Love me Harder

11 Capítulo 11 - Churrasco


Notas iniciais
É tão bom reler as recomendações e sentir esse carinho chegar no coração ♥ Obga de novo ♥

Love me Harder / Capítulo 11 – Churrasco

— Meu Deus Manu – Sthella encarou o relógio de pulso atordoada – Você está mais do que atrasada.

— Me desculpe – Eu me aproximei para abraça-la – Eu realmente perdi noção da hora.

Ela abriu um meio sorriso.

— E além do mais garota você fede a sexo – Ela diminuiu o tom de voz quando sua tia passou por nós com pedaços de carne num pratinho – Normalmente deveria ser eu não?

— Não tive tempo de passar em casa para tomar banho – Esfreguei o rosto suado, tendo a sensação de que qualquer um que olhasse pra mim soubesse o que eu andara fazendo nas ultimas horas.

— Então quer dizer que você saiu com ele assim? – Me encarou de cima a baixo – Nada mal, mas serio acho melhor você subir e tomar um banho, deve ter alguma coisa minha que sirva em você lá dentro, são roupas antigas então como você é menor que eu deve dar certo.

— Duda já está aqui?

Ela suspirou e encarou a família animada que andava de um lado para o outro, e apontou para de trás de uma das mesas, Duda conversava alegremente com o primo mais novo de Sthella.

— Ela não desiste não é mesmo?

Sthella riu.

— Ela disse que está chegando perto.

Eu estava para partir para a casa dos pais de Sthella antes da minha consciência me despertar.

— Falando nisso, ele vai vir.

— O que? – Ela exclamou alto demais na minha direção e depois abandonando a taça que segurava a mesa perplexa enquanto levava as mãos a cintura – Você o convidou?

— Na verdade ele se auto convidou, dei a ele como condição que deveria trazer Eduardo – Era a minha carta na manga pra que ela não me matasse.

Ela encarou a si mesma.

— Nesse caso então eu também deveria trocar de roupa.

Revirei os olhos.

— Eu já volto.

Ela concordou em um aceno, e cumprimentando os parentes de Sthella com um aceno de cabeça eu entrei no antigo quarto dela e tranquei a porta. Respirei fundo talvez pela milésima vez no dia.

Betinho Dantas justificou suas horas acordado e incessantes como consequência de muitos plantões no inicio da carreira. Estava adaptado a dormir poucas horas e em lugares desconfortáveis.

E ficou contente em saber que eu não.

Eu entrei o chuveiro massageando o rosto tentando acalmar a velocidade com que meu coração batia no peito e distribuía sangue novo nas minhas veias. Ele me emprestou a bicicleta, e trocou os pneus pra mim quando eu disse que se eu caísse a culpa seria sua.

E sentar nos degraus da garagem com uma caneca fumegante de café nas mãos, que não me pertencia, e vê-lo se sujar com graxa era uma cena que eu não me permitiria esquecer. Ele perguntou quais eram meus planos do dia em consequência da pressa que eu tinha e ir embora e eu não era capaz de mentir.

Ele teria de resolver a troca de turno no hospital antes de resolver ir no endereço que deixei anotado em cima da mesinha da sala.

Quando abri o antigo guarda roupa de Sthella tive de usar todos os meus esforços mentais para lembrar quais das roupas ela já tinha usado na presença de Betinho Dantas no colegial em dias que não precisava de uniforme.

Quase todas as roupas foram descartadas até que eu vestisse um vestido branco de alcinhas e desenhos rosas se estendendo pelo meu corpo.

Ok, outro vestido. Eu juntei o cabelo num rabo de cavalo por causa do calor, e voltei a me unir a movimentação.

— Ah não – Sthella resmungou frustrada quando me estendeu um copo de suco de morango que trincava de gelado – Eu sempre quis usar esse vestido ele nunca serviu em mim.

Ainda bem.

— É uma pena.

— Você não me engana – Ela revirou os olhos me fazendo rir – Sei que ficou contente em saber.

— Antes um vestido que você nunca usou do que “hey, essa não é saia que você usou quando fomos no centro de zoonose?”.

— Realmente – Ela concordou e nos unimos a uma Duda desgostosa da vida.

