Lovesong
77 Capítulo 77
Notas iniciais
Medo, era que Ruby estava sentindo desde que viu Emma se despedir de seu filho. As duas se conhecem desde muito jovens. A amizade foi a primeira vista. Sempre foram cúmplices e até amantes em uma noite de bebedeira, mas nada nunca abalou a amizade. Discussões aconteceram? Sim. Verdades foram faladas, mesmo que uma das duas não gostou de ouvir? Sim. Isso é o verdadeiro sentido da amizade. Conhecer a outra pessoa a tal ponto em que é preciso ser dura e verdadeira, mas também ouve muitos momentos felizes, de ajuda, cumplicidade. Por isso mesmo, por tudo o que já se foi vivido entre elas é que Ruby conhecia muito bem Emma e graças a isso, a esse entendimento, a essa facilidade de conhecer quando há algo de errado com ela é que Ruby pode agir e salvar a vida da amiga/irmã. A morena acredita que o que Emma a fez prometer cuidar de Regina e Henry foi um pedido de ajuda inconsciente, isso por que a loira sabia que Que Ruby a conhecia e compreendia do mesmo modo que ela.
O silencio do quarto estava fazendo a morena ter tais pensamentos. Mesmo Ruby sabendo que sua amiga e Regina estavam a salvo estava sendo difícil se afastar dali. Pois, foi a primeira vez que Ruby achou que perderia a loira e sair daquele quarto de hospital estaria fora de cogitação.
A morena é trazida a realidade quando a porta é aberta por Tinker que sorrindo vai em direção a namorada e deposita um beijo calmo em seus lábios.
— Amor, você precisa comer alguma coisa. – diz Tinker acariciando o rosto de Ruby.
— Estou sem fome. – disse Ruby com um sorriso fraco.
— Você sabe que elas estão bem, não é? – insistiu Tinker.
— Eu sei, mas Cora pediu para que eu ficasse aqui até ela voltar. – disse Ruby sorrindo. – Ela está conversando com Zelena e Elsa.
Antes que Tinker falasse mais alguma coisa foi ouvido uma voz rouca invadir o ambiente.
— Emma! – chamava Regina abrindo os olhos lentamente. – Emma! – chamou mais uma vez e Tinker se aproximou da morena que tentava levantar.
— Ei, calminha ai. – disse a médica segurando Regina pelos ombros. – Achei que a bela adormecida não acordaria mais. – brincou Tinker.
— Tinker, eu preciso ver a Emma. – disse ela tentando mais uma vez se levantar. – Eu preciso vê-la, preciso saber como está. – insistiu Regina angustiada.
— Calma Regina. – disse Tinker sorrindo. – Ela está bem.
— Onde ela está?
— Está aqui do seu lado. –disse Tinker e indicou com a cabeça a loira desacordada ao lado da cama onde Regina repousava.
Regina mas que depressa olhou para o lado e sentiu os olhos marejarem quando viu que sua loira estava a salvo. Mas as lágrimas vieram a tona quando percebeu o quanto Emma estava machucada, o rosto estava inchado e tinha alguns cortes pelos braços. Foi quando estão lhe veio a mente as cenas de Daniel batendo em sua loira, lembrou do desespero que sentiu ao ver sua loira completamente indefesa nos braços daquele animal. A Reação inicial foi fechar os olhos com força para espantar tais imagens, mas assim que os abriu ela mais uma vez tentou sair daquela cama e chagar mais perto de Emma.
Ruby vendo que Regina não desistiria de sair da cama, também se aproximou e segurou a mão da morena que a olhou e abriu um pequeno sorriso. Regina sabia que de alguma forma fora Ruby que as ajudou.
— Já vi que as coisas estão mudando. Até estou ganhando um sorriso seu. – brincou Ruby.
— Obrigada! – pediu Regina.
— Não há o que agradecer. – disse Ruby.
— Como ela está? – perguntou Regina a Tinker.
