Notas iniciais
Oi, oi, olha eu aqui com mais uma oneshot borusara porque eu não me canso desses dois. Essa ideia surgiu no meio de uma conversa com umas amigas então aqui eu tenho mais a agradecer do que a falar. Antes de mais nada: Ambos são adultos nessa one. São adultos e jōnins há. Tendo isso em mente, eu gostaria de agradecer ao meu grupo bs maravilhoso do whatsapp. Meninas, vocês são incríveis e essa estória é, sem dúvidas, pra vocês. Espero que aproveitem tanto quanto eu adorei escrever. Durante a leitura, eu ouvi Lovely (que inclusive deu o nome à one) de Billie Eilish. Então, fica aqui a sugestão caso vocês queiram tentar viver a experiência de ouvi-la durante a leitura Por fim, essa estória foi revisada por mim e, portanto, erros são possíveis. Apenas relevem e aproveitem!

A abóbada celeste enegrecida da fronteira do país do Fogo evidenciava que a noite havia chegado para os shinobis e, com ela, a necessidade de levantar acampamento. Boruto havia escolhido uma clareira para montar a barraca que dividiria com Sarada. O seu sensei, Konohamaru, e o seu companheiro de time, Mitsuki, haviam seguido um outro caminho. Fora decidido que, em prol de melhorar a eficácia da missão, o time seria dividido em duas duplas.

Sarada o ajudou a montar a barraca e, após isso, o loiro acendeu a fogueira. A Uchiha havia entrado para arrumar o saco de dormir dos dois enquanto Boruto acendia a fogueira. Ele não podia negar que, ao longo dos anos, a cumplicidade que ele e a morena haviam conquistado, se intensificara – bem como qualquer outro sentimento que eventualmente nasceu entre os dois.

O Uzumaki percebeu a silhueta da sua companheira de time através da parede da barraca, e seu corpo reagiu àquilo. Sarada era a única que mexia com toda a estabilidade dos seus pontos de chakra sem sequer tocá-lo. Ele sabia, no entanto, que, para alguém como Sarada, era mais difícil demonstrar qualquer tipo de sentimento que ela possivelmente nutria dentro de si.

A primogênita dos Uchiha havia fingido que o beijo entre eles, em uma das missões no país do Vento, nunca aconteceu, por exemplo.

Boruto, contudo, não queria forçá-la nada; a morena se importava e ela deixava claro em cada momento que eles lutavam lado a lado. A sincronia dos dois enquanto time era admirável até mesmo entre os shinobis mais experientes. Era por isso que, enquanto ninjas usuários de doujutsus, eles eram requisitados em missões Rank-S.

A fogueira que Bolt havia acendido queimava intensamente, contrastando com a atmosfera noturna. Sarada havia se aproximado, após ter deixado a barraca, da chama alaranjada que os iluminava. Ambos permaneciam em silêncio; era confortável não ouvir nada além do consumir da da lenha pelo fogo.

Boruto, pelo canto do olho, observava a Uchiha. A coloração que os iluminava não havia ofuscado a sua beleza, pelo contrário, a intensificou. As longas madeixas negras de seus cabelos caiam em suas costas, combinando com o tom do céu noturno daquela noite. Os seus traços delicados, por outro lado, pareciam ainda mais leves com a pouca luminosidade.

O Uzumaki já havia admirado aquela beleza incontáveis vezes – o seu coração se apertando com a constatação de nunca poder ultrapassar o limite invisível que havia sido estabelecido, inconscientemente, entre os dois.

Ele nunca poderia ter mais dela, ele nunca poderia tê-la.

Os seus pensamentos foram interrompidos com ouvir do ranger dos dentes de Sarada, ela estava visivelmente tremendo de frio. Mesmo a uma distância segura, era perceptível que os seus poros foram abertos devido ao arrepiar do seu corpo. Ele não hesitou por muito tempo, no entanto, o seu corpo reagiu à necessidade de protegê-la, aproximando-se dela e puxando-a para si.

Boruto sentiu o corpo magro de Sarada se enrijecer com a sua aproximação, com o seu toque. Para ele, estava óbvio que ele mexia com ela tanto quanto ela mexia com ele.

Sarada tentou se desvencilhar do toque do Uzumaki ao sibilar, com uma falha tentativa de demonstrar raiva em sua voz, “Baka! O que você está pensando?”

