Love is a mystery
28 Capítulo 29 - Surprise
Notas iniciais
"Apaixone-se por alguém que, mesmo com milhões de motivos pra ir, escolha ficar."
– Capitule.
– Não vamos fazer isso, nem sonha Violet — Kim reclamou assim que eu falei o que eu queria fazer, não era tão complicado assim e às vezes Kim mais parecia a nossa mãe. Bem, se eu tivesse uma mãe.
– É arriscado Violet, apesar de sabermos do seu poder.... Isso pode dar errado né? — Tracy perguntou meio insegura, não era normal a garota de cabelos vermelhos ficar assim, mas parece que depois de conhecer as meninas todas ficamos um pouco mais sentimentais?
– Nunca deu, por que daria agora? — Perguntei, e elas se deram por vencida quando viram que não teria como me impedir — Depois vamos a uma balada.
– Isso é algum tipo de teste? — Kim perguntou debochada, e eu revirei os olhos. Catei algum cigarro na minha bolsa, e logo estava me sentindo mais relaxada.
– Aconteceu alguma coisa? — Tracy perguntou parando ao meu lado, e eu preferi não encarar ela. Tinha acontecido algo, óbvio que tinha. Eu tinha estragado tudo, eu estava me envolvendo mais do que devia.
Eu tinha a chamado de amor, dormido abraçada com ela, quase bati em um garoto por ciúmes dela.
Sempre ela.
– Eu preciso pensar em algumas coisas — Murmurei, e então Kim parou do meu outro lado. Era impressionante como elas sempre sabiam quando eu estava mal, apesar de que eu nunca mostre isso para elas ou fale diretamente.
– Julie né? — Kim perguntou, e eu me limitei a fazer sim com a cabeça — Está gostando dela.
– Eu não sei — Respondi terminando o cigarro, e depois o jogando pela sacada. Ficamos alguns segundos em um silêncio agonizante, as meninas pareciam saber o que eu estava sentindo.
Teve um tempo em que eu era mais legal, não que eu algum dia eu tenha sido uma garota fácil de lidar. Teve um tempo em que eu achava ter uma família, até os malditos poderes aparecerem. Teve um tempo em que eu tinha uma namorada, e eu achava que a amava. Talvez na época eu realmente a amava.
Então os poderes estragaram tudo. De novo.
Foi quando eu decidi que não iria me amarrar com ninguém, eu viveria somente para sexo. Era bom, eu gostava da vida que eu tinha antes, mas agora tudo parecia ter mudado.
Parece que agora a todo momento, eu podia escutar quando eu chamei Julie de amor, e como aquilo pareceu tão certo.
– Vamos fazer isso — Falei encerrando aquele silêncio.
–--***---
– Por que alguém faz uma ponte no meio do nada? — Kim questionou assim que descemos do carro. Tracy a encarou como se isso não fosse o importante agora, e realmente não era.
– Vai mesmo pular? Da ultima vez você saiu com bastante coisa quebrada — Tracy provocou, e eu revirei os olhos. Eu sabia que ela estava preocupada, mesmo sabendo que um dos meus poderes era justamente um dos que não permitiria que eu me machucasse tanto assim.
– Deixai de ser fresca — Falei brincando, dei um tapinha no seu ombro e caminhei em direção a escada que tinha pra subir. A ultima vez que eu tinha feito isso, eu estava emocionalmente acabada. Parecia idiotice, mas pular lá de cima me dava à impressão de que eu estava livre, eu me senti bem, muito bem mesmo. Abri os braços e senti o vendo bater contra meu rosto, é uma ótima sensação.
Senti meu corpo ficar leve, e então saltei. Parecia um suicídio, mas aquilo era quase como minha salvação. Apesar de quando eu caio no chão, o impacto não é um dos mais agradáveis. Assim que meu corpo bateu contra o chão, eu grunhi com um pouco de dor, nada que não desse pra suportar.
– Quebrou alguma coisa? — Kim perguntou correndo na minha direção, e eu levantei vendo que meu braço estava quebrado e estava torto. Kim vez uma cara de dor, e eu simplesmente coloquei meu braço no lugar. Sem dores.
– Hm, pernas — Tracy falou apontando para minha perna que também estava torta. A coloquei no lugar, e limpei minha roupa que agora estava rasgada e suja de terra.
– Regeneração celular, incrível não? — Zombei e passei por elas. Eu tinha dois poderes assim como as meninas, regeneração celular e telepatia. Eu amava meus poderes apesar de tudo, mesmo que às vezes tudo que eu queria era ser normal. Uma pessoa normal morreria se pulasse da altura que eu pulei, mas para mim era tão simples.
