Loveless
35 Capítulo 35 - ♫ Gekokujou ♪
"Com tanta gente discutindo
Os comentários foram ruins, mas tudo bem!
Rin vai colocar tudo no lugar!
Vou pedir para todos eles macarrão Champon
Sendo tão doce... eu sou adorável, não é?
Eu não sou a mais fofa?
Mas ser fofa não vai mudar nada
Então vou mostrar agora o quanto sou forte!"
~~~~~X~~~~~X~~~~~
Em uma tarde em que o Príncipe e a Princesa de Blanc tinham milagrosamente deixado Gakupo em paz, ele resolveu aproveitar a paz que raramente tinha e, certificando-se de avisar aos empregados que estaria ocupado e não queria ser incomodado por ninguém até a hora do jantar, foi até a biblioteca. Lá, encontrou Len limpando, ou melhor, tentando limpar as prateleiras mais altas de uma enorme estante, onde se encontravam os livros mais empoeirados, no entanto estava com óbvia dificuldade para fazê-lo. Já estava na ponta dos pés e com o braço esticado para o alto, colocando a língua para fora, como se isso pudesse deixá-lo mais alto por mágica, enquanto segurava um espanador na mão, mas ainda assim não conseguia alcançar as prateleiras mais altas. Gakupo observou a cena por alguns segundos, e não pôde deixar de rir.
— Mestre Gakupo? — Len deixou de lado seus esforços inúteis para limapr a estante de livros e virou-se para o maior ao escutar a voz dele — Deseja alguma coisa?
— N-Não, não é nada... é só que... pff... ahahahahaha! — Gakupo não conseguiu se segurar e deixou escapar mais uma risada, enquanto Len o mirava confuso, entortando a cabeça para o lado, como um adorável filhotinho, o que o deixava ainda mais fofo — D-Desculpe, é que... você tentando alcançar as prateleiras maiores foi tão... pff... ahahahaha!
— Desculpe... mesmo já sendo um adolescente, parece que eu não cresci muito afinal, então não consegui limpar as prateleiras de cima — ele abaixou a cabeça, sentindo uma mistura estranha de culpa e constrangimento pelo seu diminuto tamanho
— Não, não é isso! — Gakupo apressou-se a dizer — Não estou culpando nem brigando com você. O que eu quis dizer é que... você estava muito fofo tentando alcançá-las
— Fofo? — Len ergueu a cabeça novamente, parecendo mais confuso do que antes — Não entendo como isso poderia deixar alguém fofo...
— Não importa que não entenda, você continua sendo uma gracinha muito fofa assim — o Duque sorriu para ele, se aproximando do mais novo — Mas, já que você não alcança, e ainda assim insiste em limpá-las, poderia subido em uma cadeira ou coisa parecida, sabe?
— Ah, não mesmo! — o loiro exclamou — Eu sujaria o assento da cadeira se ficasse de pé em cima dela
— Era só limpar depois... — o maior lembrou, e Len sentiu-se um tolo por não ter pensado em algo tão simples antes — Bem, não importa. Não foi pra isso que eu vim até a biblioteca afinal
— Ah, o senhor ia ler alguma coisa? Então, eu vou sair, e terminar a limpeza depois que o senhor acabar...
— Eu não ia ler nada — Gakupo segurou o braço dele antes que Len começasse a se dirigir à porta — Eu vim até a biblioteca porque sabia que você estava aqui. Eu queria te ver — ele soltou o braço do menor e pousou a mão em seu ombro, acariciando o rosto dele com a outra, obviamente querendo muito mais do que apenas "ver" Len
— Ahn... M-Mestre Gakupo...
— Shhhi — Gakupo o interrompeu — Já não te disse que pode me chamar pelo meu nome quando estivermos sozinhos?
— E-Então, Gakupo-san... err... e-eu não acho uma boa ideia fazer essas c-coisas aqui na biblioteca... a-alguém pode ver... — o loiro gaguejou com dificuldade, sem nem perceber que tinha deixado o espanador cair de sua mão
— Não se preocupe, avisei aos demais empregados da casa que não queria ser incomodado — o Duque falou, aproximando-se cada vez mais do menor, até encurralá-lo entre a parede atrás dele e seu próprio corpo — Ou, por acaso... você não quer fazer isso? — ele hesitou por um instante, afastando minimamente seu corpo do de Len, temendo que estivesse forçando o loiro a fazer algo que ele não queria
— Não, não é isso! — Len exclamou, respondendo mais rápido e mais alto do que pretendia, sem nem perceber — Isto é... eu q-quero... mas...
— "Mas" o que?
— É que... c-como disse antes, eu... ainda sou muito pequeno pra minha idade. E, não importa o quanto eu queira... abraçar, e b-beijar você, eu... não alcanço seu rosto.
