Love vs Revenge
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Norte da Califórnia.- Colégio estadual, Tink More.
Geometria na quinta era a mesma coisa que hambúrguer com suco de cenoura, não havia coerência alguma. Cada palavra que saia da boca do Sr. Neville parecia outro idioma, sua boca não se alinhava ás palavras, como se ele estivesse dublando alguém com uma voz rouca um pouco contralto — Eu não entendia nada. Meus olhos se fechavam involuntariamente enquanto minhas pernas deslizavam sobre a cadeira sem força. Trabalhar e estudar não era para os fracos, nem para mim. Nas férias eu não me importara, mas as aulas começaram e só agora sentirei na pele de verdade, o que é não dormir.
– Ethan... — Uma voz suave me chamava à esquerda, mas o cansaço fez com que eu á ignorasse.
Tomado pelo sono coloquei minha cabeça sobre o caderno que ficara na mesa.
– Ethan! Acorda.
– Oi. — Me virei sonolento.
– A aula vai acabar. Você quer ir ao shopping comigo? Tenho que comprar uma roupa para a festa da Emily. Você sabe o que vai usar? – Alice se abaixava para tentar se comunicar comigo enquanto o professor dava os últimos conteúdos para o término da aula. Não estava tão longe. — Ah! Eu vi uma blusa que é a sua cara. – Sussurrou.
Alice Tornesi, era uma das minhas melhores amigas, ela sempre se importava em me ter em todos os momentos de sua vida. E quando digo todos, é literalmente, todos. Eu não gostava de sair de casa, por mim,só cumpriria a rotina como:Ir a escola e depois para o trabalho. Mas sempre fui forçado por ela a ir em lugares legais, diversão era necessário. Ela me acha um adolescente morto, com espírito de velho, era um dos meus apelidos criativos que ela mesma inventava. Estudamos juntos, vamos a festas juntos, nos divertimos juntos, viajamos juntos e vivemos praticamente, juntos. Ela é quase um membro do meu corpo, — o que não é tão divertido para mim que prefere ficar sozinho. Somos amigos a quatro anos, o que nos uniu foi as besteiras que fizemos e fazemos juntos, por pura influência dela, claro. Loira, de grandes olhos azuis alta e de lindos peitos. Alice sempre foi a mais bonita da sala, cuida muito bem da sua beleza e além de linda fisicamente, consegue ser nota A em todas as matérias. — Não sei como mantém tudo em ordem. Seu jeito excêntrico sempre fez dela uma caixa de surpresas, eu não espero nada dela, ou melhor! Prefiro não subestimá-la, tenho provas suficientes de que Alice sempre teve tudo o que quis.
– Não posso. Rebecca quer que eu vá com ela comprar o vestido dessa festa maldita. Eu não quero ir, mas ela me obrigou — Resmunguei cansado. — E eu não estou nem aí para a roupa que vou usar, estou cansado, quero dormir.
– Ah... Você vai com ela... Que pena. Eu estava pensando em depois das compras tomar um açaí. — Me olhou de atravessado.
Ela sempre me comprava com açaí, mas se eu furara com a Rebecca para ir com a Alice ao shopping eu morreria depois. O ódio de Alice por ela era recíproco.
– Não posso mesmo, desculpa, Ali — Na mesma hora Alice fechou a cara e retomou a atenção ao quadro.
