Loveless

23 Capítulo 23 - ♫ Cantarella ♪


"Nossos olhos se encontram de um certo jeito
Em um mundo acorrentado, fingindo não saber
Mas mesmo assim, minha centelha de interesse pode ser vista
Queimando... meu coração. Eu não vou mostrar isso
E cresce junto uma respiração profunda
Que você pode sentir, fazendo você se chocar
Como qualquer sentimento normal de amor,
Agora vão ter certeza de que você vai se apaixonar"

~~~~~X~~~~~X~~~~~


Em uma bela noite de lua cheia, estava sendo comemorada uma linda festa de aniversário. Os gêmeos Kagamine estavam completando seus cinco anos de idade, então haviam muitas crianças, de todas as idades, presentes na festa, como a jovem Princesa do reino de Blanc, a herdeira do Visconde de Vert, a filha do Marquês de Rose, e também o herdeiro do Conde de Bleu e o filho do Duque de Pourpre.


— Feliz aniversário, Len-kun, Rin-chan — o herdeiro do Duque de Pourpre cumprimentou os aniversariantes, sorrindo educadamente. Na verdade não conhecia os irmãos direito, só sabia deles pelo que ouvia de seus pais, mas essa era a primeira vez que se viam pessoalmente. Na época, Gakupo também era uma criança ainda, embora bem maior do que os gêmeos, já que estava com onze anos de idade
— Ah... h-hai, muito obrigado — Len curvou-se educadamente, enquanto sua irmã ainda encarava o garoto mais velho com atenção
— Essa é a primeira vez que nos vemos, se não me engano... eu sou...
— Ahh, eu sei quem você é! — Rin exclamou de repente, apontando escandalosamente para Gakupo — Você é o garoto que ficou noivo da filha da Marquesa de Rose, Kamui Gakupo-san, não é?
— -Sim... tem razão, sou eu — Gakupo confirmou, deixando escapar uma careta involuntária por ter sido reconhecido por esse termo — Mas, saiba que foram nossos pais que decidiram esse noivado, e não eu, ou a Luka-san
— Então... você não queria estar noivo dela, Gakupo-san? — Len indagou, inclinando a cabeça para o lado, como um filhote fofo e confuso
— De fato, não queria... e creio que a Luka-san pense do mesmo jeito — ele contou, incapaz de forçar um sorriso, mesmo que por educação — Bem, de qualquer forma, só vim dar os parabéns pra vocês, então...
— Ah, espera, Gakupo-san! — Rin o interrompeu de novo — Não vá embora ainda, quero fazer mais perguntas sobre seu noivado!
— Pare com isso, Onee-chan, não está vendo que ele ficou chateado por você ter tocado nesse assunto? — Len sibilou para a irmã — Mas, é realmente triste... você ter que casar com alguém só porque seus pais mandaram
— Acha que algum dia isso pode acontecer com a gente também? — Rin indagou, temerosa
— Não sei... acho que é possível, depois que vocês crescerem mais um pouco — Gakupo ponderou, incerto
— Ahh, não! Eu não quero ter que ficar com uma pessoa que eu não gosto só porque alguém mandou! Isso não é justo!! — Len exclamou, assustado, como se isso estivesse acontecendo com ele agora
— Gakupo-saaaan!! — Miku surgiu de algum lugar, e se pendurou no braço dele antes que os gêmeos pudessem fazer novas perguntas — O bolo de morango está delicioso, você precisa provar, venha!
— Miku-san, não deveria comer o bolo antes de cantarem parabéns... — Gakupo falou, com uma gota na cabeça, tentando se desvencilhar da amiga
— Agora é tarde, já comi! E você precisa provar também, vamos! — ela arrastou o garoto para longe dos gêmeos, impedindo-os de enchê-lo com mais perguntas sobre seu noivado com Luka.

