Loveless
39 Capítulo 39 - ♫ Sayonara Memories ♪
"Naqueles dias de lágrimas e risos
Como se tivesse sido ontem
Esse caminho agora nos leva para o futuro
Pelo menos é o que eu penso
Os anos floresceram e acabou muito rápido
Você estava totalmente feliz sobre isso
Eu simplesmente sorri e disse 'Concordo'
Não foi nem mesmo há muito tempo, mas mesmo assim
Não podemos mais voltar a ele"
~~~~~X~~~~~X~~~~~
Após Miku explicar o plano, todos acharam uma completa loucura o que ela tinha sugerido, e Len não gostou nem um pouco daquela idéia, mas no fim Gakupo acabou concordando, já que não tinha nenhuma idéia melhor e, bem ou mal, aquela seria uma explicação plausível e mais fácil para as pessoas aceitarem. Gumi disse então que avisaria aos outros membros da trupe sobre o plano e combinaria com eles os detalhes e o dia certo para irem buscar Gakupo e Len, e pediu para que eles resolvessem seus assuntos pendentes durante esse tempo. Coisa que eles fizeram no dia seguinte, começando por chamar Rin até a mansão e lhe contar toda a história.
— Bom dia, Vossa Excelência — Rin cumprimentou, mais por educação do que qualquer outra coisa, já que nem mesmo sorria quando chegou
— Bom dia, Rin-chan — Gakupo respondeu, sorrindo sem jeito — Eu estava querendo conversar com você... pode me acompanhar até o escritório? — ele fez um gesto, indicando o caminho, e a garota o seguiu sem dizer nada. Ofereceu chá com biscoitos à ela, mas como a garota negou na hora, ele resolveu deixar os bons modos de lado e ir logo direto ao assunto. Para a surpresa da garota, Len já se encontrava no escritório quando eles adentraram o local
— Len?! Por que você está aqui?? — ela exclamou, surpresa ao ver o irmão — Não me diga que finalmente resolveu me devolver meu irmão, Excelência? Aproveito para avisar que finalmente consegui reunir toda a quantia necessária para comprá-lo de volta, e posso lhe entregar hoje mesmo o dinheiro se quiser...
— Não será mais necessário, Rin-chan — Gakupo a interrompeu — Não foi por isso que a chamei até aqui, mas, já que tocou no assunto... não precisa mais me pagar aquela dívida sobre o leilão
— Como não?! É o preço da liberdade do Len, e o senhor prometeu me devolver ele quando eu lhe pagasse um milhão de yenes! — a garota exclamou exaltada
— Certo então, faça como quiser. Me pague o dinheiro que me deve e o Len será livre de novo — Gakupo falou, dando de ombros, e se voltando para o garoto — O que você vai querer fazer quando conseguir sua liberdade de volta, Len? Isso significaria que você será livre para fazer o que quiser, e ficar com quem quiser... você vai querer ir embora com a Rin-chan?
— Não... por mais que eu ame a minha irmã, eu não conseguirei ser feliz se ficar longe de você, Gakupo-san — Len respondeu, meio cabisbaixo — Como eu disse antes, eu amo vocês dois, e sinto falta do tempo que vivia com a Rin-oneechan, mas... eu me apaixonei pelo Gakupo-san. Ele é a única pessoa capaz de fazer eu me sentir completo e feliz, e não me importa se ele é um homem, ou se é mais velho do que eu, ainda assim eu o amo. Então, Onee-chan... mesmo que você pague a sua dívida, você só estaria desperdiçando dinheiro, porque eu não quero ir embora com você. Quero continuar vivendo com o Gakupo-san
— Len... — a loira murmurou, entre incrédula e desconsolada — Eu... imaginei que você diria algo assim
— O que?! — seu gêmeo indagou, se perguntando se tinha ouvido direito
— Sabe, desde a última vez em que nos encontramos, eu... pensei bastante no que você me disse — Rin continuou, de cabeça baixa — Na hora em que descobri aquilo, de maneira tão brusca, fiquei furiosa e indignada... achava que o Duque estava fazendo com você a mesma coisa que o Conde fazia. Mas, depois do que você me falou, eu... fiquei pensando esse tempo todo e concluí que, por mais que eu não entenda e nem concorde com isso, se você realmente... a-ama o Duque de Pourpre, e se ele te faz assim tão feliz quanto você diz... então, eu devo respeitar a sua decisão. O que eu mais desejo agora é a sua felicidade, e se ela só está ao lado do Duque, então... que assim seja
