Loveless
37 Capítulo 37 - ♫ Bad End Night ♪
"Deve ser o destino nos encontrarmos assim
Então vamos à festa, festa!
Vamos dar-lhe as boas-vindas!
Vamos festejar,festejar!
Está pronta? Está preparada?
Então vamos começar!
Você é a estrela dessa noite louca
Cante, dance, faça muito barulho
Até o ponto da insanidade
E divirta-se nessa noite de fim feliz!"
~~~~~X~~~~~X~~~~~
Em uma manhã ensolarada, após receber uma surpreendente e feliz notícia, Gakupo chamou Len até o escritório dele e, após o garoto ter entrado, o Duque certificou-se de trancar a porta, mas, antes que pudesse falar, o loiro perguntou primeiro:
— Etto, Mestre Gakupo... por que me chamou até aqui?
— Porque eu queria falar com você em particular, é claro. E me chame pelo nome, estamos sozinhos afinal
— Certo... então, Gakupo-san... n-não é sobre ontem à noite, é? — o menor perguntou, desviando os olhos para o lado e apertando a camisa entre as mãos nervosamente — T-Tenho a impressão de que fiz alguma coisa de errado, mas... como você não falou nada ontem, então...
— Espera, Len, do que está falando? — Gakupo o interrompeu, confuso — Não conversamos muito depois daquilo porque você pegou no sono depressa depois que acabou, mas... você não fez nada de errado
— Isso é mesmo verdade, ou... você só está sendo gentil comigo de novo? — o loiro indagou, ainda receoso — T-Tenho certeza de que fiz algo de errado, principalmente no final... sem falar que foi diferente das outras vezes que nós... f-fizemos aquelas c- coisas... eu nem sequer sabia que dava pra fazer a-aquilo com a boca... e, por causa disso, acabei te sujando todo com aquela c-coisa branca...
— Ah, isso?! — o Duque exclamou, finalmente entendendo do que ele falava — Não se preocupe com isso, fui eu quem decidi fazer com a boca ao invés de usar a mão dessa vez, eu sabia que isso ia acontecer... é que eu queria sentir o seu gosto. Não se preocupe, aquilo não me incomodou em nada... pelo contrário, eu gostei muito
— Sério?! — Len finalmente voltou a encará-lo, completamente pasmo — M-Mas eu.... sujei seu rosto todo com aquilo...
— Eu já te disse pra não se preocupar com isso, é só lavar que sai, esqueceu?
— Mas eu... ainda não entendo como sentir o gosto daquilo pode ser bom... — o menor voltou a baixar os olhos, confuso
— Bem, nós... podemos trocar da próxima vez, se quiser... desse jeito você pode sentir o meu gosto e ver por conta própria como é bom — Gakupo sugeriu, mesmo que não conseguisse imaginar uma situação dessas acontecendo
— Ah, não!! — Len exclamou na hora, erguendo os olhos de novo e corando violentamente — E-Eu não conseguiria fazer... a-aquelas c-coisas com o senhor... quero dizer, com você! E-Eu não conseguiria fazer isso, é embaraçoso demais... p-por favor, não me mande fazer isso!!
— Certo, certo, não se preocupe... foi só uma sugestão. Se você não quer, não precisamos fazer isso, não precisa se preocupar — Gakupo respondeu, tentando inutilmente conter uma risada da cara de pavor misturado com constrangimento que o loiro fazia agora — De qualquer forma... não foi por isso que eu te chamei aqui
— Ah, não?! Então foi por que? — Len piscou, meio confuso, e voltou a encará-lo
— Bem... você se lembra da Gumi-san?
— Esse era... o nome daquela moça do circo que te visitou depois daquele incêndio... não era? — o menor indagou meio incerto
— Exatamente — o Duque confirmou — Hoje cedo, enquanto fazia compras, uma das empregadas ganhou um panfleto na rua, anunciando que a trupe de circo da qual ela faz parte, o Cirque Voix, está de volta ao reino. Como ela sabia que eu gosto dos espetáculos realizados pela Gumi-sam, a empregada trouxe o folheto pra mim — ele informou, pegando o tal panfleto de cima da mesa e mostrando para Len — Então, eu estive pensando... o incêndio que aconteceu da outra vez foi terrível, é verdade, mas como a Gumi-san nos contou, aquilo foi obra do Conde Kaito, numa tentativa desesperada de recuperar você. Mas, ele está preso agora, e a trupe possui novos artistas, provavelmente pra substituir aqueles que faleceram no acidente da última vez... então, você gostaria de ir assistir o espetáculo comigo essa noite?