“Shh, Sarada-chan, eu só estou aquecendo você. Você sabe que a troca de calor entre os corpos é uma alternativa para se proteger do frio em missões”, ele simplesmente respondeu ciente de que ela sabia do que ele estava falando.

Na academia ninja, eram comuns lições como essas e, com mais experiência adquirida por eles ao longo das missões, a Uchiha não teria como recusar a oferta se quisesse se manter aquecida durante a noite a fim de descansar para seguir viagem no dia seguinte.

Boruto sentiu, contra o seu corpo, o relaxar do da morena, quando ela assentiu em aceitação. Com isso, fora a sua vez de enrijecer a sua postura. Tê-la perto daquela forma causava-lhe sensações que ele não conseguia controlar. O aroma dos seus cabelos o inebriaram quando ela apoiou a cabeça em seu peito, aproveitando o contato.

As mãos pequenas dela, automaticamente, foram para dentro da capa preta que o Uzumaki usava desde que conseguia lembrar, apertando-as contra o seu peito, a fim de reduzir a superfície de contato para se aquecer mais rapidamente.

“Too much”, ele pensou consigo mesmo. Era possível perceber a mudança da atmosfera, devido a tensão que se deu com aquele toque. A combustão do fogo parecia, inclusive, ter se intensificado ao testemunhar a necessidade que tilintava dos dois.

Percebendo isso, Sarada havia apoiado o seu queixo no ombro dele, encarando-o. Ele sabia que a sua pose de durona havia se dissolvido devido ao momento; isso era claro para ele que a conhecia melhor do que ninguém.

Mesmo naquelas orbes negras, Boruto constatou, havia muito o que estava claro. Ele levou uma de suas mãos às maçãs do rosto dela, acariciando-as. Em resposta, a primogênita dos Uchihas fechou os olhos e deixou que os seus lábios se curvassem em uma insinuação de sorriso.

Nem em um milhão de anos Boruto pensaria que viveria aquele momento. O loiro segurou o queixo de Sarada, puxando para mais próximo da sua boca, antes de depositar um beijo casto nos seus lábios.

Por uma fração de segundo, ela não o retribuiu, apenas permaneceu imóvel em sua boca. Mas, depois do que pareceu ser uma eternidade, Sarada correspondeu ao beijo de uma forma tão urgente que Boruto jamais imaginou que seria possível.

Foi instantâneo levar as suas mãos à cintura dela, puxando-a para si, a fim de decorar cada reação que ela esboçava com a intensidade que aquele beijo estava assumindo.

A pausa ocorreu porque ambos precisavam retomar o fôlego; ocorreu porque ambos precisavam garantir que aquele momento era real. Bolt havia encostado a sua testa na de Sarada, enquanto fixava o seu olhar no dela. Palavras eram dispensáveis. As suas orbes refletiam tudo o que precisava ser dito, bem como os indícios de sorrisos que se formavam em seus lábios.

“Eu acho que devíamos ir dormir ou amanhã você estará mau humorada para encarar um longo dia de viagem”. As palavras do Uzumaki saíram precisas e ele agradeceu que a sua voz não estava denunciando a tensão que rodopiava dentro de si.

Fora preciso muito esforço próprio para evitar rir da reação de Sarada. O arquear de suas sobrancelhas, seguida de pausas para processar o que acabara de ouvir, bem como a clara dificuldade que ela estava tendo para recuperar o fôlego, só tornava o momento ainda mais divertido.

“Eu não vou acordar mau humorada. E sim, nós deveríamos ir dormir porque senão eu não serei útil e ambos sabemos que a missão dependerá, em grande parte, de mim”, ela simplesmente rebateu, dando de ombros em resposta à acusação de seu companheiro de time.

Boruto não pôde evitar a risada que escapou por entre os seus lábios devido a afirmação. Sarada conseguia ser impossível quando ela queria.

“Claro, Sarada-chan. Podemos entrar?”

“Tá”, ela respondeu de forma marrenta. Definitivamente, ela era impossível – e adorável ao mesmo tempo, de um jeito que causava em seu estômago sensações que não era possível serem nomeadas.

