Love me like you do
1 Capítulo único
Notas iniciais
Capítulo único.
Love me like you do
A loira olhou para o convite em suas mãos e ao invés de ficar feliz em poder rever seus amigos de escola, ficou apreensiva e ansiosa.
Ele estaria lá?
Lucy há muito tempo tivera um relacionamento que ela poderia julgar ter sido o melhor da sua vida, mas infelizmente, não dera certo. A vida já tinha planos para ela e nesses planos, Gray não estava incluso.
Gray fora a primeira pessoa pela qual Lucy já tivera um sentimento sincero e puro. Seu primeiro amor e poderia ainda ser considerado o primeiro e único amor.
Mesmo que já tenha se passado bastante tempo desde então, e agora até estava em um relacionamento sério com Natsu, um rapaz que conhecera no trabalho, tinha que admitir que lá no fundo, nas profundezas de seu coração, ainda havia resquícios de seu sentimento por Gray.
O termino viera por conta do sentimento de insegurança. Gray havia recebido uma proposta para estudar em outra cidade e sendo uma oportunidade única, teve de aceitar. O que ele viu como um grande começo tinha o seu porém.
Lucy não quis ir com Gray, ela também tinha seu sonho, e abandoná-lo para seguir Gray estava fora de cogitação. Mas ela também não queria terminar tudo. Foi então que Gray propôs o namoro a distancia.
Os primeiros meses foram até que fáceis de aceitar, pelo menos uma vez por mês Gray voltava para visitá-la. E com ele vinham às historias e novos amigos, e dentre eles estava Juvia.
A insegurança de Lucy a fez sentir ciúme. O que acabava irritando Gray, ele esperava um pouco de confiança na parte da namorada, assim como ele tinha confiança nela. Uma troca de confiança no relacionamento era essencial, mas isso era que faltava na parte de Lucy.
O que Gray julgou ser falta de confiança era na verdade a insegurança da loira, de Gray ter se apaixonado por outra garota. Que ele tenha encontrado alguém mais bonita e que pudesse satisfazer suas necessidades sempre que pudesse, o que era algo que Lucy não tinha.
E foi sendo assim até o dia em que ela resolveu por um fim na historia dos dois. Ela viajou até onde Gray estava e com o coração despedaçando, pediu por uma ultima noite antes de terminarem tudo. Ela não queria que fosse algo triste e cheio de mágoas, queria que fosse algo cheio de emoções, que nenhum deles esquecesse essa noite. Ela queria que ele a amasse do jeito que só ele sabia.
Voltou com um enorme vazio dentro do peito. Ela havia deixado Gray e com ele, seu coração. No final ela não conseguira por um ponto final. Nunca conseguiria. Por um ponto final em tudo significava esquecer Gray para sempre, e ela não queria isso, mas isso não a impediu de tentar tal coisa.
Desde então se dedicou aos estudos e trabalho para pagar a faculdade, e fora nesse trabalho que conhecera Natsu Dragneel, seu atual namorado.
O rapaz de 26 anos de idade, amante da fotografia, conheceu Lucy na livraria em que trabalhava como ajudante. E depois de dias com apenas troca de olhares ele enfim tomou coragem para conversar com ela e chama-la para sair.
E pela primeira vez desde muito tempo, Lucy voltou a sorrir como antes. Com um porém, o vazio em seu peito continuava ali. E toda vez que deitava a cabeça no travesseiro o aperto em seu peito lhe lembrava do que teve que deixar para trás.
Mas não tinha como voltar ao passado e mudar tudo, ela tinha que seguir em frente assim como Gray fizera.
Natsu era uma boa pessoa e lhe tratava super bem, poderia não ser como Gray foi um dia, mas era o suficiente para tentar preencher o vazio em seu peito. Natsu seria seu recomeço.
Foi isso o que pensou até receber este convite.
Não tinha certeza se ele realmente estaria ali. Não tinha notícias do mesmo a muito tempo. A ultima vez que ouvira algo sobre ele era que finalmente ele realizara o sonho de ser advogado e já estava trabalhando na área.
