Lua Escaldante
15 O que o destino nos reserva (Capítulo Final)
Notas iniciais
Dia 13
Décimo terceiro dia ou o último dia do acampamento. Após 12 dias no acampamento Lua Escaldante, está na hora de voltarmos para a civilização.
Nós fomos acordadas pela Marilu.
"Bom dia, garotas!" Marilu nos cumprimentou.
"Está na hora de voltarmos para Hellcife" ela nos informou. "Levantem-se!"
Nós todas nos levantamos de nossas camas e ficamos ao lado das mesmas.
"Vamos tomar o café da manhã, almoçaremos e depois nós nos aprontaremos" Marilu retrucou.
Nós todas concordamos.
[...]
Fomos tomar o café da manhã. Nós nos sentamos na mesa, junto com Ricardo e os outros garotos. Os professores e a diretora já estavam em sua mesa.
"Bom dia, pessoal!" eu disse cumprimentando todo mundo.
"Bom dia!" todos devolveram
"Ah, eu não consigo acreditar que nós estamos indo embora do acampamento" eu retruquei.
"Pois é. Os dias passaram rápidos" Letícia comentou.
"É, mas acho que a gente aproveitou bem" Juliana comentou.
"Finalmente nós vamos para casa!" Ricardo exclamou.
"Você não gostou do acampamento, Ricardo?" Letícia inquiriu ao namorado.
"Eu gostei sim, Letícia. Pelo menos nós tivemos a nossa primeira vez juntos. Mas, acho que a lembrança do dia em que eu fiz sexo com a Marilu nesse acampamento vai continuar me assombrando pro resto da vida, então eu dou graças à Deus que nós vamos embora daqui" Ricardo replicou.
"Pense no lado bom, Ricardo. Nós tivemos a nossa primeira vez juntos e isso foi maravilhoso" Letícia aconselhou.
"É verdade. Eu também gostei dessa experiência" Ricardo comentou.
"Bom, eu acho que eu vou sentir muita saudade do Mario." eu interrompi.
"Eu também. O Mario foi muito gentil com a gente, ele nos levou para o "Portal dos desejos"..." Juliana lembrou.
"É verdade, onde será que ele tá agora? Será que ele não vai vir se despedir da gente?" Ricardo inquiriu.
Então, como se o vento tivesse ouvido nossas preces, o Mario surgiu na porta do refeitório. Porém, ele parecia muito abalado. A expressão no rosto dele era de extremo cansaço. Era como se algo tivesse consumido todo o ser dele.
Voltamos nossa atenção para ele e ele foi caminhando até a mesa dos professores.
Mario foi até a diretora Elsa Lima. Eu particularmente não entendi o porquê disso. Talvez seja porque desde que ele nos recebeu no acampamento, ele e Elsa eram meio chegados. No dia que eu e Juliana estávamos aos beijos na sacada, no exterior do alojamento, ele nos viu e logo nos delatou para a Elsa, então...pode ter alguma coisa nesse sentido.
Mario se aproximou da diretora Elsa Lima. Ele ficou próximo dela.
"Dona Elsa Lima. Eu gostaria de conversar à sós com a senhora" Mario disse em uma voz trêmula.
Elsa dispensou os outros professores e eles foram saindo da mesa. Os professores se retiraram e Elsa ficou à sós com Mario.
Mario então se sentou do lado da diretora e ficou de frente para ela.
"Então, o que você quer falar comigo, Mario? Tem alguma coisa de errada com o acampamento?" Elsa inquiriu.
"Não, não. Não tem nada errado com o acampamento. É que eu estou precisando me desabafar com alguém, e...já que eu gosto muito da senhora, eu resolvi procurá-la" Mario retrucou.
"Hmm...tudo bem. Eu sou toda ouvidos" Elsa consentiu.
"Bem, Dona Elsa..." Mario retrucou.
"Desembucha, Mario" Elsa insistiu.
"Está bem. Eu não sei como dizer isso, mas...eu tive uma visão com a minha falecida esposa, sabe? Ela morreu já faz alguns anos, e...eu falei com ela, e ela me disse para me desapegar do meu passado...então, eu estava pensando..." Mario interrompeu.
"No quê?" Elsa inquiriu.
"Bem, eu gosto muito da senhora, então...eu estava pensando se você gostaria de namorar comigo. " Mario contou.
