Por uma semana, Harry não apareceu na lanchonete, e Any só conseguiu pensar

nisso. Sonhava com Harry, achava que via ele na rua a todo o momento, RESPIRAVA Harry Judd.

Por esse mesmo motivo, a garota ficou totalmente aérea, errava os pedidos dos

clientes, esquecia suas chaves e esquecia também das saídas com as amigas.

Até que Marina veio coma solução.

Any, Marina e mais duas amigas iriam até o show da banda de Harry na GAY, e dessa vez ela não se esqueceria.

A boate estava cheia. Any estava em pé bebendo um cosmopolitan e rindo com as amigas, mas, mesmo assim, atenta ao seu redor.

Queria achar Harry antes do show começar, queria dizer umas boas verdades pra ele, sobre como é errado fingir que vai beijar garotas inocentes e influenciáveis e depois ir embora. Aí ela iria beija-lo de verdade, por que por mais que quisesse negar, JÁ estava apaixonada por aquele conquistador.

E quando finalmente o achou, viu que ele já estava conversando com outra garota. Pena que, bom... aquela era uma boate gay. E, por mais que a banda dele parecesse conhecida e tinha obviamente alguns fãs deles ali, inclusive pessoas que pareciam ser hétero, aquela garota em especial... bem, era ela lésbica. E ficou bem claro quando ela saiu de perto de Harry pra ficar com a namorada.

Any riu, bem alto. Tão alto que Harry pareceu ouvir, mesmo com a música alta, e olhando na direção do som, viu Any.

E, tendo o dois andado um pouco, se encontraram no meio do caminho.

— E aí, como fui? – Ele riu.

— Bom, não muito bem. Você poderia começar dando em cima de pessoas solteiras e que não gostem da mesma fruta que você, sabe.

— É? Mas meu gaydar não anda muito bom ultimamente.

-Qualquer coisa que venha de você não anda muito bem. Você não dá em cima

das mulheres certas, está sempre com as mais erradas possíveis.

-Hm... – ele levantou a sobrancelha, e Any quase poderia dizer que metade

daquele lugar tinha soltado suspiros com o gesto. – Você pode me ensinar, então? Seria legal treinar com você.

Ela riu e disse para ele encontra-la depois do show, no bar, e eles veriam o que fazer.

Any havia descoberto que a banda de Harry se chamava McFly, e no show pode constatar que eles eram realmente MUITO bons! O garoto era baterista, e ficava até mais bonito quando estava fazendo sua música.

A música conseguia ser ao mesmo tempo simples e envolvente, ás vezes confusas, ás vezes clara demais. As melodias eram perfeitas e se encaixavam com diferentes estados de espírito. As letras então, nem se fala.

Ela ainda estava meio agitada quando seguraram em seu ombro e perguntaram, sussurrando em seu ouvido, se ela estava sozinha.

E era Harry novamente.

Any sorriu. Mandou ele sentar.

-Err... sabia que, se beleza desse cadeia, você pegaria prisão perpétua?

-Droga, Harry! – Any disse, rindo descontroladamente – essa é a sua cantada? QUE HORROR!

— É tão ruim assim?

-Terrível! E olha que era de se esperar que um garoto bonito que nem você fizesse alguma coisa melhor.

-Ok, então, vou tentar de novo. – Ele olhou pro rosto de Any, que ainda estava rindo. – E para de rir!

— Tá, Harry, me recompus. Continua.

— Estou procurando minha alma gêmea.

— Pff... próxima!

E eles ficaram um tempo nisso. Any rindo descontrola e Harry ás vezes soltando um risinho. Mas as cantadas? Sempre falhas. E DE PEDREIRO, POXA.

Até que o GAY foi se esvaziando, e poucas pessoas podiam ser vistas na boate. Mesmo as amigas de Any já tinham ido embora.

— Já deu, né? Você é péssimo! – Any soltou uma risadinha de deboche.

— ... – Ele pensou por um tempo. Passou a mão no cabelo, olhou para as pessoas dançando, levantou a sobrancelha outra vez e, finalmente, sorriu.

Any observava atentamente cada movimento que Harry fazia. Ele chegou mais perto, colocando a mão na bochecha da garota.

— Se você virar minha namorada, eu deixo de ser um conquistador.

Any ficou boquiaberta, e pode até sentir que todos a estavam observando pra ver o que ela respondia. Mas era a imaginação dela, claro. Todos estavam ocupados demais cuidando de suas próprias vidas pra pensar na dela.

-E essa, é boa? – Ele disse. E então ficou claro que era só mais uma outra cantada, que ele estava só praticando... e que mesmo assim o coração de Any acelerava ao som de qualquer palavra que saia da boca daquele garoto.

Mais uma semana se passou, com Harry indo todos os dias á lanchonete para “treinar” suas cantadas com Any.

Normalmente eles faziam isso na hora do almoço dela, mas naquela semana, Harry só apareceu no fim do expediente.

-Ann, pode vir aqui um minutinho?