— Está um pouco machuca, mas ficará bem. — Respondeu Tinker e viu Regina por a mão sobre a barriga e fechar os olhos assim que lembrou do sangramento. – Seu bebê também Regina. – respondeu Tinker e a morena abriu os olhos.
— Mas... mas eu estava sangrando.
— Sim, você sofreu um pequeno descolamento de placenta, mas conseguimos reverter a situação e seu bebê está a salvo. Porém, você como médica sabe que precisará ficar em repouso por um tempo não é? – perguntou e Regina acenou com a cabeça.
— Meu amor, a mamãe está tão feliz que você ainda esteja protegido aqui dentro. – disse Regina acariciando a barriga. – Eu prometo que vou fazer tudo para você ficar bem. Me desculpa por tudo o que fiz você passar. – Falou a morena emocionada.
[...]
— Como é que é, mamãe? – disse Zelena com um tom elevado.
— Não grita, Zel. Vai acordar as meninas. – Pediu Elsa que estava sentada ao lado dos berços das gêmeas.
A ruiva sorriu para noiva e pediu desculpas. Em seguida voltou a atenção para a mãe e falou em voz baixa, porém, irritada.
— Como isso tudo aconteceu e eu não fiquei sabendo?
— Milha filha, você acabou de dar a luz. E Emma não disse nada a ninguém. Eu mesma só fiquei sabendo quando elas já estavam aqui sendo atendidas. – Explicou Cora.
— E como elas estão? – foi a vez de Elsa perguntar.
— Graças a deus estão bem. Emma só está um pouco machucada, mas irá se recuperar logo. – disse Cora sem querer preocupar as duas a seu lado, afinal, Emma ficou bastante machucada, mas nem Elsa e Zelena precisavam se preocupar agora.
— E o desgraçado do Daniel? – perguntou Zelena.
— Bem, ele foi ferido e não resistiu.
— Pelo menos uma noticia boa.
— Zelena! – brigou Cora.
— O que mamãe? Depois de tudo o que ele fez, a senhora acha que ele merecia continuar respirando? – perguntou a ruiva com ódio.
A conversa foi interrompida por um chorinho manhoso que fez as mulheres olharem para os berços onde era possível ver uma ruivinha fazendo bico e se mexendo inquieta.
— Uma princesinha está com fome. – Disse Cora abobalhada indo em direção a neta. – Oi meu amor. Quer papar é? – disse Cora pegando a neta nos braços e falava com voz de criança fazendo Elsa e Zelena sorrirem.
Cora entregou a garotinha que chorava nos braços da ruiva e Zelena com ajuda da mãe despiu um de seus seios apoiando o mamilo nos lábios sedentos da filha. A ruivinha buscava desesperadamente por seu alimento, mas não estava conseguindo pegar o peito o que fez ela chorar alto. Com todo carinho e conhecimento que Zelena tinha, finalmente conseguiu encaixar o mamilo nos lábios fininhos da ruivinha que começou a sugar incessantemente fazendo Zelena segurar a respiração por conta da dor.
— Calma amorzinho. Assim vai machucar a mamãe. – disse Elsa se aproximando das duas e fazendo carinho nos cabelos da filha.
Como se reconhecesse a voz da mãe loira, a pequena lentamente abriu os olhos deixando as mães ainda mais apaixonadas por ela.
— Olha amor. Ela tem seus olhos. – disse Zelena emocionada.
E as três mulheres ficaram ali paparicando a princesinha que mamava calmamente agora. Assim que a pequena terminou de se alimentar como se tivesse um timer a outra ruivinha acordou aos berros. Cora pegou a garotinha dos braços de Zelena para que ela arrotasse e Elsa pegou a outra filha do berço pondo-a nos braças da noiva e diferente da irmã esse logo pegou o peito e começou a mamar.
— Essa princesinha aqui puxou aos Swan’s, comer não será dificuldade para ela. – disse Zelena e Elsa sorriu boba.
[...]
