Loveless
8 Capítulo 8 - ♫ Bad Apple ♪
"Estou sonhando? Não estou vendo nada?
Meus sentimentos são inúteis, mesmo se eu falasse sobre deles
A tristeza só me deixa exausto,
Então eu prefiro viver meu dia sem sentir nada
Existe um futuro para alguém assim?
Eu pertenço a este mundo?
Será que meu coração dói agora? Eu estou triste agora?
Eu simplesmente não sei nada sobre mim mesmo"
~~~~~X~~~~~X~~~~~
Em um quarto pequeno e sombrio, na mansão do Conde de Bleu, o mesmo tinha acabado de "adotar" uma criança, que estava prestes a descobrir que estava ali com um propósito muito mais obscuro do que servir de filho adotivo, assim como havia suspeitado. E o Conde, por sua vez, acabou descobrindo que não tinha trazido para sua mansão a filha órfã dos falecidos Baronetes, como ele desejava, e sim o irmão dela.
— Mas o que significa isso?! — Kaito gritava após ter arrancado fora a parte de cima das roupas de Len e descoberto a verdade sobre ele — Você é completamente reta... e também, essa cintura, é grossa demais pra ser de uma garota... você... não é Kagamine Rin, não é?
— O senhor está certo... e parece que eu acertei também, não é? — Len respondeu, usando toda a coragem que tinha para manter sua voz firme — Bem que achei estranho quando o senhor disse que queria adotar apenas a Onee-chan, mesmo ela sendo uma menina... era mesmo por isso então. O senhor acertou, Conde Kaito... eu sou Kagamine Len, irmão gêmeo da Rin-oneechan
— Seu moleque cretino, como se atreve a tentar me enganar?! — tomado pela fúria, Kaito acertou um tapa na cara do mais novo, derrubando o menino no chão — Achou mesmo que eu não iria descobrir essa farsa ridícula?! Achou que podia me enganar só porque são gêmeos, é, seu garotinho petulante??
— Diga o que quiser, mas eu não vou deixar o senhor encostar um só dedo na minha irmã, ouviu? Ela é minha única família, não posso deixar que faça mal à ela! — Len exclamou de volta, ainda no chão, a mão na bochecha onde Kaito tinha acertado o tapa
— Ah, é? Que comovente... acha mesmo que um garotinho como você é capaz de proteger alguém? — Kaito debochou — Acha que o Barão e a esposa dele não vão perceber a farsa de vocês?? Pode ser que demore algum tempo, mas eles vão acabar descobrindo também! E quando souberem, virão até aqui pra destrocar vocês, e eu terei a sua preciosa irmã em minhas mãos. Ou quem sabe... eu possa fazer isso agora mesmo, levando você pra casa do Barão e desfazendo a troca hoje mesmo
— Não!!! — pela primeira vez, Len apavorou-se. Ele se levantou em dois segundos e se agarrou às vestes do mais alto, com o medo estampado em seus olhos claros — Por favor, não!! Não faça mal à minha irmã... e-eu farei qualquer coisa que o senhor quiser!! Pode me bater, me torturar, me escravizar ou o que for, eu não me importo... mas não faça nada com a Rin-oneechan, por favor!!!
— Fará qualquer coisa, é? — Kaito ergueu uma sobrancelha, considerando a idéia — Está realmente disposto a fazer qualquer coisa que eu mandar em troca de eu não tocar na sua irmã, garoto?
— S-Sim senhor! Farei qualquer coisa, não importa o que seja, sem reclamar nenhuma vez.... só fique longe da Onee-chan, por favor! Eu imploro!
— Muito bem então — Kaito o segurou pelos cabelos, obrigando Len a encará-lo nos olhos — Já que está mesmo disposto a se sacrificar para que eu fique longe da sua querida "Onee-chan"... então você ficará no lugar dela, e tudo o que eu gostaria de fazer com ela e não posso, eu farei com você
— Está be... peraí, o que?! — Len interrompeu a frase pela metade, confuso, se perguntando se tinha ouvido direito — Ano... o senhor disse que... f-fará comigo as mesmas c-c-coisas que o senhor queria fazer com ela...?
