eu o amo. E ele me ama. Me derreti só de pensar nele.

- Seu aniversário passou e soube que você comemorou com Bruno... – ele sorriu. – Mas esqueci de te trazer meu presente. – ele me entregou uma caixa pequena.

Coloquei-a do meu lado.

- Hã, obrigada, acho que Sarah tá te esperando. – ou seja, cai fora daqui, pensei em dizer.

Ele sorriu e se aproximou de mim. Estava a um centímetro – e tudo ocorreu rápido demais.

Dei um tapa em sua cara.

- Você tem problemas?! – eu gritei.

Bruno olhava da porta e só o vi correr e jogar Noah na piscina. Ele pulou também.

Estavam lutando na água. Iam se afogar.

- Parem! – eu gritei, mas fui ignorada. Entrei na piscina para que pudesse apartar a briga. Afastei os dois e empurrei Noah para o outro lado da piscina. – Vai embora, Noah. – eu disse.

Ele saiu da piscina, pegou um molho de chaves e saiu murmurando algo.

Bruno me abraçou.

Saímos da piscina e eu me deitei na espreguiçadeira.

- Hm... – eu disse, mexendo no meu celular. – Amor, eu vou ter que ir para o hotel, hã, ajudar Sam na recepção. Ela ficou doente. – eu disse ao ler as mensagens da minha melhor amiga.

- Tudo bem, te deixo lá. – ele disse gentil.

Chegando lá, ele conversou com Sam pelo telefone – eu o fiz ligar para confirmar que era verdade.

- Te amo e te vejo depois. – eu disse sorridente.

Ele sorriu e me beijou.

- Também te amo, little bunny.

Encarei as papeladas na minha frente com uma careta.

John se aproximou.

- Quanto tempo, hein. – ele sorriu. – Passou seu aniversário, não pude te entregar seu presente... E daqui a pouco você tem que apresentar a sua peça de teatro. – ele sorriu.

Sorri de volta.

- Hm, mas o problema é que eu deixei o presente em casa. – ele disse envergonhado.

- Sem problemas. – eu disse sorrindo. – Pode me entregar depois... Se quiser.

Ele piscou para mim e saiu.

Encarei a papelada de novo.

Organizei tudo do jeito que Sam me orientou.

Quando terminei minha respiração estava entrecortada e difícil, e eu estava suando – que nojo.

Meu cabelo estava grudado na testa e ainda assim John me disse que eu estava linda.

John se aproximou de mim, pronto para me ajudar nos últimos papéis.

- Então... – ele disse, organizando as folhas. – Você vai vir para o aniversário da Sam?

- Aniversário da... – me interrompi. – Ai meu Deus, eu me esqueci do aniversário da Sam. Sou a pior melhor amiga do mundo. – eu disse pronta para chorar.

- Calma. – ele riu. – É só daqui duas semanas. E você anda tão ocupada com o Bruno. – ele ficou sério.

Eu pigarreei.

- E aí, alguma garota na jogada? – perguntei para ele.

- Sim... Uma que é inalcançável e insubstituível. – ele olhou sério para mim. – E uma que gosta de mim, mas é irritante. – ele disse rindo.

- Eu conheço?

- Sim...

- Qual o nome dela?

- Anne. – meu coração martelou em meu peito.

- Eu odeio essa garota. Ela tentou separar Bruno e eu e... Você não vai sair com ela. – me senti autoritária. Não, pera, eu fui autoritária.

Ele riu.

- Tá com ciúmes?

- Sim, você é meu amigo. – ele pareceu se decepcionar com a palavra “amigo”. Apenas amigo. – E ela é uma víbora.

Ele sorriu.

- Então acho que vou com ela. – ele riu.

- Você não faria...

- Ah, eu faria sim. – ele me interrompeu.

Mordi o lábio inferior.

- Seu idiota.

Ele riu.

- Por quê? – perguntei meio segundo depois.

- Vou te irritar até você me beijar. – ele disse piscando para mim.

- Ótimo, vou morrer irritada. – eu disse mostrando a língua para ele. Ele apertou minha cintura.

- Acho que não. – me deu um beijo na bochecha e saiu.

Suspirei fundo. John era um idiota ao quadrado.

Bruno buzinou na frente do hotel.

- Tchau gente. – eu disse jogando o avental de Sam para o lado e correndo para Bruno. Meu Bruno.

Notas finais
Looh
xoxo