Loveless

18 Capítulo 18 - ♫ Love is War ♪


"Ah, o mundo está desordenado
Apesar de tudo, eu ainda te amo
Eu sei disso, mas o que eu devo fazer?
O que eu deveria ter feito? O que eu devo fazer?
Que idiota... eu sou
Vamos começar: Isto é uma guerra!
Como poderia te ver feliz com outra pessoa?
Ganhar no amor, isto é pecado.
Eu te mostrarei como eu me sinto!"

~~~~~X~~~~~X~~~~~

Depois de contar para Len como se sentia, Gakupo se sentiu consideravelmente mais aliviado. E, no entanto, ainda não conseguia deixar de sentir um incômodo aperto no peito. Len havia dito que compreendia os sentimentos dele, e que acreditava que ele não tinha as mesmas intenções que Kaito, no entanto, não correspondia aos seus sentimentos. Não porque ele já amasse outra pessoa ou porque desprezasse Gakupo, mas simplesmente porque o loiro já não possuía sentimento nenhum em seu coração, e isso incluía o amor. Mesmo Len tendo dito que não se importava de Gakupo fazer com ele as mesmas coisas que o Conde fazia antes, Gakupo simplesmente não conseguia abraçar e beijar uma pessoa que havia dito claramente que não o amava. Isso seria apenas abusar dele, e Gakupo não queria fazer isso. O próprio Len tinha afirmado que, caso algum dia ele conseguisse recuperar seu coração humano, talvez ele fosse capaz de passar a amar o Duque da mesma forma como ele o amava, mas era impossível saber quando e se isso iria acontecer. Quanto tempo Gakupo teria que esperar por isso? Um mês? Um ano? Uma década? Ninguém sabia ao certo, nem o próprio Len, e o fato é que, antes disso acontecer, Rin poderia muito bem ter conseguido juntar todo o dinheiro que precisava para comprar o irmão de volta e separá-lo do Duque. Ou pior ainda, a data de seu casamento com Luka poderia chegar antes disso, e se eles não conseguissem a anulação à tempo, eles seriam obrigados a casar.


Porém, de todos esses problemas, o que mais incomodava o Duque no momento era a garota com quem Len conversava na cozinha agora. Neru havia saído de casa para ir ao mercado e, no caminho, resolveu dar uma breve parada para cumprimentar Len, já que estava passando por ali. Essa "breve parada" já estava durando quase uma hora, e aquilo estava aborrecendo seriamente Gakupo. O que tanto essa garota conversava com ele afinal?! As risadas estridentes que a loira dava de vez em quando ecoavam atrás da porta da cozinha até a sala, onde o Duque estava agora, o que o deixava ainda mais irritado. Ele sabia muito bem que Neru gostava de Len. E sabia também que o loiro tinha se apegado à ela, pelo fato de ela ser a única pessoa com quem podia conversar na época em que estava aprisionado, por isso tinha permitido que a garota viesse visitá-lo de vez em quando, mas estava começando a se arrepender dessa decisão. Mesmo se Len viesse a recuperar seus sentimentos um dia, ou ainda se Gakupo conseguisse devolver o coração humano dele, nada garantia que isso faria com que o loiro viesse a corresponder os sentimentos dele. Quem garantia que, se Len recuperasse seus sentimentos, ele não acabaria se apaixonado por Neru ao invés de Gakupo? Era muito mais provável isso acontecer, na verdade. Ele conhecia Neru há mais tempo, confiava nela, faziam parte da mesma classe social, a loira havia sido a única fonte de refúgio na época em que o garoto esteve aprisionado. E, o mais importante de tudo: Neru era uma garota. Seria muito mais fácil Len se apaixonar por ela, uma garota na mesma condição social que ele e ter uma vida mais tranquila e normal ao lado dela, do que ter que enfrentar um monte de problemas e obstáculos para ficar com alguém como Gakupo. Aquele argumento fazia todo o sentido, o que só servia para deixar o Duque ainda mais angustiado. O homem já estava prestes a inventar algum motivo pra expulsar aquela garota da casa dele, quando a porta da cozinha se abriu, e a própria Neru saiu por conta própria, feliz e sorridente, ao lado de Len, que continuava com a mesma expressão neutra de sempre.


— ... e então você só precisa mexer por mais uns dois minutos, e está pronto! Viu só, não é tão difícil! — a garota vinha falando animada, aparentemente sobre como cozinhar alguma coisa — Ah, mas não se esqueça de temperar antes da próxima vez!
