Loving In The Dead
22 Apaixonado por você
Notas iniciais
Meu coração parece dar um salto mortal – se não deu. Eu sorrio abertamente.
–Me parece uma ótima ideia.
Ele sorri mais ainda e, com o polegar, ergue meu queixo, fazendo-o ficar rente ao dele. Então, sela nossos lábios suavemente. Abraço o pescoço dele, puxando-o para mais perto, correspondendo ao beijo com desejo – não um desejo malicioso, mas um desejo de ser amada por ele. Ele passa o dedo que antes estava no meu queixo para minha bochecha, acariciando-a, e com a mão livre ele acaricia minhas costas. Levanto mais uma mão, fazendo cachinhos com seus cabelos. Abro os olhos só por um instante, ele está com os olhos fechados, mas sorrindo. O sabor de seus lábios é tão doce...
– Lindsey... – sussurra ele, quando nos separamos.
– Sim?
– Estou apaixonado por você.
– Eu também.
Ele faz uma careta.
– Por você? Quanto amor próprio.
Rio e balanço a cabeça.
– Não, seu bobo, por você – esfrego nossos narizes. – Lembra daquele poema que escrevi? Sobre amar na morte?
Ele assente.
– Era sobre você, realmente.
Carl apenas volta a sorrir e me beija novamente.
– Eu não sei muito bem lidar com essas coisas – diz ele ao nos separarmos. – Então... Só... – Ele olha nos meus olhos. – Namora comigo, Linddie?
– Namoro, Carl Grimes – sorrio tanto que parece que minhas bochechas vão rasgar. – Claro que sim.
Outro beijo.
Nosso beijo é interrompido por uma batida na porta. Ainda estamos sorrindo quando Carol coloca a cabeça pra dentro do quarto.
– Ops – diz ela. – Interrompi algo?
Eu e Carl trocamos um olhar.
– Hmm, não, Carol – responde Carl.
– Só pra dizer que a comida tá pronta – e fecha a porta. Carl me dá um selinho.
– Vamos comer, na-mo-ra-da? – diz ele, me fazendo rir. – Que é? Eu sempre quis te chamar assim.
– Sempre sempre? – franzo a testa.
– Desde que me apaixonei por você – responde ele, se levantando, e eu me levanto junto. – Não foi, tipo, amor à primeira vista. Serve à segunda vista?
– Acho que sim.
– Foi na sua terceira semana na Prisão que eu senti algo diferente por você, naquela festa – ele cora. – Lembra que eu fiquei vermelho quando você apareceu usando aquele vestido da Beth?
– Como não lembrar? Da festa, também.
[FLASHBACK ON]
– Linddie! – chamara Beth, animada, mas me interrompendo do meu precioso sono.
– Hm? – respondi, sonolenta, e me virando pro canto.
– Levanta! Hoje vamos dar uma festa!
– Hm.
– É meu aniversário, Linddie.
– Hm.
Ela bufou.
– Os meninos vão estar bem bonitinhos hoje – riu ela. – Inclusive o Carl.
Levantei com um salto, batendo minha cabeça na cama de cima do beliche e gemendo de dor. Beth soltou uma gargalhada.
– É minha festa de quinze – contou ela. – Como você pode não se lembrar? Passei a semana toda falando sobre isso com você.
– Sério? Puxa – dei um sorriso torto. – Acho que essa semana foi tão dura que só consigo lembrar dos meus quadrinhos...
– Idiota – ela revirou os olhos. – Enfim, o Carl quer falar com você. – Ela mordeu o lábio, sorrindo maliciosa. – Ele parece bem interessado... Ah, depois vai falar comigo, vou te ajudar a se vestir.
– Eu gosto bastante das minhas roupas multrapilhas, beleza?
– Não tem essa, mocinha. É uma festa de quinze anos, não uma festinha qualquer que você só vai pra comer bolo.
Eu havia pensado em retrucar, mas fiquei quieta. Beth se retirou e eu fui correndo falar com o Carl.
– Bom dia, moço dos olhos azuis – sorri.
– Bom dia, moça dos olhos verdes – ele retribuiu o sorriso. – Beth já deve ter te contado da festa dela. Ela falou que vai ter um baile?
Franzi a testa.
– Não.
– Ah, mas vai ter – continuou ele. – Então... Eu queria saber... Hm... Se você... – Ele corou. – Quer ser meu par no baile?
– Claro – sorri timidamente. – Te vejo no baile!
. . .
Beth decidira que eu ia usar um vestido preto e longo que ia até pouco antes dos pés e tinha mangas, como estava frio. Eu não sabia de onde ela tirara tantos vestidos pra emprestar pra todo mundo, mas ela tinha – e eu não ia questionar. Maggie fizera em mim duas pequenas tranças com mechas dos meus cabelos e as juntara atrás. Beth também me emprestara uma simples e confortável preta com um lacinho da mesma cor na ponta.
Eu estava certa de que ia passar vergonha, sendo uma baixinha com uma roupa daquelas andando ao lado da aniversariante que, mesmo no apocalipse zumbi, dera um jeito de ficar espetacular.
Mas não.
Todos me elogiaram, diziam que eu estava linda.
Até eu chegar no Carl e ele me encarar de olhos arregalados. Suas bochechas tomaram um tom vermelho, me fazendo rir.
– Wow – foi o que ele dissera. Beijei suas bochechas vermelhas. – Você está linda, Linddie.
– Você também está bonito, Carl. E parece um homem.
[FLASHBACK OFF]
– A Beth estava tão feliz... – comentei enquanto Carl abria a porta. – Se não fosse aquela horda pra ter derrubado os portões... Ugh.
– Beth está em um lugar melhor agora.
Suspiro e, juntos, vamos pra cozinha. O mais estranho é mal chegar na cozinha e ouvirmos eles falando sobre nós.
– Eles estavam se beijando! – conta Carol enquanto os outros riem. Franzo a testa.
– Quem estava? – pergunto.
– Vocês – ri Daryl. – Seus safados.
Eu e Carl coramos.
– Vocês estão namorando? – pergunta Mika, com os olhos arregalados.
– Sim, Mika – responde Carl. Zoë se engasga com a sopa dela.
– Eu sabia! – exclama Daryl. – Faz quanto tempo?
– Na verdade – digo. – Carl acabou de me pedir em namoro, então faz mais ou menos uns cinco minutos.
Então começa toda a história de “felicidades ao casal!” e “boa sorte” – mesmo que estejamos todos rindo, ainda há um clima tenso que parece que vai demorar para amenizar.
De um jeito ou de outro, foi um dia feliz.
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