Notas iniciais
Olá, meu nome é Alexya sistema imunológico baixo e eu fico doente a cada três semanas. E U S E I, o capítulo demorou e tals. Mas eu fiquei doente novamente e eu também sou um membro inútil da sociedade que não faz nada da vida. Eu reescrevi esse capitulo uma três vezes até que ficasse bom, e eu gostei do resultado, espero que gostem também. Eu não costumo a fazer isso, mas se alguém quiser a musica perfeita pra acompanhar esse capítulo eu recomento essa aqui: https: / / www.youtube.com / watch?v=_aGK4ysl8RU mas apreciem com moderação, essa musica pode causar crises existenciais e um pouquinho de depressão. ok, agora podem ler.

Em silencio eu retornei ao meu lugar e sentei com Sherlock me acompanhando. Ele não disse nada, e nem precisava, apenas a presença dele já era o suficiente e eu sabia muito bem que ele não era bom com esse tipo de coisa, consolações e tal. Meu nervosismo parecia ter sumido um pouco e a cadeira dura de espera parecia mais confortável, talvez fosse algum tipo estranho de aceitação sobre o que estava acontecendo, eu não faço ideia de onde esse sentimento havia vindo, mas ele era melhor que o desespero de algum tempo atrás.

“Você não pode fazer isso aqui, Sherlock.” Eu disse enquanto via Sherlock tirar um maço de cigarros do bolso do casaco.

“Eu não me importo, você que não.” Sherlock tirou um cigarro.

“Mas isso pode muito bem te matar.”

Ele me olhou intensamente, como se buscasse algo perdido em meu rosto, como se ele quisesse me mandar uma mensagem por telepatia, mas depois simplesmente se virou colocando o cigarro entre os lábios e o acendendo.

“Então deixe que mate.”

O silencio se fez presente novamente entre nós e o mesmo só era quebrado pelos sons cotidianos do hospital e com o leve respirar de Sherlock tragando o cigarro tranquilamente. O detetive parecia mais tenso do que deveria, porem eu não ousei perguntar o motivo porque ele obviamente não me responderia e eu nem tentei adivinhar até porque a mente daquele homem sempre foi um mistério para mim.

“Como vão as coisas em Baker Street?” Tentei puxar assunto.

“Entediantes como sempre.” Ele suspirou. “Mrs. Hudson continua reclamando das mesmas coisas e Gavin continua aparecendo e pedindo ajuda em casos toscos.”

“Greg, Sherlock, o nome dele é Greg.”

“Claro... Greg. Foi o que eu disse.”

“Não foi não. Mas nada?”

“Nada.”

“E Moriarty?”

Ele grunhiu em frustração e eu pude deduzir que aquilo era uma resposta negativa. Depois daquele retorno estrondoso voltando dos mortos, Moriarty nunca mais mostrou a cara e nem deu mais nenhum sinal de vida. Talvez ele só quisesse Sherlock em Londres para dar o golpe depois.

Depois daquela conversa rápida não falamos mais nada, nem uma palavra ou som que tivesse algum significado. Durante aquele tempo eu senti alguma paz, algum tipo de paz estranha que veio assim, do nada. Durante aquele tempo minha mente havia sido tomada pelo vazio e pelo branco das paredes e do chão do hospital. Eu não pensei em nada e não questionei nada, era só eu e Sherlock ali sentado ao meu lado esperando algo.

E ele veio rasgando minha paz com o barulho de seus passos, veio manchando tudo com vermelho e dor. Eu me levantei e dei um passo à frente e esperei que ele chegasse com a notícia. Ele suspirou e parou na minha frente som o olhar baixo e triste. Eu me preparei mentalmente para ouvir o que ele tinha a dizer, pois eu já sabia a bomba que viria. Aquela roupa manchada de sangue com certeza não significava boa coisa.

