Luar Sangrento (Hyatus)

6 Capítulo 6 – Despertar


Notas iniciais
Pessoal, estou muito triste :(
No meu último cap, só recebi um review!
Mas, como esse review me deu muita inspiração e, para compensar os meus atrasos nos últimos caps, decidi postar um cap maiorzinho e em menos tempo!
Este cap é dedicado a Dark Angel, que me mandou um review lindooo no último cap! Dark Angel, espero que depois de leres este cap já não tenhas tanta vontade de me matar! ahahahah

***

A campainha tocou e eu, como de costume, dirigi-me para o parque de estacionamento onde o André estaria à minha espera para irmos para casa. Até que, de repente, olhei para trás e percebi que estava a ser seguida pelo rapaz dos olhos castanhos esverdeados. Sem saber bem porquê comecei a correr em direção ao parque de estacionamento. O meu cérebro ordenou às minhas pernas que parassem de correr (eu tinha que falar com o rapaz), mas as estas simplesmente não obedeciam, continuavam a correr sem parar e ele continuava a vir atrás de mim.

Então, finalmente, cheguei ao parque de estacionamento, mas as pernas não paravam de correr. Vi o meu irmão e as pernas correram em direção a ele e o rapaz continuava a seguir-me. Eu realmente não compreendia o que se estava a passar. Olhei novamente para o meu irmão, mas ele já lá não estava. Agora, no seu lugar, estava a Lara que gritou para mim enquanto as minhas pernas continuavam a correr naquela direção:

- Eu adoro motas!

Quando a rapariga acabou de dizer isto, subiu para cima da mota e arrancou.

-Essa é a minha mota! – gritei-lhe de volta. – Volta aqui!

Mas ela já tinha desparecido e as minhas pernas continuavam a correr. Mas porquê que eu não consigo parar de correr?

Olhei novamente para trás, mas agora quem vinha atrás de mim era o Rui que gritava:

- Estás a tentar fugir à conversa! Volta aqui!

Será que está tudo tolo? Ou será que sou eu que estou a enlouquecer?

E finalmente as minhas pernas pararam de correr. De súbito, a escuridão abateu-se no céu, deixando visível uma lua cheia maior do
que eu imaginava possível. Nesse momento olhei para trás e vi que o Rui se estava a transformar num lobo, um lobo enorme e ameaçador.

Oh meu Deus! Isto não é possível! O Rui não
é um lobisomem!

O lobo vinha na minha direção e então, o cenário mudou
abruptamente. Eu já não estava no parque de estacionamento, mas sim numa enorme e sufocante floresta cheia de árvores e arbustos e o lobo já não estava ali. Foi então que revivi o meu habitual pesadelo sobre a noite do ataque do lobo. (N/a: Nestas próximas linhas copiei algumas
coisas do sonho do capítulo um)

Ouvi um ruído e, mal tivera tempo de me virar, já um lobo ainda maior que o anterior saltara do meio da vegetação e corria na minha direção. Também eu comecei a correr.

Olhei por cima do ombro: a criatura ganhava terreno a cada passo que dava. Peguei na minha arma com balas de prata e disparei ao acaso por cima do ombro. No entanto, ele não vacilou.

Nesse momento, a criatura atirou-se sobre mim, a arma saltou-me da mão e voou cerca de dez metros até cair num ramo de uma árvore. Peguei numa adaga de prata, escondida no bolso do meu casaco. Lutámos: a cada golpe que eu lhe desferia, este curava-se instantaneamente, ao contrário das feridas provocadas pelas suas garras na minha pele, que sangravam e doíam cada vez mais. Os seus olhos amarelos olhavam-me raivosos e sedentos. Estava a ficar exausta, quando senti uma pancada profunda no braço que segurava a navalha. Desta vez, foi esta a voar da minha mão para longe. As mandíbulas do lobo cravaram-se no meu pescoço e uma dor que me queimava por dentro fez-me gritar.

***

Senti umas mãos agarrarem-me enquanto alguém dizia:

- Calma! Está tudo bem!

Abri os olhos e percebi que me debatia contra os lençóis da cama enquanto um enfermeiro me tentava manter quieta.

Parei de me debater e olhei para ele confusa.

- Quem é você? O que é eu estou aqui a fazer? – perguntei enquanto me tentava levantar da cama, até que reparei que tinha uma perna em gesso e a cabeça cheia de ligaduras.

- Eu sou o Gabriel! E tu estás no hospital. Tiveste um acidente!

Naquele momento lembrei-me de tudo: a mota, o rapaz, do facto de me ter sentido a desmaiar.

- Os meus irmãos! – disse aflita. – Tenho que lhes ligar! Eles devem estar preocupados.

- Não te preocupes! – respondeu o Gabriel. – Eles já tiveram aqui e queriam passar aqui a noite, mas eu disse-lhes para irem para casa descansar e que amanhã falavas com eles.

