Love, love, love
26 Sugar
Notas iniciais
Quinta feira passou num piscar de olhos e quando dei-me conta disso, já era sexta. Nas aulas de Bom só se falava sobre o festival do final do mês — que para nossa loucura já estava chegando e as coisas estavam só na teoria — enquanto os outros professores se preocupavam em marcar a avaliação mensal. Sexta feira seria mais um dia normal — tirando o fato de que no dia seguinte eu teria um encontro —, contudo, tinha que acontecer algo de surpreendente. E quando digo algo, me refiro a alguém, mais precisamente, Kim Jongdae. Depois de duas aulas de matemática e uma de história no final do meu período escolar nesse dia e as duas horas na academia, me deparo com um rapaz me esperando sentado no sofá da minha casa conversando amigavelmente com minha mãe. Se tinha algo de errado nisso? Claro que sim. Mas aparentemente, para Jongdae, era a coisa mais normal do mundo. Sem contar que minha mãe saíra da sala de estar para nos dar privacidade, e para minha infelicidade, é exatamente nesse momento em que me encontro, encarando um Jongdae de calça jeans apertada e camisa xadrez azul que de alguma forma o realça muito.
Estou machucado, baby, estou destruído
Preciso do seu amor, amor
Preciso agora
— Feliz em me ver? — questiona, sorrindo ao morder o lábio inferior.
— Dependendo do motivo, quem sabe. O que quer?
— Bem que Yifan disse que você estava mais grossa que antes — ele disse isso mesmo? — Vim te convidar para fazer algo comigo.
Ignorei a parte em que ele me chamou de grossa e sentei-me no sofá ao seu lado, botando minha bolsa entre nós.
— Fazer o que, especificamente?
— Bem, isso você só vai saber quando sairmos — Jongdae olhou para o relógio no pulso — Não vamos sair agora, mas preciso da sua resposta.
— Por que você pensa que eu vou sair com você? — as vezes acho que esses garotos de hoje em dia viajam legal nas ervas.
— Porque seria, não, com certeza será muito chato ficar aqui sozinha sem fazer nada e toda suada, além do que você vai sair comigo. O que garante totalmente a nossa diversão.
— Você se acha demais, garoto — reviro os olhos.
— Tá, vai me dizer que gosta de ficar aqui nesse estado, quase derretendo e sozinha? Sem nem aproveitar o resto da tarde?
Suspiro. O que Jongdae diz não é tão anormal assim, porque, bem, ele tem razão. Tudo o que eu faria agora seria tomar um bom banho, resolver as lições de casa e então dormir. Talvez conversar com alguém, tipo minha madrasta ou até mesmo Joonmyun, que estão a quilômetros de distância de mim. Porém, não seria certo eu sair agora, exatamente hoje, pois eu tenho um encontro amanhã. Que tipo de gente vai em um encontro em dias seguidos?
— E então?
— Você promete que vai ser divertido?
— Vai ser tão divertido que você vai até enjoar no final.
Quando estou sem você
Sou apenas uma coisa fraca
Você me faz implorar, implorar
Estou de joelhos
Acho que recentemente estou concordando com tudo que todos falam, só pode ser esse o motivo para eu ter concordado em sair com Jongdae. Sendo que nem sairíamos agora, ele combinou de me buscar mais tarde para ir sei lá onde para fazermos sei lá o que.
Mas, talvez, eu tenha aceitado porque preciso sair um pouco já que as coisas em casa — com minha mãe, especificamente — estão mais estranhas do que já são. Relaxar um pouco agora vai ser bom para mim. E foi isso o que eu disse a mim mesma, quando, às 17:30, Jongdae ligou para minha casa avisando que iria chegar em alguns minutos.
Dei uma olhada em minha aparência no espelho, concluindo que meu traje estava bom considerando que eu nem sabia para onde iria.
— Acho que seu amigo chegou — Ye Jun disse, com metade do corpo para dentro do quarto.
— Obrigada Ye Jun, já vou descer — digo, terminando de colocar algumas coisas em uma pequena bolsa de mão.