Simples como chupar uma balinha.
– Querem saber? — Eu gritei me virando para olhar as duas que saltaram para trás com o grito que eu dei — Eu a chamei de amor, eu dormir abraçada com ela como vocês sabem já que ela mandou a foto para vocês, eu quase bati em um garoto por que eu estava morrendo de ciúmes dela. Eu senti algo que eu nunca tinha sentindo, como se ela me fosse minha, só minha. Eu poderia matar aquele garoto só por simplesmente olhar para ela daquele jeito, eu ando de mãos dadas com ela como se fossemos namoradas, eu a abraço e eu odeio abraços. A um problema ai, não tem?
– Eu não acho que vá querer ouvir a resposta pra isso — Kim respondeu, e eu engoli em seco. Voltei a caminhar em direção ao carro, e as garotas vieram em silêncio atrás de mim.
– Vamos a uma balada — Fale indiferente, e elas se olharem sem falar nada. Talvez fosse idiotice, mas eu precisava tirar a prova se o que eu realmente estava sentindo era o que eu pensava. Eu estava quase preste há fazer vinte anos, e depois de tantas garotas que eu tinha dormido ou beijado, como eu podia gostar logo de uma que tem dezesseis anos e ainda veste roupas fofinhas que às vezes nem condiz com a idade dela.
Apertei o volante com força e tentei me concentrar na estrada a frente. Eu sabia que era um daqueles dias em que eu me trancaria no quarto, choraria em silêncio e lembraria-se de tudo que eu tinha passado. Eu era feliz antes, ou eu achava que era já que tudo desmoronou de uma hora para outra. Tudo que eu acreditava ser verdadeiro foi embora em um piscar de olhos.
Eu me sentia tão sozinha, mesmo que algumas vezes era como se eu pudesse ouvir alguém falando comigo, ou sentia que alguém estava me olhando. Eu não saberia dizer como. Eu nunca tinha conhecido meus pais verdadeiros, tinha sido abandonada quando eu ainda era um bebê, meus pais adotivos eram incríveis, mas não por muito tempo.
– Devo lembrar que a unica que pode ser curar aqui é você, se continuar correndo assim vai matar agente — Tracy reclamou do meu lado, e eu parei o carro no acostamento. Eu não ia conseguir dirigir.
– Você dirige.
–----****----
– Eu sou a unica que sente como se estivesse fazendo algo errado, sem estar fazendo algo errado? — Kim gritou ao nosso lado assim que entramos na balada. Ela realmente parecia meio fora do lugar, o que era raro de acontecer, porque mesmo sendo a mais quieta de nós quando o assunto era pegar garotas ela não ficava para trás.
– Me sinto assim também. Que grande merda — Tracy reclamou ao meu lado, ela parecia entediada e eu estava me sentindo do mesmo jeito. Pelo visto eu não era a unica que estava passando por momentos diferentes — Olha aquela ruiva. Ela é linda, mas adivinhem? Eu não sinto vontade de beijar ou foder ela.
– Muito menos eu — Falei fazendo uma careta. A ruiva com toda certeza era linda, tinha aquele corpo de mulher, jeito daquelas mulheres fatais e ainda parecia ser boa de cama. Eu provavelmente teria pegado ela em outra situação.
– Se continuarmos assim não iremos fazer teste nenhum — Kim disse, e eu concordei com a cabeça. O plano era beijar uma garota e ver o que sentíamos quando a beijássemos. Mas pelo visto beijar uma garota já estava sendo mais difícil do que podíamos imaginar.
– Eu não transo deve ter uns dois messes. Eu acho que estou entrando em crise — Falei e as meninas riram ao meu lado, eu estava fazendo drama e elas sabiam disso. Se eu estivesse realmente ligando para isso eu já teria transando com qualquer garota gostosa que passasse, mas eu ainda estava esperando a Julie estar pronta. Porra eu estava ficando sentimental demais.
– Foda- se. Temos que fazer isso — Tracy disse bebendo um pouco de vodka e se levantou. Ela caminhou até a ruiva, e depois Kim me olhou com um sorriso de lado.
– Seja o que Deus quiser — Kim disse e se levantou também. Bebi um pouco de vodka do copo de Tracy, e me levantei caminhando entre todas aquelas pessoas até que eu achasse alguém que me atraísse.
– Olha só quem está aqui — Parei com um sorriso de lado, assim que vi minha antiga ficante. Ou seja lá o que ela tinha sido.
– Oi — Nesses momentos eu estou tendo uma crise de memória, do qual eu não faço à mínima ideia de qual seja o nome dela. Acontece muito isso comigo.
