Love is the Cure
4 Capítulo 4
Notas iniciais
— Quem era? – Malia levantou a cabeça do travesseiro, fazendo com a coberta escorregasse um pouco, fazendo Stiles delirar ao ver um pedaço dos seios da menina.
— Ninguém importante. – Stiles atirou a bermuda para longe e correu ao encontro da menina, unindo suas bocas rapidamente. – Quem quero agora é você.
* * *
Lydia não sabia o que estava fazendo.
Ele realmente achava que Stiles, depois de ser ignorado e humilhado por anos, iria recebê-la com os braços abertos?
Sentada em sua cama, com lágrimas escorrendo pela face, agarrou seu celular e discou o número de Scott. Não demorou muito até que o lobisomem atendesse ao telefone.
— Alô?— a voz rouca de Scott ecoou no aparelho.
— Scott – Lydia tentou não soar tão ofegante. – Pode vir aqui?
O telefone ficou mudo por um segundo.
— Você estava chorando?— Scott pareceu confuso.
— Pode vir aqui ou não? – Lydia disse, rispidamente.
— Certo, chego aí em dois minutos.— e desligou.
O lobo não demorou mais do que o tempo estipulado para estar sentado diante de Lydia em sua cama.
Ele não disse nada, apenas segurou a sua mão firmemente, fazendo Lydia se sentiu segura. Ela realmente podia confiar nele.
— Eu acho que gosto de Stiles. – dizer aquilo era um grande passo e, por um lado, era libertador, mas assustador. Como ela teria certeza que Scott não diria nada para Stiles? Ela não teria. Só tinha que confiar no amigo.
Para Lydia, que sempre teve meninos caindo em seus pés – inclusive Stiles – era muito estranho dizer em voz alta que estava apaixonada por um menino que não podia ter.
Scott não disse nada, só encarou o chão por alguns segundos.
— Mas agora ele está com Malia... – Lydia choramingou apertando a mão do amigo com mais força.
O lobo permaneceu quieto.
— Diga alguma coisa. – Lydia mordeu o lábio. – Por favor.
— Olha, Lydia – Scott respirou fundo. – Stiles sempre foi apaixonado por você. E você sabia disso.
Lydia sentiu lágrimas queimando no fundo dos olhos. Ela tinha que ser forte.
— Eu me importo com você, mas Stiles merece ser feliz. – Scott continuou. – É a primeira vez em muito tempo que ele está feliz de verdade, e Malia o faz feliz. – Scott se levantou, largando a mão da banshee. – Se você se importa mesmo com ele, vai deixá-lo ser feliz.
* * *
Stiles sentiu as folhas secas fazerem cócegas em seus pés descalços.
Ele olhou ao seu redor, enxergando árvores altas e folhas secas espalhadas pelo chão. Aquilo não estava certo.
— Ora, ora, Stiles. – o sussurro rouco ecoou pela floresta escura. Stiles o reconheceu imediatamente. A voz que lhe assombrava em seus piores pesadelos. – Eu sabia que nos encontraríamos novamente.
— Saia da minha cabeça! – Stiles gritou, fechando os punhos com força.
— Você sabe que precisa de mim. – Stiles apertou as mãos com mais força. – Não minta Stiles. Ambos sabemos que você gostava de se sentir poderoso.
O sussurro ficava cada vez maia alto.
— Ambos sabemos que gostava de se sentir destemido. – Stiles mordeu o lábio com força, sentindo o gosto metálico do sangue invadir sua boca.
Por mais que tentasse negar, Stiles não podia mentir para si mesmo. Stiles gostava de se sentir poderoso e destemido. Mas não daquele jeito, não depois de ter causado a morte de tantas pessoas.
— Me deixe entrar, Stiles. – a voz, que antes era apenas um sussurro fraco, agora já estava tão alta que Stiles não podia suportar.
Virou-se para a direção oposta e pôs-se a correr, o mais rápido que pode. Quando não aguentava mais, encostou-se em uma árvore para recuperar o fôlego.
— Não adianta fugir de mim, Stiles. — Stiles apertou os dedos com mais força, sentindo a unha cravar em sua carne. – Estou dentro de você. Não há como impedir.
Stiles gritou, fechando os olhos com força. O sangue quente começou a escorrer por seu pulso.
— Stiles! – dessa vez, a voz não era o sussurro rouco do Nogitsune. Era o grito de seu pai, que o chacoalhava insistentemente.
Stiles olhou a sua volta. Estava em seu quarto, deitado em sua cama. Sua mão estava encharcada de sangue, que manchava seu cobertor.
— Foi só um pesadelo. – Stiles justificou para o pai, antes que o mesmo começasse a fazer perguntas. – Eu estou bem.
O xerife soltou um suspiro longo e se levantou, coçando a cabeça. Ele caminhou lentamente até a porta do quarto e a fechou.
Stiles se revirou na cama, sentindo como se estivesse deitado sobre algo estranho, como se seu lençol estivesse cheio de areia.
Ele se levantou, erguendo as cobertas manchadas de sangue.
Stiles arregalou os olhos ao ver que seu lençol, que antes era branquinho e macio, estava agora todo manchado de terra. E Stiles sabia exatamente o que aquilo queria dizer.
* * *
Assim que Scott foi embora, Lydia se desabou em lágrimas. Chorou tanto que seus olhos ardiam.
O lobo tinha razão. Ela ignorou-o a vida toda; não era justo com Stiles. Mas, por outro lado, ela não podia simplesmente esconder os sentimentos pelo menino.
Ela não sabia o que fazer. Pela primeira vez, se sentia perdida e desorientada. Lydia sempre tivera amigos que a apoiaram, mas agora, sem Allison, sem Jackson e sem Stiles, se sentia mais fraca e perdida do que nunca.
Ela se levantou da cama, secando as lágrimas e se dirigiu ao banheiro, abrindo a torneira que abastecia a banheira.
— Nada que um bom banho de banheira não resolva. – repetiu para si mesma, forçando um sorriso.
Despiu-se do vestido de flanela que vestia, sentindo o tecido macio deslizar por seu corpo frágil, e retirou os brincos de argolas com cuidado. Enquanto seus pensamentos voavam, o brinco escorregou por seus dedos e caiu em baixo da cama, ao lado de seus pés descalços.
Lydia ajoelhou-se ao lado da cama e mergulhou em direção ao chão, olhando debaixo da cama.
Além do brinco dourado, pode reconhecer outro objeto, definitivamente bem maior que um brinco, e mais volumoso.
Esticou o braço e agarrou-o. Era frio e tinha uma textura diferente. Tateou o objeto com os dedos e o puxou para a claridade, reconhecendo-o assim que conseguiu vê-lo com clareza.
Aquilo não podia estar acontecendo. Não podia.
Lydia, que tremia, agora segurava em suas mãos uma caixa de tramazeira com três grandes espirais estampadas em sua tampa. A caixa onde o Nogitsune havia sido trancado.
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