— Entendi. Obrigado, Neru-neechan — o mais novo agradeceu, sem demonstrar expressão alguma
— Imagine, sempre que precisar, é só falar! — ela escancarou mais ainda o sorriso — Mas agora eu preciso mesmo ir andando... vou levar bronca da Mestra Luka se eu demorar muito. Obrigada por me deixar vir aqui, Vossa Excelência
— Tudo bem. Mas avise a Luka da próxima vez que vier sozinha, eu não quero ouvir ela reclamando depois que eu estou roubando as empregadas dela ou coisa do tipo — ele respondeu o mais educadamente possível
— Ah, certo... pode deixar. Então, com sua licença — Neru vez uma breve reverência e deixou a casa, fechando a porta ao passar por ela.


Gakupo deixou escapar um longo suspiro depois que a garota saiu, e jogou-se no sofá mais próximo, tentando relaxar. Len o encarou com uma vaga curiosidade em seus olhos, e perguntou:


— Alguma coisa errada, Mestre Gakupo?
— O que? Ah, não... n-não é nada — ele mentiu, surpreso que Len tivesse notado o desconforto dele
— Mas o senhor parece cansado — o loiro insistiu
— Não é nada de importante, é só... — Gakupo fez uma pausa, sem saber o que dizer. Não queria contar para Len que estava com ciúmes de Neru, o garoto provavelmente nem sabia que a loira gostava dele e, se dependesse do próprio Len, não perceberia nunca. Perguntou-se qual seria a reação de Len se soubesse dos sentimentos que Neru tinha por ele... mas não era certo dizer uma coisa dessas, era a própria pessoa quem tinha que se declarar afinal, e, acima de tudo, Gakupo tinha medo da reação dele se soubesse disso — Bem, é essa garota, a Neru... ela tem te visitado muito ultimamente
— Sim... Neru-neechan tem me ajudado com algumas coisas, e graças à ela, acho que estou aprendendo a cozinhar melhor. Isso incomoda o senhor? — Len indagou, tentando entender aonde Gakupo queria chegar, sem muito sucesso — Eu tenho feito todas as minhas tarefas mesmo com as visitas dela...
— Não... não é por causa disso — Gakupo fez uma pausa novamente, sem saber como explicar aquilo. Len chamava a garota de "Nee-chan"... agora, parecia impossível que Len viesse a se apaixonar por alguém que ele considerava como uma irmã. Mas, ainda assim, o Duque temia que no futuro esses sentimentos mudassem. Gakupo surpreendeu-se consigo mesmo ao notar de repente que era tão ciumento — Len, você... se apegou muito àquela garota, não é?
— Bem, ela era a única pessoa com quem eu podia conversar na época em que estava aprisionado... muito embora ela estivesse proibida de falar comigo e não pudesse me responder — Len contou — E ela me lembra um pouco a Rin-oneechan na aparência e no modo de agir, por isso, acho que tinha simpatizado com ela na época em que ainda tinha sentimentos... mas, agora, eu não gosto nem desgosto dela
— Então, se ela é como uma irmã pra você... então, você não precisa ficar recorrendo à uma "irmã substituta", posso chamar a Rin-chan de verdade e pedir que ela venha ver você quando quiser! Eu a conheço, você sabe, então você não precisa...
— Obrigado Mestre Gakupo — o mais novo o interrompeu — Sei que o senhor está tentando me ajudar e me deixar feliz, e eu agradeço sinceramente por isso. No entanto, por mais que eu tenha saudades da minha verdadeira irmã, e por mais que eu queira vê-la... eu não posso. Já não sou mais o mesmo "Len" que ela conheceu, até os sentimentos que eu tinha por ela eu perdi. Tudo o que tenho em mente é o objetivo de proteger a Rin-oneechan, aquela era única coisa que me motivava a continuar vivendo desde a época em que vivia na casa do Conde. Mas tudo o que restou foi esse "objetivo".... o "sentimento" que eu tinha por ela, assim como todos os outros, se foram. Eu não quero que a Rin-Oneechan veja um irmão que não a ama mais como antes, isso a deixará muito triste. Além do mais, agora eu estou... sujo e corrompido demais para ficar perto de alguém tão pura e bondosa quanto a Rin-Oneechan. Eu não quero corrompê-la, então... é melhor que eu não a veja
— Len... — Gakupo se levantou, andou até ele, e fez um movimento com o braço, como se fosse puxá-lo para um abraço e o beijar, mas desistiu no meio do caminho — Eu acho que já te disse isso antes, mas vou dizer de novo: Eu conheço a Rin-chan, e sei que ela não é o tipo de pessoa que se sentiria "corrompida" apenas em rever você. Ela deve se sentir muito grata, e provavelmente também culpada pelo que aconteceu à você... e também deve sentir muito a sua falta
— Por que ela se sentiria culpada? — o loiro indagou — Eu sou o único homem restante na família, então é meu dever protegê-la. Eu fiz apenas a minha obrigação, não há motivo para ela se culpar por isso
— Não é isso, é que... — Gakupo fez uma pausa de novo, sem saber como explicar aquilo para ele, e acabou por suspirar outa vez, derrotado — Esquece, não é nada
— Se não fosse nada o senhor não ficaria incomodado — Len rebateu — Isso que o senhor falou sobre a Rin-Oneechan... o senhor disse isso como um pretexto para me fazer parar de ver a Neru-neechan, não é? Por acaso... o senhor não quer que eu a veja mais?


