Notas iniciais
Algumas referências ao Supernatural (série) aqui e ali. Espero que gostem.

Assim que o Tulpa concordou, relutante, Azazel restaurou a casa em um piscar de olhos. A garota dormia tranquilamente em sua cama, uma vez que não tinha mais nada a perturbando.

– Como devo lhe chamar? – perguntou ao Tulpa.

– Isso depende – respondeu, depois de alguns segundos – Como sua mãe se chama?

Azazel olha nos fundos dos olhos do Tulpa, dentro da sua alma.

– Minha mãe se chama Alice. Você se chama Samuel. É escute bem o que vou dizer, pois só vou dizer uma vez. Nunca mais fale de minha mãe, ouviu?

– Como se fosse algo importante falar algo daquela porca imunda – disse, colocando as mãos na cabeça, incomodado com a presença de Azazel dentro de si.

Azazel enviou um turbilhão de imagens a mente de Samuel. Todas extremamente traumatizantes e aterrorizantes. Se aproximou dele e colocou a mãe em sua barriga, que atravessou sua pele. Mexeu furiosamente nos órgãos dele, destruindo todos e os refazendo, em processo extremamente doloroso. Samuel tentava gritar de dor, mas não conseguia.

Enquanto o matava lentamente e o revivia novamente, Azazel o fez ver ele mesmo sendo torturado pela eternidade no inferno, sem uma segunda chance. Quando finalmente parou, olhou para ele e perguntou:

– Fui claro?

– S-sim – gaguejou, caído de joelhos no chão, tossindo e vomitando sangue, tentando se recuperar.

– Bom. Agora, o que devemos fazer?

– Primeiro, achar a porta do céu. O que não vai ser fácil – disse, ao se recompor e finalmente levantar – Acho que deve ficar em algum lugar em Los Angeles, mas não tenho certeza.

O ambiente em volta deles mudou rapidamente. Estavam em um parquinho para crianças cercado de árvores e com alguns pais brincando despreocupados com seus filhos.

– A porta fica logo ali, naquela casa – disse Azazel, apontando a uma casinha de brinquedo com duas garotinhas brincando de boneca dentro.

– Ok. O próximo passo é atravessar ela sem sermos notados. O que será muito mais complicado. Devemos passar despercebidos pelos anjos que a guardam. Consegue ver algum?

– Você está ficando bem prestativo de repente, não é?

– Só quero ir pra casa.

– Aqueles dois são anjos. Uriel e Hannah.

– Pode distraí-los?

– Definitivamente não. Não há nada que um demônio possa fazer contra um anjo. Além do mais, esse é seu trabalho. Ou devo lembra-lo do motivo de estar aqui?

– Ok, ok. Entre na casa e me espere lá dentro, vou tentar manda-los para longe.

– Parece bom. Boa sorte.

Segundos depois duas garotas correram para longe da casa em desespero, procurando seus pais. Samuel chegou no casal disfarçadamente, como quem não queria nada.

– Com licença senhor, e senhora – disse, olhando para ambos com piedade.

– O que quer demônio? – perguntou Hannah, grosseira.

– Isso é rude. Sou apenas um Tulpa e estou perdido. Gostaria de saber como posso, e se posso, subir para o andar de cima e me confessar ao Pai. Cansei dessa vida.

– Acha que não vimos você e o demônio tramando logo ali? Não somos idiotas – disse Uriel.

– Nós dois nos arrependemos profundamente de nossas ações. Gostaríamos de nos confessar ao Senhor, como disse.

– Tudo bem – disse Hannah, convencida. Mas se fizerem qualquer coisa, mandaremos os dois direto ao inferno, sem pensar duas vezes. Estamos entendidos?

– Sim senhora.

– Uriel, fique aqui protegendo a porta. Vou levar o lixo e já volto.

Hannah levou Samuel até a casa, onde Azazel estava esperando, com sua lâmina prateada em mãos. Assim que Hannah abriu a porta, ele escondeu a lâmina em seu casaco.

Ela lhe lançou um olhar de desaprovação e ódio suficientemente assustador para lhe causar um arrepio horrível na espinha. Ela era extremamente bela, assim como todos os anjos.

Ela e Samuel entraram na casa. Hannah fechou a porta atrás de si e tirou um cordão de seu pescoço, com um pingente de espada nele. Segurou a espada e murmurou algumas palavras que nenhum dos dois entendeu. Uma luz branca se acendeu dentro da casa. Uma sensação de queimação invadiu seus corpos e, instantes depois, estavam em uma sela de concreto e grades de metal, cercados por guardas angélicas e por Hannah, que estava em sua frente.

– Se meu pai quiser falar com vocês, ele virá em instantes – disse ela – Caso não, irei mandar vocês embora. Entenderam?

– Não somos idiotas – disse Azazel, olhando desaprovador para os guardas, que eram 12.

Hannah desapareceu. Os guardas ficaram ainda mais próximos das grades, encarando-os. Samuel tremia, assustado.

– O que estamos fazendo em uma cela? – perguntou.

– Até parece que eles iam deixar um demônio circular por aí no céu – respondeu.

– Tenho um plano – a voz de Azazel entrou na cabeça de Jake novamente, lhe explicando o plano. Uma lâmina igual a de Azazel apareceu na manga do casaco de Samuel.

Azazel sumiu, deixando ele dentro da cela, apavorado.

Reapareceu segundos depois, atrás de um dos guardas, enfiando a lâmina em suas costas. O anjo gritou e uma luz branca muito forte e brilhante atravessou as celas. O anjo desapareceu.

Samuel estava agora na frente das grades, mas não sabia como. Partiu para cima do primeiro anjo que viu e enfiou a lâmina em seu queixo, atravessando seu crânio. A mesma luz fez todo o lugar tremer e reluzir. Assim que terminaram com todos eles, Hannah apareceu na frente deles. Olhou para eles, visivelmente surpresa.

– Meu pai vai vê-los agora. Boa sorte.

A voz de Azazel entrou em sua cabeça. Seu pior pesadelo acaba de se tornar realidade. Boa sorte. Ela lhe encarou, sem entender. Um demônio solto nos céus, que maravilha. Já imagino o que vão fazer com quem o deixou entrar. Lembra de Gadriel? Acrescentou.

Hannah lhe olhou amedrontada.

12 de seus irmãos acabaram de morrer graças a mim, continuou. Olhou para Samuel e enfiou a lâmina em seu peito. O Tulpa queimou em agonia e desapareceu. De quem será a culpa?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.