Notas iniciais
Este capítulo teve a colaboração de Baranga Queen, com enrolations românticas de Uxa.

Depois da aula eu e o Logan íamos fazer o trabalho, mas em algum ponto entre a sala de química e a biblioteca percebi que o imbecil não estava mais me acompanhando. Ele resolveu sair de fininho e me largar fazendo o trabalho sozinha, é isso!? Pois não vou sair procurando por ele nesse labirinto de escola e nem mesmo o esperar. Vou é começar a fazer o trabalho sem o Logan, e se ele não vier que se dane. Eu ganho a nota e ele fica com zero.

Não demorei muito a encontrar a biblioteca, afinal eu já havia estado lá, e também foi o palco do meu trauma da calcinha.

Empurrei a enorme e pesada porta de madeira, cumprimentei a bibliotecária do cabelo vermelho e comecei a procurar os livros de química do segundo ano. Aquele lugar era mesmo um deserto. Eu era a única lá dentro.

~*~

Enquanto isso Lindsay Houston puxava Logan Rivers pelo braço a caminho do pátio e berrava escandalosamente pela escada:

– Quem você pensa que é pra cancelar o nosso encontro e ir fazer aquela droga de trabalho de química com a bat-girl!? Por acaso ela é mais importante que eu, sua namorada!?

– Desculpa, mas aquele trabalho vai valer 50% da nota...

– E desde quando você liga para suas notas?

– Não ligo.

– Então porque você já ia me largando na sala e indo atrás da vaca da Jennifer? Anda! Me explica! Porque se eu não tivesse puxado você pela camisa você estaria na biblioteca agora!

– Dá pra parar de gritar!? Você sabe que eu não tinha escolha!

– Sei, sei... – retrucou, em tom sarcástico. – Claro que tinha escolha! Era só dizer "não vou fazer" e pronto! Simples assim.

Neste momento os dois chegaram ao pátio. Tornaram-se o centro das atenções e todos pararam o que estavam fazendo para assistir ao barraco. Formou-se uma massa de estudantes ao redor da discussão de namorados, e em meio à aglomeração estava Jessica. Ela os fitava perplexa, como todos os outros.

– Tem como você parar de monopolizar minha vida?! É claro que eu queria sair com você, mas se eu decidi fazer um trabalho direito pela primeira vez no ano não é você quem vai me fazer desistir. Eu sou o Logan, faço o que quiser e quando eu quiser – concluiu a frase com um levantar de queixo arrogante.

– Nossa... muito bad boy, você. Faz o que quiser e quando quiser e aí troca a própria namorada por um trabalho. Esse não é o Logan por quem eu me apaixonei! Tá virando nerd, é?

– Para de falar besteira, Lindsay! Nerds me dão nojo e você sabe. Só não quero repetir pela terceira vez!

– E você tinha que fazer seu lindo trabalho justo no dia do nosso aniversário de namoro?

– Aquela menina falou que não tinha como fazer outro dia.

– E você resolveu dar ouvidos a ela!? A menina que você odiou à primeira vista?

– Não sei se você percebeu, mas ela é minha dupla no trabalho!

– Nada disso me convence – ela cruzou os braços, o olhando nos olhos como se esperasse por uma desculpa mais bem elaborada.

– Não tô nem aí! – ele jogou as mãos pro alto, já impaciente. – Não te devo satisfações.

– Ah, é mesmo? – as mãos se moveram para a cintura. Era impossível não se irritar com o som das inúmeras pulseiras que ela usava.

– É mesmo! – Logan respondeu em tom provocativo.

E então, como típico em cenas do jardim de infância, Lindsay quis encerrar a conversa:

– Não fala mais comigo! – fez biquinho e cruzou os braços novamente.

– Não fala mais comigo! – Logan respondeu imitando o tom de voz agudo dela.

– Agora cala a boca! – Lindsay reagiu ao seu comportamento infantil, incrédula.

– Cala a boca você!

