Notas iniciais
Aviso importante: Este capitulo pode ter alguns gatilhos, então se você se encontra num momento delicado não aconselho a ler, se mesmo assim você o fizer, saiba que a intenção não é incentivar qualquer tipo de comportamento que lese sua saúde mental. Bem, fora isso, queria dizer que não sei quando vou estar postando novamente, tenho duas semanas de prova seguidas por vir, então o próximo capitulo vai demorar para ser postado. Mas fiquem a vontade para ler a fanfic (atualizada) no link: https://www.spiritfanfiction.com/historia/luar-puro-5662255

Não posso alegar que não tenha sido feliz antes, por que eu fui, por um breve e fugaz momento eu tive ela em minhas mãos, mas então fui roubada, da minha vida, do meu verdadeiro destino, sendo jogada num vazio de incerteza e perdição.

Depois de contar minha história aos Cullen, tudo que eu podia sentir era essa enchente de se derramando sobre minha mente, me fazendo escorrer para o precipício até minha queda, o peso que me arrastava para baixo diminuiu, mas não sumiu para sempre.

Foi difícil ter que relembrar minha quase morte novamente...

Como eu tinha ficado por dias sem comer, alimentando a fome com o desespero e então provocando Jane infinitas vezes até estar tão imersa na dor que não conseguia mais saber quem eu era... ou quando me transformei, o animal emergindo em um frenesi, atacando todos que chegavam perto, até o momento em que o ataquei.

Choque, traição, dor, raiva...

Foi o que Alec sentiu, foi assim que ele perdeu seu controle.

Depois de tudo o que fiz, eu a mantive viva...

Eu não precisava viver, precisava me libertar.

Por isso eu o fiz, com sua névoa negra me cegando, o animal enlouquecido começou a se mutilar, enquanto me rasgava através da bruma escarlate, podia sentir pele e sangue em meus caninos afiados, podia sentir cada vez que a pele se rompia… mas estava cega, surda e muda.

Eu não sentia dor.

Quando a escuridão veio eu abracei, achando que finalmente tinha acabado.

Tão ingênua eu fui.

Assim que recobrei a consciência pude sentir a agitação a minha volta, mas eu não era mais a mesma, apenas uma capa de quem fora antes. Seus frios braços de pedra me seguravam, mesmo o seu cuidado era forte demais para meu corpo frágil e incurável.

Estava debilitada, tinha esgotado todas as forças, suspensa apenas por um fio, e sabia que chegar a essa condição me custaria algo, mas também sabia que se para fugir do controle dos Volturi me custasse um preço então eu o tomaria sem medir as consequências. Minhas feridas não podiam ser curadas por eles, seu conhecimento sobre a minha raça se estendiam apenas aquilo que eu mesma sabia, tão pouco, a única alternativa era me tirar dali, se expondo a humanidade, mas eles não se arriscaram.

No entanto, tinha alguém que se arriscaria, ele estava tão cego por me ter, ele sim arriscaria tudo para me salvar… e ele o fez.

Seu desespero foi tanto que o obrigou a se expor a humana residente do castelo, revelando o segredo mais bem guardado dos Volturi: eu. A preocupação de um ser humano para comigo me fez sentir algo que nunca nos meus sonhos mais febris achei que poderia experimentar.

Empatia.

Então quando Alec me depositou em uma mesa, fiquei com medo da facilidade com que tudo aconteceu.

A resposta era sempre a morte para eles, não era?

Como sempre, foi preciso apenas um movimento rápido e brusco e o pescoço frágil da humana se partiu, levando sua vida para o nada, provocando um surto terrível de dor no fundo da minha alma. A crueza da cena, fazendo meu corpo queimar em injustiça, cada pico de dor aumentando, adrenalina impulsionada pela raiva me fez levantar e correr.

Não temi que Alec fosse mais rapido que eu, ou me dei ao trabalho em pensar na sua terrível névoa negra… eu não temi a morte, só agarrei a mão estendida do destino e corri o mais rápido que podia na direção da única janela no recinto. Não senti o impacto, só o som do vidro se estilhaçando enquanto eu mergulhava num mar de luz quente e pulsante que me cegou imediatamente.

Eu estava caindo… e então atingindo um carro.

Fiquei inconsciente assim que meu corpo atingiu o carro, afogada num mar de perdição eu chorei e gritei em desespero, minha unica chance de fugir sendo despedaçada pelo infortunio do meu corpo destroçado. Perceber que eu tinha desperdiçado minha unica chance foi a pior derrota, eles me teriam novamente, depois de tudo que eu tinha sacrificado.