Me olhei mais uma vez no espelho — para me assegurar de que tudo está certo — e me dirijo para o andar de baixo.
Quando chego na porta da sala — que está aberta — encontro Jongdae encostado na mesma, olhando para baixo com o cenho franzido. Assim que me aproximo, ele ergue a cabeça e nossos olhares se encontram, provocando um pequeno sorrisinho em seus lábios.
— Pronta? — ele estica a mão e eu paro de andar, olhando para sua branca e esguia mão estendida para mim. Jongdae revira os olhos e puxa minha mão, deixando um selar nela.
— Para que essa farsa de gentleman, hein? — puxo de volta minha mão e saio para fora de casa, esperando que ele também saia para então fechar a porta.
— Não é farsa, eu sou um gentleman — minha vontade de rir, graças a Deus, é controlada. Finjo que acredito e o sigo em direção ao táxi que nos espera.
— Táxi? Pensei que você já tinha carro — comento, assim que entramos no carro e ele diz o endereço para o motorista.
— Ainda tenho que tirar minha carta — ele diz e então me olha de esguelha — Não sei se você se lembra mas a maioridade aqui é de vinte e um anos. Bem, eu tenho vinte e um mas ainda não me preocupei em tirar a carta.
— Vinte e um? Nossa, é verdade, eu me esqueci disso...Mas, espera...Eu tenho um amigo da minha idade que dirige e eu tenho dezessete.
— Dezessete aqui na Coreia ou lá fora? — ele questiona e eu fico quieta — Bem, com esse silêncio creio que é lá fora. Olha, você só faz aniversário no final do ano, não é? Então, como ainda não fez é só acrescentar mais dois anos na sua idade, então aqui na Coreia você tem dezenove anos.
— Espera, você lembra a data do meu aniversário? — questiono e Jongdae já está virado para mim, as bochechas levemente coradas.
— Lembro sim, o que tem? Você é minha amiga, é normal eu lembrar.
— Eu sou?
Não quero precisar do seu amor
Só quero me afundar em seu amor
E ficar longe de você está me matando
Ele não respondeu essa pergunta, apesar de já ter respondido antes. Então ele me considera amiga dele? Só pode ser brincadeira, eu fiquei três anos fora sem ter contato com ninguém daqui, como eu posso ser amiga se nem ao menos me lembro da data de aniversário dele? Depois dessa conversa no mínimo constrangedora, ficamos em silêncio. Bem, ao menos agora eu sei que Tao não tem minha idade e eu nem ao menos perguntei a idade dele. Eu não sei a idade dos dois garotos com quem vou/irei sair. Argh, é tão a minha cara fazer essas coisas, que vergonha. Tenho que me lembrar de perguntar a idade do Tao amanhã.
O carro finalmente parou e chegamos ao nosso destino. Jongdae pagou toda a corrida e ainda abriu a porta, me ajudando a sair do carro. Dizer que eu fiquei ainda pior depois disso, é ser bonzinho. O rapaz sabe a data do meu aniversário, beija minha mão, paga a corrida do Táxi, abre a porta do carro e ainda me considera amiga dele enquanto eu...Nossa.
Tento ignorar a vontade de cancelar tudo, pegar outro táxi e voltar para casa, me concentrando em observar o lugar que ele me trouxe. Estamos em frente a uma doceria chamada Case Tab. Mas o estranho não é isso, o estranho é que a doceria parece estar fechada.
— Jongdae...— digo, observando ele abrir a porta com uma chave — O que estamos realmente fazendo aqui?
— Aqui é uma doceria.
— Bem, isso eu percebi — a porta se abre e ele entra, acendendo as luzes, eu presumo.
— E o que é que nós fazemos em uma doceria?
Entro no lugar e encaro Jongdae que possuí um sorriso bem bonito no rosto e aparentando estar bem animado também.
— A gente come doces?
Oh, baby, pois não me importa onde você está
Só quero estar aí com você
E preciso sentir o gosto
— Bingo! — ele estala a língua no céu da boca e fecha sua mão na minha, guiando-me entre as mesas que existiam ali.
