Loving can hurt sometimes
10 After all the things we've been through
Notas iniciais
And now,
I miss everything about you
I can't believe that I still want you
And after all the things we've been through
I miss everything about you
Without you
I see your blue eyes
Everytime I close mine
You make it hard to see
Where I belong to
When I'm not around you
It's like I'm alone with me
(I never told you — Colbie Caillat)
Oliver Queen
Ray Palmer é um babaca de marca maior. E eu não digo isso apenas porque ele é o ex namorado da minha esposa. Ele é o típico riquinho esnobe, que usa um terno Armani caro, anda de helicóptero para todos os lados e acha que o dinheiro é capaz de comprar a tudo e a todos.
Me lembro de quando ele tentou comprar a Queen Consolidated, logo depois da morte do meu pai. Um verdadeiro verme oportunista. Eu disse que de jeito algum, a Q.C. era uma empresa familiar e continuaria assim, a nossa rixa começou ali, e ao longo dos anos ele tentou frustrar cada um dos nossos negócios. Todas as vezes em que investíamos em algo, ou tínhamos um projeto, ou simplesmente mostrávamos interesse em uma nova aquisição ele roubava isso de nós.
Assim que eu me casei com Felicity ele a quis também. Eu sei disso porque ele sempre aparecia com algum projeto de parceria que necessitaria do setor de Tecnologia da Informação da Q.C. Eu não era bobo, sabia que ele queria uma desculpa para falar com a Felicity e por isso sempre fazia o possível para mantê-lo longe.
Quando Felicity veio com a ideia de converter a energia excedente em energia de graça para o Glades, eu fiquei orgulhoso dela, ela sempre tinha boas ideias, estava sempre pensando em um jeito de ajudar os desfavorecidos. Até eu perceber que iríamos precisar da Palmer Tech para seguir com o projeto dela. Eu ainda não era CEO na época, mas ainda assim eu tentei de tudo para fazê-la não se encontrar com ele. Porque eu conheço Palmer o suficiente para saber que ele adora tentar ter aquilo que não pode. Para ele tudo não passa de uma estúpida competição de quem mija mais longe.
Quando ele entrou na sala caminhado diretamente para a minha Felicity, eu sabia que aquilo ia dar merda. E então ele a tomou-a em seus braços beijando-a bem na minha frente. Eu nunca senti uma raiva e um ódio tão grande na minha vida. Meu sangue fervilhava dentro das veias, ele estava tentando me provocar, mas tudo o que eu via era as mãos sujas dele tocando no que era meu.
Eu me senti melhor segundos depois quando meu punho aceitou em cheio a cara dele. Ray tinha a mão sobre a boca, onde eu via um pouco de sangue escorrendo. Apenas um corte superficial, uma pena, eu queria ter arrancado pelo menos um dente e acabar com aquele sorrisinho presunçoso dele.
— Oliver. — Ouvi Felicity dizer meu nome com repreensão. — O que você pensa que está fazendo?
Olhei para ela confuso, o imbecil chegava e a beijava contra a vontade e ela ainda brigava comigo? Não acredito que ela estava defendendo ele! Aquilo só fez a minha raiva aumentar.
— Eu estou batendo em um idiota, não percebe? — eu respondi sendo sarcástico e me arrependi imediatamente quando ela me fuzilou com o olhar.
— Ray, você está bem? — Felicity, perguntou com uma voz doce.
Porque ela estava sendo toda condescendente com ele, depois dele beijá-la daquele jeito? Será que ela gostou do beijo? Fiquei nervoso com aquela possibilidade, queria socar o Palmer outra vez apenas para me sentir melhor.
— Estou bem, não estou ferido. — ele disse, ele poderia não estar ferido fisicamente, mas o orgulho certamente estava. — O que está acontecendo, Felicity? O que o Queen faz aqui? — cuspiu o meu nome, me lançando um olhar repleto de puro ódio.
— Eu estou aqui com ela, porque eu sou o marido dela! — me manifestei, ficando ao lado da Felicity e puxando-a pela cintura, deixando-a perto de mim. Só para garantir.