"Bem, eu não sei o que dizer..." Elsa ficou pensativa.
"Desculpa, eu estou apressando as coisas quando nós mal nos conhecemos, não é?" Mario inquiriu.
"Não, Mario, está tudo bem. É só que...você me pegou meio que de surpresa..." Elsa explanou.
"Entendo..." Mario falou meio cabisbaixo.
"Mario, eu confesso que eu gosto de você. Você recebeu o meu colégio de braços abertos..." Elsa comentou.
"Olha, se você precisar de tempo para pensar, eu vou entender. Talvez, eu não devesse ter feito essa proposta para você. Você parece uma mulher casada, deve ter um marido que a ama muito, talvez até tenha filhos" Mario insinuou.
"Não, Mario. Eu não sou casada, nem tenho filhos. Aquele que poderia ter sido meu marido me abandonou na adolescência quando eu estava grávida, e...meu filho foi mandado para adoção. Desde então eu nunca mais vi o babaca do meu namorado..." Elsa contou a ele.
"Mas então..." Mario tentou processar aquilo.
"Eu sou viúva, Mario." Elsa atestou.
"Então, você aceita o meu pedido de namoro?" Mario quis saber.
Elsa respirou fundo e soltou o ar.
"Sim, Mario" Elsa replicou.
Ao ouvir aquela conversa entre o Mario e a diretora Elsa Lima, nós saímos da mesa do café da manhã e fomos lá dar apoio moral para o novo casal.
Nós nos aproximamos dos dois e ficamos perto deles.
"Garotos, o que estão fazendo aqui?" Mario inquiriu.
"Nós viemos dar apoiar vocês dois" eu explanei.
"O quê?! Como assim?" Elsa ficou pasma.
"Ah diretora...vocês dois combinam muito" Eu retruquei.
Eu olhei para o Mario e ele ficou meio grilado com a situação.
"Elsa..." Mario balbuciou.
"Garotos..."
"Elsa! Você está viúva a muito tempo, perdeu o filho, e o Mario perdeu a esposa..." eu lembrei.
"Você acha que combinamos, Sylvia?" Elsa ficou meio encabulada.
"Eu acho. Agora eu quero que vocês dois se beijem" eu falei.
"Sylvia...eu não sei..." Elsa estremeceu.
"Eu beijar a Elsa? Eu não sei.." Mario também estremeceu.
"Vai gente!" eu insisti.
Nós então começamos a encorajá-los a beijar.
"Beija!"
"Beija!"
"Beija!"
"Beija!"
"Beija!"
"Beija!"
Mario e Elsa se olharam e ficaram meio sem graça.
"Beija!"
"Beija!"
"Beija!"
Nós continuamos a insistir até eles resolverem se beijar.
Elsa soltou um suspiro.
"Está bem." Elsa consentiu.
Elsa aproximou o rosto dela do de Mario e o beijou na boca. Todos nós vibramos com aquela cena.
Mario e Elsa se separaram.
"Eu te amo, Elsa" Mario se declarou para Elsa.
"Eu também te amo, Mario" Elsa declarou.
"Gente, eu acho que não consigo me conter" Ricardo mordeu o lábio inferior.
"Toc,Toc! Quem é?" Ricardo inquiriu.
"O Mario!" Nós exclamamos.
"Que Mario?" Ricardo continuou.
"Aquele que te pegou atrás do armário!" Nós concluímos.
"Garotos! Parem com essa brincadeira de mau gosto!" Elsa exclamou.
"Desculpa, diretora. O momento me pareceu apropriado" Ricardo respondeu.
"Ricardo. Eu vou ter uma conversa com os seus pais!" Elsa retrucou.
"Claro, diretora. E você vai falar também sobre eu e a Letícia termos feito sexo sem proteção no acampamento.." Ricardo presumiu.
"Sim, eu vou" Elsa concluiu.
"Elsa, deixe os garotos para lá. Nós temos um ao outro agora" Mario aconselhou.
Elsa suspirou.
"Está bem, Mario" Elsa consentiu.
"Que bom"
"Elsa, tem uma coisa que eu quero falar para você. Você não quer morar aqui na fazenda comigo? Mario inquiriu.
"Não posso, Mario. Eu tenho que cuidar do colégio dos garotos. E você não tem que cuidar da fazenda?" Elsa devolveu.
