Notas iniciais
Eu não postei semana passada AAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHH que raiva. Me desculpem, sério, vocês me dão um feedback tão lindo e eu não consegui terminar o capítulo (verdade jdushfudhfh ai 3). Acho que é porque ficou meio tristinho e tals, mas aaaaaah, é preciso! Eu espero que no próximo capítulo essa áurea de tristeza passe. Vou tentar escrever o próximo capítulo hoje de noite (vamo que vamo q) pra postar amanhã já porque eu tô devendo capítulo da semana passada e dessa semana. Enfim, é só isso o que eu queria dizer mesmo. A música é Hero do Enrique Lindo Iglesias (gente, amo esse homem), se vocês escutarem, vão saber qual é porque acho que todos conhecem essa música (?). Bem, é isso ai. Boa leitura 3

Você dançaria
Se eu te chamasse para dançar?

O domingo passou tão rápido que não me surpreendi quando a segunda-feira chegou. Me senti mais cansada que o normal, pois fiquei pensando no que o Junmyeon disse e cada vez que eu pensava nisso, meu coração doía.

— Alexia, você está com uma cara de cansada.

— E eu estou mesmo — respondo a Hyun. Suspiro e coloco a mecha que cai em frente ao meu rosto atrás da orelha.

— Está tudo bem? — Yoora está com uma expressão preocupada. Tento sorrir, sem muito sucesso e digo que sim baixinho. É a quarta vez que elas perguntam isso durante as aulas que passaram e o intervalo. Yoora parecia um pouco perdida em seu próprio mundo, enquanto Hyun se distraía com Jin. Não que isso tenha me incomodado, de forma alguma, achei até melhor. Assim eu conseguia ter mais tempo para mim. O domingo ainda está fazendo efeito em mim.
Não falamos mais nada porque Dong Wook entrou na sala já explicando alguma teoria de física que eu não prestei muita atenção.
Deito a cabeça na mesa quando percebo que já sei a matéria que ele está explicando e começo a pensar — de novo — no que Junmyeon falou.
— Eu preciso de você.
— O que aconteceu? — a voz dele pareceu muito preocupada e eu conseguia imaginá-lo sentando-se em algum lugar para prestar melhor atenção ao que eu ia falar.

Você correria
E nunca olharia para trás?


— Não sei o que fazer — digo e seco meu rosto molhado pelas lágrimas com a mão livre. — E eu tô me sentindo tão mal agora.
— Não sabe o que fazer em relação ao que? — ele deu uma risadinha sem graça — Se você me contar o que é, talvez eu seja mais eficiente em te ajudar.
— Você não precisa saber — me ajeito na cama e fungo — Só quero que me diga que tudo vai ficar bem. Isso sempre ajuda.
O celular ficou mudo e por um momento pensei que ele tinha desligado.
— Tudo vai ficar bem.

Você choraria
Se me visse chorando?
Você salvaria minha alma esta noite ?


A voz dele soou tão doce e acolhedora que consegui sentir o carinho dele por mim através daquele simples aparelho.
— Eu sinto sua falta, Junmyeon — soltei sem pensar e a vontade de chorar volta — A cada instante que passo nessa cidade poluída e cheia de coisas que já não conheço mais.
— Também sinto sua falta. Muito.
Começo a chorar. Assim que me dou conta que liguei para o meu melhor amigo só para ficar chorando no telefone, as lágrimas saem ainda mais.
— Não chora, Alexia. — Junmyeon disse cuidadosamente. — Você sabe que eu odeio te ver chorando, não sabe?
— Sei — respondi fungando e tentando parar as lágrimas sem muito sucesso. — Eu tô tentando, Junmyeon.
— Eu sei que está.
— Mas por que é tão difícil? Não quero isso, não mais — já não me importei mais em parar as lágrimas. Minha visão estava meio borrada e eu segurava o celular como se de alguma forma pudesse trazer Junmyeon até mim. — Eu tento fingir que está tudo bem, mas nada está bem.
— Mas vai ficar bem? Não tenho certeza disso.
— Eu tenho, Lexia. — Junmyeon suspirou no outro lado da linha — Sei que deve estar sendo difícil a situação de agora. O que aqueles crápulas fizeram com você é horrível, nojento e não deveria ter perdão. Se fosse eu, teria acabado com todos eles.
É incrível como Junmyeon me conhece tão bem. Na hora eu nem precisei dizer sobre o que estava falando, pois ele já sabia. Ele era meu porto seguro, afinal das contas.