Estou amaldiçoada...

Acordei com o movimento de balanço, meu corpo se retessando como um punho, preparado para receber o golpe, quando nada veio me deixei absorver a atmosfera antes de abrir os olhos para meu cativeiro, calor e batimentos cardiacos acelerados me receberam ao invés do frio. O cheiro de sangue pulsando em veias queimou minhas narinas e garganta, fazendo meus olhos se abrirem abruptamente. Deixei o animal dominar minhas próximas ações, sendo guiada pela fome eu fui direto no primeiro humano, o que estava introduzindo agulhas em meu braço, sua garganta macia cedeu muito fácil sob meus dentes, seu sangue jorrando sobre meu rosto, descendo quente e vivo por minha garganta, fazendo todo meu corpo tremer em adrenalina, minha mente brilhou para a realidade e com um choramingo de mágoa me arranquei do humano.

O grito de choque do segundo humano veio acompanhado de uma seringa atingindo meu ombro, com um resmungo eu o empurrei e arranquei a agulha, meus olhos queimaram com lágrimas ao perceber o corpo moribundo do humano que eu tinha atacado.

Eu tinha matado... acabara de matar… assassina....

Eu estava dentro de uma ambulância a caminho do hospital, só podia ser, sem qualquer hesitação quebrei o trinco das portas duplas e as abri, pela segunda vez no dia fui cegada pela luz, mas o pior de tudo foi ser atacada por todos os sons caóticos do mundo.

Eu precisava correr, precisava correr até não conseguir mais respirar, longe o suficiente para que ninguém pudesse me encontrar, até que estivesse perdida.

Então eu fui para o chão e comecei a correr sem parar, com o sangue fervendo e chiando em meus ouvidos, corri até o lado mais alto da cidade e então pulei, me afundando no ar, meus olhos vendo cada vez mais rápido o que estava lá embaixo, com a concentração que ainda me restava eu deixei a criatura deslizar sobre minha pele, o ar ao meu redor vibrando com a força da transformação.

Foi à primeira vez desde a minha existência que eu senti prazer em poder libertá-la.

E foi tão bom.

Apesar da minha queda repentina ter me deixado desorientada enquanto rolava, nada podia me deixar apavorada, eu sabia que eles não poderiam vir a minha procura, não enquanto ainda houvesse luz, quando finalmente parei de rolar pela planície voltei a correr, meus ossos protestando devido ao estrago feito pela queda, eu não parei, deixei tudo doer e se curar com lentidão enquanto corria.

A noite desceu pelo mundo como um véu silencioso enquanto eu corria, parecia uma eternidade, eu não iria parar, porque se o fizesse eles chegariam a mim.

O cheiro dos humanos finalmente se infiltrou no meu olfato, havia uma chance de parar, eu estava tão cansada que meu corpo gritava para que parasse, não pude me impedir de seguir a trilha até a fazenda, os sons que eles faziam eram tão reconfortantes, segui eles como Ícaro seguiu o Sol.

Assim que parei ao lado da casa percebi que precisaria mudar, a besta estava deixando os animais da fazenda agitados, não podia chamar atenção, não quando me sentia mais vulnerável, com um arrepio de agonia deixei meu corpo irromper dolorosamente através do animal, sem fôlego fiquei deitada de lado no chão sujo, meu cérebro apagando e voltando a consciência, me deixei respirar por um tempo, o ar frio açoitando minha pele esfolada.

Fiquei assim até poder recobrar força suficiente para ficar de pé, nua eu circulei ao redor da propriedade como um ladrão, o vento soprando com ousadia meu corpo desnudo, impiedoso como um chicote. Vendo um varal a frente eu caminhei com cautela por trás de lençóis até encontrar um vestido branco longo e um casaco marrom masculino, quando vesti as roupas não me senti menos animal do que antes, a dor do que eu tinha feito na ambulância estava me corroendo, por trás do medo de ser pega eu me martirizava, podia guardar isso até ser seguro o suficiente para sofrer.

Me escondi no porão de um depósito vazio, entrando por trás eu quebrei as correntes com a força que me restava e me deixei adentrar na escuridão de um buraco mais uma vez, sentindo a espreita o medo de estar presa eu passei por cada segundo da noite entre sonhos aterrorizantes de olhos vermelhos e dor penetrante.

