Love me like a Cat
22 Vontade de...
Notas iniciais
O semestre enfim estava acabando, e os dias estavam muito corridos, tanto para os professores, quanto para os alunos, devido à semana de provas.
Não era costume de um certo loiro estudar, afinal não tinha muito tempo pra isso. Tentava aprender tudo durante as aulas e só revisar a matéria horas antes da prova, e como o esperado, era pouco efetivo, mas ele não se importava o suficiente para mudar a atitude. No fim sempre passava – por pouco. Bella por outro lado se desesperava completamente, estudava durante todo o tempo que dispunha e mesmo assim nunca confiava que se sairia bem. Mas ela sempre tirava as maiores notas. Era o que acontecia e sem previsão de mudanças.
Para os professores era mais tranquilo. A maioria misturava questões de provas anteriores e algumas da internet, e voilà — prova elaborada. Miguel raramente fazia algo do tipo, mas até que facilitava a vida dos alunos permitindo que consultassem o caderno, o que não adiantava muito se não tivessem estudado ou feito anotações das suas falas. Resumindo, a maioria se fodia e de alguma forma ainda amavam seu querido professor.
No presente momento ele aplicava prova para uma turma, numa sexta feira, no último horário. Bocejou, sentado na cadeira do professor de frente para a classe mas alheio a ela. O documento de texto aberto em seu notebook começava a o frustrar, começava a se sentir mal escrevendo um romance que ele mesmo protagonizava. Mas não só isso, um romance gay. Nada contra o gênero, e até havia uma possibilidade de ele gostar daquele loiro que cativava sua atenção e curiosidade. A questão é que viver aquilo o permitia ignorar todos os pensamentos sobre ser bizarro querer estar com ele e, praticamente, ignorar também a parte racional do seu ser que sabia que Miguel não era apto a manter um relacionamento amoroso com quem quer que fosse.
Vivendo ele podia simplesmente seguir o rumo das coisas, mas para escrever era necessário refletir. E refletindo ele concluiria que não vale a pena. Não sabia por qual motivo continuava escrevendo sobre isso.
De súbito fechou o arquivo ao perceber um aluno caminhando até sua mesa com a prova na mão, que logo o entregou.
“Professor, a última questão não está completamente certa, mas se você puder considerar alguma coisa…” ele falou baixo, Miguel assentiu e deu uma olhada na questão referida enquanto o aluno ia embora, e continuou fingindo não tê-lo visto colando. Estava completamente errado e ele se esforçou para não rir.
xXx
“Ei, viu o Dênis por aí?” Isabella ouviu ao fundo da música e tirou um fone de ouvido.
“E aí bonitão. Nem vi, tava fazendo prova mas não reparei se ele já tinha saído quando acabei… Por quê?” Sua expressão se tornou levemente maliciosa, nada que Fred tenha percebido.
“Ele esqueceu o celular no meu carro” Suspirou “Se ver ele avisa” dito isso, saiu andando apressado para o lado contrário, e ela reparou em sua bunda, mas sem interesse próprio, só o shippando com Dênis.
“Team Fred… Ou Team Miguel…?” Ela murmurou para si mesma voltando a pôr o fone.
xXx
Dênis ainda quebrava a cabeça em uma questão quando faltava poucos minutos para entregar a prova. Acabou marcando a letra “D” de Dênis e entregou de uma vez, praticamente saiu correndo até a saída, já que havia esquecido seu celular em casa e quando seu pai o buscava, não costumava atrasar. Ou seja, se ele não estivesse lá teria que dar um jeito de ir embora.
Olhou para os lados, onde seu pai costumava parar o carro, e nada dele. Ainda esperou alguns minutos antes de resolver ir rumo ao ponto de ônibus. No caminho um carro diminuiu a velocidade e foi o acompanhando, até que o loiro percebesse e parasse de andar.
“Oi. Acho que estamos indo pro mesmo lado” Miguel fez um gesto para que ele entrasse no carro.