— O seu primo não presta.

— Eu te avisei – Ela me olhou e depois para a loira.

— Eu fiquei sabendo que a noite rendeu – Duda abriu um sorriso largo na minha direção – E então como foi?

— Não sei descrever em palavras.

Ela riu.

— Ah não, nós só estamos curiosas-

Um carro estacionou na escada, buzinando três vezes. Carlos Eduardo desceu do banco do motorista, e Sthella abriu o maior sorriso do mundo.

Minhas mãos suavam frio. Eu não deveria ficar tão nervosa, deveria? Qual é, nós tínhamos transado as coisas deveriam ser mais fáceis a partir de agora. Sthella foi quem se moveu primeiro para receber, e todas vimos Betinho Dantas descer do banco do carona e ao invés de simplesmente vir, ou parar ele se moveu para abrir a porta do banco de trás.

Fiquei feliz por não ter ido atrás de Sthella ou eu teria parado.

O ser mais desprezível do mundo tinha nome e era Carla. A garota tinha nos atormentado durante três anos inteiros. Não estar dentro dos padrões de amizade de Carla Monteiro te condenava a uma exclusão social.

Ela era popular, ela sempre foi popular, ela tinha amizade com os meninos, e principalmente com Beto. Ela deu tudo de si no ultimo ano para que rolasse alguma coisa, mas ele era fechado demais.

Eu vi que Sthella fez o possível pra se manter sã. Ela estava com um jeans escuro super apertado, a camisa branca transparecia o sutiã azul de forma sutil, e os imensos cabelos claros estavam perfeitamente organizados.

As apresentações aconteceram e ele olhou em volta pela primeira vez.

— Parece algum tipo de praga – Duda murmurou entre dentes enquanto acenava pra nos identificar.

Sthella me condenava com o olhar na caminhada de volta.

— Manu, lembra da Carla – A alegria dele era genuína e eu me esforcei pra manter a paz.

— É claro – o meu sorriso era falso quando nos abraçamos – Não sabia que ainda eram amigos.

— Nós somos melhores amigos – Ela riu, os cabelos loiros balançando enquanto ela apertava seu braço e jogava o sorriso de dentes brancos e alinhados.

Ele riu em parceria. Era assustador.

— Vocês não estão com sede? – Sthella voltou com uma bandeja com copos de sucos variados – Infelizmente só vai ter suco e refrigerante.

— Não tem problema – Dr. Dantas pegou de suco de morango, Carla ficou com de laranja, e Eduardo de manga. Eu encarei o meu copo semi cheio, se eu não terminasse de beber antes que o gelo se desfizesse por completo eu ia morrer.

— E o que você faz agora? – Duda tentou ser casual.

— Eu trabalho com design de interiores. – Respondeu como se fosse óbvio.

Deus tenha piedade da minha alma.

— O que exatamente isso quer dizer? – Eu perguntei por mera educação, tentando não trazer a Manuela rabugenta do ensino médio.

— Eu trabalho como parte de organização do interior de algum lugar. Definindo os materiais de revestimento, acabamento, cores, a distribuição dos objetos e dos moveis conforme a renda do cliente.

Emocionante.

— Parece uma coisa legal – Duda balançou a cabeça em um falso interesse.

— Além de casas, eu posso trabalhar também em restaurantes, empresas até consultórios. – Parecia realizada do caminho que tinha feito na vida, pelo menos isso.

— Interessante – Eu olhei pro meu copo de suco quente, o gelo tinha derretido eu tinha morrido.

— E vocês três como andam, soube que andam mais inseparáveis do que nunca?

Betinho Dantas tinha falado de nós pra ela? Ok, eu não deveria esperar menos, afinal eles são melhores amigos.

— Bom, é o que as amigas fazem – Sthella me beliscou propositalmente e eu resmunguei.

— Onde fica o banheiro? – Eduardo colocou o copo vazio na mesa atrás de nós.

— Eu mostro – Sthella tomou a frente.

— Eu vou também – Beto sorriu antes de dar uma ultima piscadela na nossa direção. Nossa porque não foi só pra mim, foi pra Carla também.

Deus tenha piedade de mim.