— Ahn... e-eu não sei... da última vez teve aquele incêndio, que matou um monte de gente, e eu quase fui sequestrado... e se... acontecer de novo? — Len murmurou, ainda encarando o panfleto em suas mãos incerto. Seus ombros tremiam de receio, mas ele não pareceu se dar conta disso
— Duvido muito que aconteça o mesmo tipo de acidente duas vezes com as mesmas pessoas. Mas, se algo do tipo acontecer, eu protegerei você — Gakupo respondeu, encarando-o com convicção — Eu te protegi da última vez, não foi? Então, eu farei isso de novo
— Bem... se você vai estar lá comigo, então... acho que tudo bem — o loiro acabou concordando, devolvendo o panfleto para Gakupo. Sinceramente, não tinha muita vontade de ir ao tal circo, mas sabia o quanto Gakupo gostava de assistir a esses espetáculos, então acabou aceitando o convite. Gakupo já tinha feito tanta coisa por ele afinal, tinha até mesmo conseguido a façanha de recuperar seu coração humano... então não custava nada fazer ele feliz também.
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E assim, naquela noite, Len acompanhou o Duque de Pourpre até o local onde estava armada uma gigantesca lona de circo, com vários assentos preparados do lado de dentro, que rodeavam toda a tenda, e com o enorme palco no meio. Dentre as várias pessoas que foram apreciar o espetáculo, eles reconheceram Miku a alguns metros de distância, sentada ao lado da Marquesa de Rose, e Neru logo ao lado dela. A Viscondessa parecia muito mais agitada e alegre do que de costume, e tagarelava sem parar alguma coisa ao lado de Luka, que apenas resmungava como resposta, enquanto Neru murmurava nervosamente alguma coisa, aparentemente tentando acalmar os nervos de sua Mestra, sem muito sucesso, e Gakupo sentiu-se extremamente satisfeito por Miku ter arranjado outra pessoa para perturbar dessa vez. Do outro lado arquibancada improvisada, estava Rin, junto de seus pais adotivos, o Barão e a Baronesa. Ela sorria, parecendo ansiosa pelo espetáculo, no entanto o Duque não pôde deixar de lembrar da ameaça da garota na última visita que lhe fizera. Felizmente, ele não teve muito tempo para se preocupar com isso, pois, poucos segundos depois, uma menina loira com longos cabelos cacheados e soltos, que devia ter mais ou menos a mesma idade que Len, adentrou o palco, caminhou até o centro e disse:
— Boa noite, senhoras e senhores! Sejam todos bem-vindos ao maior espetáculo da terra, o Cirque Voix ! — ela exclamou com a voz aguda, com um enorme sorriso no rosto delicado — Meu nome é Seeu, e serei sua apresentadora essa noite! — ela vez uma longa e apressada reverência enquanto o público aplaudia — Espero que todos apreciem o espetáculo dessa noite! E agora, sem mais delongas, começaremos com nossa mais nova contorcionista, Ia-chan! — Seeu fez um largo gesto com a mão e se afastou para um canto do palco, enquanto uma garota de longos cabelos brancos, com um leve tom róseo e de olhos azuis-claros adentrava o palco para iniciar o espetáculo, e o público voltou a bater palmas para ela.