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Kamui Gakupo quase saltou de sua cama, acordando assustado. As imagens ainda muito nítidas em sua mente não eram um mero sonho, e sim uma lembrança, de vários anos atrás. De antes dos Baronetes Kagamine falecerem, antes do incêncio no reino de Jaune, antes de Rin e Len ficarem órfãos, e antes dele ir parar nas mãos de Kaito. Aquela era a primeira lembrança que ele tinha de Len, quando o garoto ainda possuía sentimentos, e da primeira vez em que se conheceram.


Depois de alguns segundos se recompondo, o Duque levantou-se lentamente e trocou a roupa de dormir pelo seu traje habitual, com seus pensamentos ainda perdidos no sonho que acabara de ter. Queria conversar com Len sobre ele, e perguntar se o garoto ainda se lembrava daquilo, porém, assim que desceu as escadas e chegou no primeiro andar da mansão, uma surpresa logo provou que ele teria que deixar sua conversa com o loiro para mais tarde, pois Miku aparecera repentinamente para visitá-lo sem avisar. De novo.


— Bom dia, Gakupo-san! — ela exclamou ao vê-lo, agitando a mão no ar alegremente, com o sorriso bobo de sempre no rosto, enquanto Len colocava a mesa para o café da manhã, do qual ela já estava disfrutando sem permissão por sinal
— Bom dia, Mestre Gakupo — Len cumprimentou também, curvando-se brevemente — O café da manhã já está servido — ele indicou a mesa com a mão
— Bom dia, obrigado Len — ele respondeu, sorrindo para o mais novo, e voltando a amarrar a cara ao se dirigir à Viscondessa — E o que a senhorita faz tão cedo por aqui, hein Miku-san? Madrugou hoje, foi?
— Ah, eu nem consegui dormir direito pra falar a verdade! — a garota exclamou, com a boca cheia de torrada, sem dar a mínima para a irritação óbvia dele — Aliás, faz dias que não durmo direito, porque sempre fico pensando em uma coisa que não me sai da cabeça de jeito nenhum, mas eu não consigo encontrar a resposta! Por isso eu vim aqui falar com você!
— Se isso for te fazer sair mais rápido da minha casa, pode perguntar o que quiser... — ele murmurou, ainda sonolento, servindo-se de chá
— Ah, que bom ouvir isso! — ela exclamou, também sem dar importância à expulsão indireta dele — Bem, é um assunto meio delicado na verdade... mas, ultimamente, eu tenho percebido umas mudanças na sua relação com o Len-kun. Quero dizer, eu me lembro que, no começo, você não gostava dele e não sabia lidar com um garoto que passou por tantos problemas... depois, parece que se acostumou com a situação. Até aí, tudo bem. Mas, de uns tempos pra cá, eu.... bem, eu venho tido a impressão de que o relacionamento de vocês.... meio que "evoluiu", sabe... como se já não fossem mais apenas "Mestre e criado"
— Aonde é que você está querendo chegar com essa conversa, Miku-san? — Gakupo indagou, lançando seu melhor olhar ameaçador para a garota, embora no fundo temesse a resposta
— Eu não sou a única a pensar isso. Já ouvi pessoas na rua comentando sobre esse assunto... e, se isso chegar aos ouvidos de Sua Majestade... bem, com certeza não vai ser nada bom — ela continuou, séria, sem se deixar ameaçar — Acho que você já deve ter entendido aonde eu quero chegar, Gakupo-san. Só quero saber se minhas suspeitas são verdadeiras ou se eu estou enganada
— E o que você pretende fazer com essa informação, hein Miku-san? — ele respondeu a pergunta dela com outra pergunta — Ou melhor, o que a senhorita acha que descobriu?
