Notas iniciais
gente, demorou mas saiu!!! eu realmente espero que vocês gostem e que ainda não estejam me odiando por causa do último chap ;-; e ah, eu fiz uma coleção no we heart it com fotos que me lembram toda a fic e tal, e tá aqui o link pra quem quiser ver http://weheartit.com/eucaroles/collections/97758067-susan-s-world tem fotos de como eu visualizo a susan, zooey, a mia, a casa dos avós da susan, enfim... minha internet está horrível então ainda não fiz a playlist que pretendia fazer, mas em breve farei e então venho atualizar aqui e colocar o link pra vocês ♥

As coisas mudaram muito depois que me mudei pra casa dos meus avós. E elas mudaram pra melhor. A começar pelo meu relacionamento com meu pai. Acho que precisávamos mesmo de um tempo, de um espaço, e isso faria com que as coisas entre nós melhorassem. E foi o que aconteceu. Acho que ficamos estressados demais com a ideia de termos de conviver juntos numa casa pequena, ele principalmente. Aquela era sua casa, seu lar. Não estava acostumado a ter ninguém ali dividindo aquele espaço com ele, e eu era uma intrusa em seu refugio. Não era fácil pra mim, tampouco. Morar com meu pai depois de todos os anos que passamos separados foi realmente difícil. Principalmente por sermos tão diferentes e não gostarmos das mesmas coisas. Vivíamos numa monotonia, com pouco diálogo e interação. Aquilo não era vida pra ninguém.

Tudo mudou depois que passei a viver com meus avós. Eu passava os finais de semana com papai (nem todos, já que às vezes eu precisa ir à algum jantar ou evento com meus avós e então ficava ocupada durante o final de semana), e nós sempre almoçávamos fora, e às vezes ele até arriscava a cozinhar alguma coisa, ou simplesmente pedíamos pizza. Nossas conversas agora tinham mais conteúdo. Ele falava sobre sua semana, sobre a garçonete com quem andava flertando e cogitando a ideia de chamá-la pra sair, e eu falava sobre meus dias, a rotina no colégio, os jantares aos quais ia. As coisas iam bem, e eu nunca me senti tão próxima do meu pai quanto naqueles dias.

Também nunca vi vovó tão feliz. Parecia que agora sua vida tinha um novo propósito: Cuidar de mim. Ela não economizava dinheiro comigo nunca. Eu sempre tinha dinheiro na minha carteira (agora eu tinha uma carteira), e toda semana ela me levava ao shopping e ao salão. Meus cabelos e minhas unhas nunca estiveram tão bem cuidados.

Eu me sentia uma pessoa completamente diferente. O colégio era legal, apesar das pessoas de nariz em pé que implicaram comigo nos primeiros dias de aula. Claro que aquela implicância desapareceu assim que souberam quem era meu avô. Nunca pensei que um sobrenome pudesse fazer tanta importância assim. Também começaram a me tratar melhor quando apareci com roupas melhores e com um motorista que me levava e buscava todos os dias. Meu avô fazia questão de manter as aparências e dar mais status ao nosso sobrenome.

Conforme as semanas passavam eu ia me esquecendo de Zooey. Não esquecer totalmente, sei que isso era impossível. Mas eu já não pensava nela com tanta frequência e nem passava as noites chorando e remoendo nossa separação. Fizemos o que tínhamos que fazer. Aquela tinha sido a melhor coisa, pra nós duas.

Era sexta-feira e eu já estava de férias. Vovô me deixou passar o dia com meu pai já que no sábado teríamos mais um jantar com um de seus amigos ricaços. Antes de sair do carro, vovô segurou meu braço e pigarreou antes de começar a falar.

— Você sabe que não sou muito bom com essas coisas, mas... — Ele desviou o olhar, fitando o volante antes de voltar a falar. — Eu estou mesmo feliz por você estar morando comigo e com sua avó. Não sei se você já percebeu como isso fez bem pra ela, é uma distração, uma novidade, alguém pra cuidar. Ela sente falta da sua mãe, você preenche o vazio que ela deixou. E bem... Eu também estou feliz por ter você conosco. — E então ele se voltou pra mim outra vez e exibiu um de seus raros sorrisos sinceros.

Fiquei sem reação a princípio, e então ele me mandou sair antes que meu pai viesse pra me arrastar pra fora do carro. "Troglodita como ele é..." Eu ri e saí do carro, sorrindo ao relembrar as palavras do meu avô. A vida não poderia estar melhor.