— EMMA –
Despertei sentindo uma forte dor na cabeça. Eu sentia meu corpo em um lugar macio, mas mesmo assim sentia cada músculo do meu corpo doer. Eu forçava minha mente tentando entender o que estava acontecendo, mas nada vinha em minha cabeça a não ser essa dor infernal.
Em determinado momento comecei a ouvir vozes, mas não conseguia identificar de quem era. Tentei abrir os olhos, mas minhas pálpebras não me obedeciam. Com o passar do tempo que não consegui mensurar, as vozes foram ficando mais nítidas, porém, ainda não conseguia descobrir quem estava falando.
— Ei, calminha ai. Achei que a bela adormecida não acordaria mais. – Falou uma das vozes.
— Tinker, eu preciso ver a Emma. Eu preciso vê-la, preciso saber como está. – Tinker? O que estava acontecendo? Por que a Tinker está aqui?
— Calma Regina. Ela está bem. – Regina? – Tentei falar, mas não estava entendendo por que conseguia ouvi-las e elas não me escutavam.
— Onde ela está? — minha morena perguntou e parecia aflita.
De repente as imagens do galpão invadiram minha mente. Minha morena amarrada, aquele desgraçado me batendo. Céus! O que aconteceu? Porque Regina estava daquela forma? Tentei mais uma vez chama-las, mas nada acontecia. Resolvi me mexer, levantar, qualquer coisa, mas nada funcionava. DROGA!
— Está um pouco machuca, mas ficará bem. — Respondeu Tinker – Seu bebê também Regina. — Então eu estou bem? Não morri como imaginava? E só em saber que ficaria ao lado de minha família senti um alivio, mas.... espera ai... bebê? Como assim bebê? O que aconteceu com Henry?
— Mas... mas eu estava sangrando. — Como assim sangrando? Droga! Alguém poderia me dizer o que estava acontecendo?
— Sim, você sofreu um pequeno descolamento de placenta, mas conseguimos reverter a situação e seu bebê está a salvo. Porém, você como médica sabe que precisará ficar em repouso por um tempo não é? — Descolamento? O bebê está a solvo?
— Meu amor, a mamãe está tão feliz que você ainda esteja protegido aqui dentro. Eu prometo que vou fazer tudo para você ficar bem. Me desculpa por tudo o que fiz você passar. — Gravida! Minha morena está grávida?
Tirando forças não sei de onde fiquei repetindo o nome da minha morena até ser escutada.
— Regina! – falei e agora parece que me ouviram, pois, Ruby chegou perto de mim.
— Loira! – disse minha amiga emocionada. – Que bom que acordou?
— Regina! – Eu sei que não foi educado de minha parte deixar de responder a Ruby, mas eu só queria ver meu amor.
— Calma, Emma. Ela está bem. Está aqui a seu lado. – disse Ruby.
Tentei me mover para olhá-la, porem, soltei um gemido de dor ao tentar tal movimento. No segundo seguinte vi minha morena em pé a meu lado. Sem conseguir me controlar comecei a chorar. Minha morena, minha vida, meu amor estava bem e estava a meu lado sorrindo com os olhos marejados.
— Calma amor. Está tudo bem. – disse ela docemente acariciando meus cabelos.
— Eu... ai! – iria falar, mas senti uma dor no meu lado esquerdo quando tentei mover meu braço.
— Não se mexe. Você está muito machucada. – sorriu entre as lágrimas. – Eu ficarei aqui ao seu lado, mas você precisa descansar.
Escutei minha morena falar e de repente senti meus olhos pesarem foi quando percebi que Tinker estava aplicando algo em meu soro.
— Eu amo você. – foi a última coisa que falei antes de adormecer.
[...]
Uma semana havia se passado. Eu já não sentia muitas dores, já me movia melhor. Desde que acordei não consegui perguntar a minha morena sobre o “bebê” que ela estava esperando, sempre que tentava abordar o assunto ela desviava o foco da conversa dizendo que eu não podia me esforçar. Contudo, hoje eu iria para casa e dessa vez ela não teria escapatória.