Ela também conseguira realizar seu sonho de ser professora. Já podendo realiza-lo dando aula para crianças do fundamental. Se havia uma coisa que Lucy adorava mais do que ter o ato de ensinar, eram as crianças. Adorava o jeito como elas ficavam encantadas com cada descoberta do dia, e de como eram inocentes com o amor. Não era algo envolvendo dor como ela havia conhecido, mas algo puro e inocente.
Adorava seu trabalho e poderia dizer que eram as crianças que faziam do seu dia melhor, lhe fazendo esquecer inúmeras coisas por varias horas. Suficientes para que ela pudesse estar bem consigo mesmo. E que pudesse repetir como sempre fazia, que não poderia ficar presa ao passado para sempre. A porta do recomeço estava aberta, bastava a ela atravessa-la e deixar que a vida lhe guiasse por esse novo começo, deixando para trás o que devia ter deixado há muito tempo.
Depois de rever o convite inúmeras vezes, pousou o papel em cima da mesinha de centro e respirou fundo. Não estava preparada para vê-lo novamente, sentia um incomodo frio na barriga e por incontáveis vezes considerou a ideia de não comparecer, mas aquilo só comprovaria o fato de como estava sendo pateticamente fraca. Sem contar que seria muita falta de consideração com inúmeros colegas com quem já tinha estudando.
Sua atenção fora tomada pelos braços lhe abraçando por trás e o leve cheiro de menta de seu namorado, que acabara de sair do banho.
–Está tudo bem? — perguntou ao notar o estranho comportamento de Lucy, ela apenas assentiu com a cabeça, na intenção de Natsu não se preocupar com seus problemas. Pois Lucy nunca havia contado sobre Gray, nem mesmo cítara seu nome e todas as lembranças que havia guardado estavam em sua antiga casa, bem longe dele.
–Sim, só estava pensando... — respondeu se virando de frente para o rosado.
Lucy não podia negar o quão atencioso e carinhoso Natsu era com ela. Sem contar em todo o amor que fazia questão de evidenciar todos os dias. No entanto, muitas vezes a loira se pegou pensando em como não o merecia. Estava com ele para tentar esquecer Gray, e por isso sentia-se uma pessoa horrível. Natsu merecia coisa melhor.
Muitas vezes pensou em contar isso a Natsu e não prender mais o coitado, parar de iludi-lo. Mas sempre que tentava, Natsu lhe fazia coisas bonitas e ela sempre acabava desistindo, com a ideia do recomeço.
–E no que estava pensando? — Rodeou sua cintura com um braço e com a mão livre acariciou o rosto de Lucy, fazendo-a fechar os olhos e apreciar o carinho que ganhava.
Eram por atitudes assim que Lucy não contava a verdade, ela queria mudar, se soltar do passado e se jogar de braços abertos ao futuro que parecia pronto para recebê-la. Natsu estava incluso neste futuro.
–Recebi um convite para uma reunião do colégio. Minha turma do terceiro ano quer se reencontrar. — deitou a cabeça no peito dele, acompanhando a respiração e o batimento cardíaco do mesmo.
–Você não quer ir? — perguntou alisando seus cabelos loiros.
–Não... Só estava imaginando como eles estão. — mentiu, o que acabou passando despercebido por Natsu. — Se todos realizaram seu sonho, se estão saudáveis e se já tem uma família.
–Você só descobrirá se for... Você não parece animada, tem alguma coisa lhe incomodando? — Perguntou preocupado. Não deixara de notar o comportamento estranho da namorada e gostaria de saber o porquê de estar assim, para que de alguma forma pudesse ajudá-la.
–Não é nada demais. Só estou cansada, hoje foi um dia longo. Muitas atividades para corrigir. — riu baixo e levantou a cabeça, sorrindo para Natsu. — Não precisa se preocupar, amor.
–Então vá descansar, tenho certeza que com uma boa noite de sono, amanhã você estará nova em folha e com animação para dar e vender. — beijou-lhe a testa e depois os lábios, em um rápido selar.