— Eu acho que você começou a gostar do Len-kun... mais do que deveria — ela jogou na cara dele, e Gakupo ficou branco como papel. Len, que ainda observava a conversa à um canto, sentiu seu queixo cair e os olhos se arregalarem levemente. Seu rosto corou um pouco também, mas ele não notou isso — Quero dizer, que você gosta dele mesmo. Não como o Conde de Bleu, e as coisas que ele fazia com o Len-kun... aquilo não era amor, o Conde não o amava! — a Viscondesa exclamou, parecendo ter mais certeza disso do que de suas suspeitas sobre Gakupo e Len — E eu acho também que talvez o Len-kun corresponde aos seus sentimentos... bom, na verdade, disso eu não sei dizer, ele é tão inexpressivo que é difícil saber — ela admitiu — Mas, acho que, se restou algum sentimento nele, o Len-kun também gosta de você. Se não gosta, cedo ou tarde vai acabar gostando... ou, talvez, ele já goste e não tenha percebido... algo assim
— Miku-san... o que você está dizendo é algo muito sério — Gakupo falou devagar, enquanto tentava pensar em um jeito de negar tudo aquilo e tirar aquelas suspeitas da cabeça da garota, embora no fundo soubesse que seria impossível para ele fingir que não amava Len — Por que está me perguntando uma coisa dessas assim do nada?
— Porque, se for mentira, então eu vou arranjar uma briga feia com cada um dos fofoqueiros enxeridos desse reino que ficam inventando mentiras e maldades sobre o meu melhor amigo! — ela exclamou, parecendo irritada, e depois acrescentou, mais séria — E, se for verdade... então, eu irei negar tudo do mesmo jeito, já que vocês teriam problemas se descobrissem isso afinal, não é?
— Miku-san... e-então você realmente... não se importa?
— Com o fato de você ter se apaixonado pelo seu servo? Claro que não — ela respondeu, dando de ombros, como se aquilo fosse completamente normal, e começando a devorar uma segunda torrada
— Mas... tanto o Len quanto eu somos homens. Nossa idade também não é muito próxima, e o status social é tão diferente...
— Sim, é exatamente isso que o povo está falando sobre vocês — ela concordou, apontando uma torrada mordida para o Duque — Mas, pessoalmente, acho que isso é o que torna tudo muito mais interessante! — a Viscondessa admitiu, deixando escapar um enorme e suspeito sorriso — E, além do mais, que tipo de pessoa horrível eu seria se não fosse capaz nem de apoiar o primeiro amor do meu melhor amigo, hein? Eu não sou uma garota tão má assim! — ela exclamou, num tom que pretendia ser ofendido, mas que acabou soando como uma criança mimada
— Miku-san... obrigado, de verdade — Gakupo deixou escapar um sorriso sem graça, sinceramente grato à amiga pela primeira vez na vida — Foi por isso que você disse, algum tempo atrás, que talvez fosse melhor que eu não me casasse com a Luka, não é?
— Sim, isso mesmo! Porque você gosta do Len-kun, e não dela! — a Viscondessa confirmou, terminando de comer sua torrada
— Mas, naquela época, eu nem mesmo tinha percebido nada... não é possível que você tenha notado antes de mim!! — o Duque exclamou, incrédulo
— Você não tinha notado ainda?! Não acredito, como você é lerdo! — ela gritou de volta, como que o repreendendo — Bem, não importa... pelo menos tudo deu certo no final, e você enfim percebeu, não é? — ela então deu de ombros, e voltou a sorrir. Ela limpou a boca com um guardanapo em seguida, colocando-se de pé — Bem, era só isso que eu queria saber... obrigado por ter me contado algo tão importante, Gakupo-san
— Eu "contei" uma ova, isso foi praticamente um interrogatório! — ele rebateu, de mau-humor
— Ora, não seja tão duro, se o meu melhor amigo não me conta uma coisa importante dessas, então eu preciso perguntar! Eu estava preocupada com você afinal! — ela rebateu, tentando demonstrar de fato alguma preocupação para com ele, embora parecesse mais é que ela só queria saber da fofoca e comer de graça. Miku andou até onde eles estavam e, repentinamente, lançou o braço esquerdo ao redor do pescoço de Gakupo, e o direito em volta do pescoço de Len, abraçando os dois ao mesmo tempo — Além do mais, vocês formam um casal tão fofo que pouco importa se são dois homens, ou duas mulheres, ou um pré-adolescente e um adulto.... vocês ficam tão lindinhos juntos que nada mais importa!! Ahh, agora sim posso dormir em paz sem essa dúvida me incomodando!
