Lovesong
27 Capítulo 27
Notas iniciais
—Elsa-
Zelena aproximou seus lábios dos meus lentamente, fechei os olhos esperando apenas o contato, e quando seus lábios tocaram os meus tive que ser forte para que minhas pernas não cedessem. Ela pôs as mãos em minha cintura me puxando mais para si, senti sua língua pedindo passagem e quando concedi pude sentir fogos de artifícios explodindo em meu peito, a língua dela se enroscando na minha me fez enlouquecer. Coloquei meus braços em volta de seu pescoço aprofundando o beijo. Céus como é bom beijar essa mulher. Comecei a sentir meu corpo arrepiar e inevitavelmente comecei a ficar excitada, e como um choque voltei a realidade. Eu não poderia me entregar assim, não poderia ficar tão a mercê de meus desejos. Se ela descobrisse sobre mim também iria me rejeitar como os outros, como Will. Me afastei dela e percebi ela arqueado uma sobrancelha confusa.
— O que foi querida? Foi rápido demais? Desculpe eu... – Ela estava nervosa.
— Não... tudo bem, eu só preciso ir ao banheiro. – Falei rápido.
— Você está bem? Quer que eu vá com você? – Perguntou vindo em minha direção.
— Não... me espera na mesa. Eu já volto. – A vi concordar e segui para o banheiro.
Chego ao banheiro e dou graças a deus que está vazio, me apoio no balcão e respiro fundo tentando me acalmar, o que eu estou fazendo? Zelena é uma mulher experiente, vivida, provavelmente já teve em sua cama muitas pessoas, não é possível que ela esteja interessada por mim de verdade, uma menina que não tem experiência nenhuma nesse assunto. Molho a mão e passo em minha nuca, me olho no espelho e abro um sorriso lembrando do beijo, aquela ruiva quer me matar que beijo foi aquele? Ela tem os lábios mais gostosos de todos que já provei, ta ok que não foram tantos assim, mas enfim, são deliciosos. Após alguns minutos no banheiro e mais calma decido voltar, dou um jeito no cabelo e saio do banheiro.
Quando estou caminhando no corredor lotado de pessoas sinto meu braço ser puxado bruscamente e minhas costas baterem na parede.
— Ora, Ora, o que temos aqui? – congelo ao ouvir sua voz. –Qual o coitado iludido que está com você hoje?
— O que você quer Will? Me solta. – sinto meus olhos umedecerem ao lembrar do quão cruel ele foi comigo da última vez.
— O que você está fazendo aqui? Coisas como você não deveriam sair de casa nunca. – falou sorrindo, senti minhas lágrimas descendo sem que eu tenha permitido, não entendo o que fiz para ele me tratar assim. Tentei me soltar de seu agarre, mas foi em vão.
— Me solta seu crápula! – Gritei tentando me recompor, mas ele continuava rindo debochadamente.
— Você até que é bonitinha, pena que veio com defeito de fábrica. – Disse apertando meu seio direito, senti um nojo enorme desse delinquente, como pude um dia gostar de alguém assim?
Quando penso que não tenho como me livrar de seus insultos vejo um punho acertar em cheio seu nariz o fazendo cair. Em segui sinto braços me envolvendo, é ela, minha ruiva.
— Você tá bem loirinha? Esse idiota te fez algo? – Perguntou e minha única atitude foi abraça-la e em seus braços me permiti chorar. – Calma minha menina... ele não vai te fazer mal, eu não permitirei. – sussurrou para mim.
— Você quebrou meu nariz sua idiota. – Gritou Will levantando com a mão no rosto.
— Da próxima vez que você chegar perto dela novamente, você vai desejar nunca ter nascido. – Falou Zelena com ódio na voz.
— Quero ver se você continuará com essa atitude quando descobrir a aberração que ela é. – senti toda a tristeza que é possível sentir naquele momento essa palavra sempre me atormentou, não entendo de onde vem o prazer de algumas pessoas em magoar outras. Zelena tentou ir pra cima dele, mas eu a segurei. Ela olhou para mim e me beijou na testa.
— Vem, vou te levar para casa. – ela me puxou pela mão e me tirou dali.
— Zelena –
Achei estranho a demora da Elsa, será que eu fui muito rápido e acabei a assustando? Droga Zelena! Poderia ter se controlado mais. Mesmo com receio da reação da loirinha fui procura-la no banheiro. Ao chegar no corredor onde ficam os banheiros vejo aquele idiota da outra noite prendendo a Elsa contra a parede e falando algo que não consegui ouvir, mas vejo minha menina chorando e isso me corta o coração, sem pensar duas vezes vou pra cima dele e lhe dou um soco que o faz cair em seguida a abraço.
— Você tá bem loirinha? Esse idiota te fez algo? – Perguntei e ela me abraçou e chorou muito. – Calma minha menina... ele não vai te fazer mal, eu não permitirei. – Disse lhe passando confiança que a protegeria desse idiota.
