Love is a mystery
8 Capítulo 8 - Caos
Notas iniciais
"No seu caos interior, encontrei minha calmaria perdida."
– Acaricia.
Respirei fundo, tentando pensar em algo que não fosse em como aquela professora era chata, ou em como April dormia encima da mesa como se não houvesse amanhã.
“Tédio, tédio, tédio... Deus vou cometer suicídio”
Pensei, enquanto olhava para as horas no celular, esperando que essa tortura acabasse. Ninguém merecia aula de química.
“Eu não me importo o que vai fazer... Só fica quieta”
Levei um pequeno susto ao ouvi a voz de Violet na minha cabeça, tudo bem eu meio que tinha esquecido que ela podia me escutar. Suspirei e olhei para os lados, vendo se ninguém tinha visto meu pequeno susto.
“Eu não fiz nada dessa vez”
Certo, eu fiz sim. Eu confesso que dês da hora que cheguei ao colégio, eu estava pensando o quanto meu dia estava ruim, como a escola é uma merda, como April podia ser uma amiga melhor é fica acordada me poupando de ter que gritar pra que ela acordasse depois.
“Você fez, sabe disso. Eu não consigo me concentrar ouvindo você resmungar. Então só cala a boca”
“Já vi que seu humor de manhã é pior que tudo”
“Você não vai precisar cometer suicídio, eu mesmo te mato”
“ Eu tenho sentimentos, ok?”
“Foda-se. Eu estou nervosa. Quando eu fico nervosa, tudo que eu preciso e fumar, e advinha eu não posso fumar aqui”
“Você fuma?”
“Não, eu faço igual ao Gus de a culpa é das estrelas, eu coloco o cigarro na boca e pronto, uma metáfora sabe?... Deixa de ser burra, é óbvio que eu fumo”
“Não que eu aprove isso, mas você traz cigarro para o colégio?”
“Sim, no meu armário. Por quê?”
“Qual e a senha?”
“19675”
Levantei a mão pedindo para a professora se eu podia ir ao banheiro. Sai da sala, e fui até o armário de Violet, eu já sabia qual era de tanto ficar a olhando.
Essa frase suou de um modo estranho.
Abri o armário e peguei um cigarro e o isqueiro, e depois os escondi dentro de uma bolsa que Violet tinha dentro do armário. Sai de lá indo até a sala de Violet, e bati na mesma dando de cara com a professora de Física.
– Licença, mas a treinadora está chamando a Violet – Falei colocando a minha melhor cara de santinha, e a professora deixou Violet sair.
– O que diabos está armando? – Violet perguntou assim que saiu da sala. Sorri, e a puxei pela mão até um lugar que eu conhecia e que às pessoas não costumavam ir.
Era tipo um jardim que ficava atrás da quadra. Poucas pessoas conheciam aquele lugar. Abri a bolsa, e entreguei às coisas para Violet.
– Eu ainda te acho chata, mas valeu por isso – Violet disse e me lançou um pequeno sorriso, antes de acender o cigarro.
– Você sabe que isso faz mal a saúde né? – Perguntei e ela revirou os olhos, enquanto tragava o cigarro.
– Eu sei, mas eu não fumo o tempo todo. É só quando estou muito irritada – Violet justificou, e eu assenti positivamente.
– Assistiu a culpa é das estrelas? – Perguntei zombeteira, e ela me olhou séria.
– A culpa e da Cloe e da Olivia, elas encheram meu saco o dia todo – Violet respondeu, e depois suspirou profundamente – Aquilo é uma merda. Como alguém chora?
Desviei meu olhar do seu, e a ouvi soltar uma risada debochada.
– Você chorou não, é? – Fiz sim com a cabeça, e ela revirou os olhos novamente – Por quê?
– Porque a história é linda. Ela mostra que mesmo em tempo difíceis é possível você amar alguém – Falei olhando nos seus olhos. Violet jogou o cigarro no chão e depois pisou encima.
– Eu não sei se concordo – Violet disse depois de algum tempo em silêncio.
– Você já amou alguém? – Perguntei, e vi Violet desviar o olhar, talvez eu não devesse ter perguntando aquilo.