–Tudo bem... — Sorriu e levantou-se, olhando mais uma vez para o convite em cima da mesa e sentindo um nó se formar na garganta. — Vou ir dormir, você vem?
–Não — fez uma careta e apontou para o notebook em cima da poltrona branca. — Varias fotos para editar... Desculpe.
–Tudo bem... Só não trabalhe demais.
Abraçou Natsu mais forte do que o normal e depois de um beijo de boa noite, andou até o quarto que dividiam e se jogou na cama, passando a olhar para o teto como se fosse à coisa mais interessante do mundo.
Mas seus pensamentos estavam longe. Estavam em lembranças com os olhos negros que lhe tiravam o fôlego. Não soube por quanto tempo ficou daquele jeito, nem mesmo quando pegou no sono. Só quando acordou no dia seguinte com Natsu lhe abraçando por trás.
Hoje seria a noite do encontro, que seria realizada em um restaurante da família Strauss. Lucy poderia levar um acompanhante que obviamente seria Natsu, além do mais, prometera a ele que algum dia lhe apresentaria algum de seus amigos.
Ela só esperava que não precisasse o apresentar a Gray, se é que ele estaria ali. O que ela estava torcendo para que não.
...
Estava em frente ao espelho passando a maquiagem que pudesse ao menos disfarçar um pouco da cara de cansaço que chegou em casa depois de corrigir provas e passar por uma intensa reunião de planejamento escolar.
Sua disposição para ir ao encontro estava consideravelmente baixa, e enquanto estava voltando para casa já havia se decidido que ficaria em casa e dormiria até mais tarde, já que amanha séria sábado. Mas ao chegar em casa viu Natsu se aprontando, então ela soube que não teria mais volta. Ela teria que ir, era isso ou ter Natsu chiando em seu ouvido. Ele odiava que cancelasse algo de última hora, não importa o que tenha levado para tal ato.
–Uau, alguém ligue para a polícia, tem alguém tentando me seduzir aqui. — Riu baixo, vendo o rosado se aproximar e lhe abraçar por trás, pousando a cabeça em seu ombro. Ambos se encaravam no espelho com um sorriso no rosto.
–Acho que já está na hora de trocar a fita, não? — Ele riu e pensou por alguns segundo, tentando achar alguma cantada barata que ainda não houvesse usado.
–Já sei, essa é boa, hein. — Limpou a garganta e fechou os olhos — Gata, meu amor por você é que nem o universo, infinitamente grande.
Lucy riu e o afastou para terminar de se arrumar.
– Ah, essa foi boa. Admite. — Estava indignado pela cantada ter sido motivo de riso da namorada, estava crente que com essa veria ela se derretendo.
–Tenta uma próxima vez. — Colocou o batom em cima da penteadeira e se virou com as mãos não cintura. — Como estou?
–Muito linda. Estou até com medo de algum desses caras se apaixonarem por você.
–Claro que não, bobo. -Sorriu para disfarçar o nervosismo. — Vamos? Ou iremos nos atrasar.
–Eu dirijo! — Correu para fora do quarto a deixando para trás.
Olhou-se no espelho mais uma vez e ensaiou pela ultima vez o sorriso que faria caso tivesse que vê-lo, tudo muito atuado, para disfarçar a dor e amor que ainda tinha por ele.
Pegou sua bolsa e correu para fora, onde Natsu a esperava na frente do elevador.
...
Quando saiu do carro sentiu o frio da noite atingir seus braços e pernas, fazendo todos os pelos de seu corpo se arrepiar. Quase implorando para que entrassem logo.
Natsu como um bom cavalheiro que era, enlaçou seu braço ao dela e com passos combinados andaram até a porta do restaurante, que fora aberta por um dos empregados. Lucy sentiu pena do pobre rapaz, teria que ficar ali até que todos chegassem, naquele frio.
Quando entraram o calor e o cheiro delicioso de comida os recepcionaram. E logo não demorou para que uma figura de cabelos brancos aparece se com o maior sorriso do mundo.
