Notas iniciais
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Angie apagou assim que foi retirada de seu apartamento.

Quando acordou, estava num lugar escuro e quente. Ao fundo, via um leve brilho vermelho.

Seus braços estavam acorrentados acima de sua cabeça. Suas pernas estavam presas por uma espécie de corrente.

– Bom dia! – exclamou uma voz grave. Era a mesma voz do homem que havia invadido seu apartamento. Ela procurou de onde a voz havia vindo, mas não viu nada.

– Quem é você? Onde eu estou? – questionou. Suas mãos e pés estavam começando a doer.

– Meu nome é Belial – respondeu a voz – Sou o primeiro príncipe do inferno, que é onde você está.

Eu só posso estar sonhando, pensou, mas não se lembrava de ter ido dormir.

– Isso não é um sonho Angelique.

– Porque eu não posso te ver então?

Uma fumaça amarelada surgiu do chão na frente dela e começou a formar uma silhueta humana, ou quase. Era um dos homens que havia entrado no apartamento dela, só que dessa vez ele tinha asas enormes e negras saindo de suas costas, sua pele parecia ser feita de rochas e seus olhos eram de um amarelo vivo.

– Agora você pode – disse ele, com um sorriso que revelava seus dentes, que eram presas enormes.

Ela não respondeu, mas pela sua expressão de choque dava para perceber que estava aterrorizada.

– Por isso eu não apareço para vocês mortais – disse ele – A forma real de um demônio por si só já causa dor e sofrimento a quem a vê.

Os olhos de Angie estavam petrificados, encarando-o. Ele se aproximou dela. O suficiente para ela sentir seu cheiro. Um forte cheiro de enxofre.

– Lamento ter de fazer isso, mas ordens são ordens.

Uma lâmina de prata surgiu em sua mão e ele encostou sua ponta no rosto de Angie. Seus olhos estavam lacrimejando, seu rosto tomou uma expressão de súplica, implorando para que ele não a matasse.

– Não se preocupe – disse ele, lendo sua expressão – Não vou te matar. Apenas torturar.

Ele desceu a lâmina e olhou para as correntes nas mãos de Angie. Ele voltou a forma humana e ela retomou sua consciência. As correntes se transformaram em uma cobra negra e de aparência rochosa. A cobra se contorcia em seus braços e os esticaram, em posição de cruz.

Angie gritava, apavorada.

Belial voltou a se aproximar dela e encostou a lâmina em seus pulsos. A cobra desceu pelo corpo dela e se prendeu em sua perna esquerda, apertando-a com força.

Angie sentiu a lâmina perfurar sua pele e se contorceu de dor. Belial olhava para ela com um olhar maléfico e sanguinário. Retirou a lâmina e a lambeu com uma língua enorme e bifurcada, sorrindo. Segurou a lâmina firmemente e com um movimento rápido arrancou a mão de Angie, se banhando em seu sangue. Angie de imediato não sentiu nada, mas assim que olhou para sua mão esquerda, notou que ela não estava mais ali, mas sim no chão, em uma poça de sangue. Seu sangue jorrava de seu pulso e ela gritava e se contorcia de dor.

Belial sorriu novamente e a mão de Angie ressurgiu em seu pulso, fazendo toda a dor desaparecer. Ele a arrancou novamente, junto com a mão direita, mas dessa vez nenhuma delas retornou. Novamente Angie gritou e se contorceu, desesperada. Belial cortou seu pulso e colocou o sangue em uma tigela que apareceu flutuando na sua frente. A boca de Angie se abriu contra sua vontade e ele despejou seu sangue nela, fazendo ela se engasgar e se afogar.

O sangue desceu corroendo sua garganta e seus órgãos. Assim que o sangue parou de descer, ela tentou gritar. Porém não conseguiu.

– Sangue de demônio – disse ele – Parece que você está bebendo fogo, não é?

Angie começou a acreditar que não estava sonhando. Era tudo muito real, principalmente a dor. Rezava por socorro. Um socorro que não veio.

Belial continuou se divertindo com seu corpo, desmembrando-a e fazendo seus membros retornaram, só para poder cortá-los de novo.

E assim horas se passaram. E a dor se tornava cada vez mais castigante.

De repente, uma fumaça vermelha começou a se formar atrás de Belial, tomando a forma de uma mulher alta e ruiva, com olhos verdes em um vestido de seda vermelho.

– Belial, Belial – disse a mulher, em tom de desaprovação.

– Abaddon! – exclamou ele, se virando, visivelmente aterrorizado.

– Essa é a hora que você corre – disse ela, sorrindo. Sua imagem tremeluziu e se transformou em um esqueleto ensanguentado, ainda dentro do vestido. Ela voltou ao normal segundos depois. Belial tentou desaparecer em fumaça, mas aparentemente não conseguiu.

– Não achou que seria tão fácil fugir de mim? Achou? – disse ela.

Belial começou a correr, desesperado. Abaddon foi andando calmamente até ele.

– Logo Azazel virá lhe ajudar humana – disse Abaddon, ao longe.

Isso deveria fazer ela se sentir melhor, porém não fez. O sangue de demônio ainda corria em suas veias, fazendo seus músculos se retesarem de dor.

Logo em seguida, o chão começou a tremer e uma fumaça negra tomou a forma de Jake em sua frente. Ele colocou a mão em sua testa e toda a sua dor sumiu. Ele estava com uma expressão de horror no rosto.

– O que está acontecendo? – conseguiu dizer.

– Algo muito ruim – respondeu ele. Ele a soltou e a ajudou a se levantar.

Apoiou Angie em seus braços e desapareceu.