Notas iniciais
Hum, eu sei... demorei de mais, não? Pois bem, culpem a escola e uma doença repentina que me deixou de cama. Mas agora tudo está tudo bem :) Esse ficou melhor que o primeiro (acho) então aproveitem o capítulo!

O mundo parecia borrado, tudo passava diante de mim em câmera lenta, tudo estava distante, a realidade parecia não passar de um espectro de onde eu estava, no mar de raiva, angustia, preocupação e ódio em que eu estava mergulhado. Eu via Mary chorando e eu via o médico encarando minha expressão de completamente fria e neutra diante daquilo. Um zumbido surgiu quando o mesmo médico tentou falar comigo. Eu não queria ouvir mais nada. Por que aquilo tinha que acontecer justo comigo e com Mary? Já havíamos passado tanta coisa e agora aquilo, aquilo iria atrapalhar tudo, aquilo poderia acabar com a minha vida.

“Dr. Watson,” alguém chamou ao longe “Dr. Watson!”

“Sim, sim, o que foi” Falei enquanto fui puxado para fora de minha bolha de pensamentos.

“Você entendeu o que vamos ter que fazer?”

“Hun?”

“Vamos ter que adiar o parto.”

“Parto prematuro? É isso que você quer dizer?”

“Sim, mas...”

“Por que?” Mary interrompeu tentando segurar as lágrimas. “Por que temos que fazer isso? Por que não foi diagnosticado antes?”

“Pré-eclâmpsia normalmente é diagnosticada depois da vigésima semana e as gestantes não se sentem doentes a ponto de procurar um médico, mas agora que descobrimos o mais sensato a se fazer é antecipar o parto.”

“Além dos quais você já falou, quais outras complicações podem aparecer” Perguntei e vi a expressão do médico endurecer um pouco.

“Sua mulher pode ter problemas de hemorragia, ruptura do fígado, derrame e ... Morte.” Mary olhou devastada para o doutor a nossa frente, mas antes que ela pudesse dizer qualquer coisa ele acrescentou “Mas essas complicações não são comuns, portanto...”

“Quando ela vai ter que fazer o parto?”

“O mais cedo o possível, de preferência, mas vamos ter que esperar até o bebê completar 37 semanas. Uma semana e meia, na verdade.”

“Uma semana e meia” Mary repetiu se encolhendo na cadeira.

“Não é para e assustar, muitas mães saem bem disso, e os bebês também” Ele tentou acalma-la.

Mesmo assim eu ainda não conseguia dizer nada, não conseguia consolar minha própria mulher. Minha cabeça estava mergulhada em pensamentos negativos, as piores possibilidades passavam pela minha cabeça e cada uma delas deixava uma cicatriz gigante dentro de mim, pois de alguma maneira eu sabia que aquilo não acabaria bem, algo dentro de mim dizia que um desastre era inevitável.

Direção agressiva de volta para casa. Eu não parecia ter consciência da velocidade em que estava dirigindo e nem das três pessoas que quase atropelei pelo caminho, e por que eu teria? Tudo estar perdido mesmo, nada fazia mais sentido naquele momento, nada funcionava e eu só conseguia pensar no pior.

“John...” Mary chamou com a voz alterada pela crise de choro de antes. “John, por favor”

“O que?” Mantive minha posição fria de antes

“Vá mais devagar, ou vai acabar me matando antes da hora.”

“Ninguém vai morrer, nem aqui e nem depois, ouviu?” Falei enquanto parávamos no sinal vermelho. Mas a quem eu estava querendo enganar? Lá dentro eu sabia que algo de ruim iria acontecer.

“Mas se isso acabar acontecendo... Eu quero te pedir uma coisa.” Ela fez uma pausa, talvez ela estivesse esperando uma resposta minha, mas eu continuei calado e ela prosseguiu. “Se minha filha nascer bem, eu quero que você dê a ela o nome que você escolheu, ok?”

“Por que isso?” Voltei a dirigir.

“Por que eu não quero que ela te lembre nada de mim. Eu quero que ela seja um novo começo para você.” Mary ameaçou voltar a chorar, mas se segurou.

“VOCÊ NÃO VAI MORRER!” Gritei batendo no volante. Por que eu estava me contradizendo daquela maneira? “Ninguém vai morrer.”

Eu ouvi buzinas e mais buzinas atrás de mim e avancei com um braço para fora da janela fazendo um gesto não muito delicado para os outros motoristas. Continuei minha direção agressiva pela cidade com mais pedestres reclamando e motoristas buzinando na minha orelha testando minha paciência.