"Eu posso contratar um capataz para cuidar das coisas enquanto eu estiver ausente." Mario comentou.
"Está bem, Mario" Elsa concluiu "Quem sabe nós ainda nos veremos.."
" Está bem Elsa. Eu vou estar esperando esse dia chegar" Mario respondeu.
Elsa deu um último beijo em Mario.
"Isso é para você não se esquecer de mim" Elsa o lembrou.
"Está bem, Elsa. Muito obrigado" Mario agradeceu.
"Eu é que agradeço, Mario. Se você não tivesse tomado a iniciativa, talvez eu não soubesse que alguém se importa comigo." Elsa retrucou." E eu acho que eu tenho que agradecer a Deus por ele por você na minha vida..."
"Eu digo o mesmo de você, Elsa. Não foi fácil tomar coragem depois de ter falado com a minha ex-mulher, mas...eu cheguei a conclusão que também não dá para ficar mordendo corrente para sempre, então...resolvi vir até você e fazer esse pedido." Mario argumentou.
"Entendo. Olha, eu acho que nós vamos nos dar muito bem juntos" Elsa atestou.
"É muito fofo ver a diretora e o Mario juntos" Letícia comentou.
"O Mario se deu muito bem com a Elsa" Ricardo comentou.
"Ricardo, para! Nós também nos demos muito bem, você esqueceu disso? Ou eu preciso lembrá-lo de tomar um chá de Semancol?" Letícia contestou.
"Desculpa, Letícia. Eu amo você, tá?" Ricardo então deu um beijo na boca de Letícia e depois se separou dela.
"O que você acha de irmos para o quarto?" Letícia sugeriu.
"Você quer transar, Letícia? Mas, e se nós perdermos o ônibus pra Hellcife?" Ricardo devolveu.
"Vamos dar uma rapidinha"
"Uma rapidinha, tipo o quê? Só oral?" Ricardo inquiriu.
"Pode ser."
"Tudo bem,então."
Ricardo e Letícia se retiraram para o alojamento feminina.
[...]
12:00 nós almoçamos. Dessa vez, Mario se juntou a mesa dos professores e foi almoçar ao lado da Elsa.
Quando terminamos de almoçar, nós fomos para o alojamento nos aprontar e fazer as malas. Ao chegarmos lá, nós acabamos encontrando Ricardo subindo a calça e Letícia passando a mão no cabelo.
"Oi, meninas!" Letícia nos cumprimentou.
"Letícia, por acaso você estava chupando o Ricardo?" eu quis saber.
"Sim, Sylvia. " Letícia atestou "Ricardo é meu namorado, e eu faço qualquer coisa para agradá-lo".
"Tudo bem, Letícia. Já não está mais aqui quem falou. Eu só...não consigo entender como é que vocês conseguem arranjar tempo para transar quando nós estamos de saída" eu retruquei.
"Por isso que nós demos uma rapidinha" Letícia comentou.
"Tá bom, Letícia. Me poupe dos detalhes" eu devolvi.
"Sylvia, deixa eles. Nós temos que nos aprontar" Juliana me lembrou.
"Verdade. Temos que tomar banho, nos trocar, e ainda fazer as malas" eu repliquei.
Então, fomos nos aprontar. Eu e Juliana viramos as costas para Letícia e Ricardo e fomos arrumar a roupa que iríamos vestir.
"A gente se fala depois" Ricardo se despediu.
"Tá certo, Ricardo" Letícia se despediu.
Ricardo saiu e as outras garotas foram tomar banho primeiro.
[...]
Depois de tomarmos banho nós fomos nos trocar. Foi quando Letícia se lembrou de algo.
"Sylvia, eu esqueci de te dizer uma coisa. Eu e Ricardo usamos um pouco do seu sabonete e do xampu da Juliana. Nós achamos que vocês não iriam se importar." Letícia nos contou.
"O quê?!" Eu exclamei.
"Como é que é?!" Juliana ficou indignada.
"Foi mau, meu xampu e sabonete estavam nas minhas coisas, e os de Ricardo nas coisas dele, mas nós fomos tomar banho juntos e...não tinha como ele ir para o alojamento dele e pegar" Letícia revelou.
"Você podia ter nos pedido emprestado, Letícia" eu contestei.
"Eu também acho!" Juliana me apoiou.