O apartamento do meu pai estava uma bagunça. Era seu dia de folga já que era seu aniversário. O apartamento estava cheio e o cheiro de comida e a música alta preenchiam o lugar. Sorri involuntariamente ao ver meu pai ao longe rindo com dois amigos. Era raro ver sua casa cheia e ao mesmo tempo tão arrumada. Os sofás tinham desaparecido e a sala estava ocupada por mesas e cadeiras de plástico, mesas que sustentava comidas, bebidas e um bolo repleto de velas. Meu pai levou um tempo pra perceber que eu estava ali, mas logo veio correndo em minha direção com um sorriso enorme no rosto. Me abraçou, meio sem jeito, e passou o braço ao redor dos meus ombros enquanto gritava:

— MINHA FILHA CHEGOU!

Logo as pessoas vieram falar comigo, inclusive a garçonete que era a paixonite do meu pai. Ele sorria, completamente nervoso, enquanto eu conversava com ela. A mulher era educada e simpática, parecia combinar com meu pai de um jeito estranho.

— Gostei dela — admiti, e fiquei feliz ao ver o sorriso que recebi em resposta.

— Vou casar com essa mulher — ele confidenciou.

Caminhamos pela sala, parando a todo instante pra conversar com as pessoas e fazer comentários sobre a comida ou sobre o clima. E então, quando me afastei de um grupo de mulheres (esposas dos amigos de papai) e me virei em direção à porta, eu o vi. James.

Ele usava uma touca e um grande casaco escuro pra protegê-lo do frio. Ele sorriu assim que me viu e eu reprimi uma careta. Acho que as coisas não estavam tão bem assim.

Eu não queria vê-lo, e tive a sorte de nunca esbarrar com ele em todos os finais de semana que tinha passado com meu pai. Mas antes que eu pudesse correr e me esconder em algum lugar, ele já estava parado ali, bem de frente pra mim, tirando a touca e ainda sorrindo.

— Você está incrível. Linda.

Sua voz transbordava alegria e contentamento. Imaginava se isso era tudo por minha causa.

— Obrigada. Você também não está nada mal.

Um silêncio desagradável se instalou entre nós dois. Eu não fiz qualquer esforço pra inventar um novo assunto, mas ele continuava proferindo "é" e "ahn" enquanto coçava a nuca. Mas não passou disso.

Eu me afastei antes que as coisas ficassem ainda mais estranhas e desconfortáveis, e graças a Deus ele não veio atrás de mim. Não sei se teria qualquer coisa pra conversar com ele.

Comi muito naquele dia. A comida estava ótima e o bolo estava melhor ainda. Cantamos parabéns pra papai no final da noite quando todos já estavam muito bêbados e alegres. Meu pai fez um discurso envergonhado e me deu o primeiro pedaço de bolo. Corei de vergonha enquanto seus amigos gritavam e faziam farra ao me ver receber o bolo. Mas foi tudo muito divertido. Eu estava feliz.

James não tentou falar comigo de novo. Pelo menos não até o final da festa. Antes de ir embora ele procurou por mim, me deu um abraço desajeitado e um beijo na bochecha.

— Sei que as coisas não terminaram da melhor maneira entre nós dois, mas ainda espero que um dia você aceite minha amizade. — Disse isso e saiu. Nem tive tempo de responder.

No fundo eu sabia que James e eu nunca teríamos de fato uma amizade. Mesmo que eu tentasse fazer isso funcionar entre nós dois, não teríamos assunto ou qualquer tipo de ligação. Era melhor deixar as coisas do jeito que estavam.

Pouco tempo depois vovô veio me buscar. Meu pai e ele trocaram um aceno de cabeça e uns resmungos que eu presumi que fossem saudações. Abracei meu pai antes de entrar no carro.

— Se comporte — ele murmurou.

Eu me comportaria.

***

— Acorda! Levanta! Agora! Já!

Vovó entrou no quarto abrindo as cortinas e clareando o lugar. Eu gemi, me escondendo embaixo do edredom e querendo fugir de toda aquela claridade. Aquilo era covardia. Eu tinha chegado em casa tarde, dormi pouco e agora ela me acordava super cedo. Eu provavelmente tinha feito algo de muito errado na noite anterior pra merecer um castigo daqueles.