Len se lembrava de que, da primeira vez que viera até esse circo, o contorcionista era uma pessoa diferente, e concluiu que o artista anterior provavelmente tinha falecido durante o incêndio, e agora essa garota o estava substituindo. Sentiu-se mal pelo artista anterior que perdeu sua vida, mas não teve muito tempo para pensar nisso, pois a apresentação da garota chamada Ia logo tomou por completo sua atenção. Lembrava-se de ter se impressionado com os artistas da primeira vez que veio ao circo, mas agora parecia ser milhares de vezes melhor do que a anterior. Talvez porque agora ele tinha recuperado seus sentimentos, e agora era
finalmente era capaz de se emocionar e apreciar com todo seu coração a maravilhosa sequência de apresentações que os artistas realizavam. Depois que Ia finalizou sua apresentação, entraram em cena outros artistas, todos sendo anunciados primeiramente por Seeu. Primeiro vieram os malabaristas, e depois os equilibristas, que de alguma forma conseguiam se pendurar em um simples trapézio há vários metros do chão por apenas um dos pés. Enquanto eles terminavam sua apresentação, uma pessoa aproximou-se por trás da fileira mais alta da arquibancada, e uma voz feminina sussurrou no ouvido de Gakupo:
— Boa noite, Vossa Excelência. Está gostando do espetáculo?
— Gumi-san?! — Gakupo exclamou, sobressaltando-se ao ver uma das artistas bem atrás dele, mas a garota fez um gesto silencioso, pedindo que ele mantivesse silêncio
— Não posso demorar muito, minha apresentação é daqui a pouco — ela falou, ainda sussurrando — Só queria pedir que o senhor fique até o final, tenho algo importante para lhe dizer quando o espetáculo terminar
— Ah... é claro, ficarei até o final sim — o Duque respondeu, já que realmente já pretendia fazer isso desde o começo
— Ótimo. Então, depois que o show terminar, por favor me encontre do lado de fora, atrás da lona, e leve o Len-kun com o senhor. Estarei esperando pelos senhores — ela respondeu, sorrindo, porém ainda mantendo o tom de voz baixo — Então, eu preciso me apressar, portanto, com licença — ela fez uma breve reverência e se retirou apressada
— O que ela queria? — Len indagou depois que Gumi foi embora, pois não tinha conseguido ouvir a conversa, de tão baixo que a garota falara
— Disse que quer conversar conosco depois do show, e que tem algo importante pra nos contar... — Gakupo respondeu, pensando no que poderia ser — Bem, acho que não custa nada esperar até o final, não é? — ele sorriu para Len, e como ele acenou a cabeça concordando, os dois voltaram a prestar atenção no espetáculo.
Agora era vez dos palhaços se apresentarem, e Len não conseguiu deixar de pensar que tinha sido justamente durante a apresentação deles que o incêndio aconteceu da primeira vez que ele foi ao circo, porém, dessa vez foi completamente diferente. O show dos novos palhaços (já que os antigos tinham todos falecido) era tão divertido que Len conseguiu até dar boas gargalhadas, como há muito tempo não fazia. Logo em seguida, foi a vez do mágico adentrar o palco, acompanhado de Gumi, que usava uma roupa toda rosa e branca, meio chamativa, diferente do vestido simples que trajava quando foi falar com Gakupo. Ele preparou uma caixa enorme e retangular, do tamanho de uma porta e, depois de abri-la algumas vezes para demonstrar que se tratava de uma caixa comum, anunciou que serraria sua assistente ao meio, sem machucá-la. Gumi adentrou a caixa, sorrindo tranquilamente, e deitando-se para que o mágico pudesse trancá-la novamente. Len sentiu-se apreensivo dessa vez, com a certeza de que agora sim uma pessoa acabaria morta. E tinha que ser logo a amiga de Gakupo... pelo jeito eles nunca saberiam o que raios ela queria conversar com eles afinal. O mágico pegou um enorme e afiado serrote e cortou a caixa em três pedaços, e várias pessoas da platéia ofegaram, temerosas, tendo certeza de que a moça havia tido sua cabeça e suas pernas separadas do corpo. O mágico afastou os três pedaços do caixote, mostrando os pés da garota saindo por um lado, e algumas mechas esverdeadas do cabelo dela pela outra extremidade, e depois voltou a juntar os três pedaços serrados, agitou a varinha que segurava, recitou algumas palavras mágicas e, quando reabriu a tampa da caixa, Gumi saiu de dentro dela sorrindo, completamente ilesa. Várias pessoas da platéia gritaram um "Ohh!" de surpresa em coro, outras suspiraram de alívio, e a maioria bateu palmas com entusiasmo, parabenizando os dois. Em seguida, Gumi se retirou, e o mágico continuou com a apresentação sozinho, realizando as mágicas mais famosas e clássicas, como retirar um coelho da cartola, flores da manga da roupa, e alguns truques de baralho.