– Há muito tempo, mas não importa – Ela respondeu fria, e depois deu de costas saindo e me deixando ali sozinha. Era a segunda vez que ela me deixava sozinha.
–---***----
– Por que não me acordou? – Ouvi April questionar, assim que me sentei ao seu lado na mesa. A aula já tinha acabado, e era hora do intervalo.
– Estava ocupada – Falei sem entrar em detalhes, suspirei profundamente e senti os olhos de April me examinarem.
– Sinto que isso tem a ver com Violet, mas tudo bem – Ela falou, e depois vi Allie entrar pela porta. Infelizmente Allie não era da nossa sala.
– Alguém sabe o que cor preta significa? – Allie questionou se sentando na cadeira da mesa à frente. Peguei meu celular ao entender o que ela queria dizer, e pesquise para ver se encontrava alguma coisa.
– Aqui diz que preto significa: falta de energia, doença, morte iminente.
– Morte? – Allie perguntou, e eu fiz sim com a cabeça – Isso não é bom.
– Em quem viu isso? — Perguntei, e ela mordeu o lábio com força.
– Foi em uma garota. Eu nunca a tinha visto por aqui, eu só sei que a aura dela estava bem preta, e ela parecia estar a ponto de cair a qualquer momento – Allie disse, e eu fiquei confusa se deveria ou não avisar pra Violet sobre isso.
– Vamos – Falei, me levantando e sendo acompanhada pelas meninas. Saímos da sala, e Allie foi nós guiando até onde a tinha visto a garota pela ultima vez. Quando ela chegou, apontou para uma garota sentada um pouco mais distante de todas.
Caminhamos até onde ela estava, e nós sentamos na sua frente. Ela notou nossa presença, erguendo a cabeça, seus olhos pretos nos olharam com curiosidade e eu notei que elas estava bem branca.
– Esta tudo bem? – Allie perguntou carinhosa, e a garota fez sim com a cabeça. Vi April a avaliando, e depois a olhar bem nos olhos.
– Está mentindo. Então me diga a verdade, está tudo bem? – April perguntou com um olhar sério, e a garota respirou bem fundo.
– Tenho asma, e esqueci a bobinha em casa – A garota respondeu fraca, e depois concluiu – Não consigo andar até a diretoria e ninguém aqui é muito solidário.
– Ela não vai conseguir chegar ao hospital a tempo – Allie sussurrou no meu ouvido, foi então que me lembrei que ela tinha uma prima com o mesmo problema que tinha morrido ano passado – Eles vão demorar para chegar aqui, você sabe disso.
Olhei ao redor vendo se alguém nos observava mais ninguém olhava para nós. Peguei na mão da garota a minha frente e a apertei, tentando passar confiança. Olhei para April que pareceu entender o que eu queria dizer, e saiu correndo.
Continue apertando a mão da garota, e logo a diretora apareceu com April ao lado.
A garota sorriu para mim antes de se levantar, e eu franzi a testa confusa. Antes de ouvi-la sussurrar baixo um ‘obrigada’.
–--***---
– O que fez? – Fui parada por Violet na frente da minha sala, seu olhar era sério e eu a encarei confusa – Com a garota do pátio?
– Eu ajudei. Ela tem asma – Falei simples, mas Violet continuava com o olhar sério.
– Não Julie, ela tinha asma. Tinha. – Ela fez questão de enfatizar bem o ‘tinha’ – O que você fez?
– Eu não sei – Falei e sai caminhando na frente. Eu realmente não sabia o que eu tinha feito, eu só ajudei a garota, nada mais que isso. Estava pronta para sair do colégio, quando me lembrei que Violet disse estar irritada, e provavelmente ela estaria mais ainda agora. O que resultaria em cigarros.
Algo que eu desaprovava completamente, apesar de admitir que ela fica sexy fumando. Droga... Eu disse realmente isso?
– Sabe eu estou louca pra tomar sorvete – Falei parando ao seu lado no armário. Ela me olhou com tédio, e depois fechou seu armário com certa agressividade.
– E daí? – Perguntou impaciente, e eu suspirei. Era bem difícil conseguir algo de Violet.