— Você é o ex-marido dela! — ele vociferou, e eu vi a satisfação com que ele pronunciou essas palavras.
Nos encaramos por longos segundos, eu apertei as minhas mãos em punhos, senti a tensão do meu corpo se concentrar nessa parte e dei um passo a frente pronto para arrancar todos os dentes daquele sorrisinho presunçoso, eu não seria misericordioso. Ray por sua vez não se intimidou.
— Vocês dois precisam parar! — Felicity exclamou. Se não fosse por ela ter se colocado entre nós dois eu teria acabado com ele.
— Ele é o ogro que começou atacando pessoas. — verme manipulador, tentando se fazer de vítima. Não esperava diferente.
— É o que acontece quando você tenta roubar algo que não lhe pertence. — Cuspi. — Não coloque suas mãos nela, e talvez assim você possa manter todos os dentes da boca.
Ele iria responder, mas novamente Felicity interviu:
— Oliver, pode, por favor, não ameaçar o Ray? — ela pediu, e eu assenti apenas para não irritá-la — E Ray, me responda porque você me beijou? — ela perguntou, e eu fechei os punhos, pronto para proferir um novo soco dependendo da resposta. Ray olhou de Felicity para mim tentando assimilar o que estava acontecendo, eu vi um ligeiro sorriso nos lábios dele antes de responder.
— Porque eu sou seu namorado, Felicity! — ele respondeu e me senti doente ao escutar aquilo. Eu estaria mentido se eu disse que não cogitei essa hipótese antes. Eu não era idiota, na mesma semana em que Laurel armou pra Felicity e eu nos separarmos, Palmer aparece magicamente oferecendo à ela o emprego dos sonhos e ela se munda para Central City.
O estranho era que Sara havia me garantido que nunca tinha havido nada entre eles, bem pelo menos a Felicity sempre negara a existência de qualquer coisa.
— Isso não faz sentido. Sara me disse que nós não... Isso não está acontecendo... — Felicity dizia, enquanto se encostava na mesa e massageava as têmporas. Segurei uma das mãos dela tentando confortá-la.
— Ray, eu sofri um acidente e não me lembro de nada o que aconteceu nos últimos três anos. — ela falou olhando diretamente para ele. — Então eu preciso que você me explique algumas coisas, preencha algumas lacunas.
— Isso é algum tipo de pegadinha, Felicity? Porque eu não estou vendo a graça. — ele rebateu.
— Não, eu estou falando sério. Eu estava dirigindo para Starling City quando o acidente aconteceu. — ela explicou — Há quase dois meses.
— Então o que você está dizendo é que não se lembra de mim? Do nosso relacionamento? De tudo o que vivemos juntos? — ele disse se aproximando dela, imediatamente eu fiquei alerta. Não gostei daquela pergunta. Ou da forma como os olhos dele brilhavam na direção dela. Uma vez um verme oportunista, sempre um verme oportunista.
— Nada. É tudo um grande livro em branco. — explicou.
— Deixe-me ver se eu entendi, você acorda num hospital depois de um acidente e tudo o que se lembra é de estar casada com ele? —Felicity assentiu— Isso é conveniente. — apontou lançando um olhar de ódio pra mim.
— Não é bem assim, Ray... — Felicity começou a dizer, mas o babaca a interrompeu.
— Por acaso você se lembra de tudo o que ele fez com você? Ele te traiu, Felicity, com Laurel. — não passou despercebido por mim o intuito de machucar nas palavras dele — Fui eu que te ajudei a se reerguer depois disso. Fui eu que te amei. E ainda amo e você me ama também. — ele disse essa última frase de um jeito dócil, querendo ganhar a confiança dela chegando ainda mais perto tentando tocá-la. Puxei Felicity para mim novamente, a afastando dele. Ele não iria tocar em um mísero fio de cabelo dela, já me bastava que o bastardo tivesse a tomado bem na minha frente. Eu não iria dar mole novamente.
Não vou negar que as palavras de Palmer me afetaram de uma maneira indescritível. Só a possibilidade de Felicity ter o amado me deixava completamente louco de raiva. Eu me vi questionando o quão sério seria o relacionamento deles, e o como isso mudava as coisas entre nós.