– Eu vou embora – Lindsay foi-se com passos largos, ajeitando a alça da mochila nos ombros. Logan foi para o outro lado.

– Eu também!

A essa altura todos do pátio observavam, alguns até torciam para que os dois se espancassem. Mas isto não aconteceu. Apenas foram cada um para seu canto: Lindsay foi para casa, e Logan, finalmente, para a biblioteca.

No caminho um garoto de cabelos negros, 17 anos (um ano mais novo que Logan), esbarrou no mesmo. Ambos estrangularam um ao outro mentalmente enquanto Logan gritava, intensificando o seu mau humor:

– Olha por onde anda, porra!

O outro ignorou e seguiu seu caminho. "Edward Waters... odeio esse cara.", ele pensou. "Culpa dele que meus pais se separaram. Agora tenho que aturar o idiota do namorado da minha mãe".

O universo conspirava contra Logan naquele dia.

~*~

Eu já nem o esperava mais. Não adiantava criar esperanças de que ele apareceria para me ajudar com aquela pesquisa, mas ele apareceu.

– Oi – disse ele, em um murmúrio, enquanto fechava a porta.

– Oi – respondi, um tanto surpresa com sua chegada.

Ele se sentou à minha frente e começou a folhear alguns dos livros que eu havia trazido para a mesa. Estava com uma expressão exageradamente séria para um cara que é o popular da escola e qualquer piadinha sem graça que faz todos os seus escravos se mijam de rir.

– Qual é o tema do trabalho mesmo? – perguntou.

– "Ocitocina e seus efeitos químicos nos seres humanos" – li na folha em que havia anotado.

– E você sabe o que é isso?

– Não faço ideia!

– Nem eu.

Rimos brevemente e tornamos a ler os índices dos livros à procura do título "ocitocina". Ele parecia, como diz minha amiga Jessica, aéreo. Então como pensei, fui eu quem encontrei o texto e tomei a iniciativa.

– Achei! – eu disse, colocando na página certa e mostrando ao Logan. Ele começou a ler em voz alta:

– "A Ocitocina, também chamada de Oxitocina, é um hormônio que é produzido pelo hipotálamo e armazenado na Neuro-hipófise posterior. Este hormônio é responsavel pelas contrações musculares uterinas e a redução de sangramento durante o parto. Também é um estimulante da liberação do leite materno e do prazer, sendo chamado também de "hormônio do amor"."

Peguei o livro de volta e comecei a copiar no caderno. Reparei que abaixo do texto havia uma daquelas tirinhas ridículas que deviam ser engraçadas com um diálogo e desenhos de dois adolescentes, um deles fazendo uma piadinha qualquer sobre a Ocitocina. Ha, ha. Que engraçado.

Logan começou a batucar na mesa e em poucos segundos a bibliotecária o advertiu para que não fizesse aquilo pois era um local de estudo. Ele disse algo que não ouvi muito bem já que estava concetrada no texto, mas provavelmente foi uma ofensa à mulher. Então ouvi ela dizer:

– Você não está na sua casa, rapazinho. E trate de me respeitar.

– Somos os únicos aqui, não estou atrapalhando ninguém.

– Está atrapalhando a Jennifer.

Nossa, ela já sabia meu nome.

– Ah, cala essa boca, tia.

– Já mandei você me respeitar!

– Para de criancice e vamos fazer o trabalho, Logan! – interrompi.

– Criança, eu? Não sou eu quem usa uma calcinha do Batman...

– Por favor... essa piada já é do século passado – disse, tentando não me enfurecer novamente. Eu precisava me focar no conteúdo.

– Século passado virou sinônimo de "dois dias atrás" e eu não sabia?

Eu nem respondi. Não valia a pena.

Continuei pesquisando enquanto ele só olhava. Pelo visto, ele estando presente ou não, eu ia acabar colocando só o meu nome mesmo.

– Você não vai fazer nada? Vou ser obrigada a tirar o seu nome do trabalho.

Ele tornou a folhear outro livro, ainda resmungando.

