Loveless

31 Capítulo 31 - ♫ Spice ♪


"Eu ainda não sei o que é o amor
Mas acho que isso pode ser bom para mim
Ei, esse é meu tempero
Só dessa vez deixarei você provar
Você ama meu gosto amargo, eu sou intoxicante
Você sente isso no seu corpo?"

~~~~~X~~~~~X~~~~~

Na manhã seguinte, Gakupo despertou com os raios do sol entrando pelo vidro da janela que estava com as cortinas abertas. Piscou algumas vezes, incomodado e sonolento e, quando notou a pequena figura embalada em seus braços, seu rosto rapidamente fomulou um sorriso. A figura adormecida de Len parecia ainda mais frágil e indefesa do que de costume e, embora Gakupo ainda estivesse confuso e preocupado sobre a repentina decisão do loiro de ter ido ao seu quarto na noite anterior, não podia evitar de se sentir feliz pela decisão do mais novo. O Duque queria deixá-lo dormir mais um pouco e descansar melhor depois do que tinha acontecido, porém os raios solares logo começaram a atingir os olhos de Len, obrigando o loiro a desperar.


— Ah... Gakupo-san. Ohayou gozaimasu... — ele murmurou sonolento assim que suas pálpebras se abriram e ele enxergou a figura do Duque olhando para ele, e esfregou os olhos com força numa tentativa de despertar mais rápido
— Ohayou, Len... — Gakupo respondeu, ainda sorrindo, e acariciou as mechas de cabelo do mais novo de leve — Etto... você dormiu bem?
— Sim... há muito tempo que eu não dormia tão bem, na verdade — ele respondeu, bocejando — Ah! — ele exclamou do nada, arregalando os olhos, e sentando-se de repente — Eu preciso preparar seu café da manhã! Sinto muito, dormi demais...
— Ei, espere — Gakupo o segurou pelo braço antes que o garoto se levantasse — Eu... quero falar sobre ontem à noite
— Mas, o seu café...
— Eu não estou com fome agora, e isso pode esperar! — Gakupo exclamou, pensando que ele precisava urgentemente rever suas prioridades. Len deitou-se novamente na cama e voltou a encarar o mais velho — Len... eu quero que saiba... que o que fizemos ontem à noite foi muito importante pra mim
— Foi importante para mim também, Gakupo-san — o loiro respondeu prontamente — Foi a primeira vez... que eu fiz aquilo por vontade própria
— Antes você dizia que não tinha vontade própria — Gakupo observou — Por acaso... você a recuperou junto com seus sentimentos ontem?
— Acho que sim...
— Então, Len... eu sei que você ainda deve estar muito confuso, mas, agora que seus sentimentos voltaram, eu preciso perguntar isso: Você me ama? — ele indagou novamente, temendo a resposta — Porque, sabe... eu não quero que pense de forma alguma que o que fizemos ontem à noite era só porque eu queria me aproveitar de você nem nada assim... eu fiz aquilo porque te amo. Mas... eu estaria de certa forma me aproveitando de você, se você não me amar de volta. Então, Len... você me ama ou não, afinal?
— Eu não sei... — Len baixou os olhos, parecendo confuso — Nunca me apaixonei antes, então não conheço esse tipo de amor. Os sentimentos que eu tinha pelos meus pais e pela minha irmã voltaram, e agora eu de fato os amo, não é apenas uma recordação de como eu me sentia... mas, o que sinto por você é diferente. Só que eu não sei definir o que é... como se sabe que se está apaixonado?
