Notas iniciais
mais um surto da minha cabecinha... espero que vocês curtam!

A ausência do sol me confundiu um pouco, quando acordei. Havia me deitado por alguns minutos, apenas para tirar o cansaço imenso da viagem, mas acabei dormindo demais. Agora, já era noite e onde diabos eu ia arranjar emprego?

Enfim, ficar em casa é que eu não iria. Depois de um banho rápido, resolvi sair para conhecer a noite de Los Angeles, cidade para a qual eu tinha acabado de me mudar. Pensar no motivo que tive para isso fez a ferida no meu coração doer mais um pouquinho e sangrar. Papai. O cara mais gente boa do mundo, tão inteligente, devotado a ajudar as pessoas... bonachão, de piadas tão sem graça que faziam a pessoa rir só para não constrangê-lo, pois ele realmente acreditava ser engraçado... o cara que não perdia a fé nunca, nem mesmo depois de enterrar a esposa...estava morto. De desgosto, eu tinha certeza. E a culpa era minha... mas não era hora de pensar nisso.

Sacudindo a cabeça, saí do hotel e respirei o ar meio poluído da rua. Hora de começar vida nova, Milo. Não precisei pegar uma condução para chegar à Sunset Strip, pois estava hospedado no Andaz West Hollywood¹, por pura praticidade. Não, eu não sou rico, não era na época e nem sei se serei um dia, mas me hospedar num hotel super caro era só mais uma maluquice da minha cabeça. Meu dinheiro ia acabar em mais ou menos 48 horas, então era melhor que fosse bem gasto!

Estava bem, eu acho. Se não Feliz, tranquilo, pelo menos. Minha mente doente me trouxe até aqui. Vamos ver até onde mais ela vai me levar...

-oOo-

– Perdeu, loiro, perdeu!

Puta que pariu, que azar desgraçado esse, que na minha primeira noite aqui eu já sou assaltado? É tão óbvio assim que eu não sou daqui? Esquece, deve estar estampado na minha testa. Mas também, que se dane! Não tem uma arma apontada pra minha cabeça, tem uma faca... e com isso eu posso lidar! Esses três filhos da puta vão ver só uma coisa...

Foi isso que eu pensei cinco minutos atrás, antes de estar apanhando feito um cachorro. É, acho que sou forte, mas não sou dois... mas se eu vou me foder, faço isso lutando!

Estranho ver uma nuvem vermelha passar pelos meus olhos. Quer dizer, eu estou meio zonzo, mesmo, mas a vista avermelhada ou escura devia vir quando eu levei o soco na têmpora, não agora, certo?

Aah, mas é um cara! Ou o cabelo dele, no caso... ou uma alucinação, o que nessa hora já está dando quase no mesmo... só sei que, juntos, conseguimos colocar os ladrões pra correr. Mas, como a minha sorte tem sempre que ser a mais fodida, foram com a minha carteira.

– Você está bem? – escuto ao me encostar na parede. Tem gosto de sangue na minha boca e eu estou meio zonzo, mas fora isso...

– Tranquilo, estou bem, sim... ei obrigado pela ajuda...

– Camus. – O ruivo estende a mão e, ao apertá-la, não consigo deixar de admirar o tesão de criatura que os deuses colocaram no meu caminho. Uau! – E você é...

– Milo. De novo, obrigado...

– Não foi nada! Só... tenha cuidado, certo? Essas ruas são meio perigosas, à noite.

Coço a nuca, meio envergonhado. De repente me sinto um moleque levando bronca. Detesto o sentimento e tenho vontade de magoar o ruivo de alguma forma, mas presto atenção na camisa que ele usa e meu coração dispara.

– Hell’s Gate! Meu Deus, acho que os melhores álbuns da minha vida foram gravados nesse palco!

Camus sorri, obviamente orgulhoso. – Eu trabalho lá. – Juro, só com essa frase, já estou em meio caminho pra me apaixonar de vez por esse ruivo. Meus olhos parecem dois pratos, meu sorriso não desprega do rosto. Pobre Camus, ele deve estar meio assustado...

– Posso te pagar um drink no seu local de trabalho?

– Um tanto irônico, levando em conta que eu sou barman. Além do mais... é impressão minha ou eu acabei de salvar você de um assalto? A não ser que você guarde dinheiro na meia...

– Merda... e o pior que todo o meu dinheiro estava naquela carteira... todinho... – escorrego até o chão, rindo histericamente. Não sei que diabo me deu, mas não consigo parar de rir. – Você vai morrer de fome nessa cidade, seu idiota! – Digo pra mim mesmo, chorando de rir, rindo ainda mais quando vejo a cara intrigada de Camus. Meu diafragma dói, mas nem assim consigo parar de rir. Só quando ele segura forte meu braço e me levanta, o riso vai parando aos poucos.

– Sabe, um dos barmen largou o trabalho hoje à noite. Rada está enlouquecendo porque está com gente a menos e o show do Hades está chegando... então, se você for do tipo que aprende rápido, o emprego é praticamente seu.

– Ruivinho, acho que estou meio apaixonado por você... – brinco de dizer a verdade, só pra ver no que dá. Se ele for hetero, entre levar um soco e ficar sozinho, as opções são muitas. Qual não é a minha surpresa quando ele simplesmente passa por mim andando e solta, olhando para trás.

– E isso porque você ainda nem me viu cantar...

Notas finais
1 - O Andaz é um hotel caríssimo que fica pertinho da Sunset Strip. É tão caro porque já hospedou muitas celebridades, inclusive do rock, que se apresentavam em clubes como o Whisky a Go Go e o Roxy.

Como vocês já devem ter percebido, a história é meio que baseada em Rock of Ages porque eu sou surtada com esse musical e, imediatamente, comecei a ver meus babies lindos vivendo aquela época/história...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.