Lua dentre nuvens
6 Capítulo 06
Um novo acorde. O som reiniciava na intensidade da morte.
O casal saiu do beco curioso, logo reconhecendo o semblante daquele moço. “Este não é o jovem no papel de parede do seu celular?” Perguntou a distraída mulher, sem querer desagradar.
Negando imediatamente, Ichimatsu corava efusivamente. O galante artista sorria convencido, enquanto o quarto filho cambaleava mentindo. Tendo consciência como o depressivo irmão jamais era sincero, Karamatsu se levantou, propondo bastante sério: “Posso te dar leite, comida e uma cama quentinha. Então, aceitaria minha companhia?”.
O silêncio. Seria consenso?
Ichi, em aflição, desnorteava. Precisava ter a mão segurada para fugir da escuridão que só aumentava. Sabendo disto, deixando de lado o violão, o sereno rapaz se aproximou. Quase recolhendo as gélidas mãos entre as suas, um franco, ríspido e doloroso “não” escutou.
Divagando desorientado frente o casal boquiaberto, o segundo filho estava perplexo. Embora tentasse se redimir, o outro demonstrava o quanto era inútil permanecer ali.
Assim, erguendo o rosto numa heroica postura, disse em dolorosa ternura: “Se você prefere a solidão, embora me parta o coração, eu respeitarei sua decisão”.
O vento frio. Contuso brio.
Karamatsu retrocedia deprimido quando por quentes braços foi acolhido. “Ichi...” Almejava virar e abraçar aquele que afogava a cabeça contra as costas de sua jaqueta, quando um gato, escorregando da arvore, caiu sobre a penteada cabeça. Cravando as unhas em desespero, arranhava o bonito rosto por inteiro.
Recuando lentamente, o quarto filho não escondia a felicidade pelo “incidente” onde Karamatsu batalhava inutilmente.
O quinto gêmeo treinava próximo dali. Deixando o taco de baseball quando escutou o movimento, logo foi conferir. Ficando feliz por encontrar Ichimatsu parado, logo passou o braço em torno o pescoço daquele irmão e convidou animado. No mesmo instante, o quarto filho aceitou e, naquela noite, para casa retornou...
... Enquanto Karamatsu e o gato...
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O relógio indicava algo próximo as três da madrugada quando Karamatsu foi despertado pelo quarto irmão em pesadelo. Pensou em acordá-lo, mas isto não era o recomendado nestas situações. Deste modo, o abraçou com carinho, falando baixinho para não despertar os demais:
— Calma, Ichi.
Depositando um beijo nos cabelos desgrenhados, o mais novo parecia se acalmar, acomodando-se como um manhoso gato no espaço abaixo o queixo da contraparte. Aos poucos a expressão serena retornava ao desanimado rosto.
Feliz e contaminado pela tranquilidade, tentou dormir, entretanto tendo o irmão tão próximo... Optou por observá-lo. Tocando de leve a bochecha adormecida, sentia como o mais jovem detinha uma pele tão macia... Contornando a delineação de sua mandíbula com a ponta do indicador... Aqueles lábios... E... Não! Ali estava seu irmão.
Ichimatsu se aninhou mais próximo quando sentiu o carinho cessar quase abruptamente. Faceiramente, levou a mão esquerda ao pijama da contraparte, caminhando na linha da clavícula com a ponta dos dedos como se caçasse a gola do pijama, na qual terminou entrelaçando os dedos, diminuindo assim o espaço entre os dois.
Kara respirava buscando calma enquanto sentia o corpo mais quente devido o cheiro e o toque tão próximo. Verificando que o irmão permanecia dormindo, tentou se afastar, pois era o melhor no momento. Inútil... Ichi murmurou como se pressentisse a separação, passando o joelho contra a perna do irmão atordoado, fazia estranho carinho, apesar de aparentemente submerso num profundo sono profundo.
Kara enrubescia incomodado... “Como ele estaria dormindo? Como poderia dormir? Todavia, deveria dormir.” Cerrando os olhos contra a vontade, almejava compartilhar daquela letargia e descansar, quando o quarto filho disse quase por sussurros, ainda adormecido:
— Eu te amo, Karamatsu...
Enrubescido pela repentina declaração, deu alguns leves tapinhas contra o rosto desacordado, sem resposta, pois o mesmo permanecia submerso na sonolência como se estivesse morto.
Fitando o rosto tranquilo, sentia uma estranha vontade de beijá-lo, mas não seria justo. Deferindo um beijo na testa, sentiu a mão em sua camisa apertar o tecido de forma possessiva, enquanto dizia:
— Eu quero... Eu quero você...
No limite, levantou-se. Sentando-se na beirada da cama, penteava os cabelos conforme passava a mão contra a testa, realmente desacreditado. Lançando um olhar para o rapaz as suas costas, este permanecia dormindo tranquilo como os outros quatro.
Deste modo, levantou, seguindo para o banheiro para esfriar a cabeça com um banho gelado e esquecer o acontecimento.
Escutando a porta do quarto fechar sorrateiramente, Ichi se levantou. Compartilhando daquele mesmo desânimo momentâneo, enquanto praguejava:
— Irmão, idiota.
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