Se eu acreditasse em Deus, teria feito uma prece ao amanhecer, por que depois de tudo, eu estava viva e segura, por enquanto, abrindo os olhos para a manhã me concentrei no barulho animado dos humanos e me deixei espionar suas vidas. A voz do patriarca foi a que me chamou a atenção, ele estava levando sua filha mais velha para a cidade vizinha, ela ia pegar um ônibus para a capital, eu precisava apenas aproveitar essa chance.

Quando eles entraram na caminhonete eu esperei que colocassem todas as malas antes de subir atrás e me esconder sob uma lona esquecida.

A viagem foi tão longa e devagar, eu sentia meus músculos se contraindo para correr, mas não podia, esse era o modo mais fácil de camuflar meu cheiro, deixando ele ser mascarado pelo dos humanos. A viagem terminou em uma estação, desci e me infiltrei no fluxo de pessoas enquanto seguia o cheiro da garota e seu pai. Eles pararam perto de uma cabine e trocaram palavras com o humano que estava dentro dela, logo seguiram para o outro lado da estação e se sentaram numa coluna de cadeiras, ficaram sentados um ao lado do outro, sorrindo, conversando por uma hora.

Tão normal...

Eu nunca poderei ter isso, nunca poderei ter um momento assim com meu pai...

Quando o ônibus chegou, li o nome escrito letras brilhantes: Florença.

Assim que a garota se despediu do seu pai e foi em direção ao ônibus eu a segui, me sentei logo atrás dela e esperei o veículo começar a se mover, quando já estávamos longe o suficiente percebi que estava em um impasse, pois um homem uniformizado estava começando a passar por todos os assentos pedindo pelas passagens, eu não tinha uma. Observando a movimentação das pessoas para o fundo do ônibus eu segui uma senhora que ia até lá antes que o homem me visse.

Quando a senhora saiu do banheiro ela ficou parada por um tempo me observando com uma expressão estranha, e então sorriu com afeto.

— Você não é uma mocinha linda.

Americana...

Seus olhos desceram pelo meu corpo até chegar aos meus pés, sua expressão se franziu confusa e segui seu olhar para encontrar a imundice dos meus pés descalços.

Sei que algo está errado assim que volto a olhar para seu rosto, contorno seu corpo e entro na cabine, tranco a porta e me viro, me deparando com uma privada e uma pia.

Meu corpo se encolhe com a lembrança de estar confinada num espaço escuro por anos.

Sento em cima do vaso e trago as pernas em direção ao peito para abraçá-las o mais forte que consigo, não posso deixar as lembranças e sensações me dominarem, não agora, meu sangue pulsa em meus ouvidos como tambores, um aviso, começo a me afundar em escuridão.

Ragazza?

(Garota?)

O som das batidas me faz resfolegar assustada, internamente fico agradecida pela intromissão, pois ela me acorda do pesadelo, fico parada até as batidas ecoarem novamente.

Ragazza, ho bisogno che tu esca dal bagno e mostrami il tuo biglieto, per favore!

(Garota, eu preciso que você saia do banheiro e me mostre sua passagem, por favor!)

Encaro a porta em silêncio, quando o homem me chama novamente eu olho para o teto e descubro uma alavanca para saida de emergencia, me levanto sobre a tampa do vaso e minha voz arranha quando respondo o cobrador para ganhar tempo.

Solo um secondo.

(Apenas um segundo.)

Arranco a alavanca e empurro a tampa com força para fora, o ar entra no banheiro com um silvo, as batidas do homem começaram a ficar mais apressadas, pego impulso colocando meus pés sobre a pia e uso meus braços para me puxar para fora.

Meu cabelo açoita ao redor do meu rosto numa bagunça de fios negros, fico em pé sobre o teto do ônibus em movimento e encaro o horizonte.

A cidade está perto, se erguendo pontiaguda até o céu, por um instante eu fico hipnotizada pela sua beleza, então o barulho de arrombamento me traz para o presente, onde o homem dentro do banheiro olha para cima e me vê, sua expressão de estupefação se quebra em pavor assim que eu corro e me jogo de cima do ônibus. Meu corpo não assume a forma da fera, eu preciso manter minha forma humana para conseguir entrar em um navio. Quando atinjo o chão uso a força do meu corpo para rolar e então ficar de pé novamente, começo a correr em direção a cidade, para fora da estrada, para que ninguém perceba a forma como eu corro.