Rebecca Johnson era ninguém menos que minha namorada. Morena, de grandes cabelos ondulados e negros, de pele alva e olhar penetrante com corpo escultural, era a pessoa mais improvável para ser minha namorada. Rebecca, que também atendia como Becca, é uma líder de torcida, — uma das melhores de Tink More. Sua sedução e sua persistência me amarrou a um relacionamento sério e de muitos altos e baixos. No início eu não a amava, ela se jogou pra cima de mim de uma forma tão rápida e sedutora que não tive como dizer não. Depois de uma semana ficando com ela, me acostumei com a idéia de namorar a garota mais bonita e atraente de Tink More. Eu sinceramente nunca vou entender porque uma líder de torcida, popular, gostosa e inteligente iria me querer. Eu sou apenas a pessoa que mais dorme na escola, não faço atividade física e isso é notório, meu corpo é esguio e minha expressão mais usada é o 'cansado da vida' que se completa com meu cabelo que nunca teve um jeito certo e único de se posicionar, muito preto, realçava minha cor pálida. Meus olhos castanhos claros era o que eu mais gostava em mim, mas quase nunca eu estava de olhos abertos. Nos conhecemos no Baile de outono, Alice tinha me obrigado a ir e lá estava ela. Depois de uns meses eu passei a amá-la de uma forma que nem eu mesmo acreditava, tamanho era o amor, creio eu que não foi suas qualidades e beleza física que me fizeram gamar de uma hora para outra, mas a nossa convivência era boa, ela fazia coisas que eu não sabia que uma líder de torcida fazia, como, ser muito boa em 'Destruição do monstro 4' e lia tudo, desde os livros mais grossos até as últimas manchetes do jornal, sua cultura me cativou e hoje não me vejo longe do seu jeito diferente e único de ser. Ela passou a ser minha válvula de escape para os meus dias ruins em casa, quando estava com ela me sentia em outro mundo, fora de mim. Depois que começamos a namorar, Alice entrou em colapso nervoso e passou a odiá-la pois eu havia me afastado muito dela, conversar não era mais um habito entre a gente. Depois de uns meses ela se acostumou com a situação e voltamos a nos falar, mas ainda odeia Rebecca Johnson.
* * *
Alice não falara comigo depois da última aula, certamente estava com raiva. Eu só queria me ver livre delas duas por alguns dias. Apesar do meu amor pelas duas, eu me sentia sufocado. Eu sempre fui o tipo de garoto que ama de ficar sozinho. Lendo, escrevendo, ouvindo música, ou fazendo o óbvio, dormindo. Mas depois que conheci as duas tudo ficou muito conjunto e eu perdi meu espaço. O único que respeitava meu tempo era o Luke, meu outro e último melhor amigo que por sinal estava saindo da sua sala.
– Eae Ethan, conta a boa para amanhã. — Sua voz sempre com tom de felicidade me causava inveja.
Até nos dias mais cansativos ele estava feliz.
Luke Thompson e eu nos conhecemos na escola na aula de química quando o professor Joshua nos juntou para um trabalho em dupla e nós tiramos zero Gramática – Nunca fui bem em gramática.. Eu nunca fui um ótimo aluno, mas Luke era bem pior que eu, quase todas as suas notas eram medianas e ele sempre ficava de recuperação. Não ter sorte com o estudo era fato, mas sua sorte com as meninas sempre o manteve de bem com a vida. Popular, bonito, chamava atenção por onde passava. Não só pelo seu cabelo escovado para cima e a sua famosa "boca carnuda", Luke era um cara do bem, que jogava a pessoa para cima de uma hora para outra,- ele é responsável pelo meu bom humor e crise de risos nas aulas de química. Alto, de cabelos loiros, pele clara, olhos castanhos e um rosto extremamente quadrado. Era bem malhado e não fazia nenhum esporte na escola assim como eu. Seu lema era "pegar sem machucar", Luke ficava com muitas meninas, mas sempre preservou o sentimento feminino, ele passou a dar mais atenção aos sentimentos das garotas que pegava, não as encorajavam a ter, mas sempre as manteve avisadas. Isso depois da Clarice Orlando se tacar na frente do seu carro enquanto dirigia, ela amava ele e ele não dava muita bola para ela, foi o bastante para ela entrar em transe e virar uma louca obsessiva a ponto de matar qualquer garota que encostasse naqueles lábios, — tenso. Depois disso ele passou a ser um "pegador com consciência", só não namora por não conseguir amar alguém a ponto de beijá-la todos dias. Em toda a sua vida nunca namorou ninguém, gostava de ser livre para fazer o que bem entendesse, — nesse aspecto eu concordava com ele. Mas sempre achei que um relacionamento não precisa ser um cárcere, somos livres para expor opiniões, muita das vezes diferentes, acho que esse é o sentido, você achar alguém que tenha o que você não tem. Mas Luke via o namoro como uma prisão e perca de privacidade, sossego, lazer.
– Vou ser obrigado a ir na festa da Emily. Tenho que ir ao shopping com a Rebecca, você à viu? — Luke era da sala da Rebecca.