Você tremeria
Se eu tocasse seus lábios?
Você sorriria?
Oh, por favor, me diga isso.



— Porém, eu descobri uma coisa. Algo que vai te ajudar se você quiser seguir em frente na vida...Você quer, não é?
— Quero, é tudo o que mais quero — respondo, ainda segurando o celular firmemente.
— Você tem que perdoá-los.
Lembro que fiquei muda por um instante antes de explodir com meu melhor amigo.
— O que? Você tá de brincadeira, não é? — dou uma risada sem graça em meio as lágrimas. Ele fica em silêncio, confirmando que não, não é uma brincadeira — Como você espera que eu...Não. Não, Junmyeon, pelo amor de Deus! Como posso fazer isso? Depois de tudo o que eles me fizeram?! Toda vez que penso nisso, eu...

Agora, você morreria pela pessoa que ama?
Me agarre em seus braços esta noite.


— Fica com raiva?
— Mas é claro que eu fico com raiva! Me diga, como você, logo você, me pede para perdoá-los? — minha vontade de chorar já estava passando para raiva. E eu não queria sentir raiva de Junmyeon. Eu já sentia raiva de praticamente todos, como poderia sentir raiva dele também? Se nós brigássemos ali, eu perderia uma das pessoas mais importantes na minha vida. O medo de perdê-lo crescia em meu peito.
— Alguma vez eu já fiz algo que te machucasse? Ou magoasse? — a indagação de Junmyeon me fez parar de querer esganá-lo. Refleti por uns instantes, ainda fungando pro causa do choro, sua frase. Quando ele me ignorou um pouco assim que vim pra cá me deixou chateada. Mas não magoada e ferida.
— Não.
— Porque eu nunca faria nada para magoá-la, Alexia. Então, peço que acredite em mim quando digo que você tem que perdoá-los.
"Porque ainda me importo com você. Quero me redimir pelo que fiz você passar. Acredito quando diz que não é mais aquela garota que conheci, que mudou. Só peço que também acredite que eu mudei. Não sou mais aquele rapaz sem juízo de antes."
As palavras de Yixing vieram em minha mente.

Eu posso ser o seu herói, baby.
Eu posso beijar e afastar a dor.
Eu vou ficar ao seu lado para sempre.
Você pode me deixar sem fôlego.



— Se você tiver a oportunidade...— começou ele, assim que permaneci calada — De se vingar de alguém que te fez mal, e mesmo assim não se vingar, vai saber que superou. Contudo, se você acabar com essa pessoa, se ainda sentir raiva pelo o que ela fez, é porque não superou.
— Mas Junmyeon...
— Não importa o que eles fizeram, Alexia. Tem que perdoá-los. Não por eles, mas por você.
— Por mim? — do que ele está falando?
— Se uma pessoa te faz sofrer, ela tem poder sobre você. Se você não perdoa, a pessoa continua com esse poder. Você tem que se ver livre deles de uma vez por todas, Alexia.

Você juraria que vai ser minha para sempre?
Você mentiria? Passaria isso em mente?
Estou muito profundo? Eu perdi minha mente?
Bem, eu não me importo. Você está aqui está noite.


— Os perdoe, e então depois, perdoe a si mesma. Eu sei que você guarda magoa de você, Alexia. Não pode continuar assim.
Eu queria desligar e me afastar de tudo. Não estava preparada para ouvir aquilo, porque eu sabia que aquelas palavras eram a verdade. Eu tenho magoa de mim mesma. Sempre disse que me tornei outra garota, porém a realidade é que aquela Ayla nunca me abandonou. Eu só a tranquei a sete chaves em mim e tentei espelhar uma coisa que eu queria ser. Com o passar do tempo, eu realmente virei Alexia, a garota que sou hoje. O que acontece é que nunca percebi que só virei metade Alexia. Quando tranquei Ayla dentro de mim, eu errei. E é por ter sido um dia essa menina que eu me odeio. Com aquela ligação, ele me fez perceber algo que eu não sabia sobre eu mesma. Não sabia que estava perdida até Junmyeon me encontrar.
— Não sei se sou forte o suficiente para fazer isso.

— Sei disso. — ele riu baixinho e eu também, apesar do choro. — Não me importo em ser forte por você, Alexia. Quando não souber o que fazer e se sentir perdida, saiba que eu sempre estarei aqui para ser a sua força.