Após ele finalizar seu show, Seeu anunciou que a próxima apresentação seria dos engolidores de fogo, que dessa vez conseguiram de fato realizar sua apresentação, que era inacreditavelmente impressionante por sinal, até o fim e, por último, Seeu anunciou que o show terminaria com uma apresentação de dança realizada por Gumi. A menina mais nova se afastou, dando espaço para a garota de cabelos esverdeados e curtos adentrar o centro do palco. Ela usava uma roupa diferente, e agora trajava um vestido azul-marinho com alguns detalhes em branco, com mangas longas e justas, e a saia longa também bastante apertada, e aberta dos dois lados até a altura dos joelhos, deixando à mostra a meia-calça branca que ela usava por baixo, trazendo uma vara preta fina e comprida em uma
das mãos, onde estava amarrada uma gigantesca fita rosa. Um homem de cabelos castanhos curtos adentrou o palco também, parando mais atrás, no canto oposto ao que Seeu estava. Ele tinha ambos os olhos vendados, o que provavelmente indicava que ele não enxergava, porém conseguia tocar o enorme violoncelo que trazia consigo com impressionante habilidade. Assim que ele começou a tocar, Gumi começou a realizar uma complicadíssima dança, fazendo movimentos longos com a fita rosa, que agora rodeava seus braços, cada uma de suas pernas, e ao seu corpo inteiro com ela, com impressionante graça e delicadeza. Teve uma hora que ela fez um movimento tão rápido e complexo que Len podia jurar que ela acabaria dando um nó no próprio corpo com aquela fita, mas ela conseguiu finalizar sua apresentação com um talento e graciosidade espetaculares. Todos levantarem-se e aplaudiram fervorosamente a dançarina e o violoncelista, que se curvaram em uma longa e respeitosa reverência de agradecimento, e se retiraram em seguida, enquanto Seeu voltava ao centro do palco e finalizava o espetáculo, agradecendo a todos pela presença e pedindo que retornassem mais vezes.
A maioria das pessoas começaram a retirar, comentando empolgadas sobre o show dessa noite, porém Gakupo e Len aguardaram mais um pouco sentados e, para a surpresa deles, não foi Gumi quem veio falar com os dois primeiro, e sim Luka e Neru:
— Há quanto tempo, Gakupo — Luka cumprimentou, milagrosamente sorrindo, talvez porque agora estava livre do compromisso forçado com ele — Não esperava te encontrar em um lugar como esse
— Boa noite, Luka... realmente, já faz um bom tempo — ele respondeu, surpreso com o fato da Marquesa se dar ao trabalho de cumprimentá-lo, mas sorrindo também — Espero que esteja aproveitando sua liberdade
— É, não posso negar que tenho estado bem mais bem-humorada desde que finalmente rompemos nosso noivado — ela admitiu — E, vejo que... você também tem aproveitado bastante a sua liberdade do nosso compromisso, hein? — a garota acrescentou, olhando de esguelha para Len
— Ah... sobre isso... não é o que você...
— Esquece. Não sou mais sua noiva, então não tem porque eu me preocupar com isso, não quero saber — ela o interrompeu, com cara de quem queria evitar uma confusão desnecessária — Mas, independentes dos boatos que correm por aí serem verdadeiros ou não, eu evitaria andar junto com esse garoto em público, não creio que isso fará bem algum para sua reputação
— Agradeço o aviso, mas não precisa se preocupar — Gakupo respondeu, sustentando o olhar dela — Eu vim apenas assistir ao espetáculo junto com meu mordomo, assim como você veio fazer o mesmo junto com sua dama de companhia, e nada mais do que isso
— Bem, você é quem sabe... de qualquer forma, eu só vim cumprimentá-lo mesmo, e a Viscondessa de Vert foi na frente, mas está me esperando lá fora, então com licença. Vamos indo, Neru
— Sim, Mestra. Prazer em revê-los, Vossa Excelência, Len-kun — a loira vez uma breve reverência, e já ia seguir a Marquesa, quando Len a chamou
— Espere, Neru-neechan! — ele se levantou, e a garota voltou a encará-lo — Etto... sobre a última vez em que nos vimos... bem, eu quero que saiba que eu nunca tive a intenção de magoá-la nem nada... é só que...