– Não, ela pediu o professor para sair mais cedo e foi embora — disse sorridente. — Nossa essa festa da Emily vai ser uma bomba de gatinhas. Vou estar presente.
– Não é uma novidade, onde tem gatinhas...
– Tem Luke Thompson. — Completou e começamos a rir.
– Estranho a Rebecca sair cedo. Nós combinamos de nos encontrar aqui.
Uma das líderes de torcida acenou para o Luke no final do corredor e não demorou muito até ele ir.
– Depois nos falamos Ethan. – Disse enquanto andava para o final do corredor.
Eu precisava achar Rebecca, liguei para o celular dela a espera de uma resposta e no momento eu estava torcendo para ela desmarcar e esquecer essa festa da Emily, eu nunca tinha trocado uma palavra com essa garota, fui convidado por causa do Luke e da Alice.
Chamando...
– Amor? — Sua voz estava ofegante, como se tivesse corrido uma maratona.
– Becca, onde você está? Estou te esperando aqui. Mudou de idéia? — Perguntei.
– Não amor... Me espera aí, estou indo para a escola. Beijos. — Estava apressada.
– Onde você está? — Perguntei.
– Estou em casa, onde mais eu poderia estar?
– Não sei. — Respondi a ignorando.
O sinal tocou. 12:00
– Espera um pouco, o sinal tocou aí também? — O sinal havia tocado também do celular da Rebecca, o que indica que ela estava na escola.
– Não, foi o carro, amor. Deixa eu desligar. — Desligou.
Rebecca estava querendo me fazer alguma surpresa, eu estava desconfiando disso. Faltava um mês para o meu aniversário, ela sempre foi adiantada, mesmo sabendo que eu nunca gostei de surpresas. Com isso, resolvi procurar pela escola e o primeiro lugar que entrei foi a biblioteca, nosso lugar favorito.
Entrando na biblioteca pude perceber que alguém conversava lá dentro. Normalmente ao meio dia, lá estava vazio, pois a Sr. Silvestre descia para almoçar. Resolvi entrar de fininho, poderia ser Becca tramando uma pra mim. A conversa vinha da sala dentro da biblioteca – O escritório da Sr. Silvestre. Eu me aproximei e olhei pela persiana, querendo descobrir o motivo das vozes alteradas.
– Não! Você não vai falar nada para o Ethan. Isso aqui não aconteceu. — Ela falava alterada.
– Mas não podemos esconder mais isso, Becca! — Gritou um dos jogadores da liga Junior de futebol. O reconheci pelo casaco do time e os músculos avantajados.
Eu não estava acreditando no que estava vendo. De repente, tudo o que eu sentia pareceu descer ralo a baixo. Senti um frio no estômago e fechei meus olhos, pensei antes, respirei fundo e resolvi abrir a porta. Ao abrir, Rebecca se assustou com o grande e improvável flagra e se apoiou na bancada, eu certamente não estaria ali se não ouvisse o sino tocar do outro lado do celular. Ela estava colocando seu uniforme de líder de torcida que era um vestido curto a dois palmos acima do joelho, vermelho e branco com a sigla T.M. só com o sutiã para fora, o outro estava sem camisa e suado. Se eu precisasse de palavras, provavelmente não teria. Fechei a porta e fui caminhando até a saída em passos largos, tentando não pensar em tudo que aconteceria, tentando não acreditar naquele dia infeliz.
Quando cheguei do lado de fora da escola pude sentir uma mão tocar meu ombro e não me virei, sabia que era ela.
– Vai sair assim? Sem pedir uma explicação? – Disse descaradamente calma.
– Não preciso. — Respondi sereno.
– O amor acabou?
– Não, não acabou, mas vai acabar, não se preocupe.
– E você vai deixar que um casinho desse, jogue fora dois anos de namoro? — Ainda estava virado para a rua tentando não derramar uma lágrima enquanto Rebecca falava.
– Não foi eu que fiz isso acabar. Você fez isso, me traindo. — Ela andou até a minha frente e eu olhava para o alto tentando não olhar nos olhos dela.
– Por que parece tão calmo? — Perguntou.