Gakupo piscou algumas vezes, surpreso e incrédulo, e teve outro ataque de riso quando absorveu aquela informação. O Mais novo o encarou, confuso novamente, temendo ter dito algo que não devia, enquanto Gakupo ainda ria e pensava em como era incrível o quão fofo adorável ele se tornara desde que recuperou seus sentimentos. Já o achava uma gracinha irresistível antes, era realmente impressionante que o mais novo conseguisse parecer ainda mais fofo a cada dia que se passava. Quando o Duque enfim conseguiu parar de rir e falou:
— Não importa que você tenha baixa estatura... podemos dar um jeito nisso facilmente — ele respondeu, inclinando-se para a frente até ficar na mesma altura que Len, que piscou surpreso com o modo como Gakupo conseguia arranjar soluções tão facilmente para seus pequenos problemas cotidianos. Hesitou um pouco, porém, vendo que o Duque ainda sorria ternamente para ele, enfim conseguiu fazer o que tanto queria e selou seus lábios com os de Gakupo.
Embora tenha deixado que o menor tomasse a iniciativa dessa vez, Gakupo logo percebeu que ele não sabia como proceder, já que ele não avançava em nada, nem mesmo conseguindo abraçá-lo, e apertava os olhos com cada vez mais força, então resolveu assumir o controle de uma vez, deslizando lentamente as mãos pelo corpo de Len até abraçá-lo pela cintura, e aprofundado o beijo aos poucos. Lentamente, o loiro foi relaxando o corpo, mantendo os olhos fechados, porém sem apertá-los, e deixou que o mais velho intensificasse o beijo sem apresentar resistência, embora tivesse corado furiosamente ao sentir a língua dele adentrando sua boca. Seu coração disparou feito louco quando sentiu o maior deslizar as mãos pelo seu corpo com cada vez mais velocidade, levantando lentamente sua camisa e tocando-o diretamente na pele, que começou a formigar, como se uma onda de choque percorresse todo seu corpo a partir do ponto onde Gakupo o tocava, e acabou deixando escapar um gemido involuntário. Corou ainda mais ao notar o tipo de som que havia produzido, se é que isso era possível, porém aquilo curiosamente apenas o impulsionou a retribuir os toques do maior, e começou a erguer lentamente as mãos até alcançar o colarinho da camisa dele, apertando-o com força, como se temesse estar ultrapassando algum limite, mas como Gakupo não parecia se incomodar nem um pouco com aquele pequeno avanço, ele começou a desabotoar desajeitadamente as vestes do maior. Suas mãos ainda tremiam muito de nervosismo, e como não estava tendo muito sucesso, Gakupo pensou em ajudá-lo, porém, antes que o fizesse, ouviu uma voz estridente gritando:
— MAS O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO COM O MEU IRMÃO????!!!
Gakupo separou-se rapidamente de Len e se virou para a porta, agora escancarada, de onde Kagamine Rin o encarava, incrédula e furiosa. Len ainda estava atordoado, perdido nas sensações que Gakupo causara em seu pequeno corpo, e entrou em estado de choque ao ver sua irmã gêmea diante dele, compreendendo lentamente que ela tinha flagrado os dois juntos. Porém, Rin não lhe deu tempo para pensar no que fazer, nem para absorver os rápidos fatos que aconteciam, e adentrou a biblioteca, ainda gritando:
— Eu não consigo acreditar no que estou vendo!! Como se atreveu a forçar o Len a fazer essas coisas embaraçosas de novo?! Eu pensei que o senhor fosse um homem bom e honesto... mas pelo visto é igualzinho ao Conde de Bleu!!!
— Rin-chan, acalme-se — Gakupo pediu, embora isso fosse obviamente um pedido impossível — Não é o que você está pensan...
— Como que não é?! O senhor está com a camisa meio aberta, e o Len está praticamente sem camisa nenhuma!! — ela apontou acusadoramente para os dois, que só então se deram conta de que ela tinha razão. Gakupo estava apenas com os dois primeiros botões da camisa abertos, que ele se apressou em fechar, mas Len estava com a blusa quase toda levantada, deixando seu abdômen e parte do tórax à mostra. O mais novo corou, e apressou-se em ajeitar a camisa, mas isso não mudava o fato de que Rin tinha descoberto a verdade sobre eles, e ela continuou gritando — Não acredito nisso... mesmo sendo um homem, o senhor estava... tocando e b-beijando o Len... e f-fazendo essas c-coisas embaraçosas com ele... ah, meu Deus! Essa nem deve ser a primeira vez que o senhor faz isso, aposto que já fez coisas muito piores... e sabe-se lá há quanto tempo... eu não devia ter pedido para o senhor comprar o Len naquele leilão, como eu fui burra!! Devia ter percebido antes que o senhor era igual ao Conde... e só iria abusar dele, como antes... eu sinto muito, Len, é minha culpa você estar passando por tudo isso...
