Lua Crescente
9 Segurança
Notas iniciais
Assim que o avião pousou em Seattle e podíamos ligar nossos celulares, eu o liguei e avisei Jacob que já estávamos pousando. O processo para sair de um voo internacional era demorado e seria tempo suficiente para que ele chegasse até mim.
Edward parecia intrigado, e eu sabia que ele tinha lido minha mensagem para Jacob. Quando ele foi tentar falar algo, me levantei e passei por ele. Eu com certeza não estava pronta para conversar. Sabia que ele e Alice tinham conversado durante o voo, em sussurros inaudíveis por qualquer um que não fosse um vampiro, e que o assunto tinha sido eu. Não importava. Depois de quase seis meses longe deles, sofrendo e me reconstruindo, depois de finalmente achar a felicidade eu não permitiria que eles estragassem tudo. Não permitiria que eles me destruíssem de novo. A dor por ter sido deixada para trás agora era raiva, fazendo com que eu deixasse minhas mãos em punho e com que eu tivesse vontade de socar Edward.
Eu ignorei os dois irmãos durante todo o processo de desembarque, respondendo as perguntas dos guardas e voltando ao silencio absoluto. Quando finalmente saí da área de desembarque, quase duas horas depois, vi Jake me esperando encostado em uma parede. A expressão de ódio me assustou, mas percebi que não era para mim. Fui até ele e o abracei, tremendo, finalmente pensando nos acontecimentos dos últimos 3 dias. A morte de Harry, Victoria em minha casa, voar até outro país para impedir que Edward fizesse uma besteira.
— Eles te machucaram? – a voz de Jacob era baixa, controlada, contra minha cabeça – Bella, fizeram algo com você?
— Não. – minha resposta veio baixinha e minha voz estava raspando, não falar por quase dois dias inteiros tendo esse efeito – Estou bem, só cansada. Quero ir para casa.
— Claro. – ele me abraçou forte por um instante antes de se afastar, segurando minha mão.
Olhei para trás, na direção que Jake estava olhando, e pude ver Edward completamente imóvel e sem expressão. Alice estava com uma mão em seu braço e sabia que era isso que o impedia de vir até mim. Revirei os olhos e comecei a andar na direção da saída, puxando Jacob comigo. Foi fácil achar a caminhonete estacionada, e eu fui em direção a ela com foco redobrado. Não queria pensar, só queria chegar em casa e tomar um banho. Depois comer alguma coisa e ficar deitada em minha cama.
Jake me deixou a par do que aconteceu enquanto estive fora, sobre o funeral, o enterro, como os lobos perderam o rastro de Victoria e Charlie estava em Portland, ajudando na delegacia de lá. Os desaparecimentos tinham parado em Forks e estavam acontecendo na cidade vizinha, e Charlie estava por lá para ajudar, hospedado em um hotel ao lado da delegacia.
Quando chegamos em minha casa, pude perceber um lobo na beira das árvores, que abaixou a cabeça e correu para o meio do bosque, sumindo. Jake abriu a porta da frente, segurando minha mão e fechou a porta atrás de nós.
— Vou cozinhar alguma coisa pra gente comer. – Jake disse – Paul disse que a casa está segura, então você pode ir...
— Obrigada. – interrompi ele, dando um beijo em sua bochecha – Preciso de um banho.
Ele deixou que eu fosse até a escada, me observando até que eu sumisse no andar de cima. Sabia que era o meio da semana, e que tinha perdido aula, mas o spring break estava próximo e eu estava conseguindo manter minhas matérias em dia. Tomei o banho de forma rápida, percebendo que estava com muita fome. Assim que terminei, sai enrolada na toalha e fui até meu quarto. Coloquei uma calça jeans e uma blusa de lã, com meias quentinhas e desci as escadas.
— Jake! – pulei nele, que estava mexendo em algo na pia. Era fácil se sentir leve perto dele, toda a raiva saindo de meu pensamento – O que está fazendo?
— Lasanha congelada, encontrei no freezer.