Chegando em casa eu nem ajudei Mary a sair do carro e entrei em casa, nem me ocorreu que a porta estava destrancada, e eu tinha certeza de ter trancado tudo antes de sair. Mas eu nem precisei me esforçar muito para descobrir quem havia entrado em casa, pois depois de dar apenas três passos para dentro de casa eu fui de encontro aquele muro com um casaco longo.

“O QUE DIABOS VOCÊ ESTÁ...” Aquilo não era culpa de dele, eu tinha que me acalmar. Suspirei e recomecei a frase, agora sem gritar “O que diabos você está fazendo aqui, Sherlock?”

“Eu soube que vocês iriam ao médico hoje, e eu vim verificar.” Ele falou com a mesma postura fria e superior de sempre.

“Verificar se estava certo?” Desviei dele e entrei em casa. “Pois bem, qualquer que tenha sido o seu ‘diagnostico’, você estava certo... e quando não está, não é mesmo?”

“Sinto muito.”

“É claro que não sente.”

Assim que terminei a frase, vi a expressão de Sherlock se transformar em algo entre a ofensa e a surpresa, mas era verdade, ele não se importava, ele era Sherlock Holmes e não se importava com nada. Por um momento nebuloso até me passou pela cabeça que ele poderia estar feliz com aquilo tudo, mas não, ele não chegaria a esse ponto.

Mary entrou, cumprimentou Sherlock com um sorriso triste e se sentou no sofá passando as mãos no cabelo com um suspiro derrotado, me juntei a ela e a abracei de lado dando o meu máximo para passar algum tipo de conforto a minha mulher, mas parecia não estar funcionando, até mesmo eu conseguia sentir que que aquele abraço não servia de nada.

“Bem...” Sherlock começou. “Eu acho que eu devo ir. Eu... Eu sinto muito.”

“Não.” Eu o impedi. “Você não está indo a lugar algum” Me levantei e me posicionei na frente do detetive.

“O que? Por que?” Ele parecia confuso, mas ele estava certo, qual utilidade ele teria naquele momento? Mas eu não ficaria satisfeito até receber uma explicação.

“Como você soube?”

“O que?” Foi a vez de Mary perguntar. “O que ele sabia?”

“Naquele dia em que eu estive aqui eu pude perceber vários sintomas além do que os que Mary me contou durante a conversa.”

“Quer dizer que ele sabia dessa... dessa doença?” Ela parecia ainda mais confusa e nervosa. “Como...?”

“E por que você não contou antes?” Cheguei mais perto ameaçando-o e tentando me controlar para não socar a cara dele. “Por que não me contou de uma vez?”

“Eu queria ter certeza absoluta, e agora eu tenho.”

Minha respiração acelerou, eu senti meu corpo ficar mais pesado e minha visão ficou vermelha de raiva e eu pude sentir todas as células do rosto de Sherlock assim que meu punho fechado bateu com uma força quase sobre-humana nele. Eu não sabia de onde aquela raiva havia vindo, mas eu não pestanejei e apenas sucumbi aquilo, apenas isso, eu só precisava me aliviar de alguma maneira.

Ele manteve os olhos fechados por um instante antes de cuspir o sangue da boca no chão e se reposicionar em sua postura quase perfeita. Um flashback veio a minha cabeça quando eu vi o sangue escorrendo por entre os lábios de Sherlock e manchando sua pele branca como mármore, aquele parecia o mesmo sangue da queda, era o sangue de Sherlock. O detetive tirou o excesso de sague do rosto com a parte de trás da mão e olhou diretamente para mim com aqueles olhos frios e penetrantes.

“O que está acontecendo com sua mulher não é culpa minha.” Eu pude perceber ódio e dor reprimidas em sua voz. “Eu mais do que ninguém quero que isso tudo termine bem. Então não me culpe pelo o que está acontecendo, John, por que eu sei que você está.”

“Eu não estou.”

“Sim, está.” Ele suspirou.

Naquele momento eu até esqueci que Mary estava no cômodo, eu só conseguia olhar para Sherlock saindo da sala e batendo a porta. Aquele bastardo conseguiu me deixar arrependido.

Notas finais
Enfim... me digam o que acharam, apontem erros e critiquem, é realmente muito importante para mim. E claro, eu mudei a capa, seria adorável da parte de vocês se desse uma opinião sobre isso. ela está meio estranha agora por que eu fiz ela muito grande, mas logo eu irei consertar isso, só me digam o que acharam, ok?