— Se estava tudo bem entre nós porque eu me demiti? Porque eu fui para Starling City? Porque você não me procurou? Isso não faz sentido, Ray. Eu fico semanas desaparecida e você sequer liga? — Felicity disse se afastando dele e se aconchegando mais em mim.
Me senti momentaneamente aliviado ao notar que Felicity não parecia tão disposta a aceitar as palavras do Palmer como verdadeiras. Eu sabia onde ela queria chegar com aquelas perguntas.
Minha garota era esperta.
— Você se demitiu porque não queria que as coisas ficassem estranhas entre nós, afinal eu sou seu chefe. — o babaca respondeu convencidamente. — Você foi para Starling City tentar resolver a situação do divórcio... Sabe, nós temos planos para um futuro juntos e isso estava ficando no meio do caminho. — ele explicou sorrindo abertamente para Felicity. — eu não te procurei antes porque estava viajando, e você disse que poderia lidar com isso — falou meneando a cabeça na minha direção — sozinha.
Não gostei da forma que ele falou no tempo presente, como se os tais planos ainda fossem acontecer. Não me importava o que ele pensava que Felicity e ele tinham, agora que eu a tinha de volta na minha vida eu não a deixaria ir. Nunca mais.
Quando eu olhei para Felicity percebi a expressão de choque no rosto dela. Ela não esperava por isso. E honestamente nem eu. Eu me apeguei tanto a ideia de que ela havia largado tudo em Central City para voltar para mim. Que algo a havia feito perceber que eu nunca a trairia e que ela ainda me amava.
— Eu preciso de um pouco de ar — Eu a ouvi dizer com a voz um pouco abalada se levantando e indo em direção à saída.
— Felicity, espere, não vá embora com ele. — Palmer disse, a segurando pelo braço.
Aquilo me irritou eu não queria o Palmer tocando em um fio de cabelo da minha Felicity, me movi em direção a ele e arranquei as mãos dele de cima dela.
— Tira as suas mãos de cima dela, Palmer! — Gritei já exaltado.
— Ou o quê, Queen? Vai me bater de novo? — ele perguntou ficando de frente para mim, me encarando, quase como se desejasse um novo soco.
Eu queria tanto quebrar a cara dele, mas Felicity já tinha saído pela porta e eu não queria deixá-la ir sozinha. Ela era a minha prioridade, então decidi apenas ignorá-lo e ir atrás dela.
— Felicity só está com você porque ela não se lembra de mim. Quando as memórias voltarem ela vai perceber o grande idiota que você é e irá voltar para mim. É apenas uma questão de tempo — Ele disse convencido — E mesmo que isso não aconteça, Queen, eu não vou perder assim tão fácil.
As palavras do Palmer me fizeram parar. Felicity voltaria para ele? Só havia um jeito de saber isso e era perguntando a ela.
— Não se trata de um jogo. — Como ele poderia lidar com isso dessa forma? Como se Felicity fosse um prêmio e não uma pessoa.
— É o que os perdedores sempre dizem. — provocou com um risinho — Isso ainda não acabou, Queen. — a ameaça não foi velada.
— Isso é uma ameaça, Palmer? — eu questionei voltando a encará-lo.
— O que você acha? — devolveu presunçosamente erguendo uma das sobrancelhas enquanto um sorrisinho convencido pendia em seus lábios machucados. Me controlei para não agredi-lo, se eu começasse a descontar a raiva nele, eu não sei se conseguiria parar.
— Eu acho que você é um riquinho mimado que fala demais, mas que não suja as próprias mãos. — esse era o meu jeito de dizer que ele era um grande covarde que se esconde atrás do dinheiro— Também tem um sério complexo de inferioridade, quer ter tudo o que eu tenho, tudo o que é meu, apenas para se sentir o melhor. Pode tentar rivalizar comigo em termos de dinheiro, eu não me importo com essa competiçãozinha ridícula, mas se atreva a tocar nela novamente, e eu juro, Palmer, vai pagar por isso. — deixei a minha ameaça saindo da sala logo em seguida.
Eu tinha que estar com alguém mais importante, e não ficar perdendo tempo com o babaca.