O interior da barraca era aconchegante e os sacos de dormir dos dois estavam dispostos lado a lado. Boruto retirou a sua capa preta, e foi somente nesse momento que a realização o atingiu. Ele e Sarada iriam dividir uma barraca sozinhos durante uma noite inteira. A Uchiha pareceu perceber a mesma coisa porque o tom da sua pele, mesmo na escuridão da noite, havia ficado visivelmente rosado.

Com o intuito de evitar prolongar o evidente constrangimento, Sarada se apressou em adentrar no saco. Ela se cobriu dos pés à cabeça deixando claro quais não eram as suas intenções para aquela noite. Bolt balançou a cabeça em negação porque ela definitivamente sabia ser impossível.

Diferentemente da Uchiha, ele não se apressou em adentrar na sua cama. Ele permaneceu deitado, sobre o saco, olhando para o teto escuro da barraca. Sarada estava ao seu lado e ele não conteve a vontade de virar para olhá-la.

À penumbra noturna, ela era quase angelical. As suas pálpebras se fechavam fortemente, na tentativa de não abri-las mesmo que fosse a sua vontade.

Inacreditável e adorável.

Boruto permaneceu encarando-a e, como em resposta ao seu ato, ela abriu os olhos lentamente. Eles permaneceram desse jeito, sem se mexer, apenas encarando um ao outro pelo que pareceu ser minutos, ou horas, até que o Uzumaki tomou a iniciativa de acariciar o rosto da sua companheira de time com o dorso da mão.

Tê-la sob sua pele sempre causaria uma sensação eletrizante dentro dele e era sabido que ele jamais ficaria cansado daquilo.

Sarada abriu o seu saco de dormir, para liberar as suas mãos, e levou a ponta do seu indicador até a boca de Boruto, percorrendo o seu lábio inferior com o seu dedo.

Ele precisava beijá-la como nunca precisou antes.

O beijo delicado que ele depositou no dedo da Uchiha só serviu para encorajá-lo a se aproximar dela, mantendo o contato visual, sentindo o seu coração inteiro acelerar de forma desesperada dentro de sua caixa torácica.

Boruto se permitiu passar o seu olhar pelo corpo ainda vestido de Sarada; agora ele entendia por que ela sentira frio mais cedo aquele dia. A pouca roupa que ela vestia não garantiria nenhum tipo de aquecimento para uma temperatura mais baixa.

Dessa vez, a iniciativa partiu de Sarada, ela eliminou qualquer possível distância que havia entre os dois, antes de envolver as suas mãos no pescoço do loiro e reivindicar a sua boca de forma faminta.

Aquele beijo estava sendo diferente de qualquer outro que os dois já haviam dado. A urgência, combinada com o desejo e o fogo que as circunstâncias proporcionavam, tornou tudo triplamente mais intenso. Os pontos de chakra de ambos conversavam entre si, mesmo por de baixo de suas peles.

Boruto não hesitou em apertar Sarada contra si, gravando em sua memória a sua silhueta, o perfume do seu cabelo e a textura de sua pele. Ele queria prolongar aquele momento, ele queria tê-la. As suas mãos passeavam de forma urgente pelo corpo dela, e foram respondida pelo aperto em seus cabelos que Sarada havia feito.

Tudo dela ainda seria pouco para saciar a vontade que ele tinha de viver cada experiência possível com ela.

O céu noturno que testemunhava aquele momento jamais teve estrelas tão brilhantes como as daquela noite. Ambos sabiam que esse era um caminho que não teria volta e eles, diferentemente de quando eram crianças, nunca estiveram tão certos do que queriam.

Eles queriam um ao outro, eles precisavam um do outro.

Notas finais
Eitaaa hahaha. Eu queria muito escrever algo um pouco mais "explícito" dos dois, mas, sendo honesta com a atmosfera que eu construí? Não daria mesmo. [edit] Mencionaram em um comentário sobre a ausência de guarda no acampamento dos dois. Gostaria de dizer que a observação é 100% válida e eu, de fato, pensei nela durante o processo de escrita. No entanto, se for honesta com as personalidades do Boruto e da Sarada, ter alguém os “vigiando” os impediria de ficarem à vontade um na presença do outro, então fiquei com receio de que qualquer contato soasse ooc e, por isso, optei por deixá-los à sós. No mais, eu espero que vocês tenham gostado e até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!