— Rin-chan, acalme-se um pouco! Já disse que não é nada disso!! — Gakupo exclamou, e Rin enfim calou-se, recuando um passo assustada. Gakupo aproveitou o silêncio dela e se apressou a fechar a porta, certificando-se de trancá-la dessa vez, já que antes tinha apenas fechado a porta. Voltou então para o lado de Len, e continuou — Primeiro, o que é que você está fazendo na minha casa? Eu disse aos empregados que não queria ser incomodado, como foi que você entrou aqui?
— Sua empregada me disse que o senhor estava ocupado e que era pra eu voltar outro dia. Mas eu disse à ela que não tinha vindo ver o senhor, e sim que vim visitar o Len, então ela me avisou que o Len estava na biblioteca e me deixou entrar — a garota respondeu, ainda encarando o Duque com fúria nos olhos
— Certo... — o mais velho murmurou, anotando mentalmente essa informação para não cometer o mesmo erro novamente no futuro — De qualquer forma, realmente não é o que você está pensando. Não posso negar as coisas que você viu eu fazendo com o Len... mas eu não estava obrigando ele a fazer nada, eu juro! Eu... eu o amo. Me apaixonei pelo seu irmão... por isso estava fazendo aquelas coisas
— Ora, conta outra. Eu posso ter apenas 14 anos, mas não sou tão burra à ponto de acreditar numa baboseira dessas, senhor Duque — Rin respondeu, com um ódio mortal refletido em seus olhos azuis, e agora marejados — Se apaixonou? O Len é um garoto! E muito mais jovem do que o senhor, por sinal! Aposto que isso é só uma desculpa esfarrapada que o senhor inventou pra se aproveitar dele!
— Não é desculpa nenhuma, Rin-chan! Eu realmente o amo...
— Eu não acredito! Não acredito em nenhuma palavra que o senhor diz!! — a garota o interrompeu, seu corpo tremendo de fúria — Agora, escute bem, senhor Duque: Por mais que eu queira, não posso afastar o Len do senhor agora... mas, fique sabendo que já consegui quase todo o dinheiro de que preciso para pagar minha dívida com o senhor. Faltam apenas 200 mil, e assim que eu consegui-los, pagarei o que devo ao senhor e vou arrancar o Len das suas garras imundas, ouviu bem?! Nunca mais vou deixar que o senhor veja o meu irmão de novo!!
— Por favor, não faça isso, Onee-chan — Len enfim pronunciou-se, dando um passo à frente e se aproximando da irmã — Eu sei que você precisa pagar a dívida, mas... por favor, não me leve pra longe do Gakupo-san. Mesmo que seja difícil pra você acreditar, o que ele está dizendo é a mais pura verdade. Gakupo-san não é igual ao Conde... ele nunca me forçou a fazer nada, nunca me obrigou a fazer nada constrangedor que eu não quisesse, e sempre me pergunta o que eu quero, ou se ele pode me tocar. E eu... recentemente recuperei meus sentimentos que tinha perdido há tanto tempo. Eu os recuperei graças ao Gakupo-san, que restaurou meu coração humano... e também me apaixonei por ele. Não importa que ambos sejamos homens, ou que tenhamos seis anos de diferença de idade, eu... realmente amo o Gakupo-san
— Len... — a garota murmurou, sem conseguir acreditar no que seu irmão dizia. Realmente, ele parecia bem mais emotivo do que da última vez que o vira, mas ainda assim não conseguia acreditar que ele estava apaixonado por outro homem — Não, isso não pode ser verdade... o Duque deve ter te enrolado com essa história de estar apaixonado por você e te enganou, só pode ser isso! Ele está mentindo, e só quer se aproveitar de você, Len!!
— Não é verdade — seu irmão negou — Se ele quisesse apenas o meu corpo, já poderia ter tido isso há muito tempo, inúmeras vezes, mas ele não o fez. O Gakupo-san... s-se declarou pra mim há alguns meses... e me disse que não me obrigaria a fazer nada que eu não quisesse, e que eu podia escolher se ficaria com ele ou não. Isso foi antes de eu recuperar meus sentimentos, mas, ainda assim, eu aceitei ficar com ele. Acho que... eu já devia gostar dele desde aquela época, mas não tinha percebido isso — ele murmurou essa última parte mais para si mesmo do que para a irmã, com um ar de surpresa, só se dando conta disso agora — E, quando recuperei meu coração humano, a primeira coisa que percebi... foi que eu realmente o amo
— Não... isso não é verdade, Len, você está enganado! Muito enganado!! — Rin recuou, assustada e incrédula com as palavras do irmão — É esse homem que está te enganando, será que não vê?! Eu não sei como, mas ele conseguiu te convencer a ficar com ele, acreditando que seja por vontade própria... mas, não se preocupe, Len, logo eu terminarei de pagar a dívida e vou te tirar das mãos dele, custe o que custar!