-Que? Ah, claro, Harry. Só deixa eu pegar minha bolsa lá nos fundos.

Os dois seguiram até uma praça aleatória perto da lanchonete, e sentaram em um dos banquinhos.

-E então? – Any riu fraco, meio tristemente.

-Eu só queria conversar com você.

-Sobre? Vai se confessar é? – Harry arregalou os olhos surpreso, e Any riu – O que? Não precisa ficar assim, era só uma brincadeira!

-É... então se eu for me confessar você vai rir de mim?

-Você só está implicando. – Any ficou subitamente séria – Provavelmente está aqui pra praticar, como ontem e todos os outros dias, né?

Os dois ficaram em silêncio por um tempo. Ele, olhando as árvores, quieto e pensativo. Ela, com a cabeça baixa.

-Eu não estou brincando.

-Se fossemos um casal... sabe, hipoteticamente falando. – Any acrescentou rapidamente, mas com uma voz um tanto baixa, quase um sussurro – Você ainda daria em cima de outras garotas? Eu não sei se eu consigo confiar em um conquistador, Harry.

-Ah... você está certa. Você já disse que odeia conquistadores, e eu ainda venho aqui todos os dias! – ele deu um riso sarcástico – Não se preocupe. De agora em diante eu não vou mais te incomodar.

Harry levantou e foi embora, enquanto Any continuava sentada de cabeça baixa. Daquela vez, ela tinha feito a coisa errada.

Ela ouviu o telefone tocar. A cada toque, os pensamentos dela viajavam sobre todos os motivos que fariam valer a pena atender aquele telefone, e os que não fariam.

Podia ser Harry. Mas não, por incrível que pareça, ele não tinha seu telefone. Sempre que se encontravam era por acaso, em lugares perto da lanchonete e todas essas coisas.

Podia ser sua mãe, avisando que iria demorar um pouco mais na farmácia ou no trânsito. Ela havia saído para comprar remédios para Any, que já tinha faltado dois dias no trabalho alegando dor de cabeça (o que era só mais uma desculpa pra não ter que sair, claro).

Mas também podia ser qualquer uma de suas amigas, Vitória, Marina ou Mariana, preocupadas com ela por não dar notícias. É. Por essas valia atender ao telefone.

Any levantou do sofá, e caminhou lentamente até a mesinha no canto da sala, pra finalmente conseguir atender antes que a pessoa do outro lado desistisse.

-Residência dos Buss, quem fala?

-Ann, é a Marina.

-Maah! – Ela sorriu. – oi, tudo bem?

-Tudo, tudo. É, Ann, tem como você vir aqui na lanchonete, tipo, agora?

-Por que?

-Tem uma coisa muito importante que eu quero falar com você. É tipo, URGENTE.

- Você quebrou a fritadeira OUTRA VEZ, não foi?

- Não, besta! – Marina riu do outro lado da linha – e nem vem me falar que está com dor de cabeça, é pra você vir já!

E Marina desligou na cara dela. Educação mil, hein?

No meio do caminho pra lanchonete, Any passou por aquela mesma praça onde havia tido a última conversa com Harry.

E ele estava lá, sentado no mesmo banco daquele dia... com duas garotas á sua frente.

Any chegou mais perto pra ouvir a conversa, meio escondida entre as árvores.

-Procurando uma garota? – A oferecida 1 disse.

-Nop.

-Mas você já está sentado aqui faz muito tempo! – Oferecida 2, ew. – Não estava mesmo esperando por... nós?

Okay. Elas deviam ser biscates, pelo amor de Deus! As duas garotas estavam quase se jogando em cima de Harry, com seus decotes e saias curtas. E olha que era inverno!

- Nah... eu não estou esperando por vocês. Estou esperando por outra pessoa.

As Oferecidas 1 e 2, como Any tinha chamado, saíram, e Harry continuou lá.

O que fazer? Ele estava bem a sua frente e ela poderia consertar seu erro. Ela gostava dele, se divertia treinando cantadas idiotas com ele. Queria muito poder ficar com ele, des do começo,e não ter sido uma idiota insegura.

Então ela andou até ele, que estava virado para o outro lado. Era sua vez de surpreende-lo.

-Oi! você está sozinho? Posso,é... estou procurando minha alma gêmea, poderia ser você? – Isso significava que ela queria dar uma chance aos dois.

-Pff... – ele riu, e puxou Any pelo casaco, fazendo-a sentar ao seu lado – tá ficando pior que eu, hein, Ann?

-É convivência. Olha que isso ainda pode piorar muito.

-Eu não me incomodaria. – ele sorriu — eu vou deixar de ser um conquistador por você mesmo.

E eles se beijaram, finalmente.

Aquele seria um amor confuso, mas quem se importa? Eles estavam juntos. E não iam se separar tão cedo.

Por que ela amava um conquistador, e sabia como muda-lo.

E que se danasse a Marina. Any não voltaria para a lanchonete tão cedo aquele dia.

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