Lua Vermelha
12 Capítulo 7
No dia seguinte não comentamos nada. Era terça-feira e eu estava sem o menor ânimo para começar o dia. Ontem havia sido um dia e tanto: papai, Lucas, Lorena, Larissa... Quando a minha vida tinha se transformado em um monte de "L's" sem fim?
Ouvi o gemido de minha irmã do outro lado da cama. Sentei-me para ver o que havia acontecido. Meio sonolenta, vi apenas uma imagem borrada de minha irmã curvada na cama, com algo saindo de sua boca. Espera. Ela estava vomitando?
- Mãe! — Gritei — corre aqui, a Lorena está vomitando! — Fui para a cama de minha irmã e segurei a cabeça e o cabelo dela. Eca, aquela cena realmente era uma das cenas mais nojentas que eu já vi na vida.
Ouvi o salto de minha mãe subindo as escadas correndo. Pouco depois ela abre a porta do meu quarto, esbaforida pois não era acostumada a fazer exercícios, quem dirá de salto.
- Lo, minha filha, o que aconteceu?
- Ela está vomitando, mãe, é tão difícil assim perceber? — Eu disse com o meu sorriso irônico no canto da boca.
- Cala a boca, Isabella. Pegue a toalha ali no banheiro, vamos leva-la na emergência.
- Eu estou bem. — Sussurou Lorena entre um chato e outro. É, aquela definitivamente era a cena mais nojenta que eu já havia presenciado em toda a minha vida.
- Não está não — Disse a mamãe — Vamos te levar ao hospital. Vamos, Isabella, cadê a toalha que eu lhe pedi?
- Bruta — Disse baixinho, para que ela não pudesse ouvir.
Peguei a toalha e entreguei a ela. Lorena limpou a boca e disse mais um "estou bem", mas todos sabiam que ela não estava. E eu não dava nem uma hora para minha mãe ficar sabendo que eu beijei uma menina. Todos sabiamos que a minha irmã fica assim quando está estressada com algo ou quando está guardando um segredo enorme.
Depois de muito, eu consegui convencer minha mãe a me deixar ir para a escola. Eu precisava ver a Samantha, ela era a única que poderia me entender agora. Eu cheguei para o terceiro horário, e por sorte o diretor deixou-me entrar.
Entrei na sala e logo fui para os braços de minha melhor amiga.
- Eu já fiquei sabendo. — Disse-me ela. — De tudo. Não precisa se preocupar, eu estou do seu lado independente de qualquer outra coisa.
- Obrigada — Eu disse. Não sei se minha voz fez-se auditivel o suficiente para ela ouvir, mas sei que ela leu em meus lábios.
Aula de sociologia. Definitivamente uó. A professora estava falando sobre homicídios e suicídios.
- Como você gostaria de morrer, Bella? — Perguntou-me Samantha. Particularmente, eu gostaria de me matar. Mas eu não iria falar isso para a minha melhor amiga, por 'melhor' que ela fosse. Eu já havia tentado me matar duas vezes. Uma eu cortei meu pulso e vi o sangue escorrer de minha pele freneticamente. Posso afirmar que foi uma das melhores sensações que eu já experimentei, mas uma das maiores culpas que eu já senti e que não desejo nem ao meu pior inimigo. A outra vez eu tomei veneno de rato. Não foi forte o suficiente para me matar, isso era óbvio, mas conseguiu me tirar o ar por alguns segundos e por outros mais me deixar inconciente.
- Eu quero sumir. Ser raptada, ou quando eu sentir que estou para morrer, simplesmente sumir. — Respondi alguns segundos depois da pergunta.
- Por que você quer isso, Bella? — Sá me perguntou, assustada.
- É o poder da imortalidade, meu bem. Pensa comigo: eu iria sumir sem deixar rastros, sem ninguém jamais descobrir para onde eu fui ou se realmente morri. Haverá sempre um mistério atrás disso.
- Uau. — Foi a única coisa que ela conseguiu dizer.
- Amiga! Eu não te contei. — Falei, lembrando-me de minhas férias insanas. — Conheci um menino pela internet, o Alisson... Eu acho que estou começando a me apaixonar por ele...
- COMO ASSIM? — Ela disse, um pouco alto demais. Tapei a boca dela com as mãos. — Quando foi isso? Nas férias?
- Sim, nas férias. Eu o conheci através da Ingrid, lembra-se dela?
- Claro que lembro. Mas nas férias você ainda estava com o Lucas? De onde ela conhece ele? — Lucas... Tratei de bloquear a imagem dele de minha cabeça. Mais tarde eu trataria dele.
- Sim, eu estava, mas isso não me impediu de conhecer outros garotos. Ele é tão meigo, gentil, alegre... Me coloca pra cima, sabe?
- Que lindo, Bells! A não, você tem que me apresentar a ele! Tenho que conhecer o meu provável futuro cunhado. — Ela disse, com um sorrisinho metido.
- Claro que apresento! Anota o msn dele ai. É alisson.dentinho@hotmail.com. Eu falo pra ele que você o adicionou.
- Ok. Bella, você acha que rola você e ele? Conte-me como ele é.
- Ah, Sá, não sei, mas eu espero que sim. Ele não é a coisa mais bonita do mundo, mas ele consegue se tornar assim que você conversa com ele, sabe? Ele é negro, tem um sorriso maravilhoso, tem um metro de setenta de altura, é uma graça, faz eu me sentir bem comigo mesma, vive me elogiando, é super engraçado, divertido e alegre... Tudo que uma menina pode querer, entende?
- Nossa, eu também quero um assim! — Disse-me rindo — Vou avalia-lo e depois te dou a minha nota, ok?
- Tudo bem então. Só não vá se apaixonar por ele também, viu? — Começamos a rir juntas.
Bela ilusão.
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