Gakupo sentiu seu queixo despencar, pasmo com o que o mais novo tinha dito. Então quer dizer que isso ele conseguia perceber, mas não entendia que o "motivo" que ele estava usando para não poder mais ver Rin simplesmente não fazia sentido?! Era realmente impossível prever o rumo dos pensamentos desse garoto afinal.


— Não é que eu não queira que você a veja mais, é só que... bem... — ele olhou para os lados, para ver se não tinha ninguém por perto, e só por precaução arrastou Len pelo braço até a biblioteca, e trancou a porta antes de continuar — É que me incomoda ver você assim tão próximo daquela garota. Você parece ser tão íntimo dela... e eu... b-bem, você sabe que eu... gosto de você. Por isso me incomoda ver você tão próximo e tão feliz e à vontade com ela.


Len se surpreendeu ao ouvir aquilo. A descrição de Gakupo parecia exatamente com as sensações que ele tinha quando via o Duque tão próximo de Luka, mesmo que os dois só brigassem quando se encontravam. Aquela sensação incômoda de ver Gakupo tão próximo de uma garota, e comprometido com ela... aquilo lhe causava um aperto desconfortável no peito, embora Len não soubesse o que significava. E Gakupo estava dizendo que se sentia da mesma forma vendo ele junto com Neru... e além de tudo, disse que gostava dele. Se os dois sentiam a mesma coisa quando viam o outro tão próximo de uma garota, então... será que isso poderia significar que Len também amava Gakupo? Talvez... mas Len não sentia nada de diferente agora, então não sabia dizer com certeza. E não queria dar falsas esperanças para seu Mestre, então achou melhor não dizer nada sobre isso por enquanto.


— Desculpe... não sabia que o senhor ficava tão incomodado só por eu conversar com a Neru-neechan. Se isso desagrada tanto o senhor, então eu não vou vê-la mais. Estará tudo bem assim, não é?
— Não, não precisa fazer isso! — Gakupo se apressou a dizer, surpreso que ele tivesse chegado àquela conclusão — Ela é importante pra você, não é? Não quero que você perca uma das poucas amigas que tem por minha causa. Isso apenas... me chateia um pouco
— Isso significa... que o senhor está com ciúmes? — o mais novo indagou incerto
— O qu...?! N-Não seja ridículo, não estou com ciúmes!! — o Duque gaguejou, surpreso que ele tivesse chegado sozinho àquela conclusão — Por que eu teria ciúmes de uma simples serva da Luka?! Isso é um absurdo! Apenas... me incomoda ver a pessoa que eu amo tão próximo de outra pessoa que não seja eu... mas é só isso! Não é ciúmes, entendeu?!


Pelo que Len se lembrava, aquela era definição exata para a palavra "ciúmes", mas Gakupo pareceu tão abalado com aquilo que ele achou melhor não insistir nesse assunto.


— Tudo bem, Mestre. O senhor não está com ciúmes, está apenas incomodado. Eu entendi — ele respondeu, e Gakupo deixou escapar um suspiro de alívio — Mas eu tenho outra pergunta: Por que o senhor parou?
— Hein?! Parei o que?
— Lá na sala, quando eu estava falando sobre o porquê de eu não poder ver a Rin-oneechan, o senhor se levantou de repente e veio na minha direção, mas parou do nada... eu tive a impressão de que o senhor ia me abraçar ou coisa do tipo, mas acabou desistindo no último instante. Por que o senhor desistiu na última hora e parou?


Gakupo sentiu seu queixo despencar pela segunda vez naquele dia. Como Len havia conseguido perceber uma coisa dessas?! Bem, é claro que ele tinha percebido, ele já havia passado por situações desse tipo várias vezes antes, então devia ser uma coisa fácil para ele notar... mas ainda assim, era incrível como ele conseguia perceber essas coisas tão depressa, e ser tão lento para entender outras.


