Notas iniciais
O primeiro capítulo acho que tá mais explicando em torno de que vai girar a fic, e tal. A Ludmila nem apareceu nesse ainda. Mas enfim... espero que gostem! Ah, e aqui tá o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=o00JnpoH3uw

O rei mais velho no local, Miguel, se levantou calmamente e caminhou até o outro, Davi.

– Então, nós temos um acordo? — perguntou calmamente e estendeu a mão.

– Sim, nós temos um acordo. — Davi sorriu e tentou soltar a mão de Miguel, mas foi impedido.

– Prometa-me que se algo acontecer à mim, você cuidará e protegerá meus filhos. — Miguel pediu, olhando nos olhos do outro. Era como se pudesse transmitir pelo olhar o que sentia, parecia que realmente sabia que algo aconteceria com ele em breve.

– Eu prometo. — balançou a cabeça positivamente — Mas, se algo acontecer comigo, você também terá o dever de cuidar e de proteger minha filha.

– Lhe dou a minha palavra de que assim será, caro amigo.

Assim os dois reis se despediram e deixaram o local. Miguel voltou para Pamolla naquela mesma tarde, mal esperava por rever seus filhos e sua esposa. Pamolla era um reino tranquilo na maior parte do tempo, cheio de famílias, comerciantes e camponeses. A maioria se conhecia. E Miguel era um rei adorado por todos.

Na mesma manhã, ele havia viajado em sua carruagem real ao reino Bennevole, à leste. Precisava rever um velho amigo e propor-lhe um acordo. Precisava de um juramento de fidelidade naquele momento em que os quatro reinos da região estavam prestes a desencadear uma guerra. Miguel precisava se assegurar que se algo acontecesse com ele, sua família teria apoio. E esse apoio não poderia vir de ninguém melhor que um amigo de infância, o rei Davi.

Agora o trato estava feito. Os exércitos de Bennevole e de Pamolla seriam unidos, e um seria a força do outro. De certa forma, isso tranquilizava um pouco os dois reinos.

Já estava escuro quando Miguel chegou ao seu castelo. Desceu da carruagem e, assim que entrou, foi recebido pelos seus dois príncipes.

– Pai, por que o Federico pode montar no seu cavalo e eu não? — Arthur cruzou os braços, bufando. Seu pai nem teve chances de se sentar no sofá depois de um longo dia.

– Federico é quase um adulto, meu filho, você ainda tem muito o que aprender. — Miguel suspirou e deixou seus pertences na grande mesa de centro do salão de entrada do castelo. Naquele momento, Federico soltou uma risada vitoriosa.

– Eu falei, pirralho! — ele falou rindo e se jogou no sofá.

– Meninos! Não acredito que estão indo incomodar seu pai depois de um dia longo como esse. — Clarissa, a rainha, apareceu no ambiente.

– Tudo bem, amor. — Miguel sorriu e se aproximou da mulher.

– E aí? — ela segurou as mãos do marido — Como se saiu?

– Melhor do que eu esperava. — o homem abriu um sorriso cansado — Fizemos o acordo.

– Sabia que conseguiria. — Clarissa também sorriu e beijou o rosto do marido carinhosamente — Arthur, — virou-se para o filho caçula — Hora de ir para a cama.

– Mas mãe... — protestou o pequeno.

– Mas nada, querido, vamos logo.

– Tudo bem. — ele suspirou, e então seguiu com a mãe para fora do cômodo.

O local logo ficou silencioso, podendo-se ouvir apenas o barulho da lareira.

Federico, o filho mais velho de 17 anos, encarou o pai. Era possível ver em seu olhar que algo o afligia.

– Pai? Tudo bem com o senhor? — perguntou, enquanto abraçava uma almofada e olhava diretamente para o mais velho.

– Sim, filho. Está tudo ótimo. — sorriu — Agora vá dormir, ande, amanhã você precisa acordar cedo para começar os treinos de espada.

Federico sorriu largo e se levantou em um pulo.

– Vou estar de pé as sete horas em ponto, pai, prometo. — e então se retirou.

Miguel riu ao lembrar-se de sua ansiedade para seu primeiro treino quando tinha a mesma idade que Federico. Os dois eram parecidos em muitas coisas, de certa forma. E o rei não poderia sentir-se mais orgulhoso por ter dois filhos tão maravilhosos.

Ele suspirou e encarou as chamas que subiam e desciam na lareira, lembrando-se da pergunta que o filho lhe fizera alguns minutos atrás.

Haviam tantas coisas...

Mas seus problemas eram só dele e de ninguém mais.

Compartilhá-los com sua família seria destiná-los a morte.

Tudo começou com um simples acordo. Os quatro reinos mantinham meios de ter ligações comerciais entre si onde todos saíssem ganhando e nenhum prejudicado. Os reinos se formavam de forma parecida com uma rosa dos ventos. Bennevole era à leste; Pamolla, ao norte. Ao sul, ficava o reino de Leras; e à oeste, o reino Faratall.

O rei de Faratall, Joseph, há muito tempo atrás, estabeleceu um acordo com o rei Miguel. Joseph tinha uma filha, a princesa Sofia, que tinha um ano a menos que Federico. E o acordo condizia à promessa de casamento de Federico com Sofia. Qual o motivo? Unir os dois reinos. Faratall era pequeno e não tinha muitas terras férteis, já Pamolla, possuía rios e plantações que poderiam abastecer os dois reinos e muito mais por anos. O acordo de casar os príncipes para unir os dois reinos tinha objetivo econômico. Mas... Miguel se arrependeu. Foi tolo em concordar desde o princípio. Conforme via Federico crescer, cada vez mais se culpava de ter que obrigá-lo a se casar com alguém que não gostava. Sofia fora visitá-los algumas vezes, e Federico a achava mimada e irritante. Que tipo de pai condenaria o filho à tortura de aguentar alguém por quem ele não amava até o fim de sua vida?

Foi aí que Miguel desfez o acordo. Rei Joseph não podia aceitar coisa assim. Acordos como esse existiam há séculos e ninguém o quebrava por uma questão pessoal. Os reis mais severos sempre priorizaram as riquezas, e os filhos serviam apenas para serem herdeiros do trono, para que o sobrenome da família não perdesse o poder.

Miguel sabia que teria que arcar com as consequências de quebrar o acordo. Não demorou muito para que Joseph lhe enviasse uma carta.

"Se você não irá compartilhar a sua terra por bem... Eu vou tomá-la, por mal."

Era apenas isso que dizia. Miguel sabia o que significava. Sabia que uma guerra estava prestes a começar, e o único jeito para que Joseph vencesse, era matando o rei de Pamolla. Miguel sabia que uma hora ou outra, ele iria pagar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.