Love is a mystery
24 Capítulo 25 - Eu me torno diferente perto de você!
Notas iniciais
Ela é linda, elegante, tem personalidade e é educada. O que ela ta fazendo comigo?
— Eu, a patroa e as crianças.
Eu sabia que tinha feito uma coisa muito errada, eu tinha consciência disso. Eu sempre fui um pouco ciumenta, ou talvez bem ciumenta, mas sempre agia assim mais com as meninas. Eu nunca tinha sentindo ciúmes de algum ficante meu.
Mas com Tracy, às coisas nunca parecia normais, digo ela me faz agir de um modo que eu não costumava agir. Tracy era diferente, passávamos a maior parte do tempo discutindo por coisas sem sentindo, mas de algum modo não conseguíamos ficar longe uma da outra.
– Eu acho que deveríamos começar com Drácula – Ouvi a voz de Julie, e já ia questionar o porquê desse filme, sendo que ela prefere mil vezes mais romances ou comédias, mas assim que botei meus olhos nela e em Violet eu pude entender o motivo da sua escolha.
Violet sorria animada com a escolha, e Julie parecia mais animada ainda pelo simples fato de tê-la agradado. Eu acredito muito que Violet e Julie podem dar certo.
Peguei meu celular que estava ao meu lado, e discretamente tentei tirar uma foto das duas enquanto elas sorriram uma para a outra. Uma das coisas que eu mais gostava era tirar foto, eu vivia tirando das meninas, elas me chamavam de fotógrafa particular delas.
– Se a Violet souber que anda tirando foto dela, você provavelmente é uma pessoa morta – Ouvi a voz de Tracy, e mesmo que eu não quisesse foi inevitável não sorrir.
– Estou pagando pra ver – Falei brincando, e depois olhei a foto no meu celular. Quem visse diria que as duas são um casal apaixonado, daqueles que você vê em fotos do tumblr que parecem que tiram às fotos mais lindas possíveis.
– Elas ficam bem juntas – Tracy voltou a falar, e eu fiquei feliz por saber que ela não era tão orgulhosa como eu, e que veio falar comigo – Você tem talento.
– Acha mesmo? – Perguntei animada, e ela fez sim com a cabeça – Meu sonho é ser uma fotógrafa.
– Você ira conseguir isso facilmente com seu talento – Pela primeira vez eu me senti tímida com a palavra de alguém, Tracy tinha algum efeito sobre mim e eu já tinha entendido isso, eu só não sabia como agir diante disso.
– Pode me mostrar onde o banheiro? – Pedi, e ela fez sim com a cabeça se levantando. Dei uma rápida olhando em Violet e Julie que estavam de mãos dadas, enquanto conversavam sobre algo. Eu podia parecer uma idiota, mais eu estava muito feliz pelas duas. Procurei por Allie e Kim, mas não encontrei nenhuma delas na sala, e meus pensamentos já começaram a me dizer que as duas estariam muito bem.
– Aqui – Ouvi a voz de Tracy me despertar dos meus pensamentos, e eu olhei para a porta a frente que ela apontava. Suspirei fundo, e encarei a garota de cabelos vermelhos a minha frente.
– Eu sinto muito – Falei arrependida, e ela me encarou sem nenhuma expressão. Eu não consegui entender o que Tracy queria, em um momento estávamos discutindo, em outro nós beijando, e logo em seguida agindo como se nada tivesse acontecido.
– Pelo que? – Tracy perguntou, mas eu senti que sua voz tinha um sutil tom de deboche.
– Você sabe pelo que – Falei me encostando na porta, Tracy revirou os olhos.
– Não, eu não sei – Tracy disse cruzando os braços, e parando bem na minha frente.
– Por que quer tanto que eu diga isso? – Perguntei já começando a ficar irritada, eu odiava ser pressionada, eu odiava me sentir sem jeito perto de Tracy, odiava como a garota sempre fazia com que eu me sentisse frágil.
– Você gritou comigo, me acusou de algo que eu não fiz, e o mínimo que pode fazer – Tracy falou, e depois abriu a porta do seu lado onde supôs que era seu quarto. Entrei nele, mesmo que ela não tivesse me convidado e nem pedido que eu entrasse, e caminhei até a cama.
– Como eu ia saber que você não estava em um encontro com aquela garota – Falei, eu sabia que eu estava errada na história, mas admitir isso era um pouco complicado para mim.
– Você não tem que saber de nada, a questão é essa. O que você tem a ver com isso? O que tem leva a acreditar que eu não posso ter um encontro? – Tracy gritou, e eu me senti acuada pela primeira vez.
Se fosse em outro caso, eu gritaria mais alto e diria que eu tenho a razão, mas agora tudo que eu queria era o colo de Julie e os cuidados de Allie.
– Nada – Sussurrei, eu não queria gritar com ela, eu não queria mais brigas por hoje.