— Isso não devia estar aberto hoje?
— Isso, no caso essa doceria, abre todos os dias mas hoje foi uma exceção — ele diz, puxando a cadeira para eu sentar. Acho que ele percebe minha expressão confusa porque ri e senta-se de frente para mim.
— Eu fechei essa doceria pra gente hoje, por isso queria a certeza de que você aceitasse sair comigo.
Açúcar
Sim, por favor
Porque não vem colocá-lo em mim?
— Você fez o que?! — minha mente se perdeu entre o verbo "fechar" e a palavra "doceria". Encarei pasma Jongdae que ainda possuía aquele sorriso bonito — Isso, eu, você...Ah meu Deus. Você fez isso mesmo?! Você...? Ah meu Deus, por que fez isso? Você pagou a conta do carro e ainda fechou uma doceria pra gente? Qual o problema da gente simplesmente vir e comer aqui com outras pessoas? Ai meu Deus, Jongdae, você é louco? Só pode ser, não deve estar no seu estado normal, fechar uma...Ah caramba.
— Hey, hey, eu tô brincando — ele puxa minhas mãos e as segura — Bem, é verdade que eu fechei a doceria pra gente...
— Você fechou, ah droga...— resmungo e Jongdae ri, apertando minhas mãos.
— Sim, eu fechei. Mas só pra te avisar, essa doceria é da minha tia. A melhor doceria da região, pra falar a verdade.
— Seu idiota! — desvencilho minhas mãos das suas e dou um tapa nelas — Quase me matou do coração agora, quer que eu morra, é? Meu Deus, Jongdae.
— Me desculpa, desculpa...— ele ri e até eu mesma dou uma risadinha — Puxa, você fica ainda mais bonita toda vermelha.
Se eu não estava vermelha antes, bem, agora com toda a certeza do mundo eu fiquei. Que tipo de gente fala essas coisas?
— Argh, pare de falar bobagens, ainda não temos essa intimidade — digo e Jongdae cerra os olhos e um leve biquinho se forma nos finos lábios dele.
— Exatamente por isso que te chamei aqui — ele se levanta, pede para eu esperar um pouco e sai correndo dali.
Observo o lugar que é todo no estilo anos sessenta, um pouco vintage. Fiz bem em escolher um vestido para vir aqui hoje. Me perco nos meus pensamentos, observando o lugar, e só percebo que Jongdae está de volta porque uma música começa a tocar o que me faz procurar de onde vem o som, e assim, acabo me deparando com um Jongdae segurando uma bandeja com uma banana split enorme e andando em minha direção com uma expressão engraçada no rosto.
Estou bem aqui, pois eu preciso
De um pouquinho de amor e simpatia
— Qual o seu sabor favorito de sorvete? — ele questiona assim que deixa a bandeja na mesa e senta em sua cadeira.
— Oi? — desvio meus olhos da enorme banana split e encaro Jongdae — Meu o que?
— Sabor favorito de sorvete — ele pega uma das colherzinhas que estão enfiadas nas bolas de sorvete pegando um pouco do mesmo e lambendo.
— Pra que você quer saber isso?
— Estamos aqui para criar intimidade. Como posso ter alguma intimidade com alguém, sem ao menos saber o sabor favorito de sorvete da pessoa?
Argh, ele tem razão. Suspiro, puxando a outra colherzinha, raspando um pouco da enorme bola de sorvete que está no meio e colocando em minha boca. Quase morro de prazer ao sentir o gosto.
— Com certeza esse sabor! Qual é?
— Ninho — diz e pega um pouco de sorvete do mesmo sabor que eu peguei — Sabia que você ia gostar, é o meu favorito.
Sim, você me mostrou um bom amor
Faz tudo ficar bem
Preciso adoçar um pouco a minha vida
— Você está acertando muitas coisas sobre mim, isso não está certo — resmungo e pego um pouco mais de sorvete, dessa vez do que parece ser de chocolate — Oh meu...Esse chocolate é mais amargo! Você que escolheu os sabores?