— Rin-oneechan... obrigado! — repentinamente, o loiro atirou os braços ao redor do corpo da irmã, envolvendo-a em um apertado abraçado — Obrigado, de verdade... eu queria tanto que você aceitasse isso, tanto... muito obrigado, de verdade! — ele exclamou com a voz embargada, parecendo prestes a chorar
— Nossa, você não mudou nada, hein... continua o mesmo chorão de sempre — Rin sorriu sem graça, afagando os cabelos dele com uma das mãos e o abraçando com a outra — Acho bom o senhor cuidar muito bem do meu irmãozinho, ouviu bem, Excelência?! Senão vai ter que se ver comigo! — ela gritou para Gakupo
— É claro... eu faria isso mesmo se você não me pedisse, não se preocupe, Rin-chan — o mais velho respondeu, sorrindo
— Eu acho bom que seja verdade mesmo, senão jamais te perdoarei! — ela exclamou, num tom severo, soltando o irmão do abraço com dificuldade — E, mesmo que o desejo do Len seja ficar ao seu lado agora, eu... quero pagar a dívida que tenho com o senhor mesmo assim — ela acrescentou, abrindo a bolsa que trazia consigo e retirando de lá uma caixa fechada, com uma grande quantia de dinheiro dentro — Para o caso de, se algum dia o Len... mudar de idéia quanto à isso, e prefira não ficar mais ao lado do senhor... ele não se sinta preso ao senhor por causa dessa dívida, e seja livre pra seguir o rumo que ele desejar — ela concluiu, entregando a caixa que mais parecia um cofre de madeira ao Duque
— Bem, eu já disse que não precisa, mas, já que você insiste tanto nisso... — Gakupo falou meio sem jeito, pegando a caixa que ela lhe estendia — Obrigado, Rin-chan
— Eu também quero te agradecer por isso, Onee-chan, de verdade... não deve ter sido fácil juntar todo esse dinheiro afinal, obrigado por ter se esforçado tanto por mim — Len agradeceu também — Mas, ainda que você insista em pagar a quantia combinada, eu duvido muito que vá mudar de idéia algum dia
— Ainda assim, se por acaso isso acontecer, não quero que você se sinta preso à ele por causa de uma dívida que eu assumi — a garota respondeu
— Bem, é você quem sabe... obrigado, então — Gakupo falou, meio sem saber o que dizer — O que nos leva ao outro motivo de eu ter te chamado aqui... Len? Quer contar pra ela ou eu mesmo falo?
— Não... eu mesmo quero dizer — o loiro respondeu com certa dificuldade, segurando as mãos dela entre as suas — Rin-oneechan, eu... imagino que você já tenha ouvido os boatos que correm pelo reino sobre o Gakupo-san e eu. Por causa desses boatos... e por causa do fato de parte deles ser verdade, significa que, cedo ou tarde, as pessoas acabarão descobrindo a verdade. E, como todos devem reagir... bem... c-como você reagiu quando soube, ou talvez até de modo pior, eu... decidi fugir pra longe desse reino com o Gakupo-san
— V-Você... o que...? — Rin recuou um passo, desvencilhando suas mãos das dele
— Bem... sabe aquela trupe de circo que está na cidade? Gakupo-san é amigo de uma das artistas dessa trupe, a Gumi-sama... e, como ela descobriu sobre nós, nos ofereceu ajuda. Disse que poderíamos fugir junto com a trupe dela pra longe daqui, e podermos viver juntos em paz, em outro lugar. Nós hesitamos no começo, mas... como ela disse que há outras pessoas na trupe como nós, ou em situações parecidas, nós achamos uma boa idéia fazer isso — Len explicou o plano o melhor que pôde — Eu sei que você provavelmente não vai aprovar isso, mas... eu já tomei minha decisão. Vou fugir junto com o Gakupo-san e o resto da trupe, já encontramos até algumas coisas nas quais podemos trabalhar no circo deles. Só precisávamos resolver alguns assuntos pendentes antes de irmos... foi por isso que pedi ao Gakupo-san para te chamar até aqui hoje. Porque eu queria... me despedir de você antes de partir.