"Desculpa, garotas" Letícia se desculpou "Nós ainda somos amigas, não é?"
"Definitivamente não depois dessa" eu neguei.
"Tudo bem, Sylvia. Faça como quiser" Letícia suspirou.
Letícia foi arrumar as coisas dela. Eu fiquei discutindo aquilo com Juliana.
"Que absurdo! Eu não acredito que a Letícia fez isso. Ela é uma vadia!" eu comentei com Juliana.
"É, parece que nós duas erramos de fazer amizade com o Ricardo e a Letícia." Juliana devolveu.
"Juliana, você é minha Pocahontas, minha namorada, minha única amiga. Você é tudo para mim. Eu te amo muito" eu declarei.
"Eu também te amo, Sylvia!" Juliana declarou.
Nós nos abraçamos e nos beijamos ali mesmo.
[...]
Algum tempo depois, já vestidas e com as malas feitas nas mãos, Marilu e Gilberto junto com os garotos vieram nos pegar.
"Marilu, cadê as suas malas?" eu quis saber.
"Já estão no ônibus, junto com a dos outros professores, só está faltando as de vocês. E o ônibus já está nos esperando." Marilu nos informou.
"E a diretora?" Juliana quis saber.
"A Elsa está nos esperando perto do ônibus" Gilberto interferiu. "Vamos indo?"
"Está bem. Vamos!" eu disse entusiasmada.
[...]
Deixamos nossas coisas com o motorista que foi ajeitando tudo no compartimento do ônibus e subimos.
No ônibus, eu e Juliana tomamos os lugares do fundo do ônibus que ficavam na fileira da direita onde Ricardo e Letícia estavam anteriormente. Juliana ficou com a janela e eu com o meio.
O ônibus começou a encher com os outros alunos, e no fim, o lugar do corredor próximo a minha poltrona ficou vazia.
Eu suspirei pois depois de brigar com a Letícia, eu não estava com vontade de conversar com ninguém, além da minha Pocahontas.
Talvez eu seja muito antissocial, mas quem liga para isso?
Eu peguei a mão esquerda de Juliana e a segurei. Juliana olhou para mim e sorriu com aquele sorriso tão reluzente como os raios de sol em uma manhã ensolarada.
"Eu te amo, Juliana" eu declarei.
"Eu sei disso, Sylvia." Juliana replicou.
"Não importa o que aconteça, eu sempre estarei com você. Sabe, um dia eu quero me casar com você, e envelhecer junto com você..." eu jurei.
"Eu também" Juliana concordou.
Os professores e a diretora entraram no ônibus e começaram a fazer a contagem antes de partirmos.
[...]
Algumas horas depois, o ônibus começou a se mexer. Estávamos partindo.
A viagem era longa. Acabamos dormindo.
Minha cabeça tombou e eu adormeci no ombro esquerdo de Juliana.
[...]
Mais algumas horas depois, o ônibus escolar chega na porta do colégio.
No interior do ônibus, Marilu e os outros acordam os alunos.
"Chegamos, pessoal!"
Todos despertaram incluindo eu e Juliana que estávamos com a maior cara de sono naquela noite.
Os professores e a diretora foram descendo do veículo primeiro e se encontraram com os pais dos alunos que os esperavam na porta do colégio junto com o motorista.
Então nós saímos. Eu estava ansiosa para me encontrar com os meus pais.
O primeiro grupo de alunos foi saindo antes de nós, depois o segundo grupo com Letícia e Ricardo, e depois o nosso grupo com eu e Juliana.
O ônibus se esvaziou completamente.
Quando eu desci do ônibus e me encontrei com meus pais, foi emocionante.
"Oi, filha! Como você está?" Minha mãe me recebeu.
"Oi mãe! Eu to bem. Só um pouco com sono" eu falei meio sonolenta.
"E ai, filha. Você se divertiu muito no acampamento?" Meu pai quis saber.
"Sim, pai. Eu até arranjei uma namorada que me acompanhou todos os dias no acampamento" eu contei para eles.
"Que maravilha, filha! Eu fico muito contente" meu pai exclamou de felicidade.
"É, eu também." minha mãe replicou.
Bom, minha mãe se chama Sally O' Connors, mas virou Oliveira depois que se casou com o meu pai, Emilio Oliveira. Como eu disse, minha mãe é irlandesa. Ela nasceu em Dublin. E o meu pai é daqui do Brasil, ele é do Rio de Janeiro e se mudou para cá.
