Notas iniciais
Então, cá estou eu com mais um Capítulo da minha Fic SasuSaku - que se encontra Em Andamento - a solo. Acabei agora mesmo de o escrever e, bem, não posso dizer que tenha exactamente como eu queria, mas a intenção é que conta. Quero aproveitar para agradecer à minha 'hime' NanamiUchiha por ter deixado a sua Review e ter favoritado a Fic :3 Obrigada princesinha, nem sabes o que isso significa para mim :3 Pedia também aos restantes leitores que se acusassem, eu adoraria saber o que estão a achar da história. Onegai, minna !! Como já mencionei, também estou a postar esta Fic no Social Spirit. Adiante, espero que gostem ^-^ Boa leitura o/

– Só não te queixes se um dia eu te espetar com um par de cornos. É o que mereces mesmo, sua cabra.

As palavras dele continuavam a martelar-me na cabeça, mesmo que houvessem já passado horas desde que a sua presença tinha deixado de preencher o meu quarto. Uma a uma, todas aquelas sílabas que juntas formavam aquela frase ofensiva, aquela ameaça que me feria a cada letra debitada, cortavam o meu coração como se possuíssem uma lâmina de dois gumes, de cada vez que as recordava. Eu sabia que ele estava a falar a sério mas, sinceramente... Já nem sabia se conseguiria mesmo dar importância ao assunto. Não quando ele me fizera sentir daquela forma, uma vez mais, aquela forma suja e desprezada, que tanto me esforçava por eu própria não denotar.

Não consegui travar-me a tempo antes de pegar no telemóvel. Não era meu hábito fazer algo assim, odiava preocupá-lo, mas naquele instante todas as minhas poucas forças imploravam pela sua presença para poder curar-me daquelas lágrimas. Sabia, concretamente, que não conseguiria pensar tão facilmente em algo que me fizesse rir e sentir bem ao mesmo tempo, por isso mesmo procurava enganar-me a mim mesma, repetindo mil e quinhentas vezes na minha própria cabeça que “iria pedir-lhe apenas para vir fazer-me companhia”. Mas eu sabia que isso estava completamente errado. Os sentimentos dele não eram apenas esses, eu sabia-o bem.

Tinha ido pela primeira vez a casa dele, nas nossas primeiras férias de Verão como amigos. Ele já me tinha convidado imensas vezes mas com todas aquelas avaliações e trabalhos de última hora para entregar no final do ano, havíamos fixado uma data que não poderia, de todo, ser adiada, para que tivéssemos a certeza absoluta de que o momento chegaria. Os pais dele eram simpáticos e, apesar de serem pessoas bastante ocupadas, era visível o seu amor pelos dois filhos que haviam criado com bastante esforço. O Sasuke tinha um irmão mais velho, um rapaz ligeiramente mais alto que ele, mais entroncado e com uma face mais dura, mas que se desmanchava em sorrisos à mínima palavra que ambos trocassem. O Itachi estava a tirar um curso de Hotelaria, era um rapaz habitualmente bastante prendado na cozinha e costumava fazer as refeições para os jantares mais importantes de família que os pais organizavam lá em casa. Os Uchiha eram, portanto, uma concha plenamente unida em todo aquele mar de trabalho.

Lembrava-me bem da primeira vez que tinha entrado no quarto dele. Era simples, bem decorado, com apenas um roupeiro perto da porta e uma cama ao pé da janela em frente à secretária. Não tinha televisão. Ao invés disso, achava-se parada perto da secretária onde estava o computador, no chão, uma guitarra. De facto, era aquilo precisamente que eu imaginava que o Sasuke fizesse nas horas mortas enquanto estava em casa, só não tinha ideia que ele raramente ocupasse o seu tempo a fazer outra coisa qualquer senão tocar.

Nessa tarde, passamos horas esquecidas a conversar. Ele mostrou-me alguns dos seus CD’s, estivemos a ouvir música e ele tocou para mim... Depois lanchámos no quarto – comemos o bolo de chocolate super famoso do Itachi, era tão bom que eu devorei duas fatias e ainda comi metade da segunda do Sasuke, além de termos despejado juntos uma garrafa de Coca-Cola – e acabámos por deixar-nos descansar um pouco, os dois deitados a olhar para o tecto enquanto o rádio em cima da secretária tocava Obvious, dos Westlife.

Lembro-me dos nossos olhos se terem encontrado. Do sorriso dele depois de isso acontecer. Lembro-me bem da forma como ele se aproximou. Mas, pura e simplesmente, o que nunca mais esqueci foram as palavras que ele disse em seguida.