— Ainda está pensando nisso, Len-kun? — Neru o interrompeu, sorrindo para ele, parecendo que realmente já tinha se recuperado daquela ocasião — Não se preocupe com isso, já passou. Não precisa se sentir culpado, você é o meu irmãozinho menor, então eu quero que você seja feliz afinal
— Ah... certo... obrigado — ele respondeu incerto, e Neru vez uma última reverência, seguindo Luka para fora do circo.
As duas garotas se retiraram e, alguns minutos depois, quando a maioria dos espectadoras já tinham ido embora, eles enfim se levantaram, retiraram-se e contornaram a enorme lona de circo, onde Gumi os aguardava. Ela já tinha trocado de roupa, e agora usava o vestido longo e simples que trajava quando foi falar com Gakupo. Sorriu para eles ao avistar os dois e, quando os dois rapazes aproximaram-se o suficiente para escutá-la, ela falou:
— Prazer em revê-los, Vossa Excelência, Len-kun — ela cumprimentou, juntando as duas mãos em frente ao corpo e ainda sorrindo — Espero que tenham gostado do espetáculo dessa noite
— Foi incrível! — Len exclamou antes que Gakupo pudesse responder — Foi tudo tão incrível, os trapezistas, e os malabaristas... e os palhaços eram tão engraçados! Mas a sua dança foi a melhor parte, foi maravilhosa, Gumi-sama! Agora entendo porque o Mestre Gakupo admira tanto a senhorita! — ele falava, gesticulando com empolgação, quase pulando de tanto entusiasmo. Gumi piscou, surpresa em ver aquele menino, antes tão inexpressivo, falando com tanta emoção agora. Gakupo deixou escapar uma risadinha, porém não pôde evitar de sentir uma pontinha de culpa. Len falava como uma verdadeira criança animada com um novo brinquedo ou coisa parecida agora... ele não conseguia deixar de se sentir culpado pelas coisas que fazia com aquele garoto que ainda parecia ter seu lado infantil
— Etto... m-muito obrigada, Len-kun. Fico muito contente que tenha gostado — Gumi agradeceu depois que se recuperou do choque de vê-lo tão alegre — E o senhor, Excelência?
— Bem, creio que o Len já falou por nós dois... mas foi realmente tudo muito impressionante, principalmente a sua dança, Gumi-san. Foi realmente esplêndida, como sempre — ele falou, sorrindo, e enquanto a garota fazia uma reverência agradecendo, ele acrescentou — Mas... não foi para falar da apresentação que você nos chamou até aqui, não é?
— Realmente, não foi por isso — ela desviou os olhos para baixo e começou a remexer as mãos, parecendo estar pensando na melhor maneira de falar sobre algum assunto constrangedor. Respirou fundo, como se isso pudesse lhe dar coragem e, voltando a erguer os olhos, continuou — Bem, quando minha trupe chegou aqui pela manhã, eu... ouvi alguns boatos à seu respeito... envolvendo o Len-kun — ela apontou sem jeito para o loiro, que ofegou ao perceber do que se tratava o assunto — Eu... imagino que o senhor tenha conhecimento sobre do que se tratam esses boatos, não é?
— Claro que sei — Gakupo respondeu, também remexendo-se incomodado com o rumo da conversa — Mas, Gumi-san.. e-essas coisas que você ouviu são...