— Era isso que estava te causando insônia?! — Gakupo indagou, erguendo uma sobrancelha
— Bem, era um assunto muito importante afinal! — ela exclamou de volta, soltando-os — Ah! E não se preocupem, que não vou contar pra ninguém o segredinho de vocês, e vou negar tudo caso alguém me pergunte, prometo! — ela acrescentou, dando uma piscadela — Agora, acho que vou embora, antes que você me expulse de novo... até mais, meus pombinhos fofos!! Kyaaah~!! — ela saiu correndo em direção à saída, mais por empolgação excessiva do que por pressa ou medo de ser expulsa, completamente extasiada com a descoberta que fizera.


Tanto Gakupo quanto Len ainda ficaram observando a porta pela qual Miku se retirou por mais alguns segundos, mesmo depois de ela ter ido embora, como se temessem que a porta pela qual ela passou também fosse interrogá-los ou coisa do tipo. Em seguida, Gakupo suspirou longamente e se levantou, perdendo completamente o apetite depois daquele interrogatório tão cedo.


— O senhor não vai tomar seu café, Mestre Gakupo? — Len indagou, desviando finalmente seus olhos da porta e virando-se para o mais velho
— Agora não... perdi a vontade de comer depois dessa conversa — ele respondeu aborrecido — Mas, falando em conversa, tem uma coisa que preciso conversar com você. Venha comigo.


Gakupo o guiou até seu escritório, e depois que o loiro entrou, ele trancou a porta, virando-se para encará-lo.


— Ahn... — Len pronunciou-se antes que Gakupo falasse alguma coisa — O senhor queria mesmo só "conversar", ou...?
— O que? Não, não te chamei aqui pra isso! Eu preciso mesmo falar com você! — Gakupo respondeu depois de alguns segundos que levou pra entender o que ele queria dizer — Francamente, acha mesmo que é só pra isso que eu te chamo quando estamos sozinhos?!
— Bem, é que... costumava ser assim antes de eu vir pra cá, então...
— Eu já disse várias vezes, não sou como seu antigo Mestre — Gakupo o cortou, irritado com a comparação
— Desculpe... acabei criando maus hábitos por causa dele — Len abaixou a cabeça, sentindo algo incômodo que ele não sabia definir por ter ofendido Gakupo, mesmo sem querer, e sem perceber que o que sentia era vergonha
— Bem, suponho que seja compreensível — o Duque resmungou, realmente pensando aquilo, embora por dentro esse fato ainda o aborrecesse — Bem, na verdade, eu queria te dizer duas coisas: Uma delas, é que eu não quero mais que você trabalhe como meu mordomo
— O que....? — Len repetiu, arregalando minimamente os olhos — O senhor está dizendo... q-que vai me dar uma tarefa diferente, é isso?
— Não, eu quis dizer que não quero mais que você trabalhe pra mim
— Então... o senhor... quer que eu vá embora...? — Len murmurou fracamente, abaixando a cabeça, sendo alguma coisa desagradável esmagar seu peito. Tinha se acostumado tanto a viver ao lado de Gakupo que já não conseguia mais imaginar sua vida sem ele
— O que?! Não! — o Duque se apressou a dizer — Francamente, daonde você tira essas coisas?!
— Mas, o senhor disse que não me quer mais como servo, então...
— O que eu quis dizer é que não quero mais que você trabalhe pra mim, mas que continue vivendo nesta casa comigo. Como... um hóspede, ou algo assim — o homem explicou, sem conseguir encontrar palavra melhor para definí-lo — Eu venho pensado nisso há algum tempo, na verdade... e, o fato é que me incomoda ter a pessoa que eu amo trabalhando pra mim e me servindo desse jeito, eu não quero isso. Eu... eu te amo, você sabe disso. Por isso não me parece certo ter a pessoa de quem eu gosto trabalhando pra mim, e me chamando de "Mestre", entende? Mas não quero que você vá embora dessa casa nem nada do tipo, entendeu agora?