“Estou a gostar de ti...”

Dei um salto de repente, largando o telemóvel quando o senti vibrar-me nas mãos. As minhas pernas tremiam, o meu coração batia depressa dentro do peito enquanto o ar parecia querer abandonar os meus pulmões, impacientes por voltar a respirar de alívio. E nada disso mudou quando vi o nome dele no ecrã.

– S-Sim? – Disse só, atendendo antes de deixar a minha cabeça voltar a repousar na almofada em busca de algum descanso.

– Sah... Estava preocupado contigo. Deixaste de responder às minhas mensagens há horas... Está tudo bem, princesa? – A sua voz soou doce, quase assustada do outro lado. E, por momentos, eu dei graças a Deus por ele não poder ver o estado em que eu me encontrava.

– Estou, Sasuke-Kun... Eu só... Me deixei dormir, mais nada. – Menti. Não me apercebi, de facto, se ele havia engolido aquela desculpa mas uma vez que se limitou a suspirar sem insistir mais no assunto, preferi pensar que sim, que ele o havia feito.

– Hm.

– S-Sasuke-Kun? – Sussurrei só, fazendo força por conter as lágrimas que teimavam em continuar a querer cair. Eu sabia que, se pedisse, ele viria a correr para me ver. Sabia que, se precisasse do seu carinho e do seu apoio, ele estaria nem 10 minutos depois pronto a enlaçar as suas mãos na minha cintura e deixar-me descansar e chorar no seu peito, sem pedir mais nada de volta. E eu sabia que não devia pedir-lhe nada relacionado com isso, pois estaria uma vez mais a magoá-lo. Mas, simplesmente, eu não era capaz de o evitar.

Precisava, absolutamente, de ser egoísta de novo naquele momento.

– Diz, Sah?

– Tu... Podes passar cá em casa agora? Eu... Eu precisava de... De... – Queria dizer “de ti”. Queria mesmo. Absolutamente. No entanto, achava que a minha consciência me pesaria ainda mais do que já iria fazer se o dissesse. Eu estava a servir-me dele com todas as letras. A servir-me de tudo aquilo que ele dizia sentir por mim. E estava a fazê-lo com a maior descontração e o maior descaramento possíveis. – Precisava de... De um abraço...

Ouvi-o suspirar do outro lado da linha antes de notar a sua respiração acelerada. Parecia apressado com qualquer coisa e eu tinha a certeza de que sabia o que era.

Ele vinha a caminho.

– Estou aí em 15 minutos...

***

– Eu sabia que aquela história de teres adormecido estava muito mal contada. – Dizia ele apenas, à medida que as suas mãos iam acariciando devagar os meus longos cabelos, tentando de alguma maneira transmitir-me alguma espécie de conforto. – Quando é que metes nessa cabeça que não me enganas, por muito que tentes, han?

– D-Desculpa...

Desfiz-me em lágrimas novamente, procurando um pouco mais o seu abraço. O peito quente dele aconchegava a minha dor, era como um calmante para os meus nervos e ajudava sempre a sarar as minhas feridas. Mas, daquela vez, nem mesmo isso estava a resultar para me fazer sentir melhor.

– Não precisas de ficar assim, ouve... – Senti a sua mão descer dos meus cabelos para encontrar docemente o meu queixo, fazendo-me encará-lo em seguida. – Tu sabes bem que... Que eu nunca confiei nele. Que sempre te disse que ele te faria sofrer. Aí tens a prova de que eu estava certo.

Afastei-me de imediato, sentando-me na cama de costas para ele, sem encará-lo. As minhas mãos repousavam-me no colo, os olhos tristes e inundados de lágrimas dirigiram-se para o chão de forma quase automática. De facto, ele sempre mo havia dito. Mas o meu egoísmo e a minha necessidade de ser invejada pelas outras raparigas, de ser o centro das atenções por ter um lindo namorado naquela escola, a minha ânsia por ser mimada e acarinhada a toda a hora por um rapaz eram maiores.

– Eu só queria que... Que ele voltasse a ser o Gaara que era quando nos conhecemos e eu me apaixonei por ele. Só isso, Sasuke.

