Lovesong
53 Capítulo 53
Notas iniciais
Já haviam passado dois dias desde que Regina expulsou Emma do quarto por causa do sonho. A morena sabia que tinha exagerado e que sua loira não merecia isso, o problema é que a morena não é boa em se desculpar e para piorar Emma resolveu não questioná-la sobre o acorrido, para falar a verdade elas mal se falaram o que dificultou para a médica, se Emma chegasse em casa aquele dia e fosse falar com ela, brigar, xingar, qualquer coisa do tipo Regina teria se desculpado, seria mais fácil se Emma começasse a conversa.
Regina estava no quarto de descanso dos médicos, era madrugada e seu plantão iria até às seis da manhã, mesmo ela estando exausta não conseguia pregar os olhos a culpa não a estava permitindo dormir, ficou ali olhando a tela do celular onde havia uma foto de Emma como descanso de tela.
Faltavam poucos minutos para Regina ir para casa, ela estava sentada em uma cadeira em um dos corredores do hospital. Sua aparência estava horrível o que não foi ignorada por Tinker que estava chegando para seu plantão.
— Você está bem? – Perguntou Tinker sentando-se ao lado de Regina.
— Não, nem um pouco. – respondeu triste.
— O que aconteceu? Você está horrível. – disse Tinker assim que viu a expressão abatida da amiga.
— Eu estraguei tudo Tinker, como sempre faço. – respondeu com os olhos marejados.
— A conversa foi tão ruim assim? O que a Emma te disse para te deixar desse jeito? – perguntou preocupada.
— Ainda não conversamos. – suspirou. – Para falar a verdade nós mal nos falamos desde aquele dia. – falou baixo.
— Mas porque Regina? – Tinker fitou a amiga por alguns segundos e continuou. – Você tem que se desculpar com ela, a Emma não fez nada e merece desculpas não acha? Ela estar chateada e deve estar esperando você tomar a iniciativa e falar com ela.
— Eu sei. Mas eu não consigo me desculpar, na verdade eu nem sei por onde começar. Se ela chegasse brigando comigo ou querendo saber por que eu fui uma estúpida idiota seria mais fácil. – secou uma lágrima no rosto. – mas não, ela mal falou comigo e para piorar ela está dormindo com o Henry. –disse cansada.
— Faça o seguinte. – disse Tinker ficando em pé. – Vá para casa, acho que a detetive não saiu para o trabalho ainda. Chegue pedindo desculpas, e assim a conversa vai fluir e você vai poder falar tudo o que tem de dizer. – Disse Tinker estendendo a mão para a morena que segurou ficando de pé.
— Obrigada, você é uma ótima amiga. – Regina abraçou Tinker e saiu.
[...]
Emma estava terminando de se arrumar quando ouviu a porta abrir. Fechou os olhos reconhecendo o perfume de Regina, antes de virar respirou fundo, pois, sabia que o que ela tinha a dizer não iria agradar a morena, lentamente virou e fitou a mulher a sua frente.
— Me perdoa. – disse Regina apertando uma mão na outra. – Por favor, me perdoa. Eu sei que fui uma estúpida que.... – parou de falar quando viu uma mochila com algumas coisas da loira em cima da cama. – o que significa essa mochila? – perguntou voltando o olhar para Emma.
— Regina. – disse a loira.
— Me responde Emma. O que significa essa mochila em cima da nossa cama? – voltou a perguntar e sentiu seus ilhós queimarem.
— Vou passar um tempo na casa do David. – disse Emma indo colocar mais algumas coisas na mochila e a fechando em seguida.
— Você vai me deixar... – fez uma pausa tentando conter em vão as lágrimas. – por causa de um erro idiota que eu cometi? Um erro Emma! — disse Regina começando a se desesperar se aproximando de Emma.
— Eu não estou indo para casa do David por causa do que aconteceu a dois dias. – respirou fundo e fechou os olhos segurando as lágrimas.
— Então larga essa mochila amor e fica comigo, por favor. – disse Regina abraçando Emma.
A loira abraçou Regina e por um momento quase cedeu aos comandos do seu coração que pedia para a loira jogar Regina na cama e amá-la até não aguentar mais, porem, a razão falou mais alto, Regina tinha que entender que era a única mulher que importava para a loira, para entender que era a vida para Emma Swan.
— Senta aqui. – disse Emma fazendo Regina sentar na cama a seu lado. – me responde quantas vezes eu dei motivos para você duvidar de mim? – perguntou a loira segurando as mãos de Regina.
— Emma...
— Me responde Regina. – interrompeu a loira.
— Nenhuma. – respondeu olhando para as mãos entrelaçadas.
— Me diz quando eu deixei de dar prioridade a você e ao Henry em qualquer circunstância que seja?
