Loving In The Dead
25 Quando a morte bate na sua porta – Parte 1 BÔNUS
Notas iniciais
– Pedimos para que todos fiquem dentro de suas casas, protegidos... – Era mais ou menos o quinto aviso do dia para ficarmos dentro de nossas casas. As aulas tinham sido adiadas até que "tudo voltasse ao normal". O trânsito estava trancado. Mercados, fechados. Pessoas amedrontadas espiavam pelas frestas da janela, observando tudo o que acontecia na rua. Apenas os hospitais faziam plantão de 24 horas, o que incluía minha mãe, que nesse tempo quase nunca estava em casa. Ela é enfermeira num hospital daqui, Atlanta. Fico em casa cuidando do meu irmão mais novo, Miles, já que a creche dele está passando por alguns problemas. E também tenho que ficar de olho em Ruby, minha cadela, para ver se ela não foge de casa.
Assim que Miles adormece, o deito em seu berço e me debruço na janela. A rua parece calma, mas o aparecimento de um daqueles monstros me faz ficar alerta. Uma pessoa está correndo, gritando por ajuda, de um deles, que é bem rápido. Infelizmente, o bicho o alcança, e é perturbador a cena à seguir. Aperto meus olhos e fecho a janela, voltando minha atenção para a TV. Todas essas notícias sobre o que está acontecendo estão me enchendo o saco, e coloco no Cartoon Network, me sentando na cama da minha mãe – que ela costumava ser dela e do meu falecido pai – e parando para assistir Apenas um Show. É uma ótima distração e...
– Interrompemos sua programação para anunciar: FIQUEM EM SUAS CASAS! A situação está cada vez pior, o centro de Atlanta foi dominado por eles. Fiquem atentos. Não saiam de casa e... AAAAAAAH! – O grito agudo da mulher me assusta. Atrás dela está um deles. Ele morde seu ombro e puxa, arrancando um enorme pedaço de pele e fazendo sangue jorrar dali. Engulo em seco e desligo a TV.
– Cadê você, mamãe...? – murmuro, e me deito na cama, adormecendo.
. . .
Acordo com os resmungos de Miles. Verifico o quanto dormi, são meia-noite. Mamãe já deveria estar aqui.
Pego Miles no colo e vou para a cozinha. Deixo-o brincando enquanto preparo algo para ele comer.
Alguém bate na porta.
Estremeço e olho para a katana, de quando meu pai me colocou em aulas de esgrima, como ele fizera na minha idade. Pego-a e deixo Miles ali, brincando na cozinha, me dirigindo até a porta e abrindo-a bem devagar. Minha mãe entra, ofegante, e me empurra, entrando na casa e tentando fechar a porta. Percebo o porquê de ela estar tentando. Uma horda daqueles bichos está atrás dela, e o primeiro consegue entrar. Minha mãe solta um berro quando ele lhe morde o pescoço. Fico paralisada por um tempo, observando-o decapitar minha mãe. Meu sangue esquenta e corto-lhe a cabeça, jogando o bicho pra fora e fechando a porta, trancando-a várias vezes.
– Mamãe?! – me ajoelho ao lado dela. À essa altura Ruby já está aqui e Miles também. Pego-o no colo. – Mamãe!
Minha mãe começa a chorar. E Miles também. E eu também!
– Ah, meus queridos... – Ela funga, soluçando, quase sem conseguir falar, o que só faz eu e Miles chorar mais ainda. – Vocês deveriam saber que isso ia acontecer, mais cedo ou mais tarde, numa situação dessas...
– N-Não, mamãe...
– Linddie, meu amor, estou tão orgulhosa de você... Cuidou do Miles e da Ruby, e vai continuar cuidando, não é? Sempre uma boa filha, uma boa irmã, uma boa voluntária e boa aluna... Pessoas assim estão difíceis de encontrar... Vou sentir tanto a sua falta...
– NÃO – berro. Ruby, que está deitada ao lado da minha mãe, olhando-a tristemente, dá um pulo de susto. – M-M-Mãe...
Não sei como ela conseguira falar com a cabeça quase decapitada. Mas ela fala, em uma voz rouca, mas clara:
– Lindsey, meu amor...
– Mãe, não! Por favor, você me ensinou o básico de como salvar as pessoas, eu posso... Posso tentar te... Te salvar.
– Eu ensinei o básico. Você não pode salvar uma pessoa decapitada, não com essa idade.
– Não, não, não! – Eu balanço minha cabeça negativamente. Miles funga e se cala, mas as lágrimas ainda escorrem por seu rostinho gorduxo. – Mãe, por que as coisas precisam morrer? Todas as coisas com vida... Elas... Elas morrem.
– Porque é a lei da vida, Lindsey. Nascer. Viver. Morrer. Foi o que Deus quis para nós. Nunca contrarie Deus, confie sempre nEle, pois Ele vai te salvar, acredite. – Fez uma pequena pausa e continuou: – Salve-se, minha querida Lindsey. Orgulhe sua mãe. Não deixe a Praga te mudar. Você sempre vai ter um coração bom, querida. Prometa-me.
Em seguida, hesitante, com a voz insegura e chorosa, eu respondo:
– Eu prometo, mamãe – deito Miles ao lado de Ruby e ergo minha espada. – Eu sinto muito. – E cravo minha espada na sua testa, fazendo-a fechar os olhos... Para sempre.
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