Lovers on the sun

2 Primeiro beijo


Ao saírem da lanchonete, um vento suave e gélido lhes atingiu. Jake lançou um olhar preocupado para o horizonte, como se tivesse visto algo que o assustou.

– Tudo bem? – perguntou Angie, notando sua aflição.

– Tudo sim – respondeu ele, voltando a olhar para ela com um sorriso.

Seguiram rapidamente ao prédio onde ela morava. Ao ver a fachada do prédio, ele deu um passo para trás e olhou para cima.

– Prédio bonito – falou, finalmente.

– Devo discordar – disse Angie.

Ele voltou a segurar a sua mão delicadamente. Suas mãos não estavam mais tão quentes quanto antes. Entraram no prédio e seguiram para o elevador. Quando o elevador chegou, subiram até o andar do apartamento de Angie em silêncio.

Ela abriu a porta de seu apartamento lentamente. Ao entrar, disse a Jake se sentir em casa.

– Isso não seria agradável para nenhum de nós – respondeu, baixo o suficiente para ela não ouvir. Entrou no apartamento com passos lentos, calmos.

A porta levava diretamente a sala de estar. Um sofá vermelho com três lugares e várias almofadas acinzentadas com estampas de cidades ficavam na frente de uma televisão de 72 polegadas em uma estante de mogno. Um Xbox One ficava logo abaixo da televisão, ao lado de um blu-ray player. As paredes eram de um preto azulado que davam uma sensação vertiginosa a quem as fitava por muito tempo. O piso era revestido por um carpete castanho-claro. Atrás do sofá havia uma parede pouco mais alta que ele, feita de blocos de vidro, com um balcão de madeira em cima. A cozinha tinha paredes xadrez de ladrilhos pretos e brancos. Havia um balcão de mármore com armários embaixo e um fogão de cinco bocas no meio, uma geladeira do lado esquerdo do balcão e uma pia do lado direito e armários de mantimento em cima. Na divisória de vidro com balcão de madeira haviam três cadeiras, possibilitando a vista da televisão a quem estava sentado ali. Ao lado da sala e da cozinha havia uma parede a três metros de distância, com duas portas, uma na frente que era a entrada para o quarto e outra atrás, que era a entrada do banheiro. Ao lado da cozinha e atrás da porta do banheiro havia uma mesinha de centro com um aquário de peixes dourados que Jake ignorou completamente. Ao centro da parede, atrás do aquário havia uma janela com as persianas fechadas.

Ela perguntou se ele gostaria de beber ou comer alguma coisa, mas como ele recusou ela se sentou no sofá e fez um sinal convidando ele para se sentar também. Ele se sentou ao seu lado e ela ligou a televisão num canal de notícias com um volume consideravelmente baixo.

– Então, conte-me mais sobre você – disse ela, virando-se para ele – O que um demônio faz?

– Você definitivamente não gostaria se eu dissesse – disse ele, com um sorriso suspeito – Eu posso lhe contar, desde que você conte sobre você primeiro.

– Bem, eu era secretária em um escritório de advocacia até ser demitida hoje à tarde devido um corte de orçamentos. Adoro ver tv, assistir filmes e jogar videogames, como já deve ter notado – disse, apontando para a estante com a cabeça.

E assim seguiram boa parte da noite. Jogaram conversa fora, tomaram café, comeram chocolate e jogaram videogame. Nenhum dos dois perceberam o tempo passar. Eram, mais ou menos, 2 horas da madrugada quando Jake se inclinou para ela com uma expressão apaixonada e a beijou. Ela se surpreendeu com sua atitude, mas se surpreendeu ainda mais por se entregar ao beijo, mesmo que inconscientemente.

Se beijaram por um longo tempo. Jake deslizava suas mãos sobre o corpo de Angie, de sua nuca até seus quadris.

Alguns instantes depois, ouviram uma batida forte e rápida na porta. Assim que Angie se levantou, a porta explodiu em estilhaços com uma nuvem de fumaça e dois homens idênticos entraram, com um olhar furioso no rosto, fitando Jake.

– Belial! Alastair! — disse Jake, se levantando. Estava obviamente apavorado e aterrorizado – Eu... eu posso explicar.

– Não quero suas explicações! – disse um deles, com uma voz extremamente grave e assustadora, que fez o cérebro de Angie se retesar no crânio.

Ambos foram lentamente em direção a ela, Jake tentou impedir, mas um deles levantou a mão e com isso Jake foi jogado para longe, batendo com força na parede. Chegaram até ela e seguraram seus braços fortemente, fazendo ela gritar de dor e desespero.

– Deixem ela em paz! – ordenou Jake.

– Essa mortal irá pagar pela sua tolice. Espero que esteja ciente de quem é o culpado.

Com isso, ambos desapareceram em uma nuvem de fumaça, levando Angie com eles.