– Porque não adianta se estressar, gritar. — Olhei nos olhos dela tentando encará-la. — Eu tenho dezoito anos, você também, te dei provas suficiente da minha fidelidade e do meu amor e pensei que isso fosse recíproco. Não me sinto idiota por ter acreditado em você, nem por ter ficado dois anos ao seu lado. Me sinto limpo, limpo de qualquer sugeria, porque não importa o quanto eu ficasse com raiva de você, eu nunca iria te trair. Trair, é quebrar uma aliança, é o fim da confiança e uma nova experiência. Estou calmo porque estou com sono, e me sinto bem por estar com sono e poder falar pra você numa boa que eu te amei até hoje, sem mentiras e sem traições. Você não fez o mesmo, isso não é culpa minha. Tenha um bom dia, eu espero nunca mais te ver.
– Ethan. Não faz assim, por favor. — Ela começou a chorar passando seu ante braço sobre o rosto.
Não sei se foi choque imediato, mas eu não acreditava mais em uma lágrima de Rebecca Johnson. Me virei indo até o estacionamento, ao chegar me atirei no carro e fui a toda velocidade para a casa. As lagrimas insistiam em descer e toda aquela lembrança dos meus momentos com Becca voltara a minha mente sem que eu quisesse. Cheguei em casa e corri para o meu quarto.
Eu sempre fui o tipo estranho genérico de um garoto, minhas atitudes mudavam conforme o tempo, eu estaria pronto para qualquer coisa. Conversar, ou dar um tiro, chorar ou rir, ser sincero ou irônico. Ela foi meu primeiro amor e primeira namorada, eu não pensava em largá-la assim do nada, nunca passou pela minha cabeça que poderia ser traído, não depois de dois anos juntos. Apesar do nosso namoro ser piada na boca do colégio inteiro, "A garota gostosa e o nerd preguiçoso" eu me sentia amado por ela e acredito que ela por mim. Confesso que com o tempo a gente foi ficando um pouco mais intolerante com o relacionamento, mas eu nunca deixei de amá-la e isso me enfurecia, a minha inocência. O ódio foi tomando meu coração enquanto eu tomava banho e as lembranças ficaram passando como fotos na minha mente. Me tranquei no quarto e disse ao meu pai que não receberia ninguém, se eu precisava ficar bem, começaria dormindo, isso quase sempre me deixava de bom humor.
01:00
Meu celular me acordou. Eu estava realmente precisando dormir. Me levantei e fui até a cozinha para comer alguma coisa enquanto olhava as mensagens e ligações perdidas. Havia doze ligações da Rebecca, três da Alice, uma do Luke e duas do meu chefe do trabalho. Não demorou até eu lembrar do que havia acontecido mais cedo, eu estava realmente mal por dentro mas não conseguia transparecer nada, depois que acordei não me senti tão vulnerável como antes, logo lembrei do trabalho, pela primeira vez, faltei ao trabalho. Decidi ligar para o Sr. Mason.
Ligando para chefe...
– Oi. Sr. Mason. Como o senhor está? – Percebi que minha voz ficou rouca de uma hora para outra.
– Ethan. Isso é hora de ligar? — Respondeu mal-humorado.
Não era novidade, ele vivia de mal humor.
– Só liguei para avisar que não fui trabalhar porque passei mal. – Minha voz falou ao contar a mentira.
– Tudo bem, tudo bem. Não tem ninguém pra eu colocar no seu lugar mesmo.
– Eu sei que sou eficiente Sr. Mason, obrigado.
– Não foi isso que eu quis dizer, você sabe que eu preciso de mais trabalhadores. Agora vai dormir e apareça amanhã, em!
– Tudo bem. Boa noite.
– Tchau — resmungou. — Se faltar, vou descontar do seu salário.
– Okay.
– Tuhh... — Desligou.
Conheci o Sr. Mason a seis meses atrás quando eu descobri a biblioteca dele que fica perto do colégio onde estudo. Estava a procura de novas aventuras e olhar aquela imensidão de livros me fez querer voltar lá toda semana. Vendo meu interesse por leitura, ele me convidou para trabalhar como recepcionista e administrador dos livros, eu achei a junção perfeita.Eu precisara ajudar meu pai com as despesas e faria isso no meu santuário chamado biblioteca.
Fale com o autor