É complicado se localizar numa cidade que você não conhece, poderia ter ficado uma eternidade andando em círculos, mas no final, a melhor forma de conseguir direções é através dos métodos humanos, e com um esforço descomunal, eu adentro no meio da multidão animada que se reúne ao redor da praça, parando o primeiro garoto que cruza o meu caminho.

Seus olhos escuros brilharam com interesse genuíno quando toco o seu braço.

Ciao, bella.

(Olá, linda.)

Seu sorriso é animado e sem malícia, me deixando desconcertada, não estava acostumada com os seres humanos, suas reações sempre seriam uma estranha surpresa para mim.

Tirando minha mão de seu braço eu olho nervosamente ao redor e sussurro.

Pouoi dirmi dove si trova il porto?

(Pode me dizer onde fica o porto?)

É tão simples, uma pergunta e ele já está acenando em reconhecimento, ele aponta para uma direção e responde em seu italiano animado. Olho na direção que ele pontua e fico aliviada em saber para onde ir, estou tão distraída com meus sentimento que não percebo que ele está falando novamente.

È lontano, non penso che sarai in grado di arrivarci senza le tu escarpe.

(É longe, eu não sei se você chegara lá sem os seus sapatos.)

Olho para meus pés em confusão e então para seu rosto,os humanos podem ser tão receptivos quanto desconfiados, espero que ele me olhe como a senhora do ônibus, mas ao invés disso ele está sorrindo divertido, minhas sobrancelhas se arquearam diante da reação dele.

Non pensi che sai strano?

(Você não acha estranho?)

Seu sorriso fica maior do que antes e eu posso ver dois de seus dentes inferiores que são tortos, ele passa a mão entre seus se percebo que entre os fios escuros e castanhos existem alguns dourados, talvez por passar tempo demais ao sol.

No, siamo a una festa, può succedere di tutto, poui essere sicuro che non sei la ragazza più strana del mondo.

(Não, nós estamos em uma festa, qualquer coisa pode acontecer, você pode ter certeza que não é a garota mais estranho do mundo.)

Fico encarando ele, suas palavras fazendo sentido algum na minha cabeça, não acho que ele esteja certo, eu tinha certeza que no momento era a coisa mais estranha e perigosa no mundo, tinha matado há apenas um dia atrás, um humano, semelhante dele.

Seu rosto suaviza, ele olha ao redor e então fica agitado.

Posso portarti ai porto se vuoi, il mio scooter è próprio lì.

(Posso te levar ao porto se quiser, minha scooter está ali.)

Olho na direção que ele aponta e observo com estranheza o seu meio de transporte.

Não confiava na sua propostas, aceita-la provavelmente colocaria nós dois em perigo, estou prestes a recusar com educação quando olho para sua expressão. Ele é apenas um garoto, e não sinto que ele represente qualquer perigo, ele é apenas um humano simples e gentil.

Gentileza

— Quindi?

(Então?)

Minha mandíbula se aperta quando tomo a decisão, assento para ele, seu sorriso se rasga em seu rosto, ele abre o caminho com um floreio e eu sigo em direção a sua scooter.

Passando uma perna de cada lado ele monta e a liga, o som invade meus ouvidos com um zumbido.

Cosa dovrei fare?

(O que devo fazer?)

Ele olha por cima de seu ombro e sorri quando percebe que eu realmente não sei o que fazer.

Siediti dietro di me.

(Sente-se atrás de mim)

Eu imito seu movimento de passar as pernas e coloco meus pés descalços sobre os mesmos apoios que os dele estão, espero pela sua próxima ação. Quando ele tenta pegar minhas mãos eu me assusto, quando processo a sensação do toque arranco minhas mãos das suas com violência e pula para fora da scooter.

Encabulado, ele olha para meu rosto.

Non toccarmi.

(Não me toque)

Um fluxo de sangue quente sobe do seu pescoço para as maçãs bronzeadas do rosto, o movimento agitado do sangue arde na minha garganta, seus olhos se estreitam envergonhados.

Mi dispiace, non lo farò più.

(Me desculpe, não vou fazê-lo novamente)

Espero um tempo para que meus sentidos se acalmem, ele fica olhando para o meu rosto com seu constrangimento cada vez mais evidente, os olhos escuros ficando cada vez mais incertos.

Mi toccherai di nuovo?

(Você vai me tocar novamente?)

Seu rosto fica muito quieto, os cantos da boca se curvando para baixo.

Non lo farò, voglio solo portarti dove devi andare, o giuro.