— Você quebrou meu nariz sua idiota. – Gritou Will levantando com a mão no rosto e sorri discretamente ao perceber o quanto estava sangrando, provavelmente quebrei seu nariz.
— Da próxima vez que você chegar perto dela novamente, você vai desejar nunca ter nascido. – Falei querendo bater ainda mais nele.
— Quero ver se você continuará com essa atitude quando descobrir a aberração que ela é. – Eu ia acabar com esse delinquente, era isso que ele estava pedindo, mas minha menina me segurou e então eu recuei. Olhei em seus olhos lhe beijei a testa.
— Vem, vou te levar para casa. – Disse e a tirei daquele lugar onde todos nos olhavam.
O caminho até a casa dos Swan’s foi em completo silencio como da última vez. Quando parei o carro ela saiu correndo e entrou na casa, eu olhei para porta por alguns segundos e resolvi que precisava falar com ela. Desci do carro e quando ia batendo na porta ela se abre e Mary me olha sem entender o que havia acontecido.
— O que houve Zelena? Por que ela chegou desse jeito? – Perguntou a morena.
— O ex... – Falei e ela pareceu entender. – Eu preciso falar com ela.
— Não sei se é uma boa ideia, quando ela está assim só aceita a Emma perto dela. – falou receosa.
— Por favor Mary. – implorei.
A mulher me guiou até o andar de cima e paramos em frente a porta que julguei ser do quarto de Elsa. Dei três batidas e após uns segundos escuto ela dizendo que quer ficar sozinha, percebo que sua voz está embargada. Giro a maçaneta e a porta se abre. Elsa está deitada na cama agarrada ao travesseiro. Fecho a porta delicadamente e caminho em sua direção.
— Minha menina... – Falo com medo de sua reação.
— O você tá fazendo aqui? – Me olha e vejo surpresa e medo em seus olhos.
— Vim ver como você está.
— Vai embora por favor. – Falou e voltou a chorar.
— Você não deveria ficar assim, por conta das coisas que aquele crápula falou. – Disse e sentei na beirada da cama.
— Mas ele tem razão, ninguém nunca vai me querer.... Eu sou mesmo uma aberração, que todos rejeitam. – Gritou e tentou se levantar, mas a segurei e a fiz me encarar.
— Nunca mais repita isso... Você é uma menina linda, carinhosa e sua família ama muito você. Só porque você tem uma anatomia diferente das demais mulheres não faz de você uma aberração, pelo contrário te faz alguém especial. – Percebi surpresa em seu olhar.
— Mas... como... – Perguntou confusa.
— Eu percebi quando estávamos nos beijando... você ficou animadinha demais. – Sorri e ela ruborizou.
— Você não quer se afastar de mim também, sabendo que ... sou uma mulher que possui um pênis onde deveria ter outra coisa? – Pergunta baixando o rosto em uma expressão de pura tristeza que fez meu coração se partir em vários pedaços.
Toco em seu queijo com meu indicador fazendo com que ela olhe para mim — Não minha menina, pelo contrário. – acaricio seu rosto e toco seus lábios com os meus suavemente. – Me encantei por você, pela pessoa que você é, por essa meiguice em seu olhar, por essa mulher com um jeito inocente, por esse corpo maravilhoso. – brinquei com ela e vi um sorriso envergonhado em seus lábios. – o fato de você ser intersex não muda o que você é, não muda a sua essência Elsa, muito pelo contrário como disse antes, te faz ser muito, muito especial e nunca... nunca permita que alguém diga o contrário, esses idiotas que te fizeram sofrer por todos esses anos com insultos e atitudes rudes são uns imbecis, não permita que eles te afetem. – a puxei para um abraço apertado e senti suas lágrimas molhando meu ombro. – Você é uma mulher muito especial Elsa, lembre-se sempre disso.
Quando percebi que Elsa estava mais calma, fiz com que ela deitasse na cama fiquei acariciando seu rosto delicado enquanto ela me olhava, como se quisesse me dizer algo, sorri para ela e beijei seus lábios, sei que parece que estou me aproveitando de uma garota que está em um momento frágil, mas não consigo ficar longe dela e depois de hoje eu só quero protegê-la.
— Deita aqui comigo... – pediu ao terminarmos o beijo.
— Claro loirinha, se me garantir que seus irmãos não irão me matar amanhã. – Falei com um falso medo no rosto, o que a fez sorrir.
Tirei meus saltos e deitei a seu lado, acomodando minha loirinha em meus braços, ela deitou a cabeça em meu ombro e enlaçou minha cintura com o braço, levantei minha mão para acariciar suas costas e senti uma forte dor, quando a olhei meus dedos estavam ficando roxo, droga aquele imbecil quebrou meus dedos. Após alguns minutos percebi que a respiração de Elsa começou a ficar pesada. Sorri sentindo meu coração se aquecer por ter a loirinha que tanto me perturbou nessas últimas semanas aqui em meus braços que esqueci até a dor em minha mão.