–Lucy! — As duas se abraçaram com força, na intenção de matar toda a saudade do tempo em que não se viram. — Á quanto tempo. Oh, esse é...?
–Natsu, meu namorado. — Trocaram apertos de mão educados. — Essa é Mirajane, minha amiga.
–Fico feliz que tenham vindo. — Sorriu segurando suas mãos. Mirajane sempre fora alguém muito simpática que ajudava bastante Lucy nas horas que precisava. — Alguns já chegaram e estão sentados em uma mesa mais para o fundo. Sinto por não levá-los lá, mas tenho que resolver algo na cozinha. Logo me juntarei a vocês, fiquem a vontade.
Lucy sorriu e observou a amiga entrar na cozinha. Sempre fora o sonho da albina, trabalhar no restaurante da família, ela sabia muito bem administrar tudo, sem contar no amor que ela tinha com o estabelecimento, o preservava de tal forma que parecia uma obra de arte.
A loira virou-se e varreu os olhos pelas mesas a procura de algum conhecido. E logo avistou Erza, que sorria e lhe acenava com as duas mãos.
Erza era uma antiga amiga, mantiveram contato depois de saírem do colégio, mas o trabalho não ajudava muito, então acabaram perdendo o contato e raramente se encontravam.
–Ai Meu Deus! Lucy! — A abraçou fortemente, arrancando risos da loira que pela primeira vez que chegara sorriu verdadeiramente.
Por um momento ela se esquecera de tudo e permitiu-se a sorrir e rir com seus amigos, e naquele momento ela não poderia estar mais grata por Natsu estar com ela.
Esquecer-se de Gray nem que por pouco tempo lhe fazia se sentir outra pessoa, era como se tudo tivesse sido daquela maneira desde sempre.
Mas tudo o que é bom, dura pouco. A momentânea felicidade de Lucy se desfez quando o viu passar pela porta do restaurante. Gray viera e estava acompanhando de uma mulher de cabelos azuis.
Ela ficou o observando sem reação, mas suas mãos começaram a suar e o frio na barriga voltara para lhe atormentar. Ela ficou nisso até ele se dar conta de que estava sendo observado.
Os olhares se encontraram depois de anos, o tempo pareceu parar por segundos e o mundo ao seu redor sumir, juntamente com as pessoas, onde restavam apenas os dois.
Ele parecia tão surpreso quanto ela. E apenas saiu de seu mundinho particular quando a garota que lhe acompanhava o cutucou, fazendo-o despertar.
E a cada passo que ele dava em direção da mesa, Lucy sentia seu coração acelerar de forma descompassada. O nervosismo apenas aumentando.
–Se não é o Gray! — Erza levantou-se para abraça-lo e foi tempo suficiente para Lucy se dar contar de que era realmente ele. — E veio acompanhado... — O cutucou com o cotovelo, olhando discretamente para a garota que pareceria encantada com a decoração do lugar. — Quem é?
Ele riu meio sem graça e a puxou pela cintura.
–Essa é Juvia, minha noiva. — Um grito de aprovação saiu dos lábios da ruiva, que parecia muito feliz com á noticia. Ela puxara Juvia para um abraço para parabeniza-la, e claro conhecer sua futura cunhada, já que Erza tratava Gray como um irmão.
A notícia foi motivo de comemoração para todos, exceto para Lucy. Ela encarava um ponto fixo da mesa e tentava engolir as palavras que acabara de ouvir.
Claro que já esperava ouvir que Gray seguira sua vida, que provavelmente estivesse namorando e até... Noivo. Mas o impacto só comprovou o quanto não estava pronta para vê-lo e ter qualquer contato com o mesmo. Gray ainda era um ponto fraco exposto.
Ela sentiu suas mãos começarem a tremer e as lágrimas aparecerem involuntariamente em seus olhos. Levantou-se da mesa chamando a atenção de todos, principalmente de Natsu que levantou-se junto dela, super preocupado.
–Você está bem? — A segurou e viu suas mãos tremendo. Olhou para seu rosto e viu o quão pálida estava.