Eu posso ser o seu herói, baby.
Eu posso beijar e afastar a dor.
Eu vou ficar ao seu lado para sempre.
Você pode me deixar sem fôlego.

O sinal da última aula tocou. Sehun, Jongin e Kyungsoo tentaram falar comigo assim que saí, mas não quis conversa. Ainda estou muito abatida por tudo o que aconteceu. Não esperei Hyun e Yoora para irem comigo, disse que gostaria de ir sozinha dessa vez. E é o que estou fazendo agora. Nem ao menos passei na academia, não estou com cabeça pra isso agora.
Não devo estar muito longe de minha casa e isso me deixa um pouquinho feliz, afinal, eu demorei mais que o normal para chegar nela. Acho que deve ser por causa da conversa de Junmyeon.
"Quando não souber o que fazer e se sentir perdida, saiba que eu sempre estarei aqui para ser a sua força". Ah, essa frase literalmente acabou comigo. Se antes eu já tinha chorado muito, depois daquilo chorei tudo o que era pra chorar. Junmyeon em todo o momento continuou me dizendo palavras calorosas, tentando me fazer parar de me debulhar em lágrimas. Ele até contou algumas piadas bem sem graça depois que fiquei um pouco melhor.
Cheguei em casa estranhando os dois carros parados no outro lado da rua. Por que eu tinha a sensação de que os conhecia?
— Mãe, eu vou tomar um banho agora, tá? Não tô me sentindo muito bem — gritei, assim que entrei pela porta da cozinha. Minha mãe apareceu lá, com uma expressão surpresa.
— Ahn, querida, você tem visitas — ela diz, como se esperasse que eu soubesse disso.
Visitas? Agora? Fala sério. Bufo impaciente, e a contorno indo em direção à sala. Meu coração perde uma batida quando vejo quem são as minhas visitas.
— Me desculpe, mas eu não estou muito bem para receber visitas agora. — digo, evitando os olhares deles.
Os piores são de Chanyeol — que parece ver através de mim — e Yixing, que me olha com demasiada preocupação.
— Não sei se vamos conseguir nos reunir todos de novo, então peço que nos ouça agora, Alexia — Minseok se levantou do sofá, se aproximando aos poucos de mim — Yixing conversou conosco e...Bem, acho que temos algumas coisas para dizer à você.
— Não quero ouvir— sussurro. Dou um passo involuntariamente para trás quando Minseok se aproxima mais.
— Se você quiser, depois da conversa pode parar de falar conosco. Mas, por favor, nos escute agora — Sehun, que estava encostado na parede, vem até onde Minseok está, perto de mim, e segura minha mão.
Olho para seus dedos compridos segurando minha mão parada. Por que quando Minseok se aproxima, eu me afasto, mas não faço nada quando Sehun segura minha mão?
Engulo em seco, inspirando fundo e soltando o ar devagar. Uma hora ou outra terei que passar por essa conversa.
— Tudo bem — ignoro a expressão chateada de Minseok ao ver minha mão junta com a de Sehun e os olhares dos outros, assim como o fato de que eu tenho mais magoa de uns do que de outros. — Só vou tomar banho primeiro. Daqui a pouco eu desço, tá?
Me desvencilho da mão de Sehun, andando até as escadas, sentindo o ar pesado do lugar que estou saindo.
Ao chegar no quarto, deixo minha bolsa na cama e mando uma mensagem para Junmyeon.
"Acho que vou precisar daquela sua força agora"
Deixo o celular na cama e vou tomar banho, esperando que a água morna me dê coragem para ter uma conversa decente com os rapazes lá na sala. Fico mais tempo do que penso no banho porque aproveitei para lavar meu cabelo. Saio do banheiro usando uma toalha extra para secar meu cabelo quando o celular em cima da cama treme.
"Vai dar tudo certo, eu sei que vai"
É incrível como ele acredita em mim mais do que eu mesma.
"Como você sabe disso?" envio a mensagem e não demora nem mesmo um minuto para ele me responder.

Estou muito profundo? Eu perdi minha mente?
Bem, eu não me importo. Você está aqui está noite.



"Sei porque você é a garota mais incrível que eu já conheci."
"E porque eu tô aqui por você, mesmo de longe."

Eu posso ser o seu herói, baby.
Eu posso beijar e afastar a dor.
Eu vou ficar ao seu lado para sempre.
Você pode me deixar sem fôlego.
Você pode me deixar sem fôlego.
Eu posso ser o seu herói.