— Ah... entendo — Len respondeu, erguendo um pouco a cabeça, embora na verdade não tivesse compreendido muito bem — Fico honrado com suas palavras, meu Mestre... mas, creio que isso não seria possível. O senhor me comprou para serví-lo, que explicação o senhor daria às pessoas se, de repente, eu virasse apenas seu hóspede, e continuasse vivendo aqui sem fazer nada e sem trabalhar na casa?
— Ahn... e-eu.... r-realmente não tinha pensado nisso — Gakupo admitiu, meio desconcertado, por Len ter percebido isso tão rápido, e antes que ele mesmo notasse
— Bem, se o senhor não tivesse um motivo plausível pra isso, que pudesse dar como explicação à todos, as pessoas estranhariam isso, não acha? — o loiro continuou, sem perceber que a sensação incômoda em seu peito que sentira quando pensou que Gakupo o estava mandando embora havia desaparecido — Começando pelos outros servos desta casa, que estão aqui há muito mais tempo do que eu. Se eu fizesse o que o senhor está me sugerindo, e deixasse de trabalhar como seu mordomo para me tornar apenas um hóspede, os boatos que correm pelo reino sobre o senhor... bem... estar comigo.... só iriam aumentar, não é? Por isso, não acho uma boa idéia fazer isso... e creio que seja melhor eu continuar sendo mais um de seus criados... até porque, não me parece certo eu viver nessa casa de graça, e comer da sua comida, sem fazer nada em troca. Verdade que sou desajeitado, e não posso ajudar em muita coisa... mas, o pouco que eu posso fazer... eu quero continaur fazendo
— Está bem... já que você insiste nisso... e já que, o que você falou é verdade... então deixaremos as coisas como estão, pelo menos por enquanto — Gakupo concordou, ainda que à contragosto — E, bem, havia outra coisa que eu queria te perguntar: Por acaso... você se lembra de como nos conhecemos?
— Hein? — o loiro piscou várias vezes, confuso — Não foi no leilão... no dia que o senhor me comprou?
— Bem, aquela foi realmente a primeira vez que nos vimos depois de muito tempo... mas, nós já tínhamos nos encontrado antes. Na sua festa de aniversário de cinco anos, há muito tempo atrás
— No meu aniversário de cinco anos...? — Len forçou sua memória, tentando se lembrar de como fora a tal festa. Passou muitos segundos pensando, já que ele era muito pequeno na época afinal, e mantinha pouquíssimas lembranças da época em que não tinha ido parar nas mãos de Kaito, a maioria relacionadas à sua irmã. Ao perceber esse fato, lembrou-se de que Rin estava junto dele na ocasião. Um garoto de cabelos roxos, preso em um curto rabo-de-cavalo, e mais velho do que eles, veio cumprimentar os aniversariantes. Ele parecia simpático e gentil, mas Rin o aborreceu algum assunto que Len não se lembrava e o garoto mais velho se irritou. Depois, uma menina um pouco mais velha do que ele e Rin, com cabelos esverdeados presos em duas maria-chiquinhas altas, gritou alguma coisa sobre bolo e arrastou o garoto de cabelos roxos para longe dos gêmeos — Ah, sim... agora me lembrei — Len respondeu depois de alguns minutos pensando — Então aquele garoto era o senhor... desculpe, eu não me lembrava. Tenho poucas recordações de antes de ter ido parar nas mãos do Conde, e a maioria envolvem minha irmã... mas Rin-oneechan estava junto comigo naquela hora, e aborreceu o senhor perguntando alguma coisa que o irritou, não foi? Não me lembro o que ela falou... depois, uma menina de cabelos verdes levou o senhor pra longe com ela, e... espera, aquela era a Miku-sama?