Rin abaixou tanto a cabeça que sua franja cobria seu rosto por completo agora, de modo que não era possível ver sua expressão facial. Ela ficou vários segundos em silêncio, e quando Gakupo estava começando a pensar que ela tinha desmaiado em pé ou coisa parecida, a garota finalmente ergueu a cabeça falou:
— Você tinha razão, Len... eu não aprovo isso. A idéia de nunca mais poder ver o meu único irmão, e de ele ir embora com outro homem e fugir com uma trupe de circo... não me agrada nem um pouco mesmo. No entanto... você se sacrificou muito no passado por mim, para me proteger, e pra que eu tivesse uma vida melhor e mais feliz do que a que teria se tivesse ficado na mansão do Conde de Bleu. Então, eu... acho que agora é a minha vez de me sacrificar por você. Se ir embora pra longe com o Duque é o que te faz feliz... por mais que isso me deixe de coração partido, eu vou me sacrificar pela sua felicidade
— Rin-oneechan... obrigado, de verdade — ele voltou a segurar as mãos dela — Vou sentir muitas saudades suas, muito mesmo... mas, você sabe, como é uma trupe de circo, viajaremos pelo mundo inteiro, então um dia acabaremos voltando até aqui, só que com nomes diferentes, é claro. Então, eu posso te visitar escondido de vez em quando!
— Sim, é claro... também te visitarei sempre que puder, prometo! — a garota respondeu, forçando um sorriso — Mas eu vou sentir muito a sua falta, você não imagina o quanto! — foi a vez dela de atirar os braços ao redor do pescoço do irmão e o envolver em um forte abraço — Eu espero mesmo que você seja feliz desse jeito, Len, de verdade...
— Eu vou ser, não se preocupe... e você também, trate de encontrar a sua própria felicidade logo, ouviu, Onee-chan? — ele respondeu, retribuindo o abraço dela
— Ahá! Viram só, eu disse que ela acabaria aceitando! — a porta do escritório abriu-se bruscamente, e por ela entrou Miku, com um sorriso triunfante
— Miku-san... por que raios você sempre invade a minha casa do nada, hein? — Gakupo indagou, já acostumado com aquilo
— A culpa é sua de não trancar bem as portas! — a Viscondessa rebateu — Mas, como eu dizia, eu tinha razão quando disse que a Rin-chan acabaria aceitando! Você perdeu a aposta, Gakupo-san! — ela apontou acusadoramente para o Duque
— Hai, hai, você ganhou, parabéns... tome — ele entregou uma folha de papel para a garota, que sorriu feliz
— O que era isso, Gakupo-san? — Len indagou, soltando-se dos braços da irmã
— A receita do bolo de chocolate com morangos que minhas empregadas preparam.... ela adora comer esse bolo, e disse que sentiria muita falta quando partirmos, então me pediu a receita — o mais velho respondeu
— Mas, Vossa Excelência, como o senhor pretende partir assim do nada? — Rin indagou — Quero dizer, o Len ainda vai, mas... o senhor é um nobre, tem suas responsabilidades como Duque de Pourpre e é uma pessoa importante, não pode partir assim do nada!
— Huhuhu... eu já cuidei disso — Miku respondeu pelo Duque, falando de um jeito tremendamente convencido — Achei que seria uma boa idéia aproveitar os boatos que correm pelo reino, que são vários, na verdade. A maioria das pessoas dizem que o Gakupo-san está se aproveitando do Len-kun... mas, também há quem diga que o Len-kun é o culpado dessa história, já que teria seduzido não apenas o Conde, como agora também fez o mesmo com o Duque. Então, chegamos à conclusão de que a melhor explicação seria dizer que o Duque de Poupre de fato enlouqueceu, assim como o Len-kun. Eles entraram em desespero por medo de que alguém tentasse separá-los, e preferiram fugir juntos e abandonar tudo do que serem separados. O que de certa forma, é verdade... exceto pela parte da loucura, é claro
— Eu já deixei todos os documentos encaminhados, não há nenhum outro assunto pendente — Gakupo contou — Não me importa o que vai acontecer com essa casa, pois eu não pretendo voltar para ela... só fico com pena dos empregados, deixá-los assim de repente...