Então, minha namorada Juliana veio até mim com os pais dela e os apresentou.
"Sylvia, esses são os meus pais, Saulo e Gaila Oliveira"
Eu e meus pais os cumprimentamos e nos apresentamos para eles. Saulo parecia ser um homem bastante reservado. Ele tinha cabelo bem curto, e vestia uma camisa impecavelmente branca, com uma calça marrom e sapatos da mesma cor. Gaila, a mãe de Juliana vestia um belo vestido branco com estampa floral e tinha várias marcas tribais pelo corpo como se fossem tatuagens. Ela parecia ser uma alma muito bondosa.
Nós conversamos um pouco com os pais de Juliana e ela.
Durante a conversa eu falei para os pais de Juliana sobre o nosso namoro e...logo de cara o pai de Juliana relutou. Ele se recusava a aceitar que Juliana namorasse comigo. Já a mãe dela aceitou sem problemas.
Saulo, o pai de Juliana simplesmente se negou a discutir com a mulher e acabou dando o vexame de dizer na nossa frente que iria pedir o divórcio para a mãe de Juliana.
A mãe Juliana e ela começaram a chorar. Meus pais peitaram Saulo, e aquilo acabou em briga.
Juliana veio chorar nos meus braços junto com a mãe e nós nos abraçamos ali.
[...]
Enquanto isso, Ricardo e Letícia enfrentam problemas com os pais deles.
"Pai, eu amo a Letícia e eu jurei a ela que cuidaria do nosso filho, caso ele viesse a nascer" Ricardo disse com ímpeto.
"Ah é? E como você vai fazer isso, Ricardo? Você não tem emprego nenhum, você não tem dinheiro para sustentar essa criança, caso ela venha a nascer" a mãe de Ricardo o contestou.
"Eu dou um jeito, mãe. Talvez eu vá procurar o meu tio, Cesar. Ele tem uma loja de aviamentos,não? Talvez eu possa trabalhar para ele na loja, eu não sei." Ricardo devolveu.
"Ricardo, você primeiro precisa concluir os estudos, fazer uma faculdade, e então pensar em um emprego, porque sem emprego, você não terá como sustentar essa criança" o pai de Ricardo interferiu.
"Que se dane tudo!" Ricardo praguejou.
Ricardo então se voltou para Letícia que estava aos prantos.
"Ricardo...eu te amo!" Letícia murmurou.
Ricardo a envolveu com um dos braços.
"Eu também te amo, Letícia. Nós vamos dar um jeito. Eu vou falar com o meu tio que tem uma loja de aviamentos" Ricardo a confortou.
"Tá bom, Ricardo." Letícia disse engasgando nas próprias lágrimas.
A mãe de Letícia passou um sermão na filha.
"Eu disse para você não fazer sexo com o Ricardo, não disse Letícia?" a mulher esbravejou.
Letícia olhou para a mãe.
"Desculpa, mãe.." Letícia falou arrependida.
"Desculpas? E ter um filho que possa vir a nascer agora virou desculpas por não se cuidar?" a mãe de Letícia falou retoricamente.
"Desculpa, mãe!" Letícia insistiu.
"Letícia, a sua mãe está certa. Você devia tê-la ouvido" o pai de Letícia a puniu.
"Desculpa, pai" Letícia se desculpou.
"Você quer ficar com esse filho? Então vá você com esse seu namorado morar embaixo da ponte, pedir esmolas na rua. Mas, dentro de casa, você não pisa. Você ouviu bem?" o pai de Letícia devolveu.
Letícia se desmanchou em lágrimas e foi acolhida por Ricardo. O mundo deles havia se desmoronado.
[...]
Uma reunião de pais aconteceu no colégio Coração de Maria. A diretora Elsa Lima havia convidado os pais juntos com seus filhos para discutir os assuntos da escola.
"Bom, eu tenho certeza de que a experiência de acampar no acampamento Lua Escaldante foi muito prazerosa para seus filhos. E eu gostaria de discutir algo sobre o acampamento que afeta a escola" Elsa retrucou.
"Eu andei falando com a professora Marilu, e nós discutimos sobre a possibilidade de aumentar o valor da mensalidade..." Elsa foi interrompida pelos pais.