Naquele momento reparei que o Gabriel não aparentava ser muito mais velho do que o Rui.

- Fez bem! – respondi.

- Agora tens que voltar a dormir. – disse ele, injetando-me qualquer coisa na garrafa de soro que estava ligada por um tubo transparente a uma agulha espetada nas costas da minha mão direita.

- O que é que está a fazer? – perguntei alarmada.

- É um sedativo para dormires melhor! – respondeu ele, antes de eu adormecer profundamente num sono sem sonhos.

***

- Não é melhor levá-la para casa? Eles podem descobrir alguma coisa.

- Isso iria levantar suspeitas! Ela tem um traumatismo craniano e uma perna partida. Como é que iríamos explicar o facto de a querermos levar para casa nestas condições?

- Eu sei. Mas não levantará mais suspeitas se acidentalmente descobrirem a mutação no sangue?

- É muito difícil! Os exames que nós fizemos para descobrir isso são muito aprofundados... eles nem têm aqui o equipamento necessário para tais exames.

- E se eles descobrirem que os ossos dela regeneram muito mais rapidamente. É impossível não repararem nisso.

- Eu sei e já tinha pensado nisso, mas não creio que isso os possa fazer desconfiar de alguma coisa. Na minha opinião, vão apenas pensar que se trata de uma paciente fora do comum.

- Faz como quiseres, mas eu por mim, levava-a ainda hoje para casa.

Ouvi as vozes dos meus irmãos a conversar. No entanto, eu estava semi-inconsciente e por isso, elas chegavam distantes e o meu cérebro não conseguia processar o sentido da conversa.

- Rui! André! – chamei-os num sussurro e eles calaram-se repentinamente.

Ambos se debruçaram sobre a minha cama.

- Como é que te sentes? – perguntou-me o André.

- Um bocado anestesiada. – respondi. – Quando é que posso ir para casa?

- Não tão cedo! Tiveste um traumatismo craniano e uma perna partida. – explicou-me o André.

- Eu sei! O enfermeiro disse-me. Mas eu sinto-me bem.

- Deve ser deve! Pregaste-nos um susto! – pronunciou-se o Rui– Quando encontramos a mota toda espatifada e o local cheio de sangue, pensamos que tinhas sido levada por lobos.

- Vocês são mesmo totós! – respondi em tom de brincadeira. – Não existem clãs para estes lados. Foi por isso que viemos para aqui.

- Nunca se sabe. É impossível ter 100% de certezas. Ficamos mesmo preocupados! Nunca mais voltes a fazer isso, ok? – disse-me o Rui, beijando-me atesta. Desde que os nossos pais se foram embora que ele não fazia isso e, naquele momento senti-me protegida.

- Como é que conseguiste chegar até ao hospital? – perguntou-me o André.

- Não sei... Eu só me lembro de ter perdido o controlo da mota e depois ter batido com a cabeça. – menti. Eu não podia dizer que tinha desmaiado enquanto conduzia.

- Pois, mas tu vieste cá parar e ninguém nos sabe dizer quem te trouxe. – respondeu-me o André.

- A sério? Isso é muito estranho!

- Bom, é melhor deixarmos-te descansar agora! Deves estar cansada! O enfermeiro ligou ontem à noite a dizer que tinhas acordado muito agitada e que tinhas tido pesadelos. Os pesadelos do costume?- perguntou-me o Rui e eu assenti em resposta. Era impossível esconder-lhe a verdade, visto que o enfermeiro lhe devia ter dito que eu gritara durante o sono.

- Então vamos embora! Passo cá logo à tarde, para te arreliar. – disse o André rindo e piscando-me o olho.

Eu dei uma gargalhada forçada e deitei-lhe um olhar de falso aborrecimento.

- Xau. Até logo! – despediu-se o Rui, dando-me novamente um beijo na testa.

Fiquei admirada de ele não me ter dado um sermão pelos pesadelos nem por ter espatifado a mota, nem por ter tido um acidente. Ele devia ter ficado mesmo preocupado comigo, ou simplesmente, não me queria enervar enquanto estando eu naquele estado.

Eles saíram e eu fiquei ali, perdida nos meus pensamentos.

Alguém me tinha trazido para ali logo após o acidente. Teria sido o rapaz dos olhos castanhos esverdeados? Ele vira tudo o que acontecera! E, que eu tivesse reparado, ele era a única pessoa ali por perto quando isto aconteceu. Se bem que, não tenho assim tanta certeza, que apenas nós dois estivéssemos ali, porque depois de ter visto aqueles lindos olhos, acho que nem sequer repararia num elefante se ele me passasse a um palmo de distância do meu nariz.

Notas finais
Mereço reviews???
Mandem alguma coisa nem que seja só para dizer que está horrível!