— Sim, sim, fico feliz que você goste — riu — Sobre eu acertar muitas coisas sobre você, bem, eu acho que não vou acertar nem a metade que gostaria. Tudo isso aqui — ele fez um gesto com a mão se referindo a doceria — foi pura sorte. Mas já que estamos aqui, acho que já posso começar o interrogatório.
— Interrogatório?
— Sim, não vou sair daqui até saber qual era o nome do seu amigo imaginário quando era mais nova.
— Hey, eu nunca tive um amigo imaginário!
— Não? — Jongdae me lançou uma piscadela — Bom saber. O que mais você nunca teve? Um cachorro, um gato...? Aposto que nunca pegou uma detenção na escola!
— Nunca peguei mesmo, eu hein — aponto a colherzinha acusadoramente para Jongdae — Você por acaso já pegou alguma detenção na escola?!
— Vamos dizer apenas que eu não era o garoto mais comportado na minha escola — Jongdae balançou a cabeça, rindo. Seus olhos sumiam quando sorria ou dava risada mas isso só o deixava mais fofo que o normal — O que mais? Vamos lá, me conte, nada de se envergonhar agora. Quero saber tudo sobre você.
Açúcar
Sim, por favor
Porque não vem colocá-lo em mim?
Se alguém me dissesse que eu ficaria duas horas conversando amigavelmente com um dos garotos que me magoou profundamente no passado eu provavelmente riria na cara da pessoa, pois seria algo completamente absurdo de se acontecer. Mas veja onde estou agora, aqui na doceria fechada somente para nós dois dançando uma música do Maroon 5 enquanto Jongdae continua com seu questionário me fazendo rir com as coisas absurdas que descobri sobre ele.
— Uma coisa que poucos sabem? — ele sussurra, seu rosto mais próximo do meu que antes.
Ele me gira e então me puxa novamente para si, suas mãos segurando levemente minha cintura.
— Eu tenho uma tatuagem.
Jongdae para de dançar, me encarando um pouco surpreso.
— Uma tatuagem? — sua cabeça pende um pouco para o lado, o deixando parecido com um filhotinho de cachorro.
— Sim — confirmo, mordendo o lábio — Foi uma coisa totalmente inesperada, de momento, sabe? Você devia ter ouvido a histeria na voz de meu pai quando perguntei se podia fazer a tatuagem, porque, bem, eu ainda sou menor de idade. Ele ficou tão chocado, quase não me deixou fazer, porém, minha madrasta me ajudou nisso, ela falou com meu pai e no final ele concordou.
— Uma coisa de momento? — ele pega uma mexa do meu cabelo e bota atrás da minha orelha. Me sinto um pouco desconfortável mas o deixo tocar meu rosto rapidamente — Por que decidiu fazer isso?
Meus pedaços
Você une
Não me deixe esperando, esperando
Venha aqui e me dê um pouquinho
— É uma tatuagem compartilhada — respondo, me distanciando levemente dele — Eu fiz com meu amigo, bem, meu melhor amigo. Nós estávamos rindo de algo muito bobo, era o final de semana e resolvemos ir em um restaurante na Sunset Strip, lá é bem luxuoso e tem várias discotecas, enfim...Nós estávamos nos divertindo quando fizemos uma promessa...
— Uma promessa? — interrompeu-me, parecendo interessado na história.
— Uma promessa.
— E o que prometeram?
— Ser amigos para sempre — senti meu rosto ficar quente e o silêncio de Jongdae não ajuda em nada — Pode parecer bobo, mas ele não queria que aquele momento acabasse, eu também não queria. Então resolvemos fazer essa promessa e ter uma garantia disso. O que melhor do que uma tatuagem que sempre estará ali para te lembrar do que passou? Apesar de ser algo momentâneo, significou muito para os dois.
— Os dois fizeram a tatuagem?
— Qual o sentido de fazer uma promessa com outra pessoa e só uma das duas fizer a tatuagem? — dei risada mas Jongdae permaneceu sério — Ele fez também. É um desenho pequeno e simples, na minha costela direita. A dele é na esquerda.