"Isso é um absurdo! Para quê aumentar a mensalidade?"
"Além do mais, nós não temos dinheiro o suficiente para pagar mais...ou você acha que nós todos somos ricos?"
Esses foram alguns dos comentários dos pais.
"Eu entendo a preocupação de vocês, senhores pais. Mas, esse aumento é bem significativo. Com um aumento na mensalidade, os alunos poderão ter agora aulas práticas de ciências com a professora Marilu. Nós sabemos que eles adoram a professora Marilu." Elsa explanou.
"Ah claro, a Marilu é uma santa!" Sylvia inquiriu.
"Eu concordo com a Sylvia." Juliana a apoiou.
"Elsa, eu acho que isso não é uma boa coisa. E o relacionamento dela com o Gilberto? Ela ainda quer insistir em se aproveitar das alunas?" Sylvia chamou a atenção dos pais.
"O quê?! É para isso que vocês pretendem aumentar a mensalidade?" um dos pais contestou.
Elsa ficou em silêncio.
"Não! Nós não vamos pagar mais para a professora se aproveitar dos nossos filhos" outros pais contestaram também.
"Está bem. Vamos esquecer essa ideia" Elsa retrucou.
Foi então que o celular do pai de Sylvia tocou no meio da reunião e ele atendeu.
"Alô? Sim, é ele mesmo!" Emilio retrucou.
"Apareceu uma oportunidade de emprego para mim e a minha mulher trabalharmos na sede da Holding na Irlanda?" Emilio inquiriu.
"Se nós aceitamos? Não sei, eu tenho que ver com a minha mulher. Só um minuto" Emilio interrompeu a ligação.
Sally olhou para Emilio.
"Querido, desliga esse celular" Sally falou baixinho.
"Desculpa, Sally. Eu vou desligar" Emilio se desculpou.
"Porra! Mas que cara idiota! Ele foi atender o celular no meio da reunião?" um pai inquiriu.
"Desculpa gente!" Emilio se desculpou.
Emilio então foi desligar o celular.
"Eu tenho que desligar. Me liga depois, Tchau!"
Emilio desligou o celular.
"Pode continuar, diretora" Emilio retrucou.
"Bem, o aumento na mensalidade está fora de cogitação, mas nós ainda gostaríamos que os alunos tivessem aulas mais demonstrativas do que teóricas, onde os alunos pudessem fazer perguntas para a professora, experimentar coisas novas e práticas,etc. " Elsa prosseguiu.
Os pais dos alunos começaram a discutir entre eles e então resolveram que iriam aceitar aquilo, contanto que Marilu não tocasse um dedo nos filhos deles.
Elsa Lima aceitou a decisão tomada pelos pais.
6 meses depois
Depois de tudo o que houve no acampamento Lua Escaldante, e da reunião de pais, lá estava eu, Sylvia Oliveira,vestindo o uniforme rosa de patricinha da escola, mas eu acabei não ligando porque a cor do uniforme me fazia lembrar do amor que eu tinha por Juliana, a minha Pocahontas.
Então Juliana me encontrou no corredor.
"Oi, coelho branco!" Juliana disse com um sorriso.
"Oi, Pocahontas!" eu a cumprimentei.
Nós então nos abraçamos e nos beijamos.
Eu e Juliana havíamos entrado para a sétima série, a antiga turma de Hector, o ex namorado de Ricardo.
Sobre o Ricardo, eu soube que ele e Letícia haviam conseguido um emprego na loja de aviamentos do tio dele e acabaram saindo da escola. O casal foi morar na casa desse tio.
Hector passou para a oitava série.
O motivo de eu e Juliana ainda estarmos juntas é porque o meu pai tinha recebido aquela ligação falando de uma oportunidade de trabalhar numa unidade da Holding na Irlanda, essa ligação fora interrompida no dia da reunião de pais. Mas, depois a Holding ligou dizendo que a vaga já havia sido preenchida por um dos amigos do meu pai. Então, meus pais acabaram ficando aqui no Brasil comigo.
Os pais de Juliana se separaram e ela ficou morando com a mãe. Eu vez ou outra dormia na casa dela e a visitava.
Eu e Juliana não nos casamos ainda e acho que por enquanto não é o momento. Mas, pelo menos nós continuamos juntas. E isso foi graças ao "Portal dos desejos".