–Estou... — Todos a encaravam preocupados, e para não preocupá-los, andou em direção do banheiro. — Deve ser só a pressão... Já volto. — Precisava jogar uma água fria na cara e tentar se recompor da noticia que receberá.
E mais do que nunca, ela sentia-se patética por ter se mostrado fraca tão rápido na frente dele. Sem nem ao menos trocarem uma palavra, ela já demonstrara de forma explicita que Gray ainda mexia muito com ela.
Jogou um punhado de água fria no rosto e ficou de olhos fechados, respirando e controlando a emoção que estava á flor da pele. Ouviu a porta ser aberta e já esperava encontrar Natsu lhe encarando preocupado. Mas assim que abriu os olhos, se assustou ao vê-lo ali.
Os olhos negros estavam indecifráveis, porém, seu olhar estava intenso com o reflexo dela, que o encarava de olhos arregalados.
–Nem ao menos um oi. — Falou de braços cruzados, estava encostado no batente da porta de um dos reservatórios. Seus cabelos bagunçados pareciam maiores e suas expressões faciais um pouco mais maduras. Os olhos não paravam de encarar o reflexo dela. — Você parece abominar o que tivemos. Foi tão ruim para você?
Ela abaixou o olhar e pediu mentalmente para que ele parasse com aquilo. Ela sabia a onde ele queria chegar. Ele queria desencadear tudo o que ela trabalhou duro para tentar esquecer.
–Engraçado, você que pediu para terminar tudo e agora faz todo esse show...
–Você não sabe o quanto me arrependo disso. — O olhou pelo espelho com os olhos cheios de lagrimas, Gray continuava com a mesma expressão. Indecifrável. — Todas as noites, eu me amaldiçoou por ter sido tão estúpida de ter deixado a única pessoa que amei na vida.
–Se me amava, por quê? Por quê terminou tudo? — Ela abaixou a cabeça e respiro fundo.
Ela jurou que nunca diria a ele que foi por um momento de insegurança, não queria dizer que fora por algo que pudesse e iria parecer bobo ao ver dele. Mas ela tinha que ser sincera sobre seus sentimentos pelos menos uma vez na vida.
E ele precisava saber, era o mínimo.
–Por medo. — Levantou o olhar, vendo que Gray a observava sério, talvez tentando absorver e entender o que ela acabara de falar.
–Medo... Dê quê? — Ela tentou desviar o olhar, ela não queria lhe encarar nos olhos e demonstrar o quão patética foi e ainda era. Ela queria continuar fugindo, até que estivesse pronta para encará-lo de verdade.
Os olhos já lacrimejavam e a dificuldade tanto para falar quanto para pensar lhe afetavam. Ela desejou que tudo isso acabasse, ela queria fugir, o que apenas comprovaria o fato do quão covarde ela estava sendo em relação a isso.
Ela mal percebeu a aproximação dele, apenas quando sentiu seus dedos em seu queixo, erguendo seu olhar para o dele.
–Olhe nos meus olhos, e me diga do quê teve medo. — Pediu. Ele queria a verdade, já não aguentava mais viver sem saber do porquê daquilo.
Quando ela pediu o termino, ele imaginou inúmeras coisas. Perguntava-se se tinha feito algo ou se ela simplesmente havia deixado de amá-lo. E diante das circunstâncias e a realidade ele teve de seguir em frente com sua vida.
Realizara seu sonho de ser advogado e tinha uma boa condição de vida, tinha amigos ao seu lado e ele era feliz, porém, faltava uma parte em sua vida.
Lucy fora embora. E com ela, levou seu coração junto. No final, ambos ainda tinham o coração um do outro.
Eles se pertenciam e nem o tempo e a distância, poderiam mudar isso.
–Eu nunca estava perto de você o suficiente... Eu tinha medo de você não me amar mais. De encontrar alguém melhor que pudesse estar ao seu lado sempre que precisasse. O que era algo que eu não me tinha. A distância também não ajudava, nos víamos poucas vezes e... Meus dias eram vazios sem você, quando você tinha que voltar... Eu sentia a sua falta, mas não podia ir atrás de você. Eu fui egoísta e pensei apenas no que achei que seria melhor para mim, e não para nós.