“Eu sinto em dizer, Dr. Watson, mas infelizmente sua mulher veio a falecer.” E parou e me olhou, talvez esperando uma responda que não veio. “Um acidente ocorreu e ela teve uma hemorragia interna que não pode ser controlada. Nós tentamos tudo que nos foi possível, mas infelizmente não foi o suficiente.”

Fechei os olhos tentando buscar aquela paz de pouco tempo atrás, entretendo eu apenas encontrei a escuridão daquela notícia. Suspirei alto tentando aclamar o turbilhão de sentimentos dentro de mim e me controlei ao máximo para não acabar chorando ali na frente do médico e de Sherlock.

“Mas ela está bem? Minha filha, ela...”

O médico suspirou mais uma vez e olhou para Sherlock desviando o olhar. Não era possível... Meu mundo que já estava desmoronando veio ao chão de vez. Aquilo estava mesmo acontecendo? Não podia ser real, certo? Aquilo tudo era um sonho, nada daquilo era real, eu definitivamente estava só tendo um sonho ruim, um pesadelo, eu iria acordar a qualquer momento.

“Eu sinto muito.” O doutor proferiu aquelas palavras tão dolorosas olhando para o chão. “Eu realmente sinto muitíssimo.”

Eu deixei uma lágrima escapar, depois outra e de repente eu não me controlava mais. O médio se virou e saiu deixando apenas eu e Sherlock ali, parados. Aquilo era completamente surreal, eu me sentia fora de mim, como se um vento muito forte tivesse vindo e me levado para longe dali para um lugar onde tudo era dor e sofrimento. Minha mulher e minha filha haviam morrido e nada mais parecia fazer sentido.

“Eu acho melhor eu ir embora...” Sherlock falou baixo, como se não quisesse falar aquilo de verdade.

“O que?” Eu preguntei sem folego e ainda em prantos.

Sherlock engoliu o seco “Eu creio que eu não sou mais necessário aqui, eu... Me desculpe.”

Eu me virei e me aproximei dele, sempre o olhando embora as lagrimas apenas permitissem que eu visse apenas borrões. Como ele poderia me dizer aquilo? Era claro que ele era necessário! Na verdade aquele era o único motivo de ele estar ali, para ser algo para mim se tudo acabasse do jeito que acabou, para ser um pontinho de lógica e segurança em meio ao caos, como ele sempre foi.

“O que você está dizendo, Sherlock?” Minhas lágrimas aumentaram ainda mais e eu segurei o braço do detetive com força, como se a qualquer momento eu fosse cair ao chão. “Que porcaria é essa? Você... Você é a única coisa que eu ainda tenho...” E eu desabei.

E eu chorei como nunca antes, eu colapsei e desabei ali mesmo em frente a Sherlock que diante de todas as possibilidade me abraçou. Eu senti os braços do detetive me envolverem e apertarem em um abraço quente consolador. Eu sinceramente não esperava nada como aquilo vindo de Sherlock, mas eu nunca soube nada concreto sobre ele e seus conflitos internos então quem era eu para julgar. Eu senti minha jaqueta ser agarrada e nós nos aproximamos mais ainda. Aquele era coisa mais estranha que eu já havia experimentado, mas como era bom. Por alguns instantes eu esqueci de tudo a minha volta, de absolutamente tudo e me senti bem pela primeira vez em dias.

Eu e nem ele falamos uma palavra, era apenas o silencio e aquele abraço, só aquilo. Ficamos assim por muitos minutos até eu me acalmar e parar de chorar histericamente. Quando nos soltamos tudo foi muito bem, sem constrangimentos, desconfortos ou climas estranhos, tudo foi natural e instintivo...

Uma simetria perfeita.

Notas finais(porque o Nyah vive cortando elas):

Muitíssimo obrigada por todos os reviews do capítulo passado ♥ Sério mesmo, vocês são uns amores e eu estou me sentindo mais motivada a escrever cada vez mais e melhor, mas nunca é de mais me mimar mais um pouco ♥ VOCÊS SÃO UNS LINDOS E EU A M O VOCÊS ♥