— Exatamente
— Mas... eu sou um garoto — Len falou o óbvio, mais confuso do que nunca — E o senhor também é um homem. Então... isso é impossível, não há como o senhor fazer isso
— Hahahahahahaha!! — o Conde riu alto, sua gargalhada sinistra ecoando pelas paredes do cômodo praticamente vazio, e isso por algum motivo só aumentou ainda mais o medo que o loiro sentia. Kaito deslizou uma das mãos pelo rosto dele suavemente, tocando sua pele macia — Ah, garoto... você realmente não sabe de nada, não é? É mais inocente do que eu imaginei... talvez não tenha sido tão ruim afinal eu ficar com você ao invés da menina Rin
— E-Eu não entendo o q-que o senhor está querendo dizer... — Len recuou um passo, embora ele soubesse que isso seria inútil. A parede estava logo atrás dele, e Kaito era pelo menos três vezes mais forte do que ele afinal
— Não se preocupe, Len... eu vou te ensinar direitinho como é que se faz — Kaito deslizou a mão que antes segurava os cabelos dele até sua cintura e, em um momento tão rápido que Len nem viu quando aconteceu, Kaito inclinou-se para frente e o beijou.
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A cena mudou. O cenário ainda permanecia o mesmo, o quarto escuro sem janelas onde Len ficou trancado durante os cinco anos de sua estadia na mansão de Kaito, porém, agora Len não era mais a criança amedrontada que era quando chegou naquele lugar, e sim um garoto de 14 anos incapaz de demonstrar qualquer expressão ou sentimento, isso porque ele não os possuía mais. Estava trajando um vestido azul escuro com alguns detalhes em preto, os braços acorrentados como de costume. A porta da cela, quero dizer, quarto, se abriu com um rangido e por ela entrou a mulher loira com o vestido simples e avental esfarrapado que costumava cuidar dele. Len estranhou ela estar de mãos vazias, pois geralmente ela só aparecia para alimentá-lo, e já ia comentar sobre isso quando a mulher se ajoelhou diante dele e, pela a primeira vez desde que Len a conhecia, ela falou:
— Vim buscar você, Len-kun. O Meste Kaito está te chamando — ela anunciou e, tirando uma chave prata do bolso do avental, soltou as algemas que prendiam seu pulso. Len tinha passado tanto tempo com elas que seu corpo parecia anormalmente leve sem o peso daquele ferro pesado prendendo-o — O Mestre te contou sobre o leilão, eu suponho, não é?
— Ah... sim — ele respondeu um pouco tardiamente, ainda surpreso demais por ela estar falando com ele — Ele me contou essa manhã... disse que foi por isso que passou o dia inteiro comigo. Pra "se despedir", ele disse
— E-Entendo... — ela desviou o rosto, entre embaraçada e pesarosa — Bem... já está na hora, você precisa vir agora
— Certo... — ele tentou se levantar, mas seu corpo ainda estava dolorido, e as pernas bambas, e ele precisou se apoiar na parede pra se manter de pé
— Ei, você está bem?? — ela o segurou pelo braço ao ver que o garoto estava a ponto de cair
— Estou bem — ele mentiu — Nee... por que você está falando comigo agora? O Mestre não tinha te proibido de conversar comigo?
— Sim, ele proibiu — ela confirmou, comprimindo os lábios — Mas, ele me mandou te chamar agora, e não tinha como eu te chamar sem falar com você, não é? — ela deu um sorrisinho sem graça, voltando a encará-lo — Desculpe nunca ter falado com você antes, Len-kun... eu queria conversar com você, queria muito mesmo! — ela exclamou, parecendo sincera, e um tanto arrependida de não tê-lo feito — Mas... se o Mestre Kaito descobrisse, eu...
— Eu entendo. Você não podia desobedecer as ordens. Está tudo bem, não é culpa sua — ele a interrompeu, fazendo uma nova tentativa de ficar de pé, e conseguindo dessa vez — Então... eu vou embora, portanto... acho que é a última vez que nos vemos
— É... suponho que sim
— Posso perguntar uma coisa? Qual é o seu nome? Eu sempre quis saber...