— Bem... é um pouco difícil de explicar... — Gakupo murmurou, pensando com cuidado no que responder, e lembrando-se do longo discurso que Miku tinha feito para ele uma vez sobre os "sintomas" de se estar apaixonado — Pelo que a Miku-san me contou uma vez, os "sintomas" para se descobrir se está apaixonado ou não, é quando você se sente nervoso se estiver perto da pessoa amada, gaguejar e corar quando se está falando com a pessoa de quem se gosta, enrubescer muito mesmo e sentir seu coração dar fortes cambalhotas se tiver qualquer contato físico com essa pessoa, por menor que seja, sentir uma incômoda dor no peito, que seria ciúmes, quando a pessoa amada está perto de alguém que também gosta dela, sentir uma forte vontade de querer estar sempre ao lado da pessoa amada, mesmo ficando sempre tão nervoso e embaraçado, e ter o desejo de ajudar e proteger essa pessoa. Eu sinto todas essas coisas quando estou com você... foi assim que descobri que te amava
— Entendo... — Len murmurou, pensando cuidadosamente em cada palavra que o Duque dissera. Com certeza ele se preocupava com o bem-estar de Gakupo e com felicidade dele; Ficara incomodado e sentiu uma dor estranha e incômoda (que ele achava ser indigestão, mas que agora sabia que era ciúme graças à descrição do mais velho) quando viu Gakupo perto de Miku e de Luka pela primeira vez, e ainda sentia-se incomodado com Luka até eles terem enfim rompido o noivado; Agora que seus sentimentos retornaram, ele ficava de fato nervoso e embaraçado cada vez que se aproximava ou falava com Gaupo, até mesmo antes disso, quando o Duque o tocava e o beijava, ele sentia seu coração palpitando fortemente, como se estivesse vivo outra vez; E, por fim, definitivamente desejava estar ao lado de Gakupo para sempre — Se esta for a definição correta, então... acho que te amo, Gakupo-san
— Len... — Gakupo murmurou, sentindo seu coração falhar uma batida ao ouvir aquilo — V-Você tem certeza do que está dizendo? Certeza absoluta??
— B-Bem, eu... — Len deviou os olhos dele, sentindo seu rosto esquentar — A-Agora que recuperei meu coração humano, consigo perceber que de fato sinto todas essas coisas que você falou. Até mesmo antes, na verdade... quando você me tocava, ou... m-me beijava... eu sentia meu rosto esquentar, e meu coração bater mais forte, como se estivesse vivo outra vez. Isso tudo parava no instante em que você me soltava, e eu voltava a ser o mesmo de antes, e não sabia o que isso significava na época. Não quis te contar porque,... temi que estivesse enganado, e não queria lhe dar falsas esperanças nem nada do tipo. Porém, agora que recuperei meus sentimentos, eu tenho certeza — ele respirou fundo e voltou a encarar Gakupo — Eu senti uma dor estranha no peito quando o vi perto da Miku-sama pela primeira vez, ainda mais depois de vê-la te tratando com tanta intimidade... e também sempre me senti desconfortável em vê-lo perto da Luka-sama. Mesmo você não gostando dela, ela ainda era sua noiva afinal... e também me incomodou quando você falou tão empolgado sobre aquela moça do circo, a Gumi-sama. Eu não sabia o que era aquilo na época, mas era mesmo ciúmes afinal... — ele murmurou, mais para si mesmo do que para o maior — Além do mais, você sempre me protegeu e cuidou tão bem de mim, mesmo eu sendo apenas um de seus servos... conseguiu curar meu coração aos poucos, e me ensinou tanta coisa — ele deixou escapar um tímido sorriso ao falar isso, sem nem perceber — Ontem, por exemplo... — ele desviou o rosto para o lado, voltando a corar inconscientemente — E-Eu não sabia... que aquilo que fizemos ontem... t-tinha que ser bom para as duas pessoas. Foi a primeira vez que eu fui t-tocado.. n-naquele lugar... e, mesmo eu não sendo mais virgem, como você bem sabe... f-foi a primeira vez que alguém me fez sentir tão bem, então... d-de certa forma, acho que foi minha primeira vez nisso. E eu fico muito feliz... que tenha sido com você
— Len...! — Gakupo murmurou com a voz embaragada, e atirou seus braços ao redor do frágil corpo do menor, abraçando-o — Não sabe o quanto eu fico feliz em ouvir isso... eu esperei tanto por isso, tanto...
— Sinto muito... por tê-lo feito esperar — Len murmurou em resposta, abraçando-o também — Esse tipo de "amor" é novo pra mim, e eu não entendo muito bem ainda... o único tipo de amor que conhecia era o que se tem pelos parentes, eu realmente não entendo muito bem o sentimento de se "estar apaixonado". Mas... eu quero ficar ao seu lado pra sempre... e quero poder fazer essas coisas com você mais vezes, então... parece que te amo mesmo
— Está tudo bem, não se preocupe... valeu à pena esperar — Gakupo afrouxou minimamente o abraço, apenas para encará-lo, e acariciou de leve uma das bochechas coradas dele — E não tem problema em estar confuso sobre isso, você nunca tinha se apaixonado antes afinal. Não precisa se preocupar... eu vou te ensinar tudo o que você precisa saber — ele aproximou seu rosto do de Len, que fechou os olhos pouco antes de Gakupo selar seus lábios nos dele.