— ... por isso eu me ofereci para cuidar de alguns deles e levá-los para trabalhar na minha casa! — Miku continuou — E, imaginei que a Rin-chan também poderia ajudar com isso, se não se importar, é claro...
— Não, imagine... não é incômodo nenhum — a loira respondeu — Mas, se o senhor fizer isso, provavelmente perderá seu título como Duque de Pourpre, e todo o seu poder e riqueza... não se importa mesmo com isso, Excelência?
— Nem um pouco... contanto que esteja ao lado do Len, não preciso de mais nada — Gakupo sorriu com convicção — Sem falar que eu me certifiquei de levar uma boa quantia de dinheiro comigo quando partir — ele acrescentou, dando uma piscadela
— B-Bem, se o senhor diz... — Rin murmurou, tentando se conformar com aquilo — Mas, então... quer dizer que vocês estão mesmos decididos a fazer isso?!
— É claro que estamos. Só faltava nos despedirmos mesmo — Gakupo respondeu
— Eu também... vim aqui pra me despedir de você, Gakupo-san — Miku falou, seu sorrindo murchando — Eu vou... sentir muito a sua falta... muito mesmo. Você é meu amigo de infância, e tem sido meu melhor amigo por anos... eu... não sei o que vou fazer sem você! — Miku atirou de repente os braços ao redor do pescoço do Duque, ficando na ponta dos pés para abraçá-lo, e caindo no choro, exatamente da forma como Gakupo imaginou que ela reagiria — Ainda não acredito que você vai embora pra longe e me abandonar assim!! Quem eu vou perturbar agora?! Você vai fugir pra longe e me deixar aqui, eu vou me sentir tão sozinha sem você! Eu vou... sentir tanto a sua faltaaa!!!
— Eu também sentirei saudades, Miku-san, acredite ou não... você sempre foi e sempre será a minha melhor amiga — Gakupo respondeu, achando que deveria abraçá-la pelo menos agora que estavam se despedindo, e retribuiu o abraço meio sem jeito — Prometo te visitar sempre que voltar à cidade, está bem? Então, não chore mais... sem falar que, agora que você encontrou uma pessoa que gosta de você e que ficará ao seu lado, então você deveria ficar feliz com isso, não é? Por mais que eu não goste dessa idéia, se isso te fará feliz, então... eu também fico feliz pela minha melhor amiga ter encontrado uma pessoa especial para ela — ele a soltou do abraço e enxugou as lágrimas dela — Vamos, agora me mostre aquele sorriso bobo e descarado que só você sabe dar. É estranho não te ver sorrindo, nem parece a Miku-san que eu conheço!
— C-Certo... você tem razão — Miku sorriu fracamente, contendo as lágrimas que insistiam em sair — Eu também visitarei vocês, sempre que puder! Ah, e antes que eu me esqueça... Len-kun — ela virou-se para o loiro — Como eu disse antes, eu estive visitando o Kaito-kun nos últimos dias... e, ele me pediu pra dar um recado para você: Ele disse que sente muito por todas as coisas ruins que fez com você... e que gostaria de se desculpar pessoalmente, mas, como ele não pode sair da clínica e nem tem coragem pra te encarar agora, ele me pediu pra te dizer isso. Disse também que, embora estivesse louco naquela época, sabe que isso não é justificativa para as coisas que ele fez com você, e que não espera que você entenda ou o perdoe, mas... ele queria que você soubesse que ele está arrependido
— Diga à ele... — Len falou depois de alguns segundos em silêncio — Que eu o perdôo pelo que aconteceu
— Você o que?! — Gakupo e Rin gritaram ao mesmo tempo
— Como você pode perdoar aquele homem, Len?! Não interessa se ele estava louco ou o que for, mesmo que ele esteja curado agora, o que ele fez com você é imperdoável! — Rin exclamou primeiro, indignada e incrédula — V-Verdade que ele queria fazer aquelas c-coisas comigo no início, mas... n-não importa, o que aconteceu é horrível, você não pode simplesmente perdoá-lo!