— Meu nome é Neru — ela respondeu, levantando-se também
— Neru... é um nome bonito — ele fez uma tentativa de sorrir, apenas por educação, mas não conseguiu. Havia anos que não sorria, e seu rosto parecia ter se esquecido de como se fazia isso — Obrigado por ter cuidado de mim nesses cinco anos, Neru-neechan
— Ahn... "N-Nee-chan"? — ela repetiu, entre surpresa e embaraçada
— Ah... desculpe — ele abaixou a cabeça, percebendo tardiamente o que tinha dito — É que... você tem cabelos loiros, e é tão boazinha que me lembra um pouco a minha irmã, então...
— Entendo — ela sorriu embaraçada, e também estranhamente incomodada com a comparação — Está tudo bem, não me importo que me chame assim
— Você sabe o que aconteceu com a Rin-oneechan? — a pergunta escapou de seus lábios antes que ele pudesse impedi-la de sair
— D-Desculpe, não sei... — ela abaixou a cabeça, parecendo triste em não poder ajudar — Eu sou apenas uma camareira, não costumo sair muito da mansão... tudo o que eu sei é que ela foi adotada pelo Barão no seu lugar, mas não faço idéia de como anda a vida dela agora
— Entendo... — Len murmurou, sem demonstrar emoção nenhuma. Provavelmente estava desapontado, mas andava tão inexpressivo que não era possível imaginar o que ela estava pensando ou sentindo — Bem, mais uma vez, obrigado por tudo, Neru-neechan. Uma pena que você tenha que ficar aqui... espero que fique tudo bem com você
— Ah, não se preocupe comigo! — a garota se apressou a dizer — E, boa sorte, Len-kun... espero que você encontre um Mestre melhor do que o atual. Nunca se sabe, talvez você seja comprado por alguém mais bondoso, e dê sorte dessa vez! — ela tentou encorajá-lo
— Obrigado. Mas... eu acho que isso já não importa mais — ele virou de costas e caminhou até a porta, saindo da cela-quarto onde esteve trancado pela primeira vez em cinco anos, sendo seguido por Neru.
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Kagamine Len acordou assustado, seus olhos arregalados e o corpo pingando de suor. O quarto inteiramente branco chegava a brilhar pela claridade do sol entrando pela janela, mas ele ainda podia sentir gravada em sua retina a escuridão do calabouço onde ficou preso durante tantos anos. Aquilo não fora um simples pesadelo, e sim uma lembrança, do dia em que ele foi morar na mansão do Conde de Bleu e o mesmo descobrira sobre sua farsa. Uma memória amarga do dia em que ele conseguiu garantir a segurança de Rin, tornando-se um sacrifício no lugar dela, e também do dia em que ele descobriu os vários tipos de coisas que eram possíveis de ser feitas entre dois homens, que antes, em sua inocência infantil, ele julgava impossível.
— Por que eu tive que ter esse sonho agora...? — ele perguntou a si mesmo, levantando-se lentamente da cama. Já fazia um mês que ele havia deixado a mansão de Kaito e ido viver com Gakupo. Um mês que ele não era abusado nem torturado, e isso provavelmente devia ser bom, mas... parece que ele ainda não estava completamente livre das torturas psicológicas do Conde afinal.
Len foi até a única cômoda que havia no quarto, e abriu a última gaveta. Nela, guardava os antigos vestidos que Kaito o mandava usar. Embora Gakupo tivesse lhe dado trajes masculinos e tido que não queria que Len continuasse usando vestidos, por algum motivo ele não conseguiu jogá-los fora. Pegou um que era totalmente branco e muito mais curto do que devia, a saia indo até acima dos joelhos, a barriga de fora e um tanto decotado. Haviam várias fitas negras de cetim enfeitando as mangas compridas, a cintura, e o pescoço, e uma rosa vermelha nos pulsos e no decote. Junto, haviam meias compridas pretas com cinta-liga.