— Rin-oneechan — o loiro aproximou-se dela e pousou as mãos nos ombros da irmã, assumindo um ar de seriedade que Gakupo nunca tinha visto nele antes — Mesmo que você não acredite, ou não entenda, o que eu estou te dizendo é a mais pura verdade. Você é minha única parente viva, e a minha única preciosa irmã, então eu gostaria muito que você fosse capaz de aceitar a minha decisão de ficar com o Gakupo-san e me desse apoio. Não vou negar que realmente gostaria de poder viver ao seu lado outra vez, como éramos pequenos... você é a minha única irmã, e eu te amo afinal. No entanto, eu também amo o Gakupo-san... amo vocês dois, de formas bem diferentes, e não quero ter que escolher entre um dos dois. Se você me levar pra longe do Gakupo-san, só estará me deixando infeliz... você quer me ver triste, Onee-chan?
— Não... é claro que não! Eu quero que você seja feliz, ainda mais depois de tudo o que você passou por minha causa! — Rin apressou-se a responder — Por isso mesmo eu preciso te afastar dele... isso é para o seu próprio bem!
— Ah, é mesmo? Então, suponhamos que você tenha acabado de me pagar o dinheiro que me deve e possa levar o Len embora agora com você — Gakupo se intrometeu, colocando-se ao lado do loiro — Para onde você o levaria, Rin-chan? Seu pai adotivo, o Barão, já deixou bem claro que não quer o Len vivendo debaixo do mesmo teto que você, caso contrário, ele mesmo teria comprado o Len naquele leilão e adotado ele, como fez com você. O que pretendia fazer com o Len depois que pagasse a dívida? Ele teria sua liberdade restaurada, mas não teria nem uma casa pra viver. Pretendia largá-lo por aí e deixar ele vivendo nas ruas por acaso?
— C-Claro que não!! — Rin exasperou-se, realmente surpresa com a pergunta do Duque, pois estava tão preocupada em juntar logo um milhão de yenes que nem tinha parado pra pensar nesse detalhe — Eu... n-não resolvi isso ainda... m-mas pensarei em uma forma de resolver isso enquanto junto os 200 mil que faltam! É claro que não ia deixar o meu irmão vivendo nas ruas!
— Não precisa se preocupar com isso, Onee-chan — Len falou, ainda sério — Quero dizer, se você assumiu uma dívida, é claro que precisa pagá-la até o final, mas... eu realmente não quero deixar essa mansão. Finalmente encontrei um lugar onde me sinto bem, e estou feliz vivendo ao lado do Gakupo-san... também gosto quando você vem me visitar, me deixa mais feliz ainda, assim posso estar junto das duas pessoas que mais amo. Mas, se você me levar pra longe do Gakupo-san, só estará me fazendo infeliz. Eu agradeço de verdade por você estar se esforçando tanto para juntar o dinheiro necessário para recuperar minha liberdade... e fico mais agradecido ainda por você ter pedido isso ao Gakupo-san, caso contrário, eu não teria conhecido ele, nem recuperado meus sentimentos, e continuaria sendo apenas um boneco sem vida até hoje. Mas, Rin-oneechan, eu te peço... não faça nada imprudente para tentar me tirar dessa casa, nem me leve pra longe da pessoa que eu amo... por favor
— Len... eu realmente não consigo entender — Rin afastou-se alguns passos, ainda encarando o irmão assombrada — Vocês dois são homens, e isso não deveria acontecer entre dois rapazes... mas, ainda assim, você insiste em dizer que se apaixonou por ele... e o pior de tudo é que parece estar sendo tão sincero quando diz isso. Eu não sei que tipo de lavagem cerebral o Duque fez em você pra te fazer acreditar nessa baboseira toda, mas eu não vou deixar isso assim. Vou comprar sua liberdade, e vou fazer você enxergar a verdade, custe o que custar! E o senhor, "Vossa Excelêcia"... — Rin encarou o mais velho com profundo desprezo na voz, e um certo sarcasmo ao pronunciar o título dele — Apenas me aguarde. Eu vou conseguir os 200 mil que faltam antes do que o senhor pensa, e vou livrar o Len do senhor antes do que imagina!! — ela saiu correndo porta afora e disparou pelo corredor, deixando para trás dois rapazes muito preocupados, e com um péssimo pressentimento assolando seus pensamentos.
Fale com o autor