Beijou-o suavemente no começo, e foi aprofundando o toque aos poucos, querendo saborear cada pedacinho dos lábios do loiro. O menor logo sentiu a ponta da língua do Duque tocando de leve seus lábios, e os entrabriu, dando permissão para que ele aprofundasse o beijo. Len abraçou o mais alto com mais força, enroscando distraidamente os dedos nas madeixas longas de Gakupo, enquanto o maior deixava suas mãos deslizarem até a cintura do loiro, conseguindo intensificar ainda mais o contato entre eles. Vários segundos depois, a falta de oxigênio se fez mais presente do que a necessidade que tinham um do outro, e Gakupo foi forçado a encerrar o beijo, ainda que desejasse continuar. Ambos respiraram fundo, ofegantes, e enquanto Len ainda arfava, Gakupo falou:


— Eu amo você, Len. De verdade, te amo mais do que qualquer pessoa nesse mundo — ele murmurou, ainda um tanto ofegante, acariciando de leve o rosto do menor — Só que... bem, sobre nós.... — ele desviou os olhos do loiro nesse ponto, parecendo estar entre nervoso e constrangido — Bem... você sabe que não podemos dizer a verdade para as pessoas, não é? Quero dizer, eu adoraria poder gritar para o mundo inteiro que te amo, mas... ambos somos homens afinal, então... as outras pessoas não entenderiam esse tipo de relacionamento. Ainda mais agora, com a Princesa Haku e o Príncipe Piko nos investigando... não acho que o garoto seja um problema, ele é tão jovem afinal... mas a Princesa ainda é um tanto perigosa
— Eu entendo, Gakupo-san. Sei o que as pessoas pensam sobre dois homens fazendo esse tipo de coisa, e a última coisa que quero é lhe causar problemas, ou manchar sua reputação como o Duque de Pourpre — Len respondeu prontamente, desejando poder tirar logo aquela expressão preocupada do rosto do maior — Mas... isso que o senhor falou sobre o nosso tipo de relacionamento... o que significa exatamente?
— Ahn... — Gakupo titubeou, surpreso por ele se ater à essa parte — Bem, significa... que nós estamos namorando... não é? — ele perguntou de volta, temendo o que Len poderia pensar daquilo
— Então... é isso que significa namorar? — Len o encarou nos olhos, parecendo entre confuso e curioso sobre aquilo — E qual é a diferença... do que aconteceu comigo antes? Sabe, antes de eu vir morar aqui... e quando ficava trancado n-naquele lugar com e-ele... — ele baixou os olhos novamente, e sua voz começou a falhar com aquelas dolorosas lembranças
— A diferença — Gakupo começou, respirando fundo antes de responder — É que antes você não gostava daquilo. Você não gostava da pessoa que fazia aquelas coisas com você, e não gostava de quando ele te obrigava a fazer aquelas coisas... e isso se tornou tão insuportável que você jogou seu coração fora, não foi? — ele explicou, e Len balançou a cabeça, confirmando — Agora, eu sinto vontade de fazer essas coisas com você porque gosto de você, me preocupo e quero estar sempre com você. É natural sentir vontade de estar perto, tocar e fazer certas coisas com quem amamos... a diferença é, agora você faz isso de livre e espontânea vontade, porque também me ama, não é?
— Sim. Eu amo você, Gakupo-san... quero ficar com você pra sempre — ele abraçou Gakupo com força de repente, como se temesse que ele fosse desaparecer do nada — Eu não quero ir embora com a Rin-oneechan... antes de saber sobre a dívida, eu pensava que ficaria pra sempre ao seu lado, e estava bem com isso. Mas, depois que descobri porque o senhor me comprou naquele leilão, e como vim parar aqui... eu não gostei disso... quero dizer, sei que as intenções da Rin-oneechan foram boas, ela só estava tentando me ajudar e sou muito grato à ela por ter pedido isso ao senhor... mas, mesmo depois que ela pagar a dívida, eu não quero ter que ir embora com a minha irmã
— Bem... sobre isso...