— Acha que só isso vai tirar sua fome?
— Não. – ele riu – A lasanha é para você, Embry vai trazer comida para mim em algumas horas.
Balancei a cabeça, me sentando na bancada ao lado dele. Observei atentamente enquanto ele preparava a comida para mim. Depois de pronta, eu peguei um garfo e me sentei na mesa com a lasanha. Jake se sentou ao meu lado, me observando. Comi metade e empurrei a outra metade para ele.
— Não precisa...
— Já estou satisfeita. – impedi que ele terminasse a frase, sabendo que ele negaria a comida caso pensasse que estou com fome – E não se joga comida fora, então...
Ele não falou mais nada, atacando a lasanha como se não comesse há dias. Ri baixinho com a cena, sentindo o resto do peso de ter visto os Cullen de novo sair de mim. Depois de comer, limpei a cozinha e nós subimos para meu quarto. Espalhei meu material escolar na cama, sentando encostada em Jake e fazendo a lição dos últimos dias. Teria de ir para a escola amanhã, talvez levar comida para Charlie em Portland...
— Bella. – Jake falou, a voz séria, quando terminei a lição de trigonometria – Os Cullen voltaram.
— Eu sei. – bufei – Estava com você quando Alice....
— Não. – ele me cortou – Todos eles voltaram, Bella. Estão indo para a escola e tudo.
— Oi? – Soltei a lapiseira e me virei para ele – Você está brincando. Por favor, me fale que você está brincando Jake.
— Não estou. – suas mãos tremiam – Infelizmente.
— Isso quer dizer...
— Sim, eles vão estar na escola amanhã. – Jake confirmou meu pensamento, me fazendo fechar os olhos e respirar fundo – Mas eu pedi transferência para sua escola. Começo amanhã. Consegui pular a serie e ficar nas suas aulas... nossas sessões de estudo nos últimos meses me ensinaram bastante.
Não sabia como responder, e não tive que responder, pois a campainha tinha acabado de tocar. Eu congelei no lugar, olhando para Jake assustada, relaxando ao ver que sua expressão não mostrava preocupação. Larguei o material espalhado na minha cama e o segui até a porta, encontrando um Embry com umas 10 caixas de pizza em uma mão e refrigerantes na outra.
— Onde é a festa? – perguntei, rindo.
— Não tem festa. – Embry disse, divertido com o comentário – Mas pensei em ficar umas horas por aqui. Kim e a família foram viajar essa semana e estou sozinho.
— Os outros te expulsaram, isso sim! – Jake riu do amigo, dando um soco em seu ombro.
— Entra. – puxei Jake para o lado, deixando que Embry entrasse e fechando a porta.
O restante da noite foi tranquilo, quase uma noite normal, comendo pizza e conversando, rindo das piadas idiotas de Jake e tentando animar Embry. Quando já eram passados oito da noite, Charlie ligou querendo saber se estava bem, como tinha sido a viagem de volta da casa da irmã de Jake. Menti dizendo que tudo tinha ocorrido bem e que estava fazendo lição de casa, desejando uma boa noite e prometendo visitar no dia seguinte, levando comida. Charlie agradeceu e desligou. Não muito tempo depois disso, Embry saiu da minha casa e tive a impressão de que ele faria a patrulha essa noite.
A rotina de se trocar, escovar os dentes e se preparar para dormir junto de Jake já era algo confortável, e isso me deixou com uma sensação de calma. Jake me ajudou a arrumar as coisas da escola em minha cama, e a checar uma última vez se todas as portas e janelas estavam trancadas, antes de deitar comigo na cama. Eu o abracei, deixando o calor de seu corpo me relaxar. Dormir com Jacob era diferente de dormir com ele. Jake era quente, macio, e me trazia conforto, segurança. Quando dormia com ele, meses atrás, eu acordava no meio da noite com frio, apesar de sempre ter ao menos uma coberta entre a gente, impedindo que eu pudesse sentir seu corpo como sentia o de Jake. Pensando que eu preferia o calor de Jake, adormeci.
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