“Oizinho” o mais novo disse ao entrar e colocar o cinto, fala que Miguel achou extremamente fofa. “obrigado por ter parado…”
“Eu gosto da sua companhia” ele disse, e logo deu risada da expressão do outro. Seus olhos brilhavam com uma surpresa genuína, a boca entreaberta e os olhos sem piscar. “o que foi?”
Sem dizer muita coisa, o mais novo se inclinou no banco até ele e tocou a palma direita em seu rosto, encarou seus lábios e, antes de iniciar um beijo, voltou a se afastar, deixando Miguel com um suspiro.
“Estamos no ponto de ônibus da faculdade…” justificou ele.
Era plausível, aquilo poderia trazer problemas aos dois, então Miguel arrancou e seguiu em direção à suas casas.
Não tinha muito o que dizer, mas o silêncio era bem-vindo para Miguel, que estava acostumado a ficar sozinho. Já o loiro no banco do passageiro sentia o rosto queimar, e nem sequer tinha chegado a fazer alguma coisa. Ao parar o carro em um sinal fechado, o mais velho segurou a mão de Dênis e fez carinho em seu dorso com o polegar.
“você fica fofo com as bochechas vermelhas” Miguel deu um sorriso de lado “mas prefiro quando está menos quieto”
Dênis esfregou as bochechas, desejando que o sangue não subisse tão facilmente quando estava perto do outro.
“Você só vai piorar”
“Verdade” ele deu uma risada, sentindo-se estranhamente leve a ponto de não conseguir pensar. Colocou a mão no peito “Será o que é isso que eu sinto?”
“Isso o quê?” Miguel perguntou, dirigindo sem dar muita importância. Nesse momento chegaram na casa de Dênis, a rua estava escura e era iluminada apenas pelos postes, Miguel desligou o carro por completo.
“Acho que é vontade de…” ele deixou a fala morrer ao perceber que falava alto, olhou para Miguel que prestava atenção em si, tirou o cinto e abriu a boca para agradecer a carona, mas foi interrompido.
“Não tem ninguém na sua casa? As luzes estão apagadas”
“Provavelmente não” ele coçou a nuca. Se continuasse ali, iria acabar pulando em cima do outro, então agradeceu a carona e desceu. Logo quando ia destrancar a casa, ouviu a porta do carro batendo. “o que foi?”
“Além de você ter deixado a mochila no meu carro?” Miguel deu uma risada, colocou a mochila no chão ao lado do tapete de entrada “Eu resolvi ser bonzinho e matar um pouco da sua vontade”
Dênis foi prensado contra a porta, antes que pudesse dizer qualquer coisa seus lábios foram tomados iniciando um beijo faminto, que o fez pensar em quanto os dois estariam se contendo sem motivo. Miguel deixou sua mão deslizar até a nuca do outro, encontrando os fios loiros e agarrando-os, puxando de leve. Desceu os beijos para a pele fina do pescoço do mais novo, dessa vez tomando o cuidado de não marcar.
Mesmo o silêncio de uma noite tranquila escondeu o som do carro estacionando quase na porta daquela casa. O motorista pretendia descer, apesar de ter pouca luz era possível ver que haviam pessoas na entrada.
Fred estagnou. Por um segundo não conseguia se mover, estava prestes a sair dali sem qualquer atitude, mas suas mãos escorregaram até o celular e abriu a câmera, desligou o flash. Dava para ver algumas coisas na foto, que o fizeram retorcer os lábios e ir embora rapidamente.
“Melhor sairmos da entrada” Dênis interrompeu as carícias com um sorrisinho, ao ver um carro passando pela rua. “Que tal a gente entrar?”
Miguel ergueu as sobrancelhas, aquilo era praticamente um convite para as coisas ficarem mais sérias, não era?
“Ah, eu não posso” ele disse suave, dando um sorriso, deixou um beijo na testa do loiro “melhor eu ir, bons sonhos”
Sem insistir, deixou que ele fosse.
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