Fechou os olhos, apertando o blazer preto que o mesmo vestia. Ela finalmente, em anos, foi sincera sobre seus sentimentos a alguém. Embora não quisesse ter o dito, sentiu-se muito melhor lhe falando a verdade.
Por que continuar a mentir para Gray e a si mesma? Por que guardar tudo aquilo para si mesma? E por que tentou esquecer Gray?
Perguntas que antes não tinham respostas, agora estavam mais claras do que um farol acesso. Para ser menos difícil. Mentir para si mesma lhe fazia acreditar que tudo ficaria bem. Guardar tudo para si mesma evitava que outras pessoas lhe pressionassem, e tentar esquecer Gray era uma forma de tentar continuar sua vida.
Mas assim como a vida lhe fizera planos, ela também determinou que Lucy nunca conseguiria esquecer Gray. Ele era a marca mais importante de sua vida, é não poderia simplesmente passar uma borracha em tudo, Gray era algo permanente que sempre voltaria.
Gray estava numa mistura de sentimentos. Sua mente jogava perguntas e respostas que há muito tempo queria saber.
Com o tempo, aprendeu a se acostumar com a ausência de Lucy, mas ele sempre tinha uma recaída. Até as coisas mais bobas lhe fazia lembrar-se de grandes momentos que vivenciou com Lucy.
Sua tentativa de esquecê-la para sempre nunca deu certo. E mesmo que por algum tempo ele a esquecesse, ela voltava em seus sonhos, lembranças que nunca serão apagadas de sua memória.
E com o tempo, ele entendera. Lucy era algo definitivo, nem mesmo a pior das amnésias lhe faria esquecer-se dela. Como uma tatuagem é para sempre, a loira também era.
Não poderia julga-la, quando só viu seu ponto de vista. Quando ele tinha o mesmo medo, mas diferente dela, ele quis arriscar. Quis transcender os limites da relação, e claramente que não dera certo.
De certa forma, ambos foram egoístas em relação aos seus sentimentos. Ambos foram inseguros. Entretanto tomaram decisões diferentes, que pôs três pontos na historia dos dois.
O "Adeus" que marcaria o fim de tudo, não passou de um "até logo". E os dois sabiam muito bem disso.
Depois de ficarem alguns minutos dessa forma, Lucy mais calma, se afastou do mesmo. Ainda não tinha coragem para encará-los nos olhos. Mas ele queria o contato visual. Queria passar a ela pelo olhar que aquilo nunca acabaria daquela forma. Que precisavam continuar a historia que iniciaram juntos. Iriam terminar aquilo de alguma forma. Com o “felizes para sempre”, ou o fim definitivo.
Gray levantou o rosto dela, a obrigando a olhar em seus olhos. Com a mão livre limpou a lagrimas nos cantos dos olhos de Lucy.
Encostou suas testas e fechou os olhos, respirando fundo antes de selar seus lábios ao dela. Naquele simples tocar de lábios ele conseguiu transmitir tudo o que sentia, e deixou claro que não desistiria dela, não desistiria do que tinham.
–Isso não acabou.
Separou-se dela e viu-a abrir os olhos surpresa. Balançou a cabeça numa forma de dizer que não era o melhor momento, a fazendo lembrar que seus amigos estavam lá fora.
Que Natsu estava lá fora.
Ele saiu deixando-a sozinha no banheiro. Virou-se para o espelho e encarou seu rosto. Deixou escapar um pequeno sorriso e um riso fraco.
Ela sentia-se muito melhor agora. Só faltava uma coisa para fazer, que ela precisava fazer.
Lavou o rosto e suspirou mais uma vez. Reunindo coragem para conversar com Natsu. Secou o rosto e saiu do banheiro, alertando um Natsu preocupado que voltara.
–Lucy, você esta bem? Está passando mal? Quer ir ao médico? — Ela negou com a cabeça e pegará sua mão.