Ah sim, Marilu e Gilberto ainda estavam lecionando. Eles ainda não haviam decidido a data do casamento deles.
[...]
Então, nós nos separamos e tivemos uma surpresa. Um homem vestindo um terno azul royal, camisa branca impecável, e sapatos pretos e com um buquê de rosas vermelhas nas mãos nos abordou.
"Com licença, vocês sabem onde é a sala da diretora Elsa Lima" ele retrucou.
Nós olhamos aquele homem de cima a baixo e quase não o reconhecemos.
"Mario?" eu inquiri.
"Olá, Sylvia!" Mario cumprimentou.
"Mario? Mas, nem parece você mesmo, o que houve?" Juliana quis saber.
"Olá, Juliana. Bem, digamos que eu contratei um novo capataz para cuidar da fazenda para mim, vendi os cavalos para um Haras, mas eu ainda continuo trabalhando na fazenda, e também estou procurando por outros empregos ou cogitando vender a fazenda" Mario comentou.
"Mario, não vende a fazenda não. O lugar é maravilhoso. Foi lá que eu e Juliana acendemos a chama da nossa paixão, e eu gosto muito do "Portal dos desejos". Seria muito triste perder um lugar tão memorável como a fazenda." Eu lembrei.
"Sim, é verdade. Eu não quero que o acampamento Lua Escaldante acabe" Juliana comentou.
"Tudo bem. Eu não vou vender a fazenda, então" Mario replicou.
Nós ficamos super felizes com ao ouvir aquilo.
"Mas, e esse terno que você está usando?" eu quis saber.
"Esse terno eu usei quando me casei com a minha falecida esposa, Mariana. Eu ainda tinha ele guardado, resolvi usá-lo para impressionar a Elsa e comprei um buquê de rosas vermelhas numa floricultura para presenteá-la" Mario revelou.
"Entendi. Então vai atrás dela, Mario. Acho que ela deve estar na sala dela" eu falei para o Mario.
"Obrigado, Sylvia. Eu vou dar uma procurada pela sala dela" Mario agradeceu.
"De nada" eu devolvi.
Mario então se retirou a procura da diretora Elsa Lima.
Logo depois de Mario ter se retirado, nós viemos a conhecer novos amigos que estudariam junto.
Duas meninas novas chegaram no corredor usando já o uniforme do colégio. Elas tinham traços orientais.
"Olá! Tudo bem?" a primeira retrucou.
"Oi! Tudo ótimo!" eu a cumprimentei.
"Vocês são novas aqui?" eu quis saber.
"Sim, somos. Nós estamos começando hoje. Meu nome é Elisa Chang" a primeira garota revelou.
"E eu sou Haruna Nishimoto" a segunda garota se apresentou.
"Muito prazer, eu sou Sylvia Oliveira. Eu sou meio irlandesa" eu me apresentei.
"E eu sou Juliana Lopez. Sou descendente de índios Manijuus" Juliana se apresentou.
"Nossa! Que legal!" Elisa exclamou.
"Muito interessante! E vocês são o quê, amigas?" Haruna quis saber.
"Sim, e namoradas. " eu falei para elas.
Haruna e Elisa se olharam e depois voltaram a olhar para nós.
"E vocês, também são namoradas?" eu quis saber.
"Sim. Apesar de que os nossos pais não gostam disso por causa da origem das nossas famílias" Haruna nos contou.
"Mas, vocês também são brasileiras, não?" eu inquiri.
"Sim, eu sou meia chinesa, meia brasileira. E é isso que não conseguimos entender" Elisa retrucou.
"Eu sou meia japonesa, meia brasileira." Haruna comentou.
"Eu também tive problemas com isso quando entrei para esse colégio. Mas, acho que nós vamos nos dar muito bem. Vamos ser amigas, que tal?" eu sugeri.
"Eu aceito" Elisa devolveu.
"Eu também" Haruna consentiu.
Eu e Juliana demos um abraço nas nossas novas amigas e elas nos abraçaram de volta.
[...]
Enquanto isso, na sala da diretora Elsa Lima...
Elsa estava em sua mesa cuidando de alguns papéis quando ouve batidas na porta.
"Quem é?" Elsa inquiri.
Então ela ouve a voz de Mario atrás da porta.
"Dona Elsa, sou eu, Mario. Posso entrar?" Mario inquiriu.