(Não vou, só quero te levar onde você precisa ir, juro)

Deixo minha audição se aprofundar em seu batimento cardíaco e espero. Não estava acelerado, apenas batia normalmente, pulsando uma quantidade de sangue forte por suas veias.

Eu me aproximei novamente e montei.

Ele olhou por cima de seu ombro para meu rosto e sorriu tímido.

So che non posso toccarti, mas dovrai tenerti.

(Sei que não posso te tocar, mas você vai precisar se segurar em mim)

Perché?

(Por quê?)

È più sicuro... qui, tieni i risvolti dela giacca.

(É mais seguro... aqui, segure nas lapelas da minha jaqueta)

Faço como ele instrui e tento não rasgar o material enquanto ele acelera e vai na direção do porto.

Enquanto a brisa quente sopra meu cabelo por cima do ombro eu sinto o cheiro incrível do sangue do garoto, minha fome cada vez mais crescente, desejo ardentemente estar longe dele. Assim que avisto o porto solto minha respiração.

Desço mais rápido do que ele poderia prever e começo a caminhar em direção aos barcos.

Ehi, aspetta!

(Ei, espere!)

Ele tinha descido da scooter e vinha correndo na minha direção, seu cabelo revolto caindo sobre sua testa, quando ele parou na minha frente finalmente reparei quão alto ele era comparado a mim.

Non hai detto dove stai andando!

(Você não disse para onde vai!)

Eu não podia, para o bem dele, eu sequer deveria ter aceitado sua gentileza, pois agora todo meu cheiro estava impregnado nele e em sua scooter, eu já tinha arriscado sua segurança, dar a informação do meu destino só facilitaria a caça dos Volturi, e consequentemente a morte dele.

Mais sangue em minhas mãos… mais uma morte… assassina...

Eu seria responsável por mais uma morte.

Sinto meus olhos arderem só de imaginar mais uma tragédia, não posso viver com isso, viro meu rosto e encaro a água escura do mar.

Non posso dire.

(Não posso dizer)

O silêncio não deixa dúvidas da sua decepção, ele fica parado, sua respiração agitada dilatando os poros de seu corpo, suor e sangue.

Estou faminta… talvez…

Antes que o pensamento sombrio se infiltre ele volta a falar.

Allora dimmi il tuo nome.

(Então me diga seu nome)

Cosa?

(O quê?)

Ele sorri despretensiosamente.

Quando sei gentile com uno sconosciuto, ti aspetti di o ottenere um nome in cambio.

(Quando você é gentil com uma pessoa estranha espera receber ao menos um nome em troca)

Gentileza

É difícil lembrar dessas pequenas coisas quando você cresce da forma que eu cresci, é difícil lembrar como ser boa. Ele tinha sido gentil e me ajudará, não seria um pecado dar ao menos meu nome a ele, seria?

Covardemente, eu olhei em seus olhos e sussurrei em fraqueza.

— Ayira.

Os olhos brilharam com satisfação, o sorriso se tornando mais confidente.

— Mario.

Come?

(Como?)

Mi chiamo Mario.

(Eu me chamo Mario)

Meus olhos se demoraram por seu rosto esperançoso, e então, sem dizer adeus, me virei e parti,dessa vez ele não me chamou, meu coração se apertou e eu parei no meio do caminho, quando me virei não fiquei surpresa que ele continuasse parado me vendo ir.

— Mario.

Sì?

(Sim?)

— È davvero il tuo scooter?

(A scooter é mesmo sua?)

Eu sabia mesmo antes de ele responder que não era, eu tinha sentindo uma infinidade de cheiros vindos dela.

No, è stata affittata.

(Não, foi alugada)

Assenti aliviada e então continuei.

Lascia stare dove l´hai preso e quando vai a casa togliti i vestiti e brucialo.

(Deixe-a onde a pegou e quando for para casa tire suas roupas e as queime)

A confusão em seu rosto se misturou com diversão.

Perché?

(Por quê?)

Sto restituindo il favore...grazie.

(Estou devolvendo o favor... obrigada.)

Eu fui embora antes que ele pudesse perguntar mais, entrei no barco que estava preparando para partir e não olhei para trás.

Eu nunca teria a certeza se ele faria mesmo o que pedi, mas de qualquer forma, não saber isso, me fazia sentir menos culpada de sua morte.

Notas finais
Espero que vocês estejam apreciando a jornada da Ayira. Beijos L.