— Qual é o desenho?
— Uma gota — Jongdae franze o cenho e eu balanço a cabeça, dando um sorriso sem graça — É uma coisa nossa.
— Percebi — ele diz, bufando e sentando-se em sua cadeira. Vejo sua expressão e o mesmo parece estar irritado, acabando com todo o clima amigável de minutos atrás.
— E o que tem demais nisso? Mesmo se eu contasse você não entenderia — dessa vez eu que bufo e sento-me em minha cadeira.
Quando estou sem você
Fico tão inseguro
Você é a única coisa, coisa
Que me faz viver
— Me irrita — vendo a confusão explicita em meu rosto, Jongdae revira os olhos — Me irrita saber que você é tão próxima assim de alguém ao ponto de fazer uma tatuagem. Isso é muito irresponsável, quero dizer, você pode se arrepender mais tarde.
— Ele é meu amigo, não teria como eu me arrepender disso.
— Isso é o que você acha — ele cruza os braços e ri, ainda com a expressão irritada — Você veio para outro país, ele nem deve lembrar mais de você.
— Ele não é você ou um dos meninos para se esquecer de mim — digo, começando a ficar nervosa. Onde ele queria chegar nesse assunto?
— Do que você está falando? Eu nunca te esqueci!
— Exatamente isso! Nunca me esqueceu e por que? Dor na consciência por ter me tratado mal grande parte da minha vida? — me levanto num pulo, chateada com ele, comigo, com tudo — Isso aqui por acaso é só uma forma de você conquistar meu perdão?
— Também, — dou uma risada forçada — mas não é só por isso. Eu sempre gostei de você, Ayla, não queria que ficasse com uma impressão ruim de mim.
— É Alexia, droga! E que impressão você queria que eu ficasse? Que merda, Jongdae, nós nunca fomos amigos, eu só fui um saco de pancadas para você e os outros. Que bosta de gostar é esse?
— Não fala das coisas que você não sabe — se levantou e veio até mim, segurando meu braço — Eu sempre gostei de você, desde o primeiro minuto que te vi.
— É mentira, você só acabava comigo!
Não quero precisar do seu amor
Só quero me afundar em seu amor
E ficar longe de você está me matando
— Mas é porque era preciso! — seu aperto ficou tão forte que começou a me machucar — Me doía te tratar daquela forma, mas era o único jeito.
— Do que você está falando? — questionei e tentei me soltar dele sem sucesso — Solta meu braço, idiota, está me machucando!
Ele soltou meu braço e deu uns passos para trás, a respiração alterada. Um aperto em meu coração quase me sufocou, eu abaixei a guarda e me abri pra ele, um momento de fraqueza que resultou nesse desastre de encontro. Ah, droga, eu fui tão idiota por pensar por algum segundo que ele podia ter mudado, se redimido, sei lá!
— Eu vou embora — anunciei, pegando minha bolsinha — Isso...Esse encontro nunca devia ter acontecido, ia ser melhor para os dois.
— Do que você está falando? — ele pergunta, num tom mais baixo que o de antes — Não...Ah, droga, por favor não vá Ay..Alexia. A gente não pode ficar assim, e-eu quero construir uma amizade com você.
— Por que, Jongdae? Isso não faz sentido, nada disso faz. Eu já tentei ser sua amiga antes e olha no que deu...
Oh, baby, pois não me importa onde você está
Só quero estar aí com você
E preciso sentir o gosto
— Porque eu gosto de você. Esse é o único motivo mas você não parece acreditar em mim — ele vem até mim, mantendo uma distância de pouco centímetros — O que eu preciso fazer para você acreditar em mim? Quer que eu grito para todos que eu gosto de você? Eu grito. Faço qualquer coisa para você acreditar em mim.
— Não é assim que você vai ter a minha amizade, o que aconteceu com a gente foi...— me calei quando Jongdae balançou a cabeça, parecendo um pouco inconformado e foi até a porta, me ignorando totalmente! — Hey! Onde você está indo?! Eu estava falando com você, seu louco!