— Ela tem razão, escute a sua irmã, Len! — Gakupo apoiou — O que ele fez é realmente uma monstruosidade imperdoável, escute o que a sua irmã diz!!
— Eu escutei, mas decidi perdoá-lo assim mesmo — Len respondeu
— Isso está errado, escute a sua irmã mais velha! — Rin insistiu
— Nós somos gêmeos, Rin-oneechan! — Len rebateu
— Não interessa, eu nasci primeiro! — ela insistiu
— Ainda assim — Len respirou fundo, tentando se acalmar — Eu decidi perdoá-lo. Porque, se aquilo não tivesse acontecido, ele não teria me vendido naquele leilão depois, e eu não teria sido comprado pelo Gakupo-san... nem conheceria ele. Se aquelas coisas horríveis não tivessem acontecido, eu não conheceria o amor da minha vida... e não poderia ser completamente feliz. Então, eu acho... que, apesar de ter sido terrível, valeu à pena o sacrifício
— Len-kun... obrigada. O Kaito-kun vai ficar muito feliz com a sua resposta, de verdade — Miku sorriu, parecendo agradecida também. Gakupo e Rin ainda estavam com cara de quem comeu e não gostou, parecendo bastante inconformados, mas decidiram respeitar a decisão do loiro e não discutir mais sobre isso
— De nada... só... p-por favor diga à ele que não precisa vir me pedir perdão pessoalmente. Eu não... q-quero vê-lo de novo, se puder evitar — Len acrescentou, remexendo-se incomodado
— Ah, é claro, eu entendo... — Miku sorriu sem graça — Pode deixar que direi à ele
— Bem, então... Miku-san, posso deixar o resto com você? — Gakupo indagou, achando melhor mudar de assunto ao invés de insistir naquilo
— Ah, é claro! Deixe tudo comigo que eu resolverei tudinho! — ela exclamou, se empolgando do nada de novo
— O que ainda falta resolver? — Rin indagou
— Ah, só alguns assuntos burocráticos chatos que ficaram pendentes... — Miku abanou a mão, dando pouca importância ao assunto — Mas, também tem a parte divertida, de sair espalhando pela cidade que o Gakupo-san e o Len-kun ficaram loucos e fugiram juntos para viverem o seu amor! — ela começou a dar pulinhos, parecendo bastante empolgada com isso
— Sim, mas, lembre-se de que só é pra fazer isso quando a trupe já tiver indo embora da cidade e estivermos bem longe daqui! — Gakupo lhe lembrou, temendo que ela se deixasse levar pela empolgação e saísse gritando isso por aí antes da hora — Como a Miku-san tem esse jeito histérico e adora um escândalo, achei que seria a pessoa mais indicada pra fazer isso
— Acho que tem razão... — os gêmeos murmuraram baixinho e ao mesmo tempo.
As duas garotas despediram-se mais uma vez, e deixaram a mansão logo depois. E, naquela noite, assim que ouviu o relinchar dos cavalos, acompanhado da mistura de sons de outros animais, como elefantes, leões, e algo que lembrava uma foca. Aquele era o sinal, a gigantesca carruagem do Cirque Voix estava parada em frente à mansão de Gakupo agora. Ele deu uma última olhada para a casa onde cresceu, e para onde provavelmente não voltaria nunca mais, tentando guardar tudo muito bem na memória. Em seguida, pegou uma mala com algumas roupas e o dinheiro que ele já tinha preparado anteriormente, inclusive a quantia que Rin insistiu em lhe pagar pela liberdade de seu irmão, e saiu de seu quarto, andando sorrateiramente pelo corredor até o quarto de Len, mas antes que chegasse lá, o loiro o encontrou no meio do caminho, também carregando uma mala com seus pertences.
— Chegou a hora, Len. Está pronto? — o mais velho indagou, e quando o menor confirmou com um aceno de cabeça, ele segurou a mão livre do garoto e o guiou até a porta de saída o mais rapidamente que pôde sem fazer barulho, e os dois partiram juntos, rumando para o futuro que os aguardava.
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