– Vejo que está sozinha — Ela voltou a falar, e eu sorri meio sem jeito. Eu não fico sem jeito, ah não ser com os pais da Julie que me tratam como se eu fosse da família. Eu definitivamente amo os pais dela, e como eles me tratam.
– Não estou mais — Falei, não aquilo não era uma cantada para ela. Era mais algo que eu deveria dizer pra mim mesma, porem a garota pareceu entender outra coisa já que começou a se aproximar de mim e me abraçar pelo pescoço.
– Adorei a resposta — Merda. Eu devia sair fora dali, mas parecia que todo o meu jeito de ser ignorante e grossa tinha ido embora, o que não podia acontecer de jeito nenhum.
– A resposta não foi para você, nem nunca será. Agora adeus — Falei me soltando dela e entrando no meio das pessoas a procura das outras duas.
– Esquece o plano — Tracy apareceu do meu lado, e depois Kim apareceu e agente saiu da balada. Nós encaramos e começamos a rir desesperadamente.
– Estávamos parecendo garotas virgens e indefesas — Kim falou, e depois todas nós respiramos fundo. Percebi que Tracy estava com uma garrafa de vodka nas mãos, e ela sorriu de modo travesso enquanto balançava a garrafa no ar.
– Estamos sozinhas, nada melhor do que ficarmos bêbadas também — Tracy disse, e eu revirei os olhos pegando a garrafa da sua mão e tomando um gole de vodka. Eu adorava beber, adorava fumar, adorava transar... Acho que essas eram as únicas coisas que eu achava que nunca poderiam faltar na vida, e agora eu percebo o quanto eu estava iludida. Ou talvez o quanto eu estivesse tentando enganar a mim mesmo.
Eu precisava de mais, eu sempre precisei.
– Sabem o que isso significa né? — Kim perguntou enquanto pegava a garrafa da minha mão. Eu a encarei, eu sabia que ela e Tracy já tinham noção do que sentiam e só vieram para não me deixar sozinha, quem realmente estava na pior era eu.
– Vocês já sabiam há muito tempo, quem precisa pensar sou eu — Falei dando um piscadinha na direção delas. Caminhamos até o ponto de táxi e depois fomos direto para o nosso apartamento. Assim que chegamos às meninas foram dormir, e eu decidi ficar na sacada enquanto tomava um copo de café e olhava a vista que tinha ali de cima.
Senti meu celular vibrar no bolso, e percebi que era uma mensagem da Julie.
J: Hey, eu sou queria desejar boa noite... Hm, e acho que desculpa?! Por tirar aquela foto.
Sorri, quando vi que aquela não era a unica mensagem. Julie tinha mania de falar demais quando ficava nervosa, e pelo visto ela estava nervosa.
J: Você está bem? Tipo bem mesmo? Você sumiu, me deixou plantada me frente à sorveteria, depois não me ligou. Nem uma ligação Violet. Eu estou parecendo surtada agora? Certo, eu estou. Desculpa por isso!
Era impossível não gostar de Julie, talvez por isso eu goste tanto dela... Ela é tão diferente das garotas que eu costumava ficar. Sempre gostei das mais velhas, que fossem independentes, que fossem fortes e diretas. Não que Julie não seja forte, eu sei que ela também me esconde algo sobre essa cisma que ela tem com a barriga e a vergonha de ficar semi nua na minha frente, mas eu não tinha direito alguma de cobrar alguma coisa, afinal eu não tinha contado nem metade da minha vida para ela.
Não que eu confiasse nela, e só que ainda me doe lembrar-se de tudo aquilo, e me doeria mais ainda contar pra ela quem eu já fui. Eu tinha construído uma imagem, a imagem de garota forte e corajosa. Aquela que nunca chora e sempre sabe o que fazer. Por esse lado eu ficava feliz pela vida ter me ensinado a ser forte e não depender de ninguém.
Eu não acho que eu seja a melhor pessoa pra ficar com a Julie, eu nem ao menos sei se eu conseguiria ser uma boa namorada. Naquela época quando eu tinha quinze anos e tive minha primeira namorada, eu fazia de tudo por ela. Eu compraza flores, eu era educada, gentil e romântica. Eu a amava tanto, mesmo que ela fosse uma líder de torcida não assumida e eu fosse à esquisita adotada que ninguém queria ser amigo. Eu não me importava eu estava ali por ela, mas ela me largou. Como se eu fosse nada, como se nunca tivesse significado nada para ela.