Para meu espanto, Jongdae saiu andando sem rumo até encontrar uma pessoa e pará-la na rua. Observo, o vendo conversar com uma garota e apontar para mim. Fico vermelha, claro, que raios ele está fazendo?
A garota que ele parou dá risada e acena para mim antes de continuar seu caminho, quando penso que ele parou com sua loucura — porque só pode ser loucura — o vejo parar um casal que ia para a direção oposta da menina. Ele diz algo para o casal, que também ri e isso é a gota d'água pra mim. Ando até onde ele está e quando me deparo com os três rindo de algo que eu não faço a mínima ideia do que é, minha vontade é de bater na cara de Jongdae.
— Eu posso saber o que você está fazendo parando essas pessoas? — falo na cara mesmo, no momento estou pouco ligando para a educação que meu pai me deu.
— Bem que você disse que ela era nervosinha — o homem, que é um senhor de idade já, diz.
— Você disse o que? — seguro no braço de Jongdae, apertando-o.
— Que você é nervosinha — Jongdae se desvencilha do meu aperto e põe as mãos nas minhas bochechas, as apertando — Como você mesma pode ver, eu estou aqui dizendo para todos que queiram ouvir que eu gosto de você.
Açúcar
Sim, por favor
Porque não vem colocá-lo em mim?
Estou bem aqui, pois eu preciso
De um pouquinho de amor e simpatia
— Mas o que..?
— Você tem sorte em ter um rapaz tão amigável e decente, minha jovem — a senhora diz rindo e o senhor ao seu lado concorda — Ele parece gostar bastante de você
— Eu gosto, mas ela não acredita nisso — Jongdae se afasta um pouco de mim e faz um biquinho triste.
— Dê uma chance ao rapaz, menina! — o senhor fala — Quando o amor bate na sua porta você tem que atender. Até mais, garotos.
Olho de Jongdae para o senhor e do senhor para a senhora completamente pasma. Que raios é esse lance de amor bater na sua porta? Do que eles estão falando? O casal se despe de Jongdae e eu permaneço lá parada, apenas observando tudo e tentando assimilar o que acabou de acontecer.
— O que você quis dizer com aquilo de falar para todos que gosta de mim?! Você realmente tem algum problema?
— Tenho, e ele se chama Ayla. Na verdade, agora prefere ser chamado de Alexia — Jongdae parece uma criança feliz, sorrindo de forma totalmente fofa para mim. Argh, fofa, que droga!
— Que droga, menino! Você espera que eu fique caindo aos seus pés só porque você resolver fazer a linha romântico? Isso é um completo abs...
Sim, você me mostrou um bom amor
Faz tudo ficar bem
Preciso adoçar um pouco a minha vida
— Eu gosto de você — me interrompeu e se aproximou mais de mim — Eu.Gosto.De.Você. Só de você. E mesmo que você não acredite nisso ou que tenha outra pessoa em seu coração, eu vou continuar gostando de você e pode ter certeza que eu vou fazer de tudo para que esse sentimento seja reciproco.
Jongdae me abraçou. Não foi aquele tipo de abraço que damos quando conhecemos uma pessoa ou quando abraçamos um amigo, foi o tipo de abraço que damos quando sentimos algo mais que amizade pela pessoa, onde suas mãos me seguram firmemente e seu rosto se esconde na curvatura do meu pescoço.
— Não me desconsidere assim tão fácil, me dê ao menos uma chance, Alexia — eu consegui sentir seus lábios próximos do meu pescoço e seu hálito faz cócegas em mim — Só uma chance e eu prometo que vou ser melhor que aquele cara do passado.
— Tudo bem.
Açúcar
Sim, por favor
Porque não vem colocá-lo em mim?