— Por favor, não precisa me dar explicações — ela o interrompeu, temendo estar se intrometendo demais na vida de um nobre — É só que... e-eu já tinha ouvido algo parecido da primeira vez que vim até aqui. E agora, tanto tempo depois desde minha última visita, os boatos pareceram ter aumentado drasticamente, e estão cada vez piores e mais absurdos. Eu pensei que, se os boatos que ouvi da primeira vez fossem falsos, o senhor tomaria providências para silenciar essas pessoas. Mas, ao contrário do que pensei, eles apenas aumentaram, é como se o reino inteiro só falasse sobre isso... o que me fez concluir... que os boatos são verdadeiros. N-Não a parte ruim, sobre o senhor estar fazendo com o Len-kun as mesmas coisas que o Conde de Bleu fazia com ele, e o forçando a fazer coisas estranhas, não mesmo! — ela apressou-se a dizer — Mas... concluí que... os senhores talvez estejam realmente... b-bem... a-apaixonados — ela concluiu, e apertou os olhos com força, colocando as mãos junto ao peito, temendo levar uma bronca de Gakupo por ter chegado à conclusão errada, mas ele nada disse por algum tempo. Ela reabriu os olhos, temerosa, e quando encarou os olhos arroxeados do Duque, ele enfim falou
— O que faria se a sua conclusão estivesse correta, Gumi-san?
— N-Nada... q-quero dizer... — ela voltou a baixar os olhos, remexendo-se nervosa, e um tanto surpresa por ele continuar falando num tom de voz tão calmo — N-Não é da minha conta o que o senhor faz ou deixa de fazer... i-isso é assunto apenas seu e do Len-kun, eu nem sequer moro nessa cidade, não tenho nada a ver com isso. Mas... se for verdade, creio que o senhor cedo ou tarde terá problemas por causa disso... e, eu ouvi que o senhor estava sendo investigado pela Princesa e o Príncipe de Blanc, o que não deve ser nada bom... e, o senhor é uma pessoa tão boa, eu não queria que acabasse tendo um fim horrível como o Conde de Bleu, que eu soube que está internado em um sanatório agora... não que ele não devesse estar lá, ele merecia coisa pior depois de ter assassinado meus antigos companheiros.. — ela deixou escapar, percebendo tarde demais que estava desejando o mal à um nobre — M-Mas, o que eu quero dizer, é que eu não quero que nada assim aconteça com o senhor, ou com o Len-kun! Mas, se esse fosse mesmo o caso, algo parecido pode acabar acontecendo um dia, então... eu pensei bastante e, acho que conheço um modo de ajudá-los a sair dessa situação
— Verdade? A senhorita sabe como acabar com os boatos, Gumi-sama? — Len indagou surpreso, sem perceber que estava praticamente confirmando as suspeitas dela
— Bem, eu acho que sim... m-mas, aqui não é o local mais indicado para falar sobre isso — ela respondeu ao notar as sombras das pessoas movendo-se no interior da lona, e temeu que algum membro de sua trupe pudesse estar escutando a conversa deles — E-Então, se não for incômodo... s-será que eu poderia ir visitá-lo amanhã para falarmos melhor disso, Vossa Excelência? — ela encarou o mais alto, entre ansiosa e receosa com a resposta
— É claro... será um enorme prazer recebê-la amanhã, Gumi-san — Gakupo respondeu, sorrindo, e concluindo que não adiantaria de nada ele tentar negar os boatos à essa altura dos acontecimentos. Conhecia Gumi há bastante tempo e, embora tivesse conversado poucas vezes com ela, sabia que a garota era uma pessoa boa e honesta. Sem falar que, se ela não teve coragem nem de denuncar
Kaito, mesmo sabendo que ele fora o culpado pela morte de vários de seus antigos companheiros, então também não seria capaz de denunciar o caso entre Gakupo e Len. A garota sorriu e deixou escapar um suspiro de alívio por ele não ter se zangado com ela por tocar nesse assunto e, dizendo que precisava voltar para ajudar seus novos companheiros a arrumar as coisas dentro da lona, ela
despediu-se dos dois e entrou por uma espécie de passagem secreta a alguns metros de onde eles estavam, desaparecendo no interior da gigantesca lona de circo. Gakupo e Len deram meia-volta para retornar à mansão, ambos ansiosos para saber qual seria a idéia da garota, e um tantinho esperançosos também.
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