– April... – Ouvi Tracy me chamar, e eu a olhei. Tracy me olhava com carinho apesar de tudo – Seja honesta comigo, estava com ciúmes?
– O que importa? – Perguntei arrogante, e me levantei da cama. Eu queria sair o mais rápido possível daquele quarto.
– Você gritou comigo, me chamou de idiota, safada, aproveitadora e muitas outras coisas, me acusou de usar você – Tracy disse entrando na minha frente, pelo visto a conversar não ia acabar agora – Não era o que fazia com os garotos?
– O que? Eu agia como eles, era mais fácil eu usar eles e dispensá-los, antes que eles fizessem isso comigo. Eu jogava o jogo deles – Falei, mas depois parei para pensar no que eu tinha acabado de dizer.
Eu fazia isso com todos os meninos, eu ficava com eles e depois eu sumia. Eu queria aproveitar tudo que eu podia, eu só me esquecia de como as pessoas poderia ver isso. E uma delas era Tracy.
– Eu não vou deixar que faça comigo oque faz com eles – Tracy disse totalmente fria, e eu entendia o ponto que em que ela estava tentando chegar.
Ela achava que eu faria o mesmo com ela, e provavelmente no começo era o que eu ia fazer mesmo, mas agora... Agora eu já não sei se eu queria a garota de cabelos vermelhos longe de mim.
– Eu não faria isso com você – Falei, e ela me olhou surpresa, mas depois eu percebi que ela não acreditaria tão facilmente em mim.
– Quem me garante? Eu vejo como os meninos olham para você, eu vejo como age com eles, eu nunca falei e nem briguei com você por isso. Não temos nada, quem me garante que seria diferente comigo, eu só fui à primeira garota que você beijou e na primeira oportunidade será trocada – Tracy disse ríspida, e eu senti um nó na minha garganta se forma.
Eu já tinha ouvido coisas piores, já me chamaram de coisas que ninguém gostaria de ser chamada, mas ouvir Tracy falar assim de mim, me machucava mais do que eu poderia imaginar.
– Por que está falando isso pra mim? – Perguntei com a voz fraca, eu estava quase chorando, e eu provavelmente choraria depois disso.
– Por que gosto de você idiota – Tracy gritou, e eu e a encarei surpresa. A garota a minha frente ainda parecia me olhar com carinho, mesmo que suas palavras demonstrarem outra coisa – Eu não vou deixar você me usar April, eu não vou ser só um experimento para você e muito menos vou deixar de tentar sair com outras garotas.
– Você é mais idiota do que eu pensava – Falei, e ela me olhou com o cenho franzido e com uma expressão confusa no rosto – Você já se pensou em pergunta pra mim se eu gosto de você? O que eu fazia antes não importa, você deveria ter percebido que eu não dei moral pra nenhum garoto que chegava em mim, deveria ter percebido como eu ficava quando me beijava, deveria ter percebido que eu só começo uma briga idiota com você para que não pare de falar comigo, deveria te percebi como eu coro quando me elogia e que isso não acontece com mais ninguém, mas você estava ocupada demais pensando em qual momento eu iria ter largar.
– Pera ai, você só começava a brigar comigo pra falar comigo? – Tracy questionou confusa, e eu abri a boca drasticamente.
– Você só ouviu isso? – Perguntei dando um tapa no seu braço, e Tracy me olhou com uma expressão séria.
– Não, eu não ouvi só isso – Tracy disse, e então suspirou fundo – April, o que sente por mim?
– Eu não sei direito, eu nunca senti isso. Eu só sei que não quero que saia com outras garotas, e nem que pare de ficar comigo – Falei e me aproximei mais perto dela – Eu sei o que já fiz, mas eu não sou mais assim. Eu não vou te trocar por algum garoto, e muito menos irei te usar.
– Eu acredito em você – Tracy disse, e então me puxou pelo cabelo colocando seus lábios nos meus. Seus lábios pareciam querer me devorar, suas mãos já puxavam meu cabelo de leve, minhas mãos já caminhavam livremente por dentro da camisa de Tracy.
Eu e Tracy nunca tínhamos feito nada, apesar de quase já ter chegado lá, mas algo me impediu aquele dia. Talvez a imagem de garota segura e forte, não fosse sempre assim. Eu tinha meus momentos de insegurança, e maioria era sempre com Tracy.
Tracy me empurrou de leve na cama, enquanto se deitava por cima de mim, como na primeira vez em que tínhamos nós beijado. Nosso beijo começava a ficar cada vez mais intenso e urgente, e às mãos de Tracy começaram a passar por dentro da minha blusa até chegar ao meu seio.
– Minha vontade sempre foi fazer você gemer, até que não posso aguentar mais – Tracy sussurrou, e em seguida uma de suas mãos apertou meu seio. Sua boca chupava meu pescoço, enquanto sua mão foi até a barra da minha camiseta pronta para subi-la.