Passados alguns minutos o trabalho já estava um pouco adiantado e a bibliotecária saiu da sala. Ela disse que era hora de ir embora e que nós não podíamos ficar lá, mas eu praticamente implorei para que ficássemos mais um pouco para terminarmos o trabalho. Depois de tanta encheção de saco da minha parte ela por fim concordou, dizendo que iria pegar sua bolsa que havia esquecido no depósito mas que voltaria logo e para nos apressarmos. Ela saiu e trancou a porta.

De tão distraída com o trabalho nem percebi que já fazia um tempão que a bibliotecária não voltava, mas certo momento, quando fui checar as horas, percebi que já era noite.

– Nossa! Já são 19:00 horas!

– Onde aquela bibliotecária se meteu? – disse Logan.

– Não sei... deve ter acontecido alguma coisa.

– Eu acho que ela esqueceu a gente aqui.

– E agora? – eu disse.

– Ela trancou a porta, não foi?

– Sim.

– Tenta ligar pra alguém.

Tentando não entrar em pânico, peguei o celular para ligar para a Jessica.

Sem bateria.

Mas que droga! Justo agora, presa na biblioteca com o maldito do Rivers essa merda de celular resolve descarregar?! Eu sentia que meu IPhone 6 estava rindo da minha cara naquele momento. "Ha, ha ha!! Quem mandou não me carregar?".

É. Eu estava ficando louca.

– Seu celular está funcionando, Logan?

Ele tirou o celular do bolso.

– Sem sinal.

Não é possível! Acho que o universo conspira contra mim.

Começamos a andar de um lado para o outro na sala, ele verificando toda hora se já conseguia ligar para alguém, e nada.

Por fim me sentei novamente à mesa e ele fez o mesmo. Escrevi mais algumas palavras e enfim o trabalho ficou pronto! Mas e agora? O que faríamos presos naquela biblioteca sem celular? Comecei a bolar e descartar planos de como sair de lá.

Pular pela janela?, olhei para os lados, e então me lembro que estamos no terceiro andar do prédio. Morreríamos como o Mamute Pequenino que queria voar.

Arrombar a porta?, a analisei e franzi o cenho, pensando nas possibilidades. Minha força física não seria suficiente, e eu pagaria bem caro pelo vidro se eu o quebrasse. Quem sabe se eu convencesse Logan...? Não, certamente não.

– Alguma ideia de como sair daqui? – perguntei, tentando quebrar o gelo.

– Pense você em alguma ideia – ele deu de ombros. – Isso é culpa sua.

– Culpa minha? – que porras ele tem na cabeça? – Esse trabalho é pra, tipo, depois de amanhã! – levantei uma sobrancelha. Não teria como eu fazer outro dia.

– Olha... – senti certa raiva em seu tom de voz. – Eu podia muito bem estar transando com minha namorada agora, mas já sou repetente. Por que você não poderia fazer amanhã, hein, nerd?

– Pois fez bem em ter a dispensado – fechei os cadernos e empilhei os livros, pronta para guardar tudo e ficar discutindo com esse babaca. Ignorei o fato de ter me chamado de nerd. – E eu teria monitoria amanhã com o Edward.

Assim que ouviu o nome, vi uma chama acender em seus olhos. Uma chama de puro ódio. Não entendi merda nenhuma, e apenas fiz uma expressão de dúvida.

– Algo de errado...? – perguntei.

– Não, nada – ele sacudiu a cabeça, como se tentasse esquecer o assunto. Ele começou a xingar o vácuo. – Merda, bosta, caralho, tô perdendo meu tempo.

Como ele podia ser tão infantil? Não há nada de errado com o Edward. Ele é uma pessoa tão paciente e atenciosa! Ugh, ficar perto do Logan me dá nos nervos.

Me levanto de súbito, pegando a pilha de livros para guardá-los.

– O que você vai fazer? – ele me pegou de surpresa com a pergunta.