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Antes que pudesse pensar no que estava fazendo, Len o vestiu. Aquele era o vestido que Kaito mais gostava de fazê-lo usar, e o que Len mais odiava. Era curto demais, decotado demais, ele sempre sentia frio com aquela roupa, dentre outras coisas mais vergonhosas, e era infelizmente o traje que era obrigado a usar com mais frequência. Kaito gostava de vê-lo usando aquele vestido porque, segundo ele, a cor branca simbolizava pureza e inocência, coisas que, ironicamente, o Conde havia tirado dele. Len poderia se desfazer daquela roupa embaraçosa quando quisesse agora. Poderia queimá-la ou rasgá-la em pedacinhos para descontar sua raiva e frustração por ter usado aquele vestido indecente por tantos anos, mas... já não sentia mais vontade de fazer isso. No primeiro ano na casa de Kaito, ele teria adorado fazer isso. No segundo ano, ainda queria um pouco. Mas, do terceiro em diante, isso já não parecia importar mais. Nada mais parecia importar para ele. Sua pureza e sua inocência se foram, assim como sua vontade própria, tornando-o uma pessoa suja e corrompida, assim como uma maçã podre. A única coisa que ainda o mantinha vivo era a certeza de que sua irmã estava a salvo e feliz, e se o seu auto-sacrifício fosse suficiente para mantê-la assim, já estaria tudo bem.
Subitamente, a porta do quarto se abriu, e antes que Len pudesse demonstrar surpresa, a pessoa que entrou o fez:
— Mas o que significa isso?! — Gakupo exclamou, visivelmente abalado. Ficou com os olhos pregados no mais novo, inconscientemente, por um bom tempo, os orbes roxos deslizando do decote exagerado para o abdômen esguio à mostra, e de lá para as coxas propositalmente expostas — M-Mas o que é esse... essa.... isso?! — ele gesticulava nervoso, apontando exageradamente para os trajes de Len, sem nem saber como concluir a frase
— Ah... Mestre Gakupo. Bom dia — ele se virou de frente para seu novo Mestre, lhe dando uma visão ainda mais privilegiada de seu corpo praticamente todo exposto, aparentemente sem ligar a mínima que Gakupo o visse assim. Len não havia se dado conta disso, mas Gakupo notou também que, devido ao fato do tecido da roupa ser branco, também a deixava meio transparente — O senhor deseja alguma coisa?
— Sim, desejo que você tire essa coisa indecente! — Gakupo gritou, mas assim que viu que Len ia novamente começar a se despir na frente dele, acrescentou — Espere! Não agora, seu tonto! Por que você está usando esse... e-essa... droga, essa coisa é tão indecente que nem merece ser chamado de vestido... por que está usando isso afinal?!
— Eu tive um sonho hoje — Len contou — Sonhei com o dia em que fui para a mansão do Conde Kaito... e ele fez "aquilo" comigo pela primeira vez — o loiro baixou a cabeça e, inconscientemente, colocou os braços ao redor do corpo de forma protetora — Eu costumava ter esses sonhos com frequência quando vivia lá... já fazia algum tempo que não sonhava com isso. Ele me obrigava a usar frequentemente esse vestido... e esse sonho me fez lembrar disso
— Isso não foi sonho, foi um pesadelo, isso sim — Gakupo passou a mão pelos cabelos, desconfortável
— Pesadelo...? — Len repetiu — O que é isso?
— É como chamamos quando temos um sonho ruim
— Ah, certo... acho que isso foi ruim mesmo — o loiro murmurou pensativo. Sua mente havia sido tão deteriorada que ele já não sabia mais distinguir o que era bom e o que era ruim. Era mais fácil suportar a dor se não soubesse dessas coisas afinal — Eu não sabia que nenhuma daquelas coisas eram possíveis na época em que fui pra lá... eu era tão idiota na época
— Você não era idiota — Gakupo discordou, sentindo seu coração pesar — Era apenas... uma criança. E crianças geralmente não deveriam saber sobre essas coisas
— Por que o senhor está fazendo essa cara, Mestre? — Len indagou, vagamente curioso, notando a expressão de tristeza e pesar no rosto de Gakupo — Está sofrendo?
— Bem, é claro! Qualquer um ficaria triste em ouvir essas coisas afinal! — Gakupo exclamou, um tanto incomodado que o mais novo tivesse notado
— Não fique triste por minha causa, Mestre — sem pensar no que fazia, Len andou até o mais velho e, colocando-se na ponta dos pés, tocou a face dele com as duas mãos — Minha função é satisfazer suas vontades, quaisquer que sejam elas. Como um servo, não posso em hipótese alguma causar sofrimento para o meu Mestre. Diga o que eu posso fazer para animá-lo, Mestre Gakupo, e eu farei
— L-Len... n-não diga essas cois...!