–Foi só uma tontura... Nada demais. — Sentiu o olhar de Gray sobre si, mas não arriscou olhar para ele. Havia um assunto a ser resolvido, e ele estava bem a sua frente. — Podemos conversar?
Ele a encarou confuso, mas mesmo assentiu e deixou-se ser guiado por ela até o lado de fora do restaurante. No outro lado da rua havia um banco e junto os dois atravessaram e sentaram-se, olhando para a fachada do restaurante.
–Sabe, agradeço muito por ter entrado na minha vida, e por me amar da forma que ama. Por ser carinhoso comigo e tão atencioso. Foi tudo o que mais desejei quando te conheci. Mas... Eu não mereço tudo isso.
Ele a olhou assustado. Lucy não ousava olhar para ele, sabia que se o fizesse não conseguia fazer o que já devia ter feito á muito tempo.
–Do que está falando? — perguntou baixo, angustiado. — Por que está dizendo coisas como essas? Eu fiz algo?
–Não... Você não fez nada. Fui eu... Natsu, eu sinto tanto por ter feito isso.
Ela sabia que ele sairia machucado, mas era algo inevitável. E ela também sairia machucada nessa historia. Lucy amava Natsu, mas não forma como ele a amava, e mesmo que ela tivesse continuado com essa ideia, ela nunca o amaria da forma que ele merecia, seu coração nunca pertenceria a Natsu.
–Sabe por que nunca lhe contei sobre meus amigos? — perguntou. A esse ponto ele já soltara sua mão e apenas a ouvia. Sentindo uma angustia ansiedade. E aos poucos ele sentia que ao final da conversa nada estaria bem.
–Não...
–Porque neles, estava meu passado, o passado que eu tentei esquecer. Alguém que eu quis esquecer. Mas nunca consegui o fazer. O que tive com você foi algo bom, foi maravilhoso demais pro que eu merecia. Mas continuar com isso só vai me fazer mais horrível do que já fui. Não posso mais mentir para você, não posso mais te prender por um luxo, não posso mais tentar retribuir aos seus sentimentos.
Ele não dissera nada, apenas encarou o chão fixamente. Sentindo todo seu mundo desabar diante de tais palavras. E as lágrimas já desciam de seus olhos sem ele ao menos perceber.
–É o Gray, não é mesmo? — Perguntou depois de um tempo de silêncio. Ela o olhou surpresa, mas assentiu com a cabeça, mexendo os dedos ansiosamente. — Imaginei... Você nunca deixou de amá-lo, não é?
–Não... Eu tentei lhe amar da mesma forma que você me amava, juro que tentei...
–Mas seu coração pertencia a ele... E ele a você.
–Sim... — Mordeu o lábio e fechou os olhos, sentindo as lágrimas de culpa aparecer. — Natsu, eu sinto muito por isso... Eu tentei um recomeço. E você me pareceu a melhor oportunidade para isso, mas nem tudo foi como eu quis. Eu me sinto horrível por ter te usado. Sei que talvez nunca queira olhar na minha cara novamente, e que agora esteja me odiando. Mas apesar de tudo, você é alguém importante para mim. Eu o amo.
Ela esperou que ele levantasse e fosse embora. Ou que começasse a gritar com ela. Ela já esperava isso e estava pronta para isso. Mas a atitude dele a surpreendeu.
–Está tudo bem... — Ela o olhou e viu que ele estava chorando. Mas com um sorriso fraco no rosto. -Fico feliz que tenha sido sincera comigo, e agradecer pelo tempo que passamos juntos. Mesmo que o sentimento não seja recíproco, você me fez me sentir amado pela primeira vez na vida. Então... Obrigado.
Lucy estava confusa e surpresa. Esperava algo mais revoltado e magoado vindo da parte dele. E não palavras bonitas e compreensão. Ele levou a mão a seu rosto e se aproximou, selando seus lábios pela ultima vez. Fora demorado, para que ele conseguisse passar a ela pela ultima vez, que a amava.
Separaram os lábios e Natsu sorriu fraco. Olhou para o restaurante e ela seguiu seu olhar. Vendo Gray ao telefone na janela os observando.