– Ué... – dei de ombros. – Já acabamos o trabalho. Vou guardar tudo.

– Deixa isso com a bibliotecária – ele abana a mão. – Isso é trabalho dela. E é culpa dela de nos ter trancado aqui.

– Não custa nada colaborar de vez em quando, Logan – falo de maneira paciente, embora com um toque de resmungo.

– Argh... – ele coçou a nuca, meio que não acreditando em minha boa vontade. – Tudo bem, pelo menos me deixe ajudar. Esses livros são bem pesados.

Um sorriso chegou ao meu rosto sem meu consentimento. O Logan está sendo legal comigo?

Depois de guardarmos tudo na ordem alfabética certinha, fui para o outro lado da biblioteca e comecei a olhar alguns livros. Eu mal podia esperar para terminar aqueles que havia alugado e pegar mais alguns...

Por detrás da estante pude vê-lo remexer seus cabelos loiro-claros com as mãos, como se estivesse nervoso, com um olhar tão curioso sobre mim que chegava a assustar. Mantive os olhos nos livros tentando parecer discreta, assim como fazem com jornais nos filmes de perseguição. Em um momento o vi virando-se para mim, e coloquei o livro de volta no rosto. Quando parei para espiar vi que ele não estava mais lá.

– Bu!!

Não me assustei, apenas virei-me para ele e disse:

– O que foi isso?

Esse Logan é mesmo mais estranho do que eu imaginei. Voltei a analisar os livros, desta vez de verdade. Peguei o livro As Duas Torres.

– Você também gosta de O Senhor dos Anéis? – indagou ele, surpreso.

– Sim. Amo o Tolkien! Na verdade amo quase todos os autores que eu conheço.

– Eu não. Para ser franco, não gosto muito de ler. Mas esse autor é o único que realmente me cativa, as histórias dele são fantásticas!

Nós começamos a discutir sobre a história e nossos personagens favoritos, e levamos cerca de meia hora fazendo isso, eu acho. Eu finalmente pude sentir que, mesmo que ele seja esquisito e idiota, talvez não seja de todo ruim. O cidadão inclusive pediu desculpas por ter me zoado pela história da calcinha. Quase não acreditei.

Inclusive demos risadas juntos, uma situação que parece de uma realidade paralela.

Enquanto minha mente pairava pelo ar e minha fala fluia, percebi que o Logan me observava e tentei ignorar. Mesmo assim, era quase impossível não ficar desconfortável com alguém me olhando daquela maneira. Ele continuou me encarando enquanto eu falava.

Estávamos a cerca de um metro de distância um do outro, sentados na salinha do silêncio, que normalmente é utilizada exclusivamente para quem quer estudar sem perturbações, e estávamos com um bocado de tédio, só conversando.

– O que foi? – eu disse, fitando seus profundos olhos azul-acinzentados. Daquele ângulo, a luz batia em seu rosto de maneira que até fazia parecer que ele era bonito. Tinha uma pintinha abaixo de seu olho esquerdo que dava um certo charme. Por que estou observando isso?

– Hã!? – ele pareceu distraído, de repente acordando de, sei lá, um transe.

– Por que estava me olhando? – questionei, enfim calma. Comecei a tamborilar os dedos em minha perna. – Está me dando nervoso.

– Não estava te olhando. Por que eu olharia para você? – notei que seu rosto ficara vermelho.

– Estava sim.

– Não estava...

– Estava sim! – repeti, em tom provocativo. Já estava me divertindo.

– Não estava! – ele finalmente se enervou. – Você é mais feia que a Gretchen, porra!

Caralho.

Essa me surpreendeu.

O olhei nos olhos, que agora estavam arrependidos devido à minha mágoa.

– Eu sei que não sou bonita – mordi o lábio, tentando conter o choro. – Mas não precisava falar assim.

Me retirei da salinha do silêncio extremamente revoltada e fui tentar verificar se o computador da bibliotecária tinha internet.