Antes que Gakupo concluísse a frase, ele tentou afastar o garoto de si com um empurrão, e o resultado foi que o loiro tropeçou no laçarote exageradamente comprido em sua cintura, tentou se segurar na manga da roupa de Gakupo para não cair, porém não obteve sucesso, e os dois foram ao chão. Depois de alguns segundos, que levou para se situar e entender o que tinha acontecido, Gakupo viu-se deitado em cima do mais novo. Seus corpos estavam perigosamente perto um do outro, e seus rostos estavam a centímetros um do outro, tão perto que o Duque podia sentir a respiração cálida do loiro batendo em seu rosto. Com os olhos arregalados, encarando o menor por inteiro, Gakupo foi forçado a admitir que Len ficava realmente lindo naquele vestido, por mais que isso o irritasse.
— É isso o que o senhor quer? — Len indagou, encarando os olhos arroxeados do mais velho com seus orbes azuis e sem emoção, despertando o Duque de seus devaneios — Se isso puder fazer o senhor se sentir melhor... vá em frente.
Aquilo irritou Gakupo de uma maneira descomunal, como nem mesmo Miku era capaz de fazer, e olha que ela era mestra em tirar a paciência de Gakupo. Então Len achava que ele era igual à Kaito, era isso?! Mesmo depois de um mês vivendo debaixo do mesmo tempo, sem tocá-lo uma única vez, Len ainda pensava isso dele? Se ele tivesse comprado Len apenas pelo seu corpo, já teria feito essas coisas há muito tempo! Não que ele quisesse fazer, não mesmo!! Aquilo apenas... feria o seu orgulho e sua honra, sim, era isso!
— Ah, é mesmo? — Gakupo ergueu uma sobrancelha para ele — Então está dizendo que não se importa se eu violar você aqui e agora, é isso?
— Eu... sou apenas um servo... o que o senhor vai ou não vai fazer comigo, é escolha sua, não minha — Len respondeu num murmúrio depois de vários segundos pensando, a cabeça baixa de modo que a franja escondesse o leve rubor que se apossou de seu rosto. Na verdade uma parte dele ainda não queria que isso acontecesse. O resquício de consciência que mantinha e que lhe dizia que aquilo era ruim e errado. No entanto, outra parte, que até então ele não conhecia, lhe dizia que talvez aquilo não fosse tão ruim se fosse com Gakupo. Mas ele não conseguia entender essa outra parte. Qual a diferença se era com Gakupo ou com Kaito, não era tudo a mesma coisa? Aparentemente não, embora ele estivesse com dificuldade pra entender o porquê
— Não sabia que você tinha se tornado apenas uma marionete sem coração — Gakupo comentou tristemente. Ele então se pôs de pé novamente, saindo de cima do garoto — Não importa o que aconteceu no seu passado, mas você ainda é uma pessoa, e não um boneco sem vida, então tente demonstrar um pouco mais de vontade própria. Talvez seja uma pena pra você, mas não é desse jeito que você pode me ajudar. Já falei centenas de vezes que não quero e não vou fazer essas coisas com você — ele lestendeu então a mão para ajudar o loiro a levantar também, que, depois vários segundos, aceitou a mão dele e se colocou de pé
— Ah... certo — Len murmurou, sem soltar a mão dele — Mas... se não é isso o que o senhor quer, então por favor me diga, o que posso fazer pra tirar essa expressão ruim do seu rosto?
— Bem, pode começar trocando de roupa! — Gakupo exclamou, virando o rosto irritado e cruzando os braços. Sua mão ficou estranhamente fria sem o calor da mão de Len sobre ela — Eu já falei que não quero mais que você use vestidos, esqueceu?! Então vá logo se trocar! — ele virou as costas, e já ia sair do quarto, quando se lembrou do que tinha ido fazer ali e acrescentou — Ah, sim... e quando terminar, vá até a cozinha ajudar as outras criadas. Nós teremos visitas hoje, então trate de se comportar e não falar mais nenhuma besteira, ouviu bem? E nada mais de usar vestidos! — ele exclamou e, assim que Len assentiu, ele saiu do quarto batendo a porta.
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