Até agora eu não consigo entender o motivo que me levou a falar "tudo bem" naquele momento. Onde eu estava com a cabeça? Certamente não sei, mas talvez fosse porque ele pediu de um jeito tão fofo e a voz dele soou tão suave e o calor do abraço dele era de alguma forma estranha gostoso que talvez, só talvez, isso tenha me influenciado. Depois daquele momento super constrangedor — e até mesmo estranho — que tivemos, Jongdae me levou até minha casa, encerrando — Graças a Deus — o nosso "encontro". Minha mãe, é claro, fez mil e uma perguntas sobre esse tal "encontro" e disse pelo menos três vezes que Jongdae era um bom garoto, bem afeiçoado e de boa família, porém, não tão boa como a família Oh. Obvio que ela puxou saco para o Sehun, dizendo que eu devia também sair com ele, já Ye Jun achava que Yifan era um melhor partido mas é claro que eu fiz a questão de lembrá-los que Yifan já possuía namorada e que eu, em hipótese nenhuma, iria ter esse tipo de relação com aqueles garotos. Mesmo que Yifan tivesse me beijado, ou que Jongdae tivesse se declarado para mim e a aposta do Kyungsoo...Não. Eu não vou ter nenhum relacionamento com eles. Nenhum.
Sim
Quero essa cobertura
Quero a doçura desse açúcar
Não deixe ninguém tocar
A não ser que seja eu
Já era de noite quando recebi uma notificação do instagram no celular "@Rmon acabou de seguir você". Curiosa, cliquei no perfil e me deparei com um rapaz que parecia ser alto pelas fotos, loiro e...Amigo de Joonmyun. No perfil do rapaz que se chamava Namjoon existiam várias fotos com Joonmyun, ambos bebendo, assistindo um jogo de futebol, em alguma balada. Eu sempre soube que Joonmyun possuía amigos, alguns deles eu até mesmo conhecia mas esse Namjoon, nunca tinha escutado falar até o dia em que Joonmyun me deixou aqueles vários recados para mim enquanto estava bêbado. Ah, que vergonha. Ia sair do perfil dele quando vejo uma foto dos três: Namjoon, Joonmyun e Meredith. Ah, então a Meredith conhece esse tal amigo do Joonmyun? Mas que...Largo meu celular em qualquer canto da minha cama e suspiro. É claro que Meredith conhece esse amigo, afinal, ela é a namorada do Joonmyun. Caso não conhecesse, isso sim seria estranho. Ignoro o sentimento estranho que toma conta de mim e me levanto para tomar um banho, talvez assim eu me desligue um pouco desses garotos que acabam com minha sanidade.
Tenho que ser um homem
Não há outra saída
Pois, garota, você é mais quente que as praias do sul da Califórnia
Não quero brincadeira
Não tenho do que ter medo
Não venha se fingir de tímida
Tire a maquiagem
Esse é o meu
Contudo, o banho não ajuda em nada. E eu sei disso porque assim que chega a noite e eu me preparo para dormir, não consigo parar de pensar em Joonmyun. E acabo sonhando com Jongdae e o sorriso fofo dele e as suas palavras parecem viajar até mim, e quando eu acordo tudo que consigo pensar é na aposta que Kyungsoo fez comigo e que eu vou ter que vencer ou então encarar um encontro de casal com ele. Mas o pior de tudo, a coisa que me deixa pior do que eu já estou nesse lindo sábado é chegar na casa de Tao, tocar a campainha e ser atendida por ele com um sorriso no rosto enquanto a única pessoa que não sai da minha cabeça não é ele, e sim Sehun. Droga, por que isso está acontecendo?
— Estou tão feliz por você realmente ter vindo, Alexia! — Tao me puxa para um abraço e aproxima seus lábios do meu ouvido — Esse vai ser o melhor encontro da sua vida.
Açúcar
Sim, por favor
Porque não vem colocá-lo em mim?
Estou bem aqui, pois eu preciso
De um pouquinho de amor e simpatia
Sim, você me mostrou um bom amor
Faz tudo ficar bem
Preciso adoçar um pouco a minha vida
Açúcar
Sim, por favor
Porque não vem colocá-lo em mim?
Em mim, em mim, ooh
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