– Essa bosta tem senha, que merda! – xinguei comigo mesma em volume baixo. Tentei as mais variadas senhas: livros, ElvisPresley, LondonHighSchool, Deusédemais e até mesmo Vasco. Nada funcionava.

Coloquei os cotovelos sobre a mesa e apoiei a cabeça nas mãos, super chateada.

Ouvi um barulho da porta da salinha do silêncio e, do outro lado do salão principal, lá estava Logan, me olhando como se quisesse pedir desculpas.

Após alguns minutos de silêncio constrangedor entre nós eu disse, firme:

– Estava olhando sim.

O idiota pôs as mãos nos bolsos, meio que se rendendo. Em uma voz baixa, ele iniciou uma frase:

– Ocitocina... – quase não consegui ouvir.

– O quê?

– Nada – ele pareceu desistir de completar a frase.

– O que você ia dizer? – insisti.

– Nada. Só uma coisa idiota...

– Me fala!

Já tô com tanta raiva desse puto que não faz mais diferença, só quero saber o que ele diabos ia falar. O que ele disse? Fenilalanina? Amina? Jogatina?

– Não é nada mesmo – ele sacudiu a cabeça. – Esquece.

"Tá, né", pensei. Acho que não dá pra tentar amizade com esse cara. De repente comecei a pensar na namorada pirada dele, e dei graças a Deus que acabei esse trabalho logo. Só não sei o que fazer nesse tempo que me resta.

Eu ainda estava no computador quando o vi vindo em minha direção. Quando chegou, curvou-se para teclar algo e perguntei:

– O que você vai fazer?

Ele não respondeu. Parecia muito concentrado. Digitou alguma coisa rapidamente, então a tela se iluminou com os dizeres "bem vindo".

– Ué, como descobriu a senha?! – indaguei, muito surpresa.

– Chutei.

– E qual era?

– 123456.

Nos entreolhamos. "Como eu não pensei nisso antes?", disse para o meu eu interior.

– Hum, interessante – ele olhou para a tela, observando os programas da área de trabalho por trás da minha cadeira. Minha mão estava em cima do mouse, então senti um calafrio assim que ele colocou a dele em cima da minha e a moveu, fazendo meu dedo clicar em um dos softwares.

– Que foi? – perguntou quando me sentiu estremecer, mesmo que levemente.

Por um momento, esqueci que ele tinha me comparado com a Gretchen, pois seu corpo, um pouco próximo do meu, emanava um calor reconfortante. Seu queixo permaneceu próximo à minha orelha direita. Até aquele momento eu estava sentindo um pouco de frio por causa do ar condicionado e ainda não faço ideia de como desligá-lo.

– O... – quase gaguejei –... o que você tá fazendo?

– Vendo uma coisa – respondera de maneira vaga. Olhei para a tela, não entendendo muita coisa, até que finalmente me deu um clique.

– Você vai entrar no sistema que registra nossas notas? – exclamei sem medo, pois não havia mais ninguém além de nós. – Isso é crime!

– Ninguém precisa saber, heh – sussurrou, dando uma risadinha no final. Tentei desviar o mouse, mas ele prensou minha mão com uma força esmagadora, embora não fosse a ponto de doer.

– Logan, para! – fiquei nervosa com a possibilidade de nos descobrirmos mais tarde.

– Não há câmeras aqui e a bibliotecária vai levar a culpa, relaxa – ele disse friamente, o que me causou um calafrio diferente daquele de antes.

Quando ele estava prestes a alterar sua nota do primeiro bimestre, subitamente ouvimos um estrondo do outro lado do salão. Demos um berro de susto com o barulho.

Com Logan distraído, desvencilhei-me dele, correndo para ver o que houve. O som veio da seção dos livros de geografia, e dez deles haviam espatifado no chão sem motivo nenhum aparente. Os coloquei de volta no lugar, com pena das páginas amassadas, e vi o único cidadão vivo além de mim chegando.

– O que aconteceu? – ele estava curioso.