– Você vai me levar pra tomar sorvete – Falei, e ela me olhou como se eu fosse alguma idiota.
– Melhor espera sentada – Falou e passou por mim, indo em direção a saída do colégio. Corri paro o seu lado, e sorri meiga.
– Eu te ajudei na hora do cigarro, está me devendo uma – Falei e ela parou me olhando com um olhar frio.
– Eu realmente estou começando a achar você um encosto – Violet falou, e eu decidi ignorar essa pequena ofensa – Só estou fazendo isso por que me ajudou.
Sorri e Violet bufou andando na frente. Que mania que ela tinha de me deixar pra trás.
–---***---
– Isso daqui não é uma sorveteria – Falei assim que paramos na frente de uma pizzaria.
– Admiro muito seus momentos de inteligência – Violet resmungou, ela ainda parecia bastante irritada e eu estava em um conflito interno se eu devia pergunta ou não o que estava a deixando assim.
Desci do carro quando vi que ela não esperaria que eu saísse dele.
– Por que viemos de carro? — Perguntei enquanto entravamos na pizzaria. Violet andou até uma mesa um pouco mais afastada, depois me olhou como se a resposta fosse bem óbvia.
– Caso não se lembre, sou uma líder de torcida, acha que seria normal andar em uma moto? — Balancei negativamente a cabeça. Vi uma ruiva andar na nossa direção com um sorriso enorme, e olhei para Violet que tinha um pequeno sorriso para ela.
Decidi ignorar as duas, e mandar uma mensagem para April e Allie avisando que eu estaria na pizzaria.
“O que vai querer?”
Ouvi Violet me pergunta pro pensamento, e me questionei porque ela não falou isso com a boca.
“Calabresa”
Ela falou o pedido para a garota, que tocou no seu ombro sutilmente e depois saiu. A olhei de canto.
– Não pergunte — Violet falou, e eu suspirei frustada — Ai meu Deus, tudo bem pergunta logo.
– Transou com ela? — Perguntei direta, e ela me olhou por alguns segundos antes de responder.
– Eu nunca nem disse que sou lésbica — Violet resmungou, fingindo estar ofendida e eu fiz uma careta.
– Você nem olha para os garotos, tem um sentado um pouco a nossa frente que qualquer garota estaria morrendo e ele não tira os olhos de você – Falei e Violet olhou para o garoto que eu falava. Eu tinha que admitir que o garoto era uma coisa de outro mundo. – E o jeito que falou com ela, ou o jeito que ela tocava sutilmente em você, só me provam que transaram.
Esperei alguma reação de Violet. Mais quando ela ia abrir a boca para me responder a garota apareceu com a pizza. A garota sorriu animada pra Violet e me ignorou saindo de vista.
– Eu errei? – Perguntei debochada, e Violet continuou encarando a pizza à frente.
– Não, você acertou – Violet disse sem animação, e eu abri a boca surpresa – Por que está surpresa se você mesma fez a suposição?
– Ela tem cara de vadia – Falei simplesmente e peguei um pedaço de pizza. Violet pegou um também, e depois me encarou.
– Costumo sair com essas – Respondeu, e eu abri a boca surpresa novamente- Para de fazer isso.
– Por quê? – perguntei e ela levou um pedaço de pizza até a boca. Fiz o mesmo esperando ela me responder.
– É mais fácil, se você acha que vai encontrar um garoto que vai achar super normal você ter esses poderes e você vão se amam pra sempre. Esquece – Violet disse friamente, e eu continuei a encarando – Alem do mais, sexo basta.
– Não basta não – Retruquei, e ela me olhou com uma sobrancelha arqueada.
– Você é virgem? – Ela perguntou, e eu fiz sim com a cabeça – Quando perde a virgindade vem até mim e fala isso novamente.
A encarei por uns segundos, enquanto ela mordia o pedaço de pizza.
– Se pudesse se definir em uma palavra qual seria? –Perguntei, e Violet me encarou confusa. Certo, a pergunta foi meio confusa, mas me bateu essa curiosidade.
– Acho que é caos – Ela falou, e quando percebeu que eu não tinha entendido, completou – Eu sou um caos por dentro.
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