O que quer que Gakupo fosse falar, Len nunca chegou a saber, pois nesse momento ouviram alguém bater na porta e ele parou de falar bruscamente.


— Mestre Gakupo — a voz feminina de uma empregada chamou do lado de fora — Sinto muito incomodá-lo à esta hora, mas senhor tem visita
— Droga, será um problema se ela nos ver assim aqui — Gakupo murmurou, encarando a porta como se temesse que ela fosse se abrir a qualquer momento, e esquencendo-se completamente de que estava trancada — Precisamos nos vestir, depressa!


Len acenou com a cabeça, como quem diz "Entendido!" sem palavras, e os dois saltaram da cama ao mesmo tempo, vestindo-se com tanta pressa que nem tiveram tempo de se sentirem constrangidos ou tentados a olhar para o corpo um do outro. Assim que terminaram, Len caminhou até a porta, abrindo-a antes que Gakupo pudesse detê-lo.


— Eh? Len-kun?! — a empregada exclamou, surpresa ao vê-lo — O que está fazendo no quarto do Mestre?
— Vim avisar o Mestre Gakupo sobre a visita — ele respondeu prontamente
— Mas... ela acabou de chegar...
— Eu a vi pela janela e vim avisá-lo — Len respondeu tão rápido que parecia mesmo que era verdade
— Obrigado, eu já vou descer — Gakupo surgiu pela porta, atrás do loiro, e a mulher vez uma breve reverência antes de se retirar. Quando ela desceu as escadas para o primeiro andar, ele acrescentou baixinho — Isso foi incrível, Len. Como conseguiu mentir assim?
— Geralmente eu não gosto de mentiras... mas, não quero prejudicá-lo de maneira alguma, nem que pra isso seja necessário mentir para as pessoas. Você pode ser meu namorado... mas ainda é o meu Mestre afinal, e eu seria um péssimo mordomo se causasse problemas ou manchasse a reputação do meu Mestre
— Len... você é mesmo incrível — Gakupo sorriu, e afagou os cabelos do menor, que sentiu seu rosto esquentar mesmo com aquele simples toque — Obrigado. Agora, vamos, precisamos descer para recepcioná-la
— Hã? Como sabe que o visitante é uma mulher?
— Só tem uma pessoa que é capaz de me visitar à essa hora da manhã — Gakupo respondeu, virando apenas o rosto para trás enquanto andava apressado pelo corredor, seguido pelo loiro — Logo você verá. Agora ande, precisamos descer.

Notas finais
Konnichiwa minna-san! E aí, quem vocês acham que é a visita que interrompeu o momento kawaii dos dois, hein? Acho que é meio óbvio, mas quero ver os palpites mesmoa ssim XD E vamos comemorar, porque depois de benditos 31 capítulos, o Len FINALMENTE falou que ama o Gakupo com todas as letras!!! /o/ *solta fogos de artifício enquanto abre o champanhe* Não sei se alguém aí percebeu, mas o capítulo passado eu fiz o Len não dizer "eu te amo" de próposto, e dizer que queria ficar pra sempre com o Gakupo... porque tinha que ter toooda essa teoria pra nossa lesminha loira mais kawaii do mundo entender XP Ah, e acho que não é muito importante, mas eu pretendia usar a música Spice no capítulo passado por causa daquele trecho "Esse é meu tempero, só dessa vez deixarei você provar, você ama meu gosto amargo" porque, não seis e vocês lembram, mas desde o início da fic que o Gakupo vêm dizendo que gosta de coisas amargas... bem, teve gente que comentou no capítulo anterior sobre esse detalhe, já que o Gakupo também nunca tinha feito essas coisas e não tinha com o que comparar, mas ele disse aquela parte "O seu gosto é maravilhoso, Len... você tem um sabor amargo, como eu gosto" por causa disso, mas acabei usando aquela outra porque, quando vi a tradução, tive que admitir que combinava mais com um lemon mesmo XP Um detalhe não muito importante, eu acho, mas tinha decidido que o Gakupo iria gostar de coisas amargas só por causa desses detalhes que só iam acontecer láááá pra frente XD Enfim, vou parar por aqui antes que essas notas finai virem um texto gigante XP Deixem reviews onegai!!!