Foi nessa mesma época que os poderes apareceram, eu era nova, eu não entendi muito bem porque eu tinha que ser tão diferente das outras meninas. Eu nunca me machucava, poderia quebrar perna, braço, qualquer coisa, mas eu não sentia aquela dor que pessoas normais sentiriam. Eu podia pular de uma ponte como fiz hoje e sair intacta ou quase isso. Eu podia ouvir os pensamentos de todos a minha volta, foi quando eu comecei a ficar agressiva, eu não conseguia controlar aquelas vozes dentro da minha cabeça e ter pessoas implicando comigo não me ajudava em nada.
Ainda tinha aquela voz, de uma mulher adulta que sempre parecia me ajudar. Eu sempre sentia a presença dela quando eu era menor, e agora eu não sinto tanto quanto antes, mas de algum modo eu sei que ela ainda está aqui.
Por tempos eu me julguei uma aberração, eu queria ser normal, como todo mundo. Eu achava que sou eu era a estranha, até conhecer outras pessoas como eu. Não que eu tenha ficado feliz por isso, eu estava mais fria e grossa e ninguém tinha coragem de vim conversar comigo. Pelo menos quase todo mundo, tirando Kim e Tracy que eram caras de pau o bastante para chegarem perto de mim, depois veio o Noah que um completo idiota, mas que eu acabei virando amiga, depois descobri sobre Olivia a irmã que eu nem sabia que eu tinha.
Mas depois eu me acostumei com tudo isso, depois tudo virou parte da minha vida. Eu e as garotas como somos as mais velhas sempre ficávamos responsáveis por procurar mais de nós, a cada ano alguma de nós ia para outra cidade, pais, ou até mesmo todas íamos juntas. A cada passagem éramos alguém diferente, algumas vezes nós vestíamos de garotas góticas, outras nerds, lideres de torcida... Tudo para que ninguém desconfiasse de nós. Esse ano era para ser a mesma coisa, eu só não esperava por três garotas que se meteram onde não eram chamadas. E quem ia imaginar que isso faria com que eu fosse gostar da mais curiosa de todas.
– Você ainda está acordada — Ouvi Tracy resmungar, e soltei um risinho de leve vendo o cabelo bagunçado da garota a minha frente.
– Sem sono — Falei, e apontei para ela sentar na cadeira ao meu lado. Estendi a caneca com café na sua direção e ela bebeu um pouco.
– No começo é complicado Vi — Tracy falou, e eu a olhei confusa, enquanto a mesma alisava a caneca — Admitir que esteja apaixonada, eu sei que é difícil... Mas ela não vai ser como aquela garota.
– Por que ela é como nós? — Perguntei ironicamente, e ela suspirou antes de me responder.
– Não, por que ela está apaixonada por você — Eu estaria mentindo se dissesse que ouvir isso não me afetava, que não mexia comigo e me deixava de certa forma feliz.
– Mas... Ela também estava apaixonada por mim, não é? — Perguntei ingenuamente, às vezes ainda era como se eu fosse aquela garotinha de quinze anos que acredita nas pessoas, que nunca imaginaria que alguém me machucaria aquele ponto.
– Ela te largou. Se ela te amasse o pouco que seja ela teria ficado ao seu lado Vi. Teria ficado ao seu lado como a Julie fica — Tracy falou, e eu mordi o lábio com força. Eu me lembrava de quando tinha visto Julie pela primeira vez, de longe parece uma daquelas patricinhas cheias de não me toque, mas logo eu vi o quão boa ela era. Sempre estava sorrindo, ajudando alguém ou lendo algum livro sobre sobrenatural.
– Você gosta da Julie em — Zombei tentando descontrair o clima tenso que tinha ficado, e Tracy riu se jogando para trás.
– Ela tem uma bela bunda — Tracy falou, para em seguida fazer uma cara de safada, e eu dei um tapa no seu braço — Ai, isso doe sabia?
– Eu sei, então não fale da bunda dela — Falei meio enciumada, e ela riu do meu lado percebendo isso também.
– De uma chance a ela Violet, deixei às coisas rolarem como estava antes do seu surto, mostre para ela seu mundo — Tracy disse ficando série, e eu sorri de lado.
– Ela não vai gostar de saber que gosto de me jogar de lugares alto — Zombei e ela riu, enquanto concordava com a cabeça freneticamente.
– Pode apostar, ela vai querer te matar. Isso por que ela realmente se importar com você, então tente não pensar muito nessas coisas e deixa fluir — Tracy falou fazendo um movimento com a mão, e eu revirei os olhos pegando a caneca da sua mão — Vou voltar a dormir, faça o mesmo.
Tracy me deu um beijo na testa, e depois saiu me deixando sozinha. Suspirei profundamente e peguei meu celular.
V: Hey, está tudo bem. Não precisa se preocupar comigo, agora pode dormir (eu sei que provavelmente estava esperando um sinal de vida minha). Boa noite meu anjo.
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