— Você ainda estará aqui quando eu acordar? – perguntou em um sussurro.
— Claro que minha menina, durma tranquila. – falei e beijei seus cabelos.
— Emma –
Estou preparando um jantar para minha rainha, não é nenhum banquete, afinal, sou um desastre na cozinha então resolvo fazer a única coisa que sei, panquecas não é um cardápio romântico, mas vai matar a fome. Minha morena ainda está dormindo ela ficou exausta depois que fizemos amor.
Ponho as panquecas na mesa junto a uma jarra de suco de maçã, pois sei que ela ama, café e chocolate quente. Agradeço muito a Ruby por ter deixado tudo aqui minutos antes de chegarmos, fora ela inclusive que acendeu as velas aromáticas a meu pedido. Acendo a lareira, pois, a noite aqui é um pouco fria, em seguida vou tomar meu banho, visto minha calça de moletom cinza e uma regata branca, quando estou saindo do banheiro encontro Regina enrolada no lençol, com os cabelos bagunçados e uma carinha fofa de quem ainda está com sono, a abraço e dou um beijo calmo em seus lábios.
— Senti sua falta na cama. – Falou toda manhosa e com um bico lindo que deu vontade de morder.
— E por isso saiu toda sexy enrolada nesse lençol? – Sorri e rocei os lábios em seu pescoço.
— Onde você estava que abandonou sua namorada depois da primeira vez que fizemos amor. – me encarou com um falso ar de raiva.
— Mas eu não te abandonei minha namorada, fui faze nossa janta, você que despertou antes da hora. – sorri. – Agora vai tomar banho que vou terminar de preparar a mesa.
Após o jantar, peguei um vinho e duas taças e fomos para sala, sentamos no tapete em frente a lareira, servi o vinho em nossa taças e sentei com Regina entre minhas pernas, ela encostou as costas em meu peito e repousou a cabeça em meu ombro.
— Amor... de quem é essa cabana? – Perguntou depois de tomar um gole de seu vinho.
— É da Granny, ela morava aqui antes de abrir a pousada. – Respondi acariciando seu braço.
— Então foi isso que você estava falando com Ruby aquele dia? – Sorri com a pergunta dela, sabia que ela ainda iria voltar a esse assunto.
— Ainda isso minha ciumentinha linda? – Disse e ela se aconchegou ainda mais em meus braços.
— Não é ciúmes, foi só... curiosidade.
Peguei nossas taças e pus no chão ao nosso lado a apertei em um abraço gostoso e beijei seu pescoço delicioso.
— Emm... fiquei tão feliz com nosso filho me chamando de mamãe. – Disse minha morena e pelo tom de sua voz percebi que ela estava emocionada.
— Ele te ama meu anjo, eu já falei que é difícil para os Swan’s resistir aos Mills. – dei uma leve mordida em seu ombro. – Linda eu estava pensando, que já tá na hora de contar a verdade para o Henry. – Percebi minha morena inquieta nos meus braços.
— Tem certeza que é hora Emm? Não sabemos ainda quem tirou o Henry de mim. – Eu sei que ela tem razão, ficamos em silencio por alguns segundos, então decido mudar de assunto.
— Amor, você já pensou sobre o que falei em comprar uma casa na cidade? – Ela me encarou.
— Pensei sim, inclusive temos uma visita essa semana a uma casa, você irá comigo, vai ser na quarta. – Fiquei feliz em saber que ela não vai mais por aquele caminho deserto toda noite, ultimamente estou sentindo uma sensação estranha e não sei porque.
— Ok madame! – brinquei – é bom mesmo eu estar presente, pois, irei ver se na vizinhança não tem nenhuma vizinha gostosa com quem eu tenha que me preocupar.
— Boba, você sabe que eu te amo e só tenho olhos para você. – Se virou e sentou em meu colo, uma perna de cada lado do meu corpo e agora vou mostrar isso a você para que não tenha dúvidas.
Regina segurou meu rosto com as duas mãos e aos poucos foi aproximando nossas bocas, fechei os olhos e avancei em sua direção, mas ela recuou, abri os olhos tentando compreender o porquê de ela ter recuado, Regina me fitava com os olhos marejados, porém com um sorriso nos lábios, o que me fez sorrir também.
— Você tem noção... do quanto eu te amo ... Minha Emm? – Disse e me beijou, um beijo calmo, delicado, um beijo de amor.
Delicadamente deitei minha morena no tapete e me pus por cima dela, me desfiz de nossas roupas e em poucos minutos estávamos nos amando como gostávamos, a noite foi pequena para tantos orgasmos que proporcionamos uma a outra. Adormecemos exaustas quando o sol já estava despontando no horizonte. Após o almoço e a um delicioso banho no riacho com direito a mais gemidos e alguns orgasmos voltamos a cidade. Mais uma semana iria começar para os moradores de Storybrooke, mas para Regina e para mim seria a primeira semana de acontecimentos que iriam mudar nossas vidas para sempre.
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