— Nunca. – sussurrou Regina chorando silenciosamente.
— Nunca! – repetiu Swan triste. – E mesmo assim você não acredita em mim. Não acredita quando digo que você é a única mulher que amo. Não acredita em todas as demonstrações do meu amor por você. – secou uma lágrima que desceu de seus olhos. – Eu aceitei todas as suas crises de ciúmes, dizendo para mim mesma que iria passar assim que você me conhecesse melhor, afinal antes de você eu realmente ficava com muitas pessoas e talvez por isso toda a sua desconfiança no começo, mas estamos juntas há quase um ano, nesse tempo eu nunca menti para você Regina, desde que te conheci nunca mais olhei mulher alguma, nunca desviei do caminho de casa quando sai do trabalho porque sempre estava louca de saudades de você, sempre querendo um abraço, um beijo porque não aguentava de ansiedade para meu horário de trabalho chegasse ao fim só para ter você comigo, mesmo assim, mesmo me conhecendo melhor que todo mundo, você continua duvidando de mim.
— Emma... por favor... – disse Regina deixando suas lágrimas vir a tona.
— Eu não estou indo para a casa do David por ter sido expulsa da cama depois do seu sonho. Estou indo porque você não confia em mim, Regina. Eu sei que você passou por muita coisa e talvez por isso seja assim, mas... se pensássemos assim eu seria a pessoa que menos confiaria nas pessoas depois de encontrar minha ex-mulher me traindo descaradamente, mas eu confio em você cegamente Regina, você foi a única pessoa que fez surgir essa confiança em mim desde que a Belle fez o que fez comigo, sabe porque eu confio tanto em você? Porque eu te amo e quem ama confia, porque se não for assim não será possível existir um relacionamento duradouro e feliz... infelizmente isso não existe com o nosso, não de sua parte. E eu não quero mais discutir ou ser ignorada por você toda vez que imaginar uma mulher perto de mim.
— Você está terminando comigo? – perguntou sem olhar para Emma.
— Não. Como falei antes, estou indo passar um tempo na casa do David. Estarei esperando por você por toda vida se preciso for. Só me prometa uma coisa. – pediu a loira ficando de pé.
— Qualquer coisa meu amor.
— Só volte a me procurar quando você finalmente entender que não há nada nem ninguém que eu ame mais que você e nosso filho. Quando você entender e aceitar isso de todo coração, podemos retomar nossas vidas juntas para sempre. – Disse a loira pegando a mochila.
— Emma. – disse Regina levantando e se jogando nos braços da loira. – Não me deixa, eu vou mudar eu prometo. – suplicou com a voz entrecortada pelo choro.
— Eu te amo minha vida. – disse a loira dando um beijo demorado na testa de Regina, em seguida saiu rumo a sua antiga casa.
Emma estava com o coração aos pedaços por ficar longe de sua amada, mas ela queria que Regina percebesse que ninguém importava para a loira do que ela. Ela tem certeza que Regina a ama, mas ela quer que a morena confie nela assim como Emma confia em Regina.
[...]
Estava quase anoitecendo e Regina ainda não havia saído do seu quarto desde que Emma foi embora. Passou o dia chorando e se culpando por Emma ter saído de casa. Ela pensou em ir atrás da loira assim que ela deixou a mansão, mas lembrou do pedido de Emma, que ela só voltasse a procura-la quando aprendesse a confiar em Swan. Regina confiava em sua loira, mas para ela conter os ciúmes era uma tarefa difícil.
Cora achou estranho Regina não ter descido e resolveu verificar o que estava acontecendo. Bateu na porta e não obteve resposta, imaginou que sua filha estivesse dormindo, quando ia voltando para a sala escutou soluços e resolveu entrar. Encontrou Regina abraçada ao travesseiro chorando. A senhora aproximou-se da cama e lentamente sentou ao lado da filha.
— O que aconteceu filha? – perguntou Cora acarinhando a mão de Regina.
— Eu estraguei tudo mamãe. – disse a morena apoiando a cabeça no colo da mãe.
— Tudo o que meu amor. – Cora acariciava agora os cabelos da filha.
— A Emma foi embora. – Regina soluçava molhando a perna de Cora com as lágrimas.
— Como embora Regina? Por quê? – Cora estava surpresa. Emma e Regina formam o casal mais apaixonado que a senhora já viu, como assim a loira foi embora.
Regina contou tudo à mãe, desde suas crises de ciúmes no começo do namoro, do pesadelo até a conversa de mais cedo. Regina não parou de chorar um só minuto de seu relato o que deixou Cora aflita, a única vez que viu sua filha desse jeito foi quando todos pensaram que Henry havia morrido, naquela vez Regina entrou em depressão e Cora estava receosa pela reação da morena.