"Entre, por favor" Elsa concedeu.
Mario abre a porta e entra com o buquê de rosas para Elsa.
"Com licença, dona Elsa. Eu vim lhe trazer essas rosas para a senhora" Mario retrucou.
Elsa saiu da mesa dela e foi até Mario.
"Mario, que gentileza a sua. Obrigada, mas não precisava se incomodar" Elsa diz pegando as flores.
"Elas estão muito lindas e bem vermelhas" Elsa comentou.
"Eu contratei um novo capataz para cuidar da fazenda durante a minha ausência e ainda continuo cuidando da fazenda. Também estou vendo um novo emprego" Mario contou.
"Você tinha dito que faria isso." Elsa lembrou.
"Então eu tava olhando no meu armário, e achei esse terno que eu usei no meu casamento, quando eu me casei com a minha falecida esposa, e...resolvi usá-lo mais uma vez" Mario retrucou.
Elsa olhou para o terno que Mario estava usando.
"É realmente muito bonito. Eu gostei da cor dele" Elsa avaliou.
"Muito obrigado, Elsa" Mario agradeceu.
"De nada, Mario. Eu posso te servir um café, um chá, uma água?" Elsa retrucou.
"Eu aceito um café" Mario pediu.
"Está bem. Eu vou pegar para você." Elsa disse colocando as flores na mesa e indo até a mesinha com uma cafeteira térmica, um bule de água quente e alguns sachês de chá de diversos tipos, e copinhos plásticos para café e chá, um pote de açúcar e um adoçante.
Elsa pegou um copinho de café, colocou embaixo da cafeteira e apertou o botão para liberar o café. O vapor quente saiu e se dissipou. Elsa encheu o copinho com a bebida e soltou o botão.
"Você quer açúcar ou adoçante?" Elsa quis saber.
"Eu gosto de açúcar. Umas duas colheres, não muito cheias, para mim está ótimo" Mario retrucou.
"Tudo bem"
Elsa adoçou o café de Mario, e jogou a pazinha no lixo perto da mesa do café.
Então ela levou o café até Mario e o entregou.
"Aqui está o seu café."
"Muito obrigado, Elsa"
"De nada"
Elsa se sentou na mesa e indicou a cadeira para Mario se sentar.
"Por favor, Mario, sente-se" Elsa falou solícita.
"Obrigado, Elsa" Mario então se sentou na cadeira da mesa de Elsa.
Ele então começou a beber um pouco do café e depois parou.
"Então eu estava pensando, se você não gostaria de sair para almoçar comigo, quem sabe ir ao cinema, ou jantar em algum lugar. Eu pago" Mario desembuchou.
"Bem, parece interessante...eu aceito. Depois do meio — dia eu fecharei o colégio, então eu estarei livre" Elsa comentou.
"Ótimo. Você gostou das flores que eu te dei?" Mario quis saber.
"Eu adorei. São muito bonitas. Obrigada, Mario" Elsa agradeceu.
"Eu estou curioso, como estão Gilberto e Marilu?" Mario inquiriu.
"Eles...estão bem. Ainda dão aulas no meu colégio. Eles estão planejando se casar, mas ainda não escolheram a data. Porém, eles disseram para mim que se eu e você estivermos pensando em nos casar, que talvez nós todos podemos casar no mesmo dia, juntos." Elsa contou.
"Bem, Elsa...eu adoraria me casar com você, mas...eu não quero apressar as coisas, apesar de nós sermos dois adultos..." Mario devolveu.
"Está tudo bem, Mario. Olha, se você quisesse casar comigo amanhã, eu aceitaria. Qualquer dia para mim está ótimo para casar. Mas, eu por enquanto não quero prefiro que a gente fique só nos encontros para não nos arrependermos depois." Elsa sentenciou.
"Eu concordo plenamente, Elsa. Na verdade, isso me lembra quando eu estava com a minha falecida esposa, as coisas foram acontecendo muito rápido, eu acho, então eu sinto por não ter me dedicado aos poucos a ela. Mas, isso é passado agora, eu quero me focar em te fazer feliz, Elsa" Mario declarou.
Elsa sorriu para Mario.
Mario colocou o seu copinho de café na mesa de Elsa.
Então, Ele e Elsa se levantaram, se aproximaram um do outro e se beijaram.
FIM
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