–Desejo tudo de bom para vocês dois. De verdade. Percebi na hora em que ele chegou que vocês não eram apenas colegas de classe se reencontrando.
Ela riu baixo e segurou sua mão. O apertando numa forma de passar sua gratidão.
–Obrigada por compreender. Espero que ainda possamos ser amigos.
–Seremos. — Olhou para o relógio e se levantou junto dela. — Que tudo dê certo. Mas se nada der certo, você já sabe meu número.
–A onde você vai? — Perguntou quando o viu fazer menção de ir embora. Ele apenas virou a cabeça e sorriu.
–Para casa, tenho um Romeo com problemas amorosos. Como ter sua primeira vez. — Ela riu baixo, admirando como ele estava sendo forte e mesmo numa hora difícil mantendo um pouco de bom humor.
Ela o viu andar até ele desaparecer. E parada, ela sentiu as lagrimas descerem por seu rosto. Ela sabia que Natsu não estava bem com tudo aquilo, mas era o que tinha que ser feito.
Ela virou-se e caminhou da direção do carro estacionado. Entrou e dirigiu em direção de casa, não se despedira de ninguém e sabia que se voltasse para dentro seria bombardeada de perguntas sobre Natsu.
Naquele momento ela queria chegar em casa e dormir. Ou repetir em seu subcontinente de que foi o certo a se fazer. Que não poderia repetir o mesmo erro duas vezes.
Quando chegou se jogou ao sofá e fechou os olhos. Depois ligaria e avisaria que teve um problema de ultima hora e não dera tempo de se despedir.
Mas havia algo que lhe incomodava. Se nada havia acabado, como ficaria a noiva de Gray? A moça também parecia gostar bastante do mesmo. Não queria carregar o peso de ter terminado um noivado. Pois Gray poderia muito bem gostar de verdade da jovem.
A campainha soou e ela olhou para a porta. Se perguntando se Natsu ou algum amigo preocupado. Mais uma vez a campainha soou e ela se levantou indo abrir a porta.
Abriu e se assustou ao ver Gray parado com as mãos no bolso. Ele sorriu e ela fez o mesmo, um tanto tímida.
–O que faz aqui? — Perguntou desviando o olhar para o chão. Viu pelo canto dos olhos o mesmo se encostar ao batente da porta.
–Vim atrás de você. — respondeu calmo. Mas por dentro estava se segurando para não agarrá-la naquele momento e possuir seu corpo novamente. De poder tocar cada parte do corpo dela, que era tão sua quanto já fora um dia. — Você saiu de repente. Então simplesmente te segui.
–Mas... E a sua noiva? — Ele sorriu e segurou o queixo de Lucy, levantando seu olhar para o dele.
–Ela já sabia... Ela já esperava por isso. Sempre deixei bem claro que te amava. E que nunca a amaria como ela me amava. No final fizemos a mesma coisa. Tentamos seguir nossa vida. Mas sempre pereceríamos um ao outro.
–Meu coração é seu... Sempre foi e sempre será — Gray sorriu e se aproximou da mesma. Acariciando seu rosto com as mãos.
– E o meu coração é seu, Lucy. E nunca pertencerá a outra pessoa além de você. E vai ser assim até que a morte nos separe.
E então ele a beijou. Dessa vez um beijo de verdade. O beijo que se iniciara lento começara a se tornar mais necessitado. Expondo toda a saudade que sentiram um do outro, dos lábios que já eram velhos conhecidos.
Os sentimentos eram os mesmo.
Foram feitos um para o outro. Eles se pertenciam. O vazio que deixaram quando se afastaram fora preenchido com o que faltava. O amor que sentiam um pelo outro.
–Me ame como você faz. — Pediu sobre seus lábios. O fazendo sorrir e assentir com seus lábios de volta ao dele.
No final, eles sempre acabariam juntos. E Lucy finalmente poderia continuar sua vida. Dessa vez de verdade.
Com quem amava ao seu lado.
Gray Fullbuster. O único que ela amou, ama e sempre amará.
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