Se não fosse alguém bater na porta.
– Meninas, o filme vai começar – Ouvi a voz de Allie, e pela primeira vez desejei matar a pequena.
– Acho melhor se apressarem – Ouvi a voz de Julie, e xinguei ela internamente na minha mente.
– Acho melhor irmos – Tracy disse se levantando, e eu bufei totalmente frustrada.
Abri a porta e dei de cara com as duas que me olhava com sorrisos inocentes no rosto, se fosse em qualquer outra situação eu me comoveria já que ambas sabiam fazer uma carinha de inocente muito boa, mas nesse momento eu estava planejando um jeito de matar às duas.
– Eu sei o que estão fazendo – Murmurei entre dentes, e depois passei por elas com Tracy ao meu lado. Fiz questão de pegar na mão da garota de cabelos vermelhos, queria que ela entendesse bem que não a trocaria e nem a deixaria.
– Violet, você devia ver a foto que tirei do seu momento de fofura com sua namorada – Sim, eu sei que sou provocadora. Mas eu amava implicar com Violet, era muito legal ver a garota irritada.
– Que foto? – Violet perguntou primeiro olhando para Julie, e depois me olhando já com aquela expressão séria. Peguei meu celular, e mostrei a foto que tinha tirado.
– Não está fofa? – Provoquei. Tracy já ria ao meu lado, e logo depois Kim e Allie riam. Pela cara de Violet, eu provalvemente teria problemas.
– Está fofo mesmo – Julie falou sorrindo, mas seu sorriso morreu no exato momento em que Violet a olhou com uma cara séria.
– Apaga isso – Violet ordenou, e eu fiz não com a cabeça. A garota estava muito enganada se achava que me dava medo ou algo assim. Eu gostava de Violet, mesmo sendo grossa e fria, eu sabia que ela tinha um ótimo coração.
– Nem a pau, a Julie até gostou – Falei e só pra provocar olhei para Julie – Depois te passou a foto, e você pode colar no mural.
– Se ela colar no lugar onde está aquele garoto, pode até ser – Violet disse deixando todas na sala surpresas, e o sorriso que Julie deu mostrava que ela já tinha concordado com a ideia.
– Onde às puritanas estavam? – Perguntei agora provocando Allie e Kim, eu não acreditava realmente que as duas fossem tão santas como mostravam. Eu sabia que Kim só era fofa assim com Allie, mas que eu não duvidava que ela fosse tão safada quanto às outras duas, já Allie só era tímida, mas eu também não duvidava que entre quatro paredes a baixinha pudesse se revelar.
– Não te interessa – Allie disse, e todas me vaiaram, enquanto eu mostrava a língua para Allie.
– Eu estou começando a achar que esse filme não vai rolar – Tracy falou, e Julie ficou de quatro indo até o aparelho de DVD e o ligando.
– Sua bunda é grande mesmo – Comentei distraída, e Julie me olhou com uma expressão de descaso. Enquanto as outras pareciam da uma conferida no que eu tinha dito.
– Realmente – Kim disse, e logo em seguida recebeu o tapa da baixinha ao seu lado, enquanto Violet estava com uma expressão séria.
– Será que podem parar de olhar para a bunda dela? – Violet pediu e depois puxou Julie pela cintura, fazendo a garota se sentar ao seu lado, enquanto dizia algo no seu ouvido.
– Você gosta de anões? – Perguntei para Kim, e Allie me fuzilou com o olhar.
– Eu gosto, sempre gostei da branca de neve – Kim respondeu meio avoada, e todo mundo na sala riu, enquanto Allie a encarava com descrença.
– Isso é uma ofensa para mim – Allie disse fazendo um bico, e depois Kim deu um beijo na bochecha da menor que logo sorriu. Apesar das duas serem mais quietas, eu não podia deixar de reparar em como formavam um casal bonito ou como elas pareciam aqueles casais fofinhos.
– Ta na hora do filme, cala a boca todo mundo – Violet disse, e todo mundo calou a boca quase que imediatamente. A garota tinha moral, eu tinha que admitir.
– Você não tem moral comigo – Falei, e Violet pegou uma mão cheia de pipoca e jogou na minha cara – Isso foi baixo.
– Fica quieta – Violet falou, e eu decidi calar a boca. Tracy passou a mão por cima do meu ombro, e eu deitei a cabeça no seu ombro. Eu ainda não sabia direito o que sentia por Tracy, mas eu também sabia que nunca poderia a deixar pensar que eu faria a mesma coisa que faço com os meninos com ela.
Tracy é diferente, ela faz com que eu seja aquela menina que eu nunca quis ser, aquela que sorri feito boba, aquela que acredita no amor, aquela que sonha acordada com o momento de vê-la.
O problema é que agora eu estava me tornando à menina que eu disse que nunca seria. E o pior é que eu estava gostando disso.
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