— Filha, sendo sua mãe devo dizer que dessa vez você exagerou. Mas ficar trancada aqui não vai ajudar. – Cora sabe o quão ciumenta Regina pode ser, mas fará de tudo para ajudar a morena a recuperar a loira.
— Eu não sei o que fazer mamãe, Emma é minha vida e eu a afastei de mim.
— Mas eu sei, você vai levantar dessa cama e trazer sua mulher para casa. – falou fazendo Regina sentar em frente a ela.
— Como?
— Eu vou te ajudar, mas você terá que fazer tudo o que eu disser ok? – Falou e recebeu a confirmação da filha.
Ficaram ali conversando por uns minutos até que Cora percebeu que sua menina havia pegado no sono.
[...]
Emma estava sentada em uma das mesas do Rabbit Hole com Ruby e Tinker. A loira não queria sair a noite, mas Ruby insistiu, praticamente implorou, ousou até chantagear a loira dizendo que se ela não fosse cortaria completamente o laço de amizade das duas.
Já fazia uma hora que estavam ali e a loira não falava nada, apenas bebia um copo atrás o outro, tentando assim amenizar a dor no peito por estar longe de sua morena, toda vez que Emma lembrava de Regina chorando pedindo para a loira não abandoná-la, seus olhos ficavam úmidos, mas esse foi a única maneira que a loira encontrou para Regina controlar seus ciúmes exagerados. Se ela achava que ia dar certo? Emma não sabe dizer, mas pelo menos é uma tentativa de viver em paz com Regina.
Tinker não sabia o que havia acontecido, Ruby não falou nada para ela, a médica só recebeu uma mensagem da namorada pedindo para encontrar ele e Emma na casa de Show. Com receio de perguntar algo indevido a Emma, ela abraçou Ruby e começaram a conversar em sussurros, para a loira não ouvir.
— O que aconteceu para a Emma estar assim? – Perguntou Tinker.
— Ela saiu de casa.
— Mas por quê? Regina disse que iria falar com ela hoje. Elas terminaram? – Tinker estava surpresa.
— Não. Emma pediu um tempo para que Regina aprenda a confiar nela, os ciúmes da morena já estava demais.
— Regina deve estar devastada, hoje pela manhã estava muito mal sem saber como se desculpar com Emma. – disse Tinker triste pela amiga.
— Emma não está diferente. — disse Ruby a as duas viram Emma Virar mais uma doze de tequila.
Tinker começou a puxar conversa com Emma, mas a loira parecia não estar ali, só respondia as perguntas que a médica fazia com respostas curtas. Alguns minutos depois e mais dozes de tequila, Ingrid aparece na mesa toda sorridente para Emma.
— Olá detetive, veio sozinha hoje? Resolveu deixar a fera em casa? – perguntou divertida.
— Não ouse falar da Regina. – disse a loira se levantando.
— Calma foi só uma brincadeira. – disse Ingrid levantando as mãos em sinal de rendição.
— De muito mau gosto. – falou ríspida. – Obrigada meninas pela noite, mas já vou indo. – disse direcionando o olhar para o casal a sua frente.
Emma saiu andando pelas ruas de Storybrooke lentamente, não devia ter bebido tanto, estava se sentindo um pouco tonta. Andou por alguns minutos e quando deu por si estava em frente à mansão, olhou para a janela de seu quarto e percebeu que as luzes ainda estavam acesas, pegou o celular para ver as horas e já passava das duas da manhã. A vontade de entrar e dormir abraçada com sua morena era enorme, mas não iria fazer isso, ela pediu um tempo para Regina e iria respeitá-lo, iria esperar sua morena ir procura-la quando estivesse pronta para confiar nela totalmente. Resolveu ir embora, mas antes deu uma última olhada para a janela.
— Eu te amo minha vida. Dorme bem. – disse com um sorriso triste.
Emma começou a caminhar em direção a casa de seu irmão. Ela havia conversado com Elsa, David e Mary sobre o que aconteceu e sobre sua decisão, disse que Henry ficaria com a mãe morena, pois, não seria justo tirá-lo de casa, de sua rotina por causa de uma decisão dela. A loira almoçaria com ele todos os dias e tentaria fazer com que o garoto entendesse o que estava acontecendo.
Emma estava a poucas quadras da casa dos irmãos quando sentiu uma tontura forte, a ponto de ter que se apoiar na parede para não cair.
— Droga! Não deveria ter bebido tanto. – falou baixo.
— Concordo com você detetive Swan. – Emma não conheceu a voz e virou rápido, esse movimento fez a tontura aumentar e a ultima coisa que sentiu foram braços lhe segurando.
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