— Sim, era ela mesma — Gakupo confirmou, aborrecendo-se com o fato de Miku sempre o irritar de todas as maneiras possíveis desde que eram crianças — Mas, que bom que você se lembrou — ele logo deixou sua irritação de lado e sorriu, feliz por Len também se lembrar de como eles se conheceram — Sabe, eu sonhei com isso essa manhã... e queria saber se você se lembrava
— Eu tinha esquecido depois de tudo que aconteceu após a morte dos meus pais... mas me lembrei agora — Len respondeu — Então aquele garoto era o senhor... — ele murmurou, mais para si mesmo do que para o Duque — O senhor era muito bonitinho quando era criança, Mestre — as palavras escaparam de sua boca antes mesmo que ele notasse, ou pudesse impedir seus lábios de pronunciá-las
— Ahn... o-obrigado... — Gakupo arregalou os olhos de surpresa, e corou um pouco com o elogio inesperado
— Ah, não! Eu não quis dizer que o senhor "era" bonito... q-quero dizer, o senhor era, mas ainda é! N-Na verdade, acho que ficou mais bonito agora... — ele tentou corrigir-se, com medo de que Gakupo interpretasse aquilo como um simples "você era bonito quando era criança, mas ficou feio depois que cresceu", sem perceber que só estava se enrolando ainda mais enquanto falava. Sentiu seu rosto esquentar, e seu coração acelerar de repente. Não tinha acelerado tanto quanto Gakupo o beijava ou o tocava, mas agora ele batia rápido e forte o suficiente para Len perceber que ele existia, e surpreendeu-se com isso. Geralmente, isso só acontecia quando Gakupo o beijava, mas o Duque não estava encostando nem um dedo nele agora, então não entendia porque isso havia acontecido
— Está bem, está bem, não precisa tentar se explicar... eu já entendi. Obrigado, Len — Gakupo sorriu, também um tanto desconcertado com as palavras do loiro — E, acho que nem preciso dizer, mas... você também ficou muito lindo depois de crescer, viu? — ele acrescentou, curvando-se e sussurrando no ouvido do mais novo, que sentiu seu corpo estremecer com a proximidade do Duque. Sentiu o hálito morno dele batendo em seu pescoço enquanto Gakupo falava, e seu rosto esquentou ainda mais — Aposto que ficará ainda mais lindo quando crescer mais um pouco! — ele deu um rápido suave beijo em sua bochecha e voltou a ficar ereto, afagando os cabelos loiros do menor em seguida. Len piscou de novo, sentindo-se completamente perdido. Aquela era uma simples demonstração de carinho, e não era nada comparado ao que ele já tinha passado antes, porém, ainda assim, parecia ser suficiente para deixá-lo tão ou mais embaraçado quanto à época em que ele era forçado a fazer aquelas coisas constrangedoras. A única diferença é que não era assustador, e causava uma sensação boa e cálida em seu peito, que Len ainda não sabia como definir, mas tinha que admitir que havia gostado de sentir aquilo. Queria também poder dar um nome para esse sentimento misterioso e desconhecido que parecia preenchê-lo cada vez mais... ele não sabia nomear aquilo sozinho ainda, porém, por algum motivo, tinha a sensação de que, se continuasse ao lado de Gakupo, conseguiria fazer isso um dia.

Notas finais
Olá, pessoas~ Mais um capítulo postado! o/ E acho que esse deve ter surpreendido muita gente, aposto que tava todo mundo crente que eles tinham se conhecido no leilão mesmo, né rsrsrsrsrsrs E, como a maioria já suspeitava, a Miku já tinha percebido isso há séculos, parabéns pra todo mundo que acertou XD Resta saber se ela vai conseguir manter a boca fechada, nee... Bom, eu imagino que deve ter algumas leitoras que vão querer reclamar sobre não ter... bem, como eu digo... como a maioria da sleitoras falam, "não ter tido pegação" nesse capítulo, mas eu achei que seria legal fazer um capítulo em que o Len percebesse os sentimentos dele dando sinal de vida (mesmo que ele não saiba definir o que é -.- ) sem o Gakupo precisar tocar nele, usando apenas carinhosas mesmo e já conseguir mexer com ele... espero que alguém concorde comigo nisso, senão... bem, mais sorte no próximo capítulo XP Deixem reviews por favor! A cada review que você não deixa, um autor morre. Ajude a salvar os autores de fanfics comentando nas histórias! Não deixe os autores morrerem!! Kissus^^