Ouvi-o suspirar, antes de levar a mão aos cabelos com uma expressão exausta. Eu conhecia muito bem aquela expressão. O Gaara costumava empunhá-la sempre que eu o estava a deixar farto das minhas manias. Ultimamente, aquele havia sido o resultado de muitas das conversas que havíamos tido como casal. Eu conseguia perceber muito bem que, se não fosse por já me ter apresentado aos pais dele como sua namorada, o Gaara já teria terminado tudo comigo porque já estava bem cansado de mim.

Só eu era burra e mimada demais para não suportar admitir tal coisa.

Respirei fundo, encolhendo-me mais. As lágrimas ainda aceleravam pelo meu rosto, sem cessar, e os soluços continuavam presentes.

– Já nem tu mesmo me suportas, não é verdade, Sasuke?

Parei de falar por um pouco, dando-lhe espaço para digerir aquela última pergunta que lhe fizera. Os seus olhos escuros encararam-me de imediato, e pude senti-los, mais do que nunca, eternamente magoados com tal suspeita da minha parte enquanto me fixavam. A sua boca estava entreaberta de espanto e a sua expressão incrédula percorria a minha figura, ao certo numa ínfima esperança de que eu fosse sorrir de repente, dizendo “Ah, vá lá, estava a brincar, seu tonto!”, o que não aconteceu. Vi-o olhar para as mãos.

– Não é nem um pouco justo que me estejas a dizer uma coisa dessas. – Sussurrou apenas, sem me encarar. Depois, levantou-se e pegou no casaco que deixara pousado na cadeira ao lado da minha cama. Encaminhou-se para a porta.

Levantei os olhos para ele.

– Sasuke, eu... Eu só queria...

– Escuta uma coisa, Sah... – Pediu ele apenas, depois de voltar atrás, permitindo-se a fixar-me uma vez mais. Olhou-me durante vários minutos, parecendo mastigar bem as palavras que iria dizer, tempo esse durante o qual eu me reduzi a fazer o mesmo, sem ter coragem de lhe cortar o que quer que fosse que ele pudesse começar a dizer. Suspirou profundamente e continuou. – Eu sempre quis o melhor para ti. Sempre quis que fosses feliz. Sempre fiquei apenas e só do teu lado, tentando apenas ter a certeza de que qualquer que fosse o homem que escolhesses para partilhar uma vida contigo, que ele iria dar tudo para te fazer sorrir. Tu sabes bem o que sinto por ti. Nunca te escondi isso, nunca te escondi coisa nenhuma, especialmente no que se refere aos meus sentimentos. Nunca obstruí a tua felicidade nem a da pessoa que escolhesses, muito pelo contrário, sempre tentei dar tudo por tudo para que estivessem bem e as coisas na vossa relação só fossem perfeitas. Mas, por mais que eu tentasse fazê-lo ao início, no fim tu acabavas sempre por vir ter comigo a chorar. Acabavas sempre por sofrer, por te sentires mal por coisas das quais nem sequer tens culpa de sentir, pura e simplesmente, porque isso tudo faz parte da tua essência, da tua personalidade. Ou seja, com isto tudo, sabes o que me vejo a concluir neste momento? Que tudo o que eu fiz para te ajudar a ser feliz com o Gaara só ajudou a que te sentisses ainda mais em baixo e a que ficasses ainda pior, relativamente ao que estavas antes de andares com ele, pelo que sei. Por isso... Não me peças para continuar a apoiar essa tua decisão estúpida de continuar com ele quando sei perfeitamente que ele não é a pessoa certa para ti e que irá continuar, sem dúvida alguma, a fazer-te infeliz. Estamos entendidos?

Quando ele terminou de falar, os meus olhos apenas o encaravam ainda em choque, sem saber o que dizer, que palavras usar para poder contradizer tudo o que ele havia declarado. Simplesmente, acabei por me deixar desfazer em lágrimas de novo, incapaz de responder a tudo o que, inevitavelmente, tinha saído da sua boca e que era, indiscutivelmente, uma verdade absoluta em relação ao ponto da situação na minha vida.

– D-Desculpa... – Murmurei de novo, apenas, novamente sem conseguir englobar um discurso coerente.

Levei as mãos à cabeça sem parar de chorar, deixando apenas que os seus braços voltassem a rodear o meu corpo, enquanto me quebrava aos poucos na segurança do seu peito.

Notas finais
E pronto, aqui está ^-^ Eu acho que, apesar do drama que a Sakura está a viver e tudo mais, a cena entre eles até que ficou bem fofinha. E vocês, que acham? Agradeço opiniões, já sabem :3 Espero que continuem a ler e a gostar da história ^-^ Sayonaraaaa o/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.