***
Felicity não estava me esperando do lado de fora da sala como eu imaginei. E fui avisado por um Jerry um tanto assustado (tenho uma ligeira impressão que ele deve ter ouvido a nossa discussão) que ela havia pegado o elevador e decido. Eu não devia ter deixado o Palmer me afetar daquele jeito, eu deveria ter ficado ao lado dela e a apoiado. Mas era tão difícil desligar esse meu lado possessivo quando eu estava com ela, e ele muitas vezes me fazia perder a razão.
Fiquei aliviado ao encontrar Felicity na porta do prédio conversando com alguém pelo telefone.
— Obrigada, Barry, falo com você mais tarde. Um beijo. — Escutei ela dizer e fiquei irritado por vê-la mandar beijos a alguém que não fosse eu.
Isso era ótimo. Eu mal havia me livrado do Palmer e ainda tinha o pirralho do Allen para me preocupar.
— O que o Allen queria? — cheguei por trás dela perguntando. Felicity se assustou com a minha a presença inesperada e virou-se na minha direção. E só então percebi a tristeza no rosto dela e as lágrimas em seus olhos.
— Qual é o problema, amor? — perguntei elevando uma das minhas mãos ao rosto dela e secando uma lágrima solitária que caia. Nada me magoava mais do que vê-la chorar.
— Me desculpe, eu estou sendo tola — ela disse retirando a minha mão do rosto dela e aquele simples gesto me fez ficar inseguro. — É que foi muita informação para um dia só. Ray confundindo a minha mente e as lembranças que eu tive...
— Lembranças? Que lembranças? — perguntei ansioso, depois da chegada do Palmer eu havia me esquecido completamente do motivo que nos levara até lá.
— Antes do Ray chegar eu me lembrei de algo. — ela disse hesitante.
— Porque você não me disse antes? — A questionei.
— Você estava muito ocupado na sua briguinha de ego com o Palmer. — me censurou, pude perceber no tom da voz dela que ela estava zangada com isso.
— Sinto muito por isso, amor, agora fale comigo, eu estou aqui, o que você se lembrou? — me desculpei, mais por educação do que por arrependimento. Se havia algo do qual eu me orgulhava era do hematoma que deixei no rosto do Palmer.
— Não é grande coisa... Mas, eu me lembro de Laurel na minha sala. — ela respondeu.
Estremeci à menção do nome dela, Felicity me contou detalhadamente a lembrança que teve com a Laurel, e realmente não era o muito. Mas ainda assim era o suficiente para me deixar preocupado. Afinal o que a Laurel poderia querer com a Felicity? Ela já tinha conseguido o que queria, nós havíamos nos separado, não havia motivo para vir infernizar a vida dela aqui.
***
Voltamos ao hotel depois do ocorrido e durante todo o trajeto de volta Felicity permanecera quieta e pensativa. Eu odiava aquilo. Odiava não saber o que ela pensava, o que ela sentia. Eu queria que ela conversasse comigo, eu principalmente precisava ouvi-la dizer que tudo o que o Palmer falou não mudava nada entre a gente. Quando chegamos ao quarto dela no hotel, eu parei a porta e não consegui me segurar, aquele silêncio já estava me matando. Eu precisava saber o que se passava na mente dela.
— Felicity o que você esta pensando? — verbalizei minha preocupação.
— Que esse foi apenas um dia longo, com muitas informações, Laurel e Ray... — ela disse com um olhar vago.
Eu não queria que ela pensasse em Ray, aquilo me irritava. Não queria ela pensando nesse relacionamento que os dois tiveram. Queria que ela nunca se lembrasse.
Eu estava com medo, de que recuperar as memórias, de alguma forma, faria Felicity descobrir que não me amava mais, que nossa história era passado. E eu não poderia suportar isso.
— E como vai ser agora Felicity? Quando você se lembrar do seu relacionamento perfeito com o Ray Palmer? — cuspi o nome dele com desgosto, eu sabia que o ciúme estava começando a me deixar irracional — Você vai apenas me deixar, esquecer o que sente por mim e voltar para ele? — falei sem pensar, aquela possibilidade estava acabando comigo, eu precisa colocar isso para fora.