Cheguei em casa com minha morena grudada a mim. Regina e essa mania de proteção, sei que ainda sinto algumas dores, mas já consigo andar sozinha acontece que se dependesse dela não pisaria no chão.
Assim que chegamos na sala meu príncipe veio correndo em minha direção, mas Regina o pegou antes que ele me abraçasse.
— Meu amor, a mamãe está dodói, por isso não pode pular nela tá? – Perguntou Regina e Henry olhou para mim preocupado.
— Eu estou bem filho, é que essa sua mãe exagera um pouquinho. – falei sorrindo e Regina olhou para mim revirando os olhos.
— Eu vou cuidar de você mamãe. – disse ele descendo dos braços de Regina e segurando minha mão.
Seguimos para nosso quarto e sentei na cama encostando na cabeceira da cama. Henry sentou a meu lado. Regina disse que iria tomar um banho e nos deixou conversando.
— Mamãe, quem fez dodói em você? – perguntou Henry me encarando.
— Um homem mal, meu amor. Mas ele não poderá fazer mais nada ok. – disse passando segurança a meu pequeno.
— Eu vou proteger você e a mamãe e esse homem mal não vai mais machucar você. – disse ele sério o que me fez abrir um enorme sorriso.
— Ok meu salvador. – Brinquei bagunçando seu cabelo e ele gargalhou.
Ah! Como senti falta disso. Dessa risada doce e inocente do meu bebê. Fiquei apavorada quando pensei que não poderia ver mais esse rostinho que tanto amo. Fiquei com medo de não ter mais meus dois amores comigo, mas graças a Deus tudo deu certo.
Regina saiu do banho e se juntou a nós na cama. Ficamos algumas horas assistindo a um desenho e falando besteiras até que Henry disse que iria brincar no seu quarto.
Assim que meu pequeno saiu Regina se aproximou mais de mim e me abraçou com cuidado. Era maravilhoso a sensação de tê-la em meus braços.
— Amor, quando estávamos no hospital escutei uma conversa entre você e Tinker. – falei e ela se mexeu para olhar em meus olhos.
— E o que você escutou?
— Que ... você estava sangrando. – falei e ela baixou os olhos. – Ela disse que seu bebê estava bem. – falei e Regina ficou me encarando.
Percebi que ela hesitou, mas respirou fundo e sentou-se.
— Seria uma surpresa ... iria te contar no dia do nosso casamento. – Ela falou e senti meus olhos marejarem.
— Então... é verdade? Você está grávida? – perguntei emocionada.
— Sim meu amor. No dia em que fui a Boston com Mark eu não tinha nada para resolver, fui apenas fazer a inseminação e .... – Não deixei ela terminar, capturei seus lábios apaixonadamente.
Com esse movimento senti uma dor em meu abdômen, mas não me importei. Céus! Nós iriamos ter outro filho. Não sei explicar a minha felicidade naquele momento. Nós sorriamos durante o beijo, mas Regina se afastou assim que soltei um gemido de dor.
— Ei, deita você não pode se esforçar ainda. – falou ela e eu a obedeci.
Deitei e puxei minha morena para meu lado, ela repousou a cabeça em meu ombro.
— Você me deu o melhor presente de casamento. – falei sorrindo.
— Sabia que seria o melhor. – sorriu orgulhosa.
— Eu te amo, minha rainha. – disse e ela beijou meu pescoço. – Também já te amo muito princesinha. – disse acariciando sua barriga.
— Como sabe que será uma menina? – ela perguntou ainda deitada em meu ombro.
— Não sei, mas seria ótimo ter uma moreninha pela casa.
— Ou uma loirinha com seus olhos. – falou e percebi que sorria.
— Ou as duas. – disse divertida e Regina me olhou.
— Não acha que tem mulher demais nessa família?
— Não. – falei e nós duas gargalhamos.
E ficamos assim, abraçadinhas fazendo planos para nossa família. Mesmo depois de todo pavor que passamos eu sentia que tudo agora seria perfeito. Só a felicidade reinaria em nossas vidas.
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