— Eu já te falei que não quero te forçar a fazer coisas que você não queira. Eu sei que você não me ama, então... não quero ter que te obrigar a fazer essas coisas com alguém de quem você não gosta — o Duque respondeu por fim
— Mestre Gakupo... eu também já disse ao senhor que entendo os seus sentimentos. E, embora eu não possa dizer que sinto o mesmo pelo senhor agora... eu já falei que não me importo se o senhor quiser me abraçar, ou me beijar, ou o que for. Eu acho... que talvez consiga recuperar meus sentimentos humanos se eu estiver com o senhor, então... não precisa ficar se contendo
— Então... tudo bem se eu fizer isso agora? — O mais velho indagou incerto, e Len balançou a cabeça, assentindo. Gakupo cobriu a pouco distância que havia entre eles, segurou o rosto do menor com uma das mãos e, inclinando-se, selou seus lábios nos dele.


Gakupo ainda tentava se controlar para não acabar exagerando, mas era tão maravilhosa a sensação de poder beijar a pessoa que ele amava, tê-la bem segura em seus braços, e longe de qualquer um que pudesse levá-la embora, que o Duque estava tendo dificuldades em se controlar. Envolveu a cintura de Len com a mão livre e o puxou mais para mais perto, abraçando-o. Sentiu o garoto abraçá-lo de volta alguns segundos depois, ainda que não colocasse força alguma no abraço, mas era tão boa a sensação de sentir Len correspondendo aos gestos dele, mesmo que minimamente, que Gakupo acabou interpretando aquilo como um sinal de que poderia avançar, e tocou os lábios dele com a ponta da língua, ao que o mais novo entendeu imediatamente e entreabriu os lábios, permitindo que o Duque aprofundasse o beijo.


Quanto mais Gakupo intensificava os toques, mais o loiro sentia seu coração voltar a bater. No inicío devagar, com o ritmo acelerando aos poucos, até que agora parecia palpitar como um louco, como se quisesse saltar por sua boca. Sentiu seu rosto esquentar e as pernas tremerem levemente, enquanto seu coração acelerava cada vez mais, e era como se estivesse ganhando vida outra vez. Aquelas mesmas sensações, tão horríveis e pavorosas antes, pareciam completamente diferentes agora. Com Kaito, ele sentia medo, vergonha, e nojo do homem que o tocava, e de si mesmo. Mas, por que com Gakupo era tão diferente? Eram as mesmas coisas, só o que havia mudado era a pessoa que o tocava, então por que de repente essas coisas, antes repugnantes e constrangedoras, de repente pareciam tão... boas? Não era mais assustador, não era mais repulsivo... ainda era um pouco constrangedor, mas não de um jeito ruim. Era de um jeito completamente novo e aprazível, que acontecia apenas com Gakupo. E, por algum motivo, porém, assim como havia acontecido antes, o coração dele pareceu parar de bater de novo no instante em que Gakupo se separou dele e encerrou o beijo.


— Você tinha razão, Len. Eu estava com ciúmes daquela garota, e ainda estou, pra dizer a verdade — por algum motivo Gakupo acabou confessando, enquanto o menor ainda arfava, tentando recuperar o fôlego — Tenho ciúmes de ver você perto da Neru. Isso porque eu te amo, e não aguento ver você com outra pessoa, tenho medo que ela possa roubar você de mim. Eu sei que você não é capaz de sentir o mesmo por mim ainda, mas escreva o que eu digo: Eu vou fazer você me amar, não importa quanto tempo leve. Farei você recuperar seus sentimentos, devolverei seu coração humano, e farei você me amar!
— Isso pareceu uma declaração de guerra, Mestre — Len comentou como quem fala do tempo. Talvez Gakupo nem precisasse se esforçar tanto assim, ele pensou, já que o Duque era o único capaz de reviver seu coração e fazê-lo bater tão forte daquele jeito. Mas Len ainda não entendia o que significava aquilo, e precisava entender bem o que aquela reação significava antes de dizer qualquer coisa comprometedora para Gakupo
— Pois pode considerar como uma — o mais velho respondeu com um ar confiante — Sabe o que dizem? O amor é uma guerra. E eu pretendo lutar pelo seu amor até o fim. Eu juro à você, Len, que devolverei seu coração, e farei você me amar, não importa o que aconteça!
— Sim... aceito sua declaração de guerra, Mestre. E lhe desejo boa sorte — ele ergueu lentamente a mão e, meio hesitante, segurou a mão de Gakupo, tentando esboçar o que parecia ser a sombra de um sorriso. Gakupo se surpreendeu de início, mas assim que o choque passou, ele sorriu e volta, entrelaçando seus dedos nos de Len.

Notas finais
Olá, pessoas! Então.. pois é, nosso querido e complicado casal está começando a avançar, mesmo que de um jeito devagar e meio complexo... mas, para a felicidade das leitoras que reclamaram no capítulo passado, veio enfim o beijo tão esperado! /o/ Felizes agora? Espero que sim XD Deixem reviews onegai, e façam de mim uma autora feliz!!! *o*