– Não consigo nem imaginar – virei as palmas da mão pra cima como um gesto de dúvida. – Quando cheguei aqui, não havia ninguém.

A temperatura caiu de repente e senti mais frio que casualmente. Ao perceber isso, comecei a ficar ansiosa com a possibilidade de algo a mais estar na biblioteca. Fiz uma pergunta curiosa:

– Alguém morreu aqui?

Logan de repente arregalou os olhos, se lembrando de alguma coisa.

– Pra falar a verdade, sim!

– O QUÊ? – fui pega desprevenida. Isso é sério? – Não, você tá zoando com minha cara.

– Sim, não minto o tempo inteiro – ele apontou pra uma mancha indistinguível no carpete amarronzado. – Houve um homicídio exatamente nesse lugar.

– Logan – eu comecei a rir de nervoso. – Eu não sou idiota.

Não quero admitir que tô com medo na frente desse puto. Acho que ele está me assustando de propósito.

– Não... não estou – seu olhar ficou triste de repente. – A vítima era um amigo meu.

As coisas estão ficando cada vez mais surpreendentes nessa escola.

– Como assim?

– Bom... – ele deu um suspiro. Estava com um ar um bocado abalado, mas nada sério. Parece que aquilo aconteceu há tempos. – Ele e o culpado eram membros de gangues distintas, e houve uma briga meio tensa entre elas. O diretor quase os expulsou, inclusive. Aí o assassino enterrou a lâmina do seu canivete no fígado do meu amigo. A ambulância não chegou a tempo.

Cara, isso parece aquele jogo de Detetive. Só faltava o culpado ser o Coronel Mostarda ou algo assim.

– Sinto muito pelo que aconteceu – comecei a me sentir mal por ele. – É que fiquei com medo de repente.

– De quê? – Logan deu uma risada. – Disso ser mal assombrado?

Senti minhas bochechas enrubescerem naquele momento. Que ódio.

– Relaxa, não vou rir de você – deu um tapinha nas minhas costas. – Já são onze horas, acho que devíamos dormir. O trabalho já tá acabado, né?

Ele jogou na cara que sou feia, invadiu o sistema do colégio e agora está sendo legal comigo (de novo)? Esse cara é meio incoerente. Jessica estava certa quando disse que tinha que tomar cuidado com ele.

– Uhum – respondi, meio desconcentrada. Sentei no pequeno sofá de dois lugares e peguei o casaco da mochila. – É melhor descansar mesmo. Amanhã será um longo dia.

Ele sentou-se do meu lado, ainda que uns bons centímetros afastado, e deitou-se no braço oposto do sofá.

– Boa noite, Gretchen – soltou mais um risinho. Eu dei um pequeno chute na perna dele, grunhindo de raiva e o fazendo rir ainda mais, e peguei no sono rápido.

~*~

Como sempre, dormi demais.

Quando abri meus olhos, ocorreu uma das situações mais constrangedoras de minha vida. Isso se não for a maior de todas.

Logan aparenta ter um sono meio pesado também, então nós não notamos que às nove horas da manhã a bibioteca tinha acabado de ser aberta no recreio. A bibliotecária já tinha entrado, assim como um monte de estudantes desesperados para fazer esse trabalho de química maldito.

Assim que nos viram totalmente apagados no sofá, começaram a cochichar entre si e especular o que acontecera. Para nosso azar, somos ambas pessoas que se mexem demais enquanto dormem, logo, nos encontraram deitados juntos – sendo que adormecemos sentados na noite anterior. Era uma cena tão suspeita que era impossível não pensar que ALGUMA COISA aconteceu.

Resumindo a situação, o dia começou terrível, ainda mais que o público incluía Lindsay e sua raiva e ciúme perenes.

Nós acordamos com um sobressalto justamente com um grito dessa desgraça:

– O QUE ISSO SIGNIFICA, LOGAN? – sua voz aguda ecoou por todo o salão, calando os estudantes curiosos.

Notas finais
please comentem, responderei todos os comentários. Cotocon ama vcs
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.