Ela ficou chocada com a minha atitude. E honestamente eu também fiquei. O que estava acontecendo comigo? Eu não devia confrontá-la dessa forma, mas eu não conseguia parar.
— Eu vou me lembrar de algo. — falou baixinho — Eu sei que vou. Há algo que me fez voltar para você, que me fez perceber que eu ainda te amava e que merecíamos uma segunda chance. — ela disse com os olhos esperançosos, colocado delicadamente a mão sobre o meu peito.
— E se não se lembra? E se nós estivermos apenas nos iludindo e se a razão real da sua ida a Starling City for apenas pelo divórcio? Você Acreditaria em mim ainda assim? Acreditaria que eu te amo? Eu que eu nunca te traí com Laurel? Que nós merecemos uma segunda chance? — pressionei.
Felicity ficou muda com a minha indagação. Eu não deveria estar pressionando ela dessa forma, mas em minha defesa saber do tal relacionamento dela com o Palmer me deixou meio irracional. Eu precisava de uma resposta, eu precisava que ela acreditasse em mim, que ela acreditasse que havia uma chance para nós.
— Você me prometeu que não conversaríamos sobre nós! — ela disse, se afastando do meu olhar, evitando a pergunta.
Aquilo doeu.
— Você está certa, eu prometi. — falei dando as costas e saindo daquele quarto. Sua hesitação em responder era a minha resposta.
***
Felicity Smoak
Oliver saiu do meu quarto bufando de raiva, me deixando igualmente irritada. Ele não tinha o direito de me pressionar assim. Eu estava confusa, vim procurar respostas em Central City e encontrei apenas mais perguntas. A lembrança com Laurel, esse estranho relacionamento com o Ray, que não fazia o menor sentido na minha mente, e muito menos no meu coração.
Foi então eu percebi.
Eu não precisava achar respostas sobre nós aqui. Não importava se eu recuperaria as minhas memórias ou não. Não importava o motivo que me levara a ir para Starling City inicialmente.
Só havia uma coisa que importava.
Eu amava Oliver Queen.
E não um amor simples, comum, banal. Era aquele amor que só vinha uma vez na vida da gente. É um amor que queimava nos meus ossos e me consumia por dentro. Eu sentia em cada parte do meu ser que eu pertencia a ele. E não importa o que aconteceu no passado, nada disso mudava o jeito como eu me sentia.
Eu não iria mais negar o óbvio. Não deixaria a felicidade escapar das minhas mãos assim tão fácil. Eu havia ficando três anos sem Oliver, eu estava decidida a não ficar nem mais um dia sem ele.
Deixei o meu quarto apressada, ansiosa para seguir em frente com a minha decisão. Bati na porta do quarto da frente, e esperei sentindo que o meu coração palpitava de felicidade dentro do meu peito. Quando finalmente Oliver abriu a porta eu me assustei, eu nunca tinha o visto desse jeito, tão vulnerável. Seus olhos azuis pareciam nublados por uma névoa de tristeza. Aquilo me fez sentir culpada e ao mesmo tempo assustada, nós nos amávamos tanto, e o amor machucava as vezes.
— Eu acredito em você, amor. — falei as palavras que meu coração gritava e as que o dele precisavam ouvir.
Isso foi o bastante para os olhos de Oliver se iluminarem outra vez e um sorriso bobo tomar conta do seu rosto. Ele me puxou para dentro com uma das mãos colando o meu corpo no dele e com a outra fechou a porta do quarto. Sua boca capturou a minha de uma forma urgente, intensa, quase insana. Nossas respirações se misturaram ofegantes. Eu ergui meus braços para que ele retirasse a minha camiseta, suas mãos passeavam pela minha barriga, e então desceram até a coxa me impulsionando ao seu colo. Minhas pernas se prenderam em torno dele enquanto ele caminhava em direção à cama.
Eu descobri que alguém tentara me matar.
E eu ainda não havia recuperado a memória.
Mas ali nos braços de Oliver, nada disso importava. Por que ali era onde eu pertencia, onde eu me sentia feliz, segura e completa. E eu não precisava de mais nada.
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