— Susan, anda! Nós temos um dia cheio pela frente. Fazer o cabelo, as unhas, uma boa limpeza de pele, maquiagem... A produção completa! Não temos muito tempo e você está nos atrasando.

— Mas vovó... São tipo... Sete da manhã. É impossível estarmos atrasadas. Só temos que ir pro tal jantar à noite.

— Já são dez da manhã, Susan. Eu te deixei dormir um pouco mais. Agora levanta.

Não tinha discussão. Vovó puxou o edredom e os travesseiros, e antes que eu me desse conta já estava debaixo do chuveiro tomando um banho rápido pra espantar o sono. Eu nem ao menos pude tomar meu café da manhã. No caminho pro spa vovó ordenou pra que o motorista parasse em frente ao Starbucks e compramos café, cookies e brownies e comemos dentro do carro. O spa ficava longe e fizemos quase meia hora de viagem até chegarmos lá. Vovó dispensou o motorista e nós entramos naquele mundo caótico que era o SPA das Flores que cheirava a aloe vera.

Horas depois nós deixamos o spa. Eu estava toda ardida, arrumada e perfumada. Tinham depilado minhas axilas, pernas e até minha virilha. Meu corpo tinha sido esfoliado, hidratado e perfumado e meu rosto ainda ardia por causa da esfoliação. Mas meus cabelos estavam arrumados e a maquiagem perfeita. Vovó e eu deixamos o lugar completamente prontas pro jantar.

O carro esperava por nós, e encontramos vovô esperando por nós e segurando a porta aberta.

— Dispensou o motorista? — Vovó perguntou.

— Não. Só estou tentando ser um pouco gentil com minhas garotas.

E então vovó deu uma risadinha juvenil e nós estramos no carro.

Vovô e o motorista elogiaram nossos vestidos e todo o resto de nossa produção. Segundo vovô, seríamos as duas mulheres mais bonitas de toda a festa.

O jantar era na recepção de um luxuoso hotel que ficava nos limites da cidade. Ao longe nós já éramos capazes de enxergar todos os carros e limousines luxuosos que estacionavam em frente ao lugar, e as pessoas bem produzidas que deixavam os veículos. Agradeci mentalmente por vovó ser tão organizada e preocupada com nossa aparência. Se não fosse por ela, eu provavelmente estaria usando uma de minhas roupas pretas e meu cabelo estaria parecendo um ninho de pássaros. Mas graças a ela eu estava perfeita. Ou quase perfeita. Minha avó dizia que eu ficava muito bem de azul, então meu vestido era num tom muito bonito de azul, cheio de pedrinhas douradas. Meu cabelo tinha um penteado elegante e minha maquiagem realçava os melhores ângulos do meu rosto.

O lugar estava muito bem decorado. O hotel em si já era esplêndido, mas a decoração só melhorava tudo. Tudo era em tons de preto, dourado e marfim. As mesas, cadeiras, tapeçaria, tudo. Era tão bonito que fiquei alguns segundos parada feito uma tonta admirando tudo de boca aberta. Meu avô me deu um empurrãozinho, me fazendo voltar a caminhar. Eu nunca me acostumaria com aquela vida.

Antes de nos sentarmos, tivemos de cumprimentar alguns dos presentes. Começamos por alguns conhecidos de vovô, e logo ele estava nos levando pra um lado mais afastado do salão, dizendo que se não fossemos logo cumprimentar os anfitriões, seria falta de educação.

Avistamos os anfitriões ao longe. Estavam de costas conversando com outros convidados. Um homem, alto, com cabelos grisalhos, uma mulher igualmente grisalha e uma menina no meio dos dois, com cabelos escuros e um vestido verde com um decote pequeno nas costas. Meu avô chamou o homem pelo nome, e logo os três se viraram. Percebi que conhecia aquele senhor, e ao seu lado estava ninguém menos do que Zooey.

Zooey.

Zooey. Zooey. Zooey.

Zooey. Zooey.

Zooey.

Minha cabeça girava e eu jurava que não podia mais respirar. Ela também parecia surpresa ao me ver, e nossos olhares se cruzaram por poucos instantes antes de ambas desviarmos o olhar. Eu estava desesperada. Minhas pernas tremiam. As mãos suavam. Eu sentia que iria desmaiar a qualquer momento. Era como se todo aquele tempo que passamos separadas tivesse desaparecido em um segundo.

"Controle-se" xinguei-me mentalmente enquanto erguia a cabeça e tentava colocar um sorriso estranho no rosto. Tudo estava estranho, na verdade.

