_ Merda. — ela murmurou se abaixando para pegar a panela.

_ Deixa que eu faço isso. — me agachei e a ajudei a jogar as panquecas no lixo.

_ Eu sou uma desastre na cozinha. — ela lavou as mãos com o detergente da pia.

_ Tá tudo bem. — menti, hoje era o dia de folgada da Nanny, a empregada.

_ Eu vou limpar o chão, droga, desculpa mesmo. — seus dedos se moviam rapidamente, ela estava nervosa.

_ Ei, tá tudo bem. — segurei seu braço parando-a por um segundo. — Olha só, vamos comer Sucrilhos com leite, é o melhor café da manhã de todos, vai por mim.

_ Achei que você não gostava de Sucrilhos. — ela se sentou no balcão da cozinha me observando arrumar o nosso "lanche".

_ Por que não? É uma delicia sabia.

_ Sabia. — ela apoiou os cotovelos na bancada e descansou seu queixo em suas pequenas mãos.- Eu como quase todos os dias mas achei que um cara como você não ia querer comer isso.

_ Um cara como eu? — questionei colocando o sucrilhos na pequena vasilha.

_ É. — ela me ajudou colocando o leite.- Independente.

_ Só me mudei da casa da minha mãe, ainda sou um completo inexperiente. Pra você ter noção, eu só almoço comida de verdade quando a Nanny está em casa ou quando minha mãe vem me visitar.

_ Poderia oferecer ajuda mas você já sabe que eu não levo jeito pra coisa. — ela comeu uma colherada de uma vez só me fazendo rir.

_ Viu só, já temos algo em comum. — guardei o resto do sucrilhos no armário e coloquei o leite na geladeira, depois peguei minha vasilha em cima balcão- Vem, vamos pra sala.

Ela riu e se levantou seguindo atrás de mim, o canto de sua boca estava melado de leite, aquilo era engraçado. Ela se sentou no sofá e apoiou suas pernas na mesinha que ficava no centro da sala, fala serio, eu fazia a mesma coisa. Liguei a TV e me sentei ao lado dela, ela parecia não comer a anos pois engolia tudo sem nem mastigar direito. Uma princesa sem modos. Eu gosto disso.

_ Você deve estar me achando uma louca né? — seus olhos me fitaram com curiosidade.

_ Pouquinho. — respondi rindo.- Não é todo dia que eu trago uma garota tão linda e bêbada pra casa.

_ Ah é? — ela riu- Aposto também que não é todo dia que te acordam do nada e destroem a sua cozinha.

_ Definitivamente.

_ Eu vou matar a Nath. — pigarreou fazendo uma careta.- Não acredito que ela me deixou sozinha ontem.

_ Eu não entendi o que aconteceu.

_ Eu só me lembro que dei a garrafa de vodca pra ela segurar, ai eu comecei a dançar como uma louca e ai do nada ela não estava mais lá, foi então que me dei conta de tudo, uns homens tentaram passar a mão em mim mas eu desci da mesa correndo e sai lá pra fora, acho que foi nesse momento que eu me joguei brutalmente na frente do seu carro, sou um completo desastre.

_ Então foi isso? — coloquei a vasilha em cima da mesinha, não estava com fome. — E ah propósito não era vodca, era tequila.

_ Era você não era, eu me lembro de ter te visto ainda lá dentro.

_ Sim, eu te vi quando estava saindo.

_ Nossa, você me viu daquele jeito, deve estar me achando uma maluca. — sussurrou preocupada.

_ Não, está tudo bem. — garanti me acomodando naquelas almofadas.-

_ Você mora em Jacksonville a muito tempo? Não tem cara de ser Estadunidense (quem mora noa Estados Unidos) .

_ Como você adivinhou? — chegou um certo momento em que eu não conseguia parar de sorrir, era incrível como ela era adorável.- Eu sou canadense.

_ Canadá e os seus atributos.- ela tirou suas pernas de cima da mesa e as encolheu abraçando seus joelhos sem desviar os olhos de mim.- Mas agora me diz uma coisa, está gostando daqui?

_ Moro aqui há pouco tempo, só um ano e meio.

_ Melhor que a vida inteira. — seu tom demonstrava aborrecimento em morar aqui.- Legal mesmo seria morar na Califórnia.

_ Praias?

_ Surfistas, festas loucas e insanas, muitos homens gostosos iguais a você e as melhores bebidas. — suas mãos fantasiavam as palavras sendo pronunciadas por sua boca.

_ Patricinha de Jacksonville querendo curtir a vida adoidado? Eu já tive a sua idade.

_ Ah qual é, quantos anos você acha que eu tenho?

_ 17? — chutei.

_ Nada disso mocinho.

_ 16?

_ Que isso. — protestou.

_ Não vai me dizer que tem 15 anos!

_ Eu tenho 25 gato, deveria ter notado pelo meu corpo sexy.

_ Uau, 25? Dá pra me explicar por que seu pai fica tão irritado quando você sai então?

_ É uma longa história, outro dia eu te conto. Posso comer o resto do seu sucrilhos? — seus olhos demonstravam uma fome insaciável.

_ Pode comilona. — peguei a vasilha e coloquei em suas mãos.

_ Obrigada. — ela esticou as pernas com um sorriso no rosto, o mesmo de uma criança quando ganha uma balinha.- Sempre que eu bebo fico com muita fome.

_ Engraçado, eu fico sem fome.

_ Não temos isso em comum. — ela riu divertida se deliciando daquele sucrilhos.- Mas e você, tem quantos anos?

_ Só 27, ainda sou um bebê.

_ Você só é dois anos mais velho que eu, nós podemos transar sabia?

_ O que? — arregalei os olhos.

_ Brincadeira, brincadeira. — ela deu um tapinha no meu ombro.