Notas iniciais
Originalmente postada no spirit
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Sempre que estou sozinha com você

Você me faz sentir como se eu estivesse em casa novamente

Sempre que estou sozinha com você

Você me faz sentir como se eu estivesse inteira novamente

Os raios fracos e translúcidos da luz solar adentravam por entre as brechas das janelas, iluminando suas faces rubras, encarando uma a outra, sentadas em um degrau isolado ao meio da escadaria para o segundo andar, podendo sentir seus rostos esquentarem tanto pela proximidade quanto pelo calor daquele dia quente, cujo sol brilhava mais fortemente que em qualquer outro dia. A voz grave e soturna de Jirou saia baixa e tremula, em uma melodia escrita pela mesma, recitando palavras de amor, uma eterna sinfonia de declarações, sua vergonha era perceptível pela forma que franzia o cenho e forçava-se a encarar Momo, que escondia um dos olhos com sua longa franja negra, mantendo o olhar escuro no ônix profundo da garota menor. Jirou atrevia-se apenas a mover as mãos, enroscando o dedo indicador em um dos fones em seu lóbulo, misturando com as madeixas lisas de seu cabelo arroxeado, contrastando com o vermelho que se destacava em sua complexão pálida. Seu coração sempre palpitava ao ver a vice-presidente de classe, lhe dando borboletas no estomago e causando uma cacofonia incessante em seus ouvidos, em que os palpites sussurrados por suas inseguranças eram sempre impossíveis a seu ver pessimista.

— Você realmente sente isso por mim...?

A voz feminina e baixa de Yaoyorozu cantarolava em sua mente, lhe dando calafrios da cabeça aos pés. Confirmava com um aceno positivo feito com a cabeça, havia a chamado ali por uma boa razão, por uma razão sentimental, precisava dizer o que sentia. Desde que haviam se conhecido, mesmo parecendo serem de mundos completamente diferentes, haviam conseguido saírem de suas bolhas e integrassem uma com a outra, ajudando-se mutuamente e sempre sendo pontos seguros, mas aquilo estava além de ser apenas uma amizade, havia um olhar diferente em suas alegrias, um sorriso diferente em cada felicidade, que ludibriava o sentimento de duvida em seus corações. Era um amor reciproco, um carinho digno de livros de romance, uma espécie de opostos atraídos. Nenhuma música tocava mais seu coração lúgubre do que a voz da amiga, aquela garota alta, de corpo chamativo, busto grande, cabelos longos como garras negras, que pareciam a sufocar quando se aproximava, em uma intensidade calorosa de sentimentos.

Sempre que estou sozinha com você

Você me faz sentir como se eu fosse criança novamente

Sempre que estou sozinha com você

Você me faz sentir como se eu fosse divertida novamente

Um amplo sorriso destacava-se no angelical rosto de Momo, que colocava a franja atrás da orelha, expondo seu olhar repleto de ternura. As combinações faciais eram o suficiente para derreter o amplo metal preto que cercava o coração de Jirou. Aquelas maçãs destacadas abaixo dos olhos estreitos e bem delineados, os lábios fartos e rosados, o nariz longo e fino, de ponta demarcada, era perfeita. O corpo não lhe importava, não diante de uma figura tão divina, de uma deusa inteligente, que a apoiava, que a fazia sentir-se completa, era como uma fissuração por sua presença, uma necessidade constante que lhe ensurdecia com a capacidade sonora que disparava ao ser satisfeita.

Os lábios finos e pálidos de Kyoka formavam um discreto sinal de alegria, desviando o olhar mórbido e apático, deixando surgir um mais suave e delicado semblante, seu rosto fino de nariz curto e arredondado estava vermelho como sangue, aqueles breves momentos em que se entreolhavam pareciam com uma realidade. Ao olhar de Momo, aquela era uma visão única, tão cheia de personalidade e atitude, que a fazia sentir-se segura, melhor consigo mesma, era o que chamariam de amor, algo que fazia todo seu corpo criar uma energia incomum.

A maior gerava com sua individualidade uma rosa sintética, de pétalas roxas, entregando para a outra, sorridente e alegre pela declaração, era de aquecer qualquer coração receber uma canção de amor, ainda mais cantada por uma voz tão emotiva, mas ao mesmo tempo dócil e apaixonada, não só tristonha e fria. Podia-se notar que toda a apatia desaparecia da jovem virtuosa, sendo substituída por um inocente e puro sorriso que se destacou, os olhos fecharam-se, arqueando as sobrancelhas. Antes que pudesse ter qualquer reação, estavam próximas o suficiente para seus rostos se tocarem, lhes dando uma ampla visão uma da outra, notando cada característica marcante, cada marca de expressão, cada arranhão.

Seus lábios encostaram-se, em uma macia pressão um contra o outro, era o primeiro beijo de ambas. As bocas demoraram em abrirem-se, tomando mais liberdade conforme acalmavam-se, umedecendo-se conforme deslizavam uma pela outra. As línguas tocaram-se apenas quando toda a timidez havia esvanecido e estavam confiando por completo uma na outra. Seus lábios tocavam-se em uma dançante sincronia, entrelaçando suas línguas conforme o ritmo, tendo dificuldade para se acompanharem, gerando deslizes por ser uma primeira vez naquilo, lhes fazendo dar pequenas risadas constrangidas.

As mãos pequenas de Kyoka acariciavam os ombros de Momo, que pressionava a cintura desta firmemente, podendo sentir a rosa colada entre seus bustos, sendo espremida pela proximidade que tinham cada vez mais, abraçando-se e aproveitando o caloroso momento. Ao fim daquele longo e molhado beijo, entreolharam-se, não evitando o constrangimento. Não precisavam de palavras para descreverem aquele momento, de mais declarações, aquele simples gesto havia sido a nota necessária para que toda a orquestra se organizasse da forma correta, para que todas as tablaturas se corrigissem, para que todos dançassem corretamente.



Sempre que estou sozinha com você
Você me faz sentir como se eu fosse livre novamente
Sempre que estou sozinha com você
Você me faz sentir como se eu estivesse limpa novamente

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