— E essa é minha neta, Susan. Acho que você já a conhece.

Voltei a realidade a tempo de estender a mão para cumprimentar o homem à minha frente. Dei um sorriso melhor e cumprimentei a senhora e Zooey. Sabe naqueles livros de romance quando a mocinha descreve o primeiro toque entre ela e o seu amado? Geralmente são toques não intencionais e elas os descrevem como uma corrente elétrica que percorre seus corpos. Eu senti isso quando minha mão tocou a de Zooey.

— Por que vocês, meninas, não vão dar uma volta por aí e conhecer as outras jovens convidadas?

Zooey fez uma cara feia pro avô, mas logo estávamos nos afastando de nossos parentes. Mantínhamos uma distância considerável entre nós duas, e o silêncio era desconfortável e constrangedor. Ela me indicou uma mesa vazia e um pouco escondida, onde nos sentamos e recebemos taças de champanhe de um dos garçons que passava por ali.

— Não sabia que você viria — ela começou.

— Eu também não sabia que você estaria aqui. Quer dizer, eu nem me lembrava de que ele era o seu avô.

Silêncio outra vez. Goles de champanhe.

— Não tem problema. É bom ver você.

— É bom ver você também.

Sorrisos tímidos. Mais goles de champanhe.

— Como estão as coisas no novo colégio?

— Ah, estão ótimas. As pessoas são legais, ou mais ou menos legais. Não são como Mia e sua trupe. — Nós duas rimos e eu tomei isso como incentivo pra continuar a falar. — As pessoas são mais superficiais e metidas, mas não implicam tanto comigo. Pelo menos não depois de descobrirem quem meu avô é. Acho que você iria gostar de lá.

— Prometeram me mudar de colégio. Acabei contando tudo o que sofria na mão de Mia e todas as outras. Me repreenderam por nunca ter contado antes, mas pelo menos vão me mudar de lugar.

— Isso é ótimo.

Intimamente eu rezava pra que ela magicamente me dissesse que se mudaria pro meu colégio.

— Você está linda, Susan. Realmente linda.

Corei. E ela riu ao perceber que meu rosto assumia um tom de vermelho.

— Não fique envergonhada. Sempre te achei linda, mas confesso que você está de arrasar produzida desse jeito. Acho que vou pedir ao meu avô pra dar mais jantares assim, e obrigá-lo a te convidar pra todos, só pra que te ver desse jeito sempre.

Nós rimos e demos os últimos goles em nossas taças de champanhe. Eu não sabia o que dizer. Será que ela estava flertando comigo? Eu não saberia dizer. Nunca tinha sido muito boa com aquilo.

— Você também está linda, Zooey. Fica muito bem de verde.

— Minha calcinha também é verde — ela confidenciou e eu ri mais alto do que pretendia.

— Odeio o modo como as coisas terminaram entre nós — ela diz, abandonando sua postura divertida e relaxada.

— Acho que terminou como tinha de terminar. Pelo menos naquela época. Você estava magoada e eu arrependida, não havia muito que pudéssemos fazer.

— Mas as coisas são diferentes agora, não são? Nós mudamos. Eu não sinto raiva de você ou guardo qualquer rancor.

— Eu mudei, Zooey. As coisas estão bem melhores e eu realmente sinto que mudei.

Nós sorrimos e ela colocou sua taça sobre a mesa, arrastando-a pra longe.

— Acha que um dia poderemos ser amigas outra vez? — Sua voz soava triste, desesperançosa. Como se ela sentisse que minha resposta seria negativa e ruim.

— Eu sempre quis ser sua amiga. Se dependesse apenas de mim, nunca teríamos deixado de nos falar.

Aquela pareceu ser uma resposta boa o suficiente pra ela. Sorriu e se levantou num pulo, estendendo a mão pra mim.

— Vem, vamos dar uma volta.

Eu me levantei e segurei sua mão, sentindo meu coração martelar sob meu peito.

— Pra onde iremos? — pergunto, as palavras se embolando enquanto eu as proferia.

— Você já vai ver.

E então Zooey me puxa pela mão e começamos a caminhar até uma das extremidades do salão. Estamos indo em direção a um corredor escondido, e meu coração dá um pulo assim que eu vejo o que há no fim do corredor.

A porta